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sábado, 12 de julho de 2014

Brasil encerra sua participação de forma melancólica


O Brasil terminou de forma melancólica a participação na tão esperada Copa do Mundo no país. Depois dos 7x1 contra a Alemanha pelas semifinais, o Brasil foi derrotado na decisão do terceiro lugar para a Holanda por 3x0 e encerrou a sua participação com dez gols sofridos em dois jogos, batendo o recorde de gols sofridos (14) em sua história de disputa de Copas.

No fim das contas, o quarto lugar ainda foi lucro para a Seleção Brasileira, que mostrou fraco futebol ao longo da sua campanha na Copa, não conseguindo sequer reproduzir a esquemática de jogo que lhe deu o título na Copa das Confederações que, diga-se de passagem, é tratada com desdém pelos times que participam por ser um teste para a Copa do mundo.  A Holanda sequer forçou e mesmo assim conseguiu uma vitória tranquila contra um desorganizado Brasil, que teve o domínio da posse de bola, porém não conseguiu oferecer perigo ao goleiro Cillessen, que foi um expectador de luxo da partida.

Quanto ao jogo, o Brasil teve o chamado “apagão” nos primeiros minutos, caindo em um veneno holandês que se aproveitou da marcação adiantada da Seleção e se aproveitou dos espaços da defesa para conseguir um pênalti logo no primeiro minuto, em um lance onde o árbitro Djamel Haimoudi errou duas vezes, pois foi falta fora da área de Thiago Silva em Robben, e o zagueiro brasileiro deveria ter sido expulso (levou apenas o amarelo) em virtude de ter parado o adversário em um lance de chance clara de gol. Van Persie cobrou e abriu o placar. 

Fotos: @fifaworldcup_pt 
A Holanda não parecia disposta a se arriscar, até em função do time não ter esta característica, porém aproveitou o momento de colapso emocional, tático e técnico da Seleção para abrir o segundo, em uma boa jogada na direita com Robben que gerou um cruzamento de De Guzmán, uma falha de David Luiz e uma sobra com total liberdade para Blind fuzilar na altura da marca do pênalti. 

2x0 com 15 minutos, que poderiam virar goleada se o time holandês mostrasse pelo menos um espirito competitivo que não pôde ser detectado na partida e nem nas declarações de Van Gaal, que questionou a necessidade de se disputar o terceiro lugar. O ritmo holandês foi de um treino coletivo, porém suficiente para deter a Seleção Brasileira, que teve a oportunidade de ficar com a bola para propor o jogo, porém não teve criatividade nem organização para levar perigo para o gol holandês.

O Brasil terminou a partida com 58% de posse de bola e 11 finalizações, sendo apenas duas em direção ao gol, porém apenas duas na partida inteira são dignas de registros. Ambas em finalizações de Oscar, que deram trabalho para Cillessen. No mais, um festival de chutes afobados que eram facilmente bloqueados pela defesa holandesa ou que iam longe do gol, mostrando que sequer houve pressão do Brasil em busca de reação.

No final da partida, em uma boa jogada pela direita entre Janmaat e Robben, a bola sobrou para Wijnaldum aumentar ainda mais a melancolia das 68.034 pessoas que se dispuseram a assistir “in loco” a partida, além dos milhões de telespectadores.

A Seleção holandesa terminou de forma invicta a sua participação na Copa do Mundo. Van Gaal chegou em 2012 para realizar uma reformação no elenco e para montar um time minimamente competitivo para 2014, atingindo o objetivo e deixando um, já que o treinador consolidou De Vrij e Blind na defesa, além de revelar jovens como Depay, Clasie e Veltman.

O Brasil termina a Copa com muitas incertezas e com pouco legado, já que hoje poucos jogadores são inquestionáveis. Colocaria apenas Thiago Silva e Neymar nesta condição, enquanto outros jogadores como Oscar, Willian, Paulinho e Marcelo deverão ter continuidade no próximo ciclo. Porém a forma como o futebol é tratado no país precisa ser revista, já que há um decréscimo de qualidade técnica nas últimas gerações, que chegou há algum tempo no Campeonato Brasileiro e que hoje respinga na Seleção. Por outro lado, não há evolução tática dos treinadores, que utilizam metodologias e esquemas obsoletos, não acompanhando a tendência coletiva de compactação e intensa ocupação dos espaços, que deixam o país do futebol longe de ter uma Seleção que possa ser considerada a melhor do mundo.

A Alemanha mostra um horizonte, com um programa de capacitação e aperfeiçoamento de jogadores nas Categorias de Base, baseado em disciplina e métodos que começam desde a garimpagem de jovens jogadores e treinadores, dispostos desde cedo a aperfeiçoar seus fundamentos técnicos e a aplicação tática, para que o futebol local evoluísse, e como consequência, o nível da Seleção melhorasse. A federação alemã começou praticamente do zero depois do vexame na Europa de 2000 e não se enganou com o vice-campeonato da Copa de 2002 para implantar o projeto, que já trouxe resultado na Copa de 2006 com um terceiro lugar, um novo terceiro em 2010 e que agora poderá lhe dar um título mundial, que não vem desde a Copa de 1990.

No Brasil, não há padrão nem métodos nas categorias de base, largada às moscas para que empresários possam enriquecer à custa dos clubes. Desde cedo, os jogadores já são tratados como mercadorias e são blindados com altos salários e mordomias, que barram a sua evolução natural. Não há mais um programa que favoreça o amadurecimento dos jogadores, enquanto que os clubes também sofrem com a política das federações estaduais e da CBF, que obriga-os   a disputar os Campeonatos Estaduais e não dá tempo no calendário para treinamento/capacitação com amistosos contra equipes europeias, que favorecem o distanciamento do futebol brasileiro para com o europeu.

O Brasil precisa mudar, encontrar soluções pois a classificação para a Copa de 2018 é uma incógnita, já que com este grupo e geração, a promessa será de uma eliminatória difícil.  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pilulas do dia seguinte...

Neste momento em que escrevo o post, faz pouco mais de 12h que o árbitro Marco Rodríguez apitou o final do trágico Brasil 1 x 7 Alemanha, que desmoralizou o futebol brasileiro com o maior vexame da história da seleção local e acendeu a luz vermelha, já que os sucessivos anos de luz amarela não foram suficientes.

Talvez apenas na segunda, quando termina efetivamente a Copa para o Brasil, tenhamos pronunciamentos oficiais mais condizentes com a realidade, já que ainda há a decisão do terceiro lugar no sábado, e um novo vexame poderá acirrar ainda mais as emoções.  Até agora, as declarações não expressam o tamanho do vexame, que não foi apenas uma derrota por 1x0 no tempo normal ou nos pênaltis. 

Uma tragédia como esta não pode ser analisada apenas por um ou dois fatores. Ao longo de todo o planejamento para a Copa em casa, ocorreu uma série de problemas, que se somados em um dia em que sequer uma solução criativa surgisse, culminariam em uma grande decepção, que jamais será esquecida.

Entre os minutos 20 e 30 da partida, quando a Alemanha saiu de um ainda reversível 1x0 para um irreversível 5x0, via uma seleção bem organizada enfrentando um emaranhado de juvenis, que sequer conseguiam tocar na bola, parecendo dois esportes completamente diferentes. E a Alemanha ficou no sétimo gol por pena, já que mesmo com o freio puxado, o time de Joachim Löw poderia ter chegado a uma dezena de gols. 

E agora? Os problemas já foram explanados ontem no post que fiz da partida (leia aqui). Qualidade técnica dos jogadores não é mais a mesma, há um atraso tático e em uma era de informação, há a desinformação sobre o adversário. Muitos destes problemas são em razão do Brasil ainda se considerar o melhor futebol do mundo, algo que não é há muito tempo, e que respinga na formação de jogadores, treinadores, etc. O futebol brasileiro é tomado pela política de pessoas ultrapassadas, que apenas olham para o seu umbigo e se mantém no poder através de uma estrutura obsoleta e que é respaldada pela paixão do público-alvo, a torcida, incapaz de tomar atitudes para mudar alguma coisa, em razão disso respingar no seu clube, onde há amor incondicional. 

Twitter do presidente do Atlético-MG Alexandre Kalil escrevendo verdades

Alguém poderia me questionar: “Ah Radamés, então quer dizer que a culpa é minha?”. Infelizmente responderia que sim, pois a estrutura atual do futebol brasileiro favorece todos que estão no processo, menos o torcedor, que paga caro por um serviço na qual é marginalizado.  É um singelo aceite, já que não importa a vitória jogando o pior futebol do mundo ou em função de uma força externa, como da política, ajuda financeira ou da arbitragem. O que importa é ganhar, mesmo que isso inviabilize eternamente o clube financeiramente. 

Enquanto isso, o futebol perde, pois não há um grande elemento capaz de mudar os rumos, que a cada ano tornam-se mais nebulosos. Com tanto respaldo, há uma desvirtualização do real sentido do esporte, que serve de base para a entrada de pessoas cada vez mais capitalistas, algumas corruptas, que se interessam apenas nos ganhos em função do alto poder de geração de renda que a modalidade possui no país, devido aos amantes condicionais do esporte. Se a estrutura é lucrativa para todos que estão no processo, porque haveria o interesse em mudar alguma coisa?

Capa do Jornal Extra
O único que poderia mudar este rumo seria o contribuinte de fato, isto é, o torcedor, nem que isso implique em dificuldades iniciais para o seu amado clube. Atualmente, cada torcedor, sócio ou não, paga caro por algo que se for mais bem analisado, não lhe dá retorno. Qual foi a última grande atuação do seu time, excetuando os famigerados estaduais? 

Cada um precisa ter em mente que o futebol é tratado para você como uma religião, porém é um negócio lucrativo para todas estas estruturas. Os jogadores não são guerreiros, são empregados que ganham fortunas em função deste mecanismo. E cabe apenas a você mudar isso, cobrando.

Enquanto não houver uma cobrança mais efetiva, os dirigentes terão carta branca para fazer o que quiserem, como contratar irresponsavelmente jogadores de notável incapacidade técnica, treinadores obsoletos que não acompanham a evolução tática do futebol, e que mais adiante respinga na Seleção Brasileira, já que o futebol praticado no país fica com mercado cada vez mais restrito na Europa, que efetivamente trabalha e desenvolve o jogador.

Na próxima semana, teremos a volta do Campeonato Brasileiro, sinônimo de tortura psicológica ao telespectador em virtude da sua baixa qualidade técnica. O admirador do esporte, cuja grande parte é torcedor de algum clube irá esquecer o vexame sofrido pela Seleção Brasileira? Também irá esquecer a qualidade técnica dos jogos da Copa do Mundo, protagonizados até por Seleções de segunda ou terceira linha do futebol mundial? A Seleção Brasileira não é um caso a parte, já que é formada por jogadores que um dia atuaram no seu clube, e que provavelmente não receberam o desenvolvimento adequado. 

Não vejo grande possibilidade de mudança se não vier uma forte cobrança por parte do torcedor/telespectador, que poderia prejudicar financeiramente a famigerada estrutura. Haveria apenas o governo, preocupado com uma eventual eleição, mas que logo adiante abriria mão do futebol. Então, o futuro do futebol brasileiro depende muito mais de mim e você, do que do fulano ou do ciclano. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Era melhor ter ido ver o filme do Pelé...


Pela semifinal da Copa em Belo Horizonte, a Seleção Brasileira acabou sofrendo uma surra da Alemanha, com direito a quatro gols em seis minutos, entre os minutos 23 e 29, que transformaram em vexame, já que a desvantagem e inferioridade eram tão grandes, que não havia sequer uma chance de mudar a história que estava sacramentada. Os brasileiros ainda puderam ver o centroavante alemão Klose marcar e ultrapassar Ronaldo como o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols

Poderia escrever o post do mesmo padrão dos demais desta Copa, com um resumo da partida e observações, porém desta vez farei diferente, já que os gols todos viram ou virão em algum telejornal, quase todos originados da mesma forma, com um toque de bola frio e sereno, fruto de um esquema tático bem definido e organizado, aguardando o melhor momento para definir a jogada. Somente o primeiro gol foi originado em bola parada, um fundamento que a Seleção Alemanha possui e que já definiu classificação contra a França.

A Alemanha não virou um “mega-time” da noite para o dia, já que o Selecionado de Joachim Löw enfrentou muitas dificuldades ao longo da sua trajetória, tendo uma trégua apenas na estreia contra Portugal, onde o time marcou 4x0, mas teve superioridade numérica por mais de 45 minutos e ainda teve um pênalti questionável que originou o primeiro gol. Imagino que nem os alemães esperavam tanta facilidade ofensiva para marcar, já que a Alemanha finalizou 14 vezes na partida, sendo 10 em direção ao gol. E só não finalizou mais porque não era mais conveniente forçar, já que o resultado estava consumado e havia a possibilidade de poupar forças para a final.

Fotos: @fifaworldcup_pt
O problema foi o próprio Brasil, que mostrou não ter soluções para amenizar a perda de Neymar, além da suspensão de Thiago Silva ter feito falta. Ocorreu uma má condução de fora para dentro, já que toda a comoção em função da lesão do Camisa 10 acabou entrando para o vestiário, retirando o foco do grupo, além de criar um peso emocional extra que não foi suportado após o gol sofrido, quando aconteceu um verdadeiro “apagão”.  Já no caso de Thiago Silva, a tentativa de anular o cartão desmoralizou o reserva, Dante, que é bom zagueiro, mas que em nenhum momento foi publicamente incentivado. 

Mesmo que tivesse a disposição o seu 11 ideal, projetaria um favoritismo alemão, que possui um time e grupo superior. O Brasil mostrou na Copa e nos amistosos preparatórios que possuía uma equipe de nível intermediário, e que com muita sorte poderia chegar até uma semifinal ou até uma final. E deu sorte, tanto no seu grupo, onde a classificação contra México, Croácia e Camarões foi tranquila graças à interferência da arbitragem em pelo menos três jogos, enquanto que nas oitavas o time foi inferior ao Chile e conseguiu eliminar o adversário, além de eliminar no sufoco a Colômbia. Nas semifinais, o Brasil era o candidato mais fraco, e passou a impressão que foi além das suas reais possibilidades, algo que fica de certo ponto mascarado em função de ser o país sede. 

A preparação toda foi mal conduzida. Começou em 2010 com Mano Menezes, que não conseguiu criar uma base muito menos um time. Felipão assumiu em 2012 e só conseguiu mostrar resultados na Copa das Confederações em 2013, um torneio onde as seleções não dão tanta importância, o que superestimou a força do Brasil para a Copa do Mundo. Já na Granja Comary, ocorreram muitos holofotes, com treinos sendo seguidamente interrompidos em função de entrevistas para televisão, com ações sociais e outras coisas que serviram apenas para atrapalhar. 

Neste ano de intervalo, equivalente a uma temporada europeia, ocorreram transferências de jogadores do grupo campeão para o exterior, que resultaram na perda de seus ritmos de jogo, casos de Bernard e Paulinho. Marcelo, Neymar, Oscar e Fred sofreram lesões e ficaram um bom tempo parados, enquanto que Júlio César enfrentou problemas para conseguir um clube, tendo que ir para a Major League Soccer. Felipão se escorou em seus homens de confiança e procurou mantê-los no time até as últimas circunstâncias, por mais que as atuações mostrassem a necessidade de mudança. Fred, por exemplo, fez o Brasil parecer que jogava com um a menos todos os jogos. 

O Brasil de Felipão resumiu-se a tentar (porque, na realidade, sequer conseguiu) reproduzir a formação da Copa das Confederações, que acabou manjada pelos adversários, além de não conseguir repetir a marcação intensa e sob pressão do ano passado, o que aumentou ainda mais as dificuldades e reduziu as chances de sucesso. O planejamento seguia ao estilo “vida loka”, sem estudar o adversário e saber de suas principais virtudes. 

Além disso, não houve um plano de contingência para o caso de algo dar errado, deixando o Brasil a mercê que tudo de positivo na Copa das Confederações desse certo, além de Neymar brilhar cada vez mais. A Seleção Brasileira mostrou ao desavisado torcedor que o atraso técnico e tático chegou a sua equipe, e que a diferença em relação a Alemanha foi abissal. Até então, os culpados dos fracassos do Brasil nas últimas duas Copas eram facilmente elencados e eliminados, porém ainda havia um time e jogadores com capacidade para desequilibrar, o que dava esperanças para que um novo técnico assumisse e levasse a Seleção para o caminho certo. 

Porém veio uma geração perdida, a partir de 2006, e que nunca se firmou, havendo a necessidade de uma reformulação total a partir da Copa de 2010, que não foi planejada e que na realidade não aconteceu. Quantos jogadores da seleção atual jogariam em 2002, por exemplo? Imagino que muitos responderão Thiago Silva, David Luiz e Neymar. Os demais são bons jogadores, porém questionáveis, sem haver qualquer opção inquestionável que tenha ficado de fora.

Por outro lado, há uma restrição a treinadores estrangeiros no país, onde poucos clubes se aventuraram a importar um nome do mercado latino ou europeu, enquanto que aqueles que estão na elite do futebol brasileiro acabam se acomodando, em virtude do troca-troca assoberbado de clubes. Não há inovações táticas nem uma tentativa eficiente de adaptar algum modelo de sucesso no país, sem que se tenha que voltar a mesmice. 

A Alemanha chegou ao fundo do poço entre as Eurocopas de 2000 e 2004, tendo um vice-campeonato enganoso em 2002 que não mudou a ideia de reformular tudo no futebol, aproveitando ser a sede da Copa de 2006. Houve uma mudança drástica nas categorias de base, com profissionais qualificados garimpando jogadores e treinadores, que eram devidamente treinados para desempenhar seus papéis e evoluir, utilizando sistemas táticos mais simples e sem a preocupação de buscar o resultado em competições de base, e sim em formar jogadores capazes de jogar profissionalmente em seus clubes e na Seleção principal.  

Em 2006 a seleção deu mostras do que estava por vir, e ser semifinalista já foi um grande resultado, com o trabalho sendo mantido e ganhando consistência até que chega ao auge em 2014, quando é grande a possibilidade de conquistar o tetracampeonato no Brasil. Holanda e Suíça viram o sucesso e seguiram o caminho, surgindo a famosa geração Belga, que terá mais experiência na Copa de 2018, enquanto que a Suíça saiu do seu clichê defensivista, complicando a Argentina. Itália e Inglaterra também rumarão a este caminho, enquanto que o Brasil faz vistas grossas. 

O Futebol Brasileiro está atrasado e já faz pelo menos uns 4 anos que escrevo de forma insistente e preocupada em relação ao futuro. Já é um caso de extrema urgência, pois vários países já estão seguindo o caminho da evolução, enquanto que o Brasil cisma em apostar apenas na técnica de seus boleiros peladeiros, onde muitos não seriam considerados jogadores em vários centros. Os jogos do Brasileirão são fracos, com muitas faltas, quedas forçadas e pouca emoção, e que refletem indiretamente na Seleção, já que poucos jogadores conseguem se destacar a ponto de se consolidar nos grandes centros europeus. 

Que as manchetes de “pior resultado da Seleção Brasileira na história das Copas” ou “pior resultado em semifinais” ou ainda “pior eliminação de um país sede” sirvam para aumentar a discussão visando reformular o futebol brasileiro. Não foi apenas uma derrota. Foi um vexame para não ser mais esquecido, pois poderia ter sido a pior goleada da história das Copas se a Alemanha não tivesse piedade e jogasse sério ao longo dos 90 minutos.

Tanto Alemanha quanto Holanda e Argentina seguem na disputa pelo titulo. Projeto uma final entre Alemanha e Holanda, as duas grandes equipes desta Copa e cujo vencedor será merecidamente o campeão. Ao Brasileiro, resta aguardar 10 dias para o retorno do glorioso Campeonato Brasileiro....

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Brasil vence apertado, mas apresenta evolução


O Brasil se classificou para as semifinais com uma vitória apertada por 2x1 contra a Colômbia, e agora pegará a Alemanha. O jogo teve dois tempos distintos, já que no primeiro tempo o time mostrou evolução e com uma atuação ao estilo Copa das Confederações 2013 não deu espaços para o adversário, porém caiu de produção na segunda etapa e teve dificuldades.

Felipão mostrou definitivamente que não iria morrer abraçado com seus jogadores de confiança, e por isso, tirou o comprometedor Daniel Alves para colocar Maicon, que já trouxe uma melhor resposta na lateral direita. No meio colocou Paulinho no lugar de Luiz Gustavo, e o jogador se acertou ao lado de Fernandinho e conseguiu voltar a mostrar a sua importância na Copa das Confederações e foi um dos destaques da partida, principalmente em função do primeiro tempo, quando comandou a transição e participou ativamente da vitória.

O Brasil conseguiu reproduzir algumas virtudes que lhe fizeram campeão da Copa das Confederações, como a marcação intensa no campo do adversário, transição mais rápida para o ataque e o gol cedo, que traz tranquilidade e intimida o adversário.  O gol saiu logo aos 6 minutos, em uma cobrança de escanteio que contou com o vacilo da defesa colombiana que deixou Thiago Silva livre no segundo pau para marcar. Thiago Silva teve contribuição importante, pois também salvou um contra-ataque de quatro colombianos contra dois brasileiros, porém se afobou no segundo tempo, atrapalhou o goleiro Ospina em uma reposição de bola e acabou levando um amarelo, que o suspendeu para as semifinais.

Fotos: @fifaworldcup_pt 
A Colômbia era muito bem marcada, e seus principais destaques da campanha na Copa, Cuadrado e James Rodríguez, foram muito bem marcados. Fernandinho foi o grande destaque da partida, pois além de anular o principal jogador colombino, também contribuiu na transição e serviu de suporte para os avanços de Paulinho, o que deixou o Brasil muito mais perigoso em relação aos demais jogos.

No meio, Hulk foi deslocado para a esquerda, pois ajudava na marcação contra Cuadrado, enquanto que Oscar e Neymar alternavam o posicionamento, permitindo que o craque brasileiro pudesse se adiantar e se juntar a Fred no ataque, este mais uma vez omisso ofensivamente, porém serviu defensivamente para ajudar na bola aérea no final da partida, quando a Colômbia tentou pressionar.

O segundo tempo brasileiro não foi tão brilhante quanto o primeiro, pois o time não aguentou fisicamente e não conseguiu mais a intensidade de marcação, o que permitiu que a Colômbia ficasse mais com a bola e encontrasse mais espaços. Porém faltou criatividade para o adversário brasileiro, que não conseguia ultrapassar a quase que intransponível defesa brasileira, enquanto que na frente, outro zagueiro, David Luiz, praticamente decidiria o jogo a favor da Seleção Brasileira ao cobrar com perfeição uma falta da intermediária no ângulo de Ospina.

Mas a Colômbia ainda conseguiria um pênalti aos 34, quando Júlio César derrubou Bacca quando o jogador colombiano tentou driblá-lo. Lance passível de expulsão, por ser de iminente situação de gol, mas o árbitro Carlos Carballo não expulsou, assim como não expulsou Zuniga posteriormente por uma entrada criminosa em Neymar, que tirou o brasileiro do jogo direto para o hospital para fazer exames, em mais uma preocupação brasileira para a semifinal. James Rodríguez cobrou e descontou, marcando seu sexto gol na Copa, terminando a sua participação como goleador isolado. 

Carballo teve uma péssima atuação e deixou o pau comer solto, tanto que o jogo terminou com 53 faltas, sendo 30 do Brasil. Os brasileiros têm motivos para reclamar, como a não expulsão na entrada de Neymar, porém, na minha visão, foi a Colômbia a mais prejudicada, pois o Brasil usava as faltas para parar jogadas e não era punido, o que de certo ponto intimidou os colombianos.

De positivo, fica a evolução brasileira em um momento oportuno, pois até então, o Brasil havia se classificado “nas coxas”, com atuações sofríveis mascaradas por erros de arbitragens e da individualidade de Neymar. Porém, hoje, enfim vimos um time, que buscou se espelhar no “case” de sucesso da Copa das Confederações. Como escrevi no twitter, se o Brasil repetir a atuação do 1º tempo e a arbitragem continuar conivente com a estratégia defensiva em parar o adversário com faltas sem punições, a Seleção já poderá se considerar hexacampeã. 

A semifinal promete ser o jogo mais difícil da Seleção Brasileira, já que tenho o time alemão como o melhor do mundo, apesar de ainda não conseguir demonstrar isso na Copa, por razões de clima, desgaste físico e fim de temporada. Estas dificuldades diminuem o favoritismo alemão, porém será necessário repetir o 1º tempo contra a Colômbia. 

sábado, 28 de junho de 2014

Classificação na sorte e nas mãos de Júlio César


O Brasil se classificou para as quartas-de-finais na base da sorte e do brilho de Júlio César, depois de empatar em 1x1 no tempo normal e na prorrogação, dependendo do brilho do seu goleiro para se classificar e pegar o vencedor de Uruguai x Colômbia.

O “sofrido” confronto deu mostras, nos primeiros minutos, que seria de fácil vitória para o Brasil, já que o adversário parecia intimidado e o Brasil mostrava volume ofensivo, encaixava a marcação sob pressão no tempo de ataque e abriria o placar aos 18 minutos, com o zagueiro chileno Jara marcando contra, após cobrança de escanteio desviada por Thiago Silva. 

O Chile, que mostrava organização e opções no esquema 3-4-1-2 de Jorge Sampaoli, aos poucos, começava a sair para o jogo e ganhou um presente aos 31 minutos, quando Hulk saiu errado de bola após cobrança de lateral, e Vargas trabalhou a bola pela direita e cruzou para Sánchez empatar. 

O gol e a recuperação chilena trouxe ansiedade para o Brasil, que começou a errar na saída de bola e se movimentava pouco no ataque, o que ajudou o Chile a controlar o meio-campo.  O adversário brasileiro teve uma grande chance para marcar no final da primeira etapa, quando Luíz Gustavo saiu errado e permitiu um lançamento de Sánchez para Aránguiz com liberdade, que foi bem bloqueado por Júlio César, evitando a conclusão. 

Fotos: ‏@fifaworldcup_pt
A superioridade chilena continuou na segunda etapa, mesmo com as alterações de Felipão, que trocou seis por meia-dúzia, pois investiu em Ramires e Jô nos lugares de Fernandinho e Fred. As alterações mostraram-se inúteis, pois não trouxe nenhuma opção nova ao time, que era dependente das individualidades, do jogo aéreo contra a baixa defesa chilena ou dos erros de saída de bola do adversário, que não foram poucos, mas pouco aproveitados pela Seleção Brasileira. Neymar foi se apagando ao longo da partida, e contribuiu muito pouco a partir da segunda etapa, diminuindo ainda mais a capacidade do time em criar.  

O Chile teve a chance de matar o jogo na segunda etapa em um tabelamento chileno, que sobrou para uma conclusão de Aránguiz que exigiu grande defesa de Júlio César. O Brasil na base do “vamo que dá!” conseguiu pressionar nos minutos finais da segunda etapa, porém não evitou a prorrogação, onde o time brasileiro mostrou mais disposição e iniciativa, principalmente na primeira etapa, porém não criou nenhuma chance real de jogo.

Porém foi mais uma vez o Chile que teve a grande chance para matar a partida, em uma escapada no penúltimo minuto da prorrogação, onde Pinilla, que havia entrado ao longo da segunda etapa, levou vantagem na intermediária e livre concluiu no travessão de Júlio César. O Brasil não havia criado nada neste segundo tempo de prorrogação, e para não dizer que não concluiu, só teve uma conclusão de Ramires no último minuto da prorrogação.

E Foi para os pênaltis, onde Willian (que entrou na prorrogação no lugar de Oscar) e Hulk desperdiçaram, enquanto David Luiz, Marcelo e Neymar marcaram. O Chile começou em desvantagem, com duas defesas de Júlio César nas conclusões de Pinilla e Sánchez, e chegou a empatar graças aos desperdícios do Brasil e aos gols de Aránguiz e Díaz, porém perdeu a última cobrança com Jara, que acertou a trave, definindo o 3x2 nas cobranças.

A classificação brasileira foi até certo ponto impiedosa para o Chile, que jogou melhor ao longo da partida, e criou as melhores chances para vencer. O time de Jorge Sampaoli não fez um brilhante jogo do ponto de vista ofensivo, porém mostrou muita organização e aproximação dos quatro jogadores que formavam a linha defensiva do meio-campo: Isla, Aránguiz, Díaz e Mena.  O quarteto criava opções de tabelamento e conclusões, porém não explorou a segunda qualidade, já que foram apenas três finalizações certas na partida. 

O Brasil mostrou desorganização e falta de controle emocional. Dependeu de individualidades e dos passes longos, que mais uma vez não funcionaram. Teve até um bom início de jogo, quando conseguiu marcar sob pressão e criar dificuldades para o Chile, porém não conseguiu controlar a partida quando o time chileno conseguiu encaixar o seu jogo de meio-campo. Felipão mais uma vez foi previsível nas alterações, não criando um fato novo que pudesse acrescentar ao time.

 Se Fred foi mal, a solução foi o seu reserva, Jo, que também foi mal e mostrou que o Brasil não possui centroavantes de primeiro nível, que possa ser titular em uma Copa do Mundo. Se não há essa solução, que mude a estrutura, com o aparecimento de um falso nove, capaz de se movimentar e abrir a marcação para outras infiltrações. Neymar e Hulk poderiam ser noves “fakes”, possibilitando a entrada de mais um jogador com característica de movimentação para criar. 

Outra alteração equivocada foi a entrada de Ramires em lugar de Fernandinho, que desta vez não fez boa partida. Ramires não acrescentou, além de Felipão ter mantido o outro volante Luíz Gustavo que estava amarelado e poderia ser expulso. Por que não Hernanes? Com duas substituições sobrou apenas uma, que foi a previsível entrada de Willian no lugar de Oscar, que mais uma vez não foi bem. Oscar contribuiu apenas no jogo contra a Croácia, indo mal nos amistosos preparatórios para a Copa (Panamá e Sérvia) e contra o México e Camarões. Para o jogo das quartas-de-final, Luíz Gustavo estará fora por ter levado o segundo cartão amarelo, o que obrigará o treinador a alterar.

A impressão do jogo foi que o Brasil ganhou sobrevida, apesar de não ter merecido. Não acredito em eliminação nas quartas-de-finais, porém o Brasil hoje mostrou não ter time para enfrentar uma França ou Alemanha nas semifinais. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Brasil joga mal e fica no 0x0 contra o México


Pela segunda rodada do Grupo A, o Brasil não saiu do empate em 0x0 contra o México no Castelão. Partida ruim da Seleção Brasileira, que apresentou problemas na transição do meio-campo para o ataque e dependeu de individualidades e do jogo aéreo para levar perigo para Ochoa, que saiu como o destaque da partida.

Sem Hulk, que não se recuperou de lesão, Felipão escalou Ramires, e fez um alteração importante na formação de jogo, adiantando Neymar para jogar próximo a Fred, em um 4-4-2, onde Oscar e Ramires jogavam como wingers pela esquerda e direita respectivamente. Teve como adversário o México de Miguel Herrera, que jogou no 5-3-2 contra Camarões, mas que contra o Brasil, adiantou Rafa Márquez para o meio campo, mas ficando atrás do trio de meio-campistas (4-1-3-2). 

Desde o início da partida, o Brasil mostrou problemas para superar o sistema defensivo mexicano, com pouca criatividade e lentidão na intermediária ofensiva, que facilitava a retomada de bola pelo adversário. Para complicar, a saída de bola também estava ruim, principalmente com Paulinho, homem importante no esquema de Felipão, que errava bastante e permitia que os mexicanos dominassem o setor de meio-campo.   

As principais jogadas do Brasil foram em cruzamentos, o primeiro de Daniel Alves para Neymar, que obrigou Ochoa a fazer uam grande defesa. Aos 43, foi a vez do craque brasileiro cruzar pra Thiago Silva desviar para Paulinho não conseguir desviar do goleiro, que fechou bem o ângulo. 

O México arriscou pouco na primeira etapa, principalmente em chutes de longa distância. No segundo tempo, o time de Miguel Herrera teve uma sequencia de chutes da entrada da área, todos perto do gol. O time não tinha profundidade, muito em função da zaga brasileira, com David Luiz e Thiago Silva ganhando todas de Peralta. No meio da segunda etapa, Herrera trocou seus atacantes, entrando Chicharito Hernández e Raúl Jiménez nos lugares de Gio dos Santos e Peralta. Chicharito chegou a infernizar a defesa brasileira, arrancando um cartão amarelo de Thiago Silva, que na minha visão deveria ser vermelho, em função de o atacante avançar em velocidade em direção ao gol, e o zagueiro brasileiro ser o último homem. 

‏Foto: @fifaworldcup_pt
No lado Brasileiro, Felipão não foi muito conservador, trocando literalmente seis por meia dúzia. Na volta do intervalo, entrou Bernard no lugar de Ramires, e ao longo do segundo tempo Jô no lugar de Fred e Willian no lugar de Oscar. Oscar e Fred não foram bem, porém o pior do Brasil em campo foi Paulinho, e Felipão não retirou o jogador. Ao longo da segunda etapa, o Brasil teve momentos que conseguiu fazer uma blitz na defesa mexicana, e mais uma vez o goleiro Ochoa apareceu, evitando duas conclusões certeiras de Neymar e uma cabeceada a queima-roupa de Thiago Silva. 

Com o resultado, o Brasil segue líder no Grupo A pelo saldo de gols, já que teve a ajuda do árbitro Yuichi Nishimura que viu pênalti em Fred em um momento decisivo da partida, enquanto que o México teve dois gols sonegados contra Camarões, em virtude da arbitragem de Wilmar Roldán Pérez ter assinalado dois impedimentos inexistentes. Nishimura pode, também, ter definido o classificado do Grupo, já que o México entrará em vantagem contra a Croácia na última rodada.

Felipão terá que rever o time brasileiro, em virtude de apostar em um homem de referência que não está bem, além de Paulinho não ter se encontrado desde a Copa das Confederações, quando se transferiu do Corinthians para a reserva do inglês Tottenham. Perdeu ritmo de jogo e confiança, e está comprometendo o meio-campo brasileiro. Oscar foi bem contra a Croácia, mas nos quatro jogos brasileiros (dois amistosos e os dois da Copa contra México e Croácia) foi mal em três. Se não melhorar o desempenho, o Brasil dependerá de outros Nishimuras para ir longe na Copa. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Brasil vence na estreia, mas atuação não convenceu


Na estreia da Copa do Mundo, o Brasil sofreu para vencer a Croácia por 3x1, de virada, no Estádio Itaquerão. Oscar e Neymar foram os grandes destaques da Seleção, que não jogou bem, mas que contou com o sucesso da dupla, que souberam se aproveitar dos erros da Croácia e do árbitro Nishimura, que interferiu no resultado.

No início do jogo, o Brasil entrou pilhado e apresentou os mesmos problemas vistos nos primeiros tempos dos amistosos contra o Panamá e a Sérvia. A transição não funcionava, enquanto que os laterais não apareciam na frente como opções e deixavam espaços para a Croácia trabalhar a bola, principalmente na esquerda ofensiva, nas costas de Daniel Alves, onde o time chegou duas vezes, uma que Jelavic não soube aproveitar, mas que se fosse o suspenso Mandzukic, já poderia ter acarretado em gol. Porém na segunda chegada, Marcelo fechou estabanado na cobertura e acabou marcando contra. 

Aos poucos, a Seleção conseguiu reagir e fez com que o adversário mudasse a sua postura de jogo, incialmente com marcação adiantada, e que em virtude da pressão do Brasil teve que recuar. Porém o Brasil apresentava problemas ofensivos que o fazia perder oportunidades, pois o time dependia basicamente de Oscar e Neymar. Aos 28, Oscar se aproveitou de um erro de saída de bola do meio-campo da Croácia, e na base da garra e habilidade, conseguiu se desvencilhar da marcação e servir Neymar com liberdade na entrada da área, que chutou rasteiro e mascado, mas que o goleiro Pletikosa caiu atrasado e aceitou.

No segundo tempo, o Brasil continuou insosso, com os mesmos problemas na armação e também sem a aproximação dos laterais e de Paulinho, deixando poucas alternativas, já que na frente, Fred se movimentava pouco e se isolava no comando do ataque, enquanto que Hulk também fazia má partida. A solução para Felipão foi alterar o time, com as entradas de Hernanes e Bernard, enquanto que a Croácia soltava Modric, e dominava o meio-campo, sendo superior ao Brasil.

UOL
Mas o árbitro japonês Nishimura viria a mudar a história do jogo, quando viu pênalti em Fred. O centroavante recebeu na área e se atirou quando o defensor Lovren chegou para brecá-lo. Não foi nada no lance, pois o croata sequer lhe tocou. Neymar cobrou mal o pênalti, porém com força necessária para que o goleiro Pletikosa, que tocou na bola, não conseguisse evitar o gol. Mais tarde, o árbitro, mais em virtude do assistente, marcou falta de Olic em Júlio César, em um lance na qual o goleiro brasileiro saiu mal, e que resultaria em um gol croata. Não achei falta, porém não foi um lance tão indiscutível quanto o pênalti.

No final da partida, Oscar aproveitou mais um erro na saída de bola da Croácia, e avançou frente a uma defesa desarrumada e de bico marcou o terceiro do Brasil, diminuindo um pouco a má impressão da atuação da seleção frente ao resultado com erros de arbitragem. O meia foi o melhor do Brasil, contrastando com suas más atuações nos resultados. Mérito para a insistência de Felipão, enquanto grande parte da imprensa (e inclusive este blogueiro) pediam Willian no time.

Neymar marcou os gols e procurou o jogo, porém poderia ter sido expulso na primeira etapa, quando desferiu uma cotovelada em Modric. O árbitro Nishimura esboçou expulsá-lo, porém ficou no amarelo mesmo. Talvez, se fosse um outro jogador, haveria a expulsão. 

No mais, David Luiz teve uma grande atuação na zaga, sendo o melhor do setor. Thiago Silva sentiu o peso de ser o capitão do time na estreia, tanto que entrou chorando em campo e mostrou-se inseguro, bem como os laterais que não foram bem nem ofensivamente e muito menos defensivamente.

O saldo que fica é que o Brasil terá que melhorar muito para vencer sem depender de ajudas da arbitragem. Hoje, se não fosse a péssima atuação de Nishimura, não sei se o Brasil conseguiria vencer o adversário. Vale ressaltar que a Croácia é teoricamente o adversário mais difícil do Grupo A, o que deverá garantir classificação tranquila em primeiro lugar para o selecionado de Felipão.

Como ultima observação. Não gostei da festa de abertura da Copa do Mundo. O Rio Grande do Sul mostrou cerimonias melhores, tanto na inauguração da Arena quanto na do Beira-Rio.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Brasil começa preparação com goleada contra fraco Panamá

Nesta terça-feira, a Seleção Brasileira realizou em Goiânia o seu primeiro amistoso preparatório para a Copa do Mundo. E o adversário foi escolhido “a dedo” para que o time vencesse com tranquilidade e com goleada. 

E não deu outra: 4x0, com direito a passeio no segundo tempo, quando os panamenhos estavam literalmente mortos em campo, devido ao fato de ter disputado outro amistoso no sábado contra a Sérvia (que por coincidência, será adversária do Brasil na sexta), chegando ao Brasil apenas na véspera da partida após uma viagem oriunda dos Estados Unidos.   

Porém tivemos dois tempos distintos. No primeiro, enquanto o Panamá reunia condições físicas, o adversário mostrou organização e até ousadia para propor o jogo contra um insosso Brasil, cujos jogadores mais se preocupavam em se preservar fisicamente do que jogar, chegando até a dar entradas ríspidas no adversário. 

O jogo estava chato, tanto que o torcedor goiano já estava ensaiando os primeiros murmúrios quando Neymar, aos 26 minutos, conseguiu uma arrancada na entrada da área que resultou em uma falta, na qual o mesmo cobrou com perfeição para abrir o placar. Minutos depois, Daniel Alves marcaria o segundo, mostrando efetividade nas duas conclusões em direção ao gol. 2x0, sem jogar bem e sem grandes esforços.

Na segunda etapa, logo saiu o terceiro gol com Hulk, e Felipão passou a fazer experiências, trocando praticamente todo o time. O destaque foi a entrada de Willian no lugar de Oscar, oferecendo uma alternativa de movimentação, já que o meia ex-Corinthians joga pelas pontas, permitindo que Neymar centralizasse mais. E foi o atacante que em mais uma arrancada montou a jogada do quarto gol, ao servir para Maxwell cruzar para Willian marcar.

Se o adversário não ofereceu grandes exigências, o amistoso serviu para mostrar que Willian poderá ganhar a vaga de Oscar. No Chelsea, o atual titular da Seleção acabou perdendo espaço no time de Mourinho em virtude de seus problemas físicos e más atuações, enquanto William foi titular e fez uma boa temporada ao lado de Hazard. Foram suas atuações que fizeram com que Felipão lhe integrasse no grupo na reta final da preparação, e agora já sinaliza com uma alteração no time titular, já que Oscar mais uma vez não foi bem, apesar de ter participado do gol de Daniel Alves. O jogador se movimentou pouco e foi um dos responsáveis pelo primeiro tempo ruim.

Na sexta-feira o Brasil enfrentará a Sérvia, em um jogo de maior exigência que o Panamá, mas que ainda não poderá fornecer uma crítica definitiva em relação ao time, já que a seleção não fez uma boa eliminatória e não se classificou para a Copa do Mundo. A CBF preferiu repetir as preparações anteriores, quando o Brasil não enfrentou equipes participantes da Copa do Mundo. Um amistoso contra a Bósnia seria uma ótima amostra.  Somente contra a Croácia, na estreia da Copa no Itaquerão que descobriremos o real poder de fogo do selecionado de Felipão.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Zagueiro Henrique é a única novidade em uma convocação sem surpresas

Um grande evento no Rio de Janeiro marcou a convocação para a Seleção Brasileira. Após breves discursos, Felipão divulgou o nome dos 23 selecionáveis, precedendo a entrevista Coletiva, na qual o treinador explicou seus critérios para a convocação.

Uma lista equilibrada e sem surpresas, tendo em vista que até o zagueiro Henrique já foi previamente convocado pelo treinador, apesar de não figurar nas últimas listas. É no zagueiro a minha única crítica, pois imaginava que Dedé ou Miranda seriam convocados por estarem na frente, principalmente o zagueiro do Atlético de Madrid que vem de uma grande temporada. 


Antes de sair a lista, eu tinha emitido uma com 18 convicções, quatro posições com dúvidas entre jogadores e uma dúvida entre um meio campista ou um atacante.  Acertei em todas as convicções, que foram os goleiros Jefferson e Júlio César; os laterais Daniel Alves e Marcelo; os zagueiros Dante, David Luiz e Thiago Silva; os volantes Fernandinho, Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires; os meias Oscar e Willian; e os atacantes Bernard, Fred, Hulk, Jô e Neymar. 

As quatro posições em dúvida era o terceiro goleiro, entre Diego Alves, Diego Cavalieri e Victor; o quarto zagueiro, entre Miranda e Dedé; o lateral direito, entre Rafinha e Maicon; e o lateral esquerdo, entre Maxwell e Filipe Luís. Se eu fosse o técnico, escolheria Victor, Miranda, Maicon e Filipe Luís. O único nome que não esperava e que foi novidade foi o zagueiro Henrique. O treinador utilizou o fator confiança para convocá-lo, já que o zagueiro liderou o Palmeiras na época em que o Felipão treinava o time. Nas laterais, prevaleceu o critério da experiência, já que Rafinha e Filipe Luís não eram inquestionáveis, enquanto que no gol, Victor levou a melhor pelo seu grande 2013 pelo Galo, mantendo o ritmo em 2014.

O 23º convocado eu tinha uma dúvida entre um meia ou um atacante. Não tinha a convicção na certeza de Hernanes, mas o primeiro vídeo rodado na apresentação do evento mostrou lances do jogador, já resolvendo a questão. Robinho ou Kaká poderiam ocupar a vaga no fator experiência, porém, neste caso, prevaleceu o fato de Hernanes compor o grupo, além de ter uma característica de transição de bola que nenhum outro jogador tem no elenco. 

Não vejo nenhum outro nome inquestionável que tenha ficado de fora da lista. Neste ano, foi difícil estabelecer a lista dos 23 melhores, em virtude do baixo nível técnico do futebol brasileiro. Veria apenas o nome de Philipe Coutinho do Liverpool como uma possibilidade de convocação pela grande temporada que teve com o clube inglês, porém a Seleção é um grupo, formado pelos jogadores de confiança do treinador, procurando mesclar com outros que estejam em bom momento, como Fernandinho e Willian do Chelsea, que acabaram ganhando a vaga ao longo da temporada (assim como Victor no gol).

Felipão terá cerca de 15 dias para preparar a Seleção, precisando otimizar o time e recuperar jogadores. Vários destaques da Copa das Confederações não viveram um bom momento na temporada 2013/14, o que é preocupante para que o Brasil consiga repetir as boas atuações da Copa das Confederações. Exemplos não faltam, como Paulinho e Bernard, que se transferiram para o exterior e não obtiveram sequência, além de Jô que não faz um bom 2014 e Fred, que sofreu lesões e jogou pouco. Até Neymar não está no mesmo ritmo de 2013, sofrendo com lesões, apesar de não ter feito uma temporada ruim no Barcelona. São muitas incertezas que precisam estar afinadas para a estreia contra a Croácia.  

sábado, 22 de junho de 2013

Brasil fica em primeiro e foge da Espanha

A Seleção Brasileira venceu neste sábado a Itália por 4x2, garantindo o primeiro lugar do Grupo A com 100% de aproveitamento, o que a tirará de um eventual confronto contra a Espanha nas semifinais, pois provavelmente a atual campeã mundial ficará em primeiro no Grupo B.

Os gols brasileiros foram marcados por Dante, Neymar e Fred (2), enquanto Giaccherini e Chiellini descontaram para o time italiano. 

O jogo não foi tão fácil para o Brasil, como o placar deixou transparecer. A Itália conseguiu resistir à pressão dos primeiros minutos que vitimou Japão e México, e complicou o Brasil com uma marcação forte e que dificultava a aproximação do setor ofensivo da equipe de Felipão. O time brasileiro dominava a posse de bola, porém concluía pouco.

O primeiro gol, marcado por Dante, foi sair apenas nos acréscimos da primeira etapa. No início da segunda, Giaccherini recebeu um brilhante passe de calcanhar de Balotelli e empatou, porém minutos após Neymar, em uma cobrança de falta colocou o Brasil na frente, e antes que os italianos esboçassem uma reação, Fred finalmente desencantou e marcou o terceiro, após grande lançamento de Marcelo. 

Chiellini descontou em um lance polêmico, onde o árbitro havia apitado pênalti a favor dos italianos antes de a bola cruzar a linha do gol, voltando atrás quando viu o tento, o que é completamente ilegal. Fred ainda marcaria o seu segundo, quando a Itália buscava empatar.

Há uma evolução no time de Felipão, porém de forma gradual, sem milagres que o transforme em imbatível. O Brasil de hoje é melhor do que o que enfrentou a Inglaterra, justamente por haver um maior tempo de trabalho. O time ainda apresenta problemas em campo, e é verdade que a Itália poupou vários jogadores, porém a individualidade está aparecendo e resolvendo. 

Não concordo com muitas ideias do treinador quanto a concepção de time, porém há pouco tempo não havia sequer um time, pois a passagem de Mano Menezes não deixou legado, o que exige um grande trabalho de Felipão para montar um time capaz de disputar para ganhar a Copa em um espaço de tempo reduzido. 

Neymar é, há pelo menos 3 temporadas, o principal jogador da Seleção Brasileira.  Alternou altos e baixos e a mudança de ares para o Barcelona parece ter lhe dado tranquilidade para jogar o seu futebol. Depois de confirmada a sua transferência para o futebol espanhol, nota-se um amadurecimento do jogador quanto a sua atitude, pois o jogador não está se atirando em qualquer jogada, mostrando maior participação, além de parecer mais centrado. É o craque da competição até então e quando efetivamente integrar-se ao elenco catalão, Neymar deverá aprimorar-se tecnicamente e taticamente, o que lhe tornará um dos melhores jogadores do mundo. 

A Copa das Confederações se desenha para uma esperada final entre Brasil e Espanha. Um título daria confiança a Seleção para a Copa, além de poder gerar tranquilidade fora de campo, onde o clima não anda nada bom em função de vândalos que se intrometem nas manifestações pacíficas, que acabam trazendo transtornos à ordem nacional. Não vou entrar no mérito dos protestos, pois este meu post é exclusivamente esportivo. 

sábado, 15 de junho de 2013

Brasil estreia com vitória

Em um badalado estádio Mané Garrincha, ou Estádio Nacional na visão da FIFA, o Brasil estreou vencendo por 3x0 a Seleção japonesa, com gols de Neymar, Paulinho e Jô.

A Seleção de Felipão não teve uma atuação exuberante do ponto de vista técnico, porém mostra uma evolução natural conforme os dias de trabalho que tem a disposição. O time não correu muitos riscos defensivos, privilegiando a posse de bola e vencendo o oponente ao natural.

Logo aos três minutos de jogo, Neymar já marcara o primeiro gol do Brasil e da competição, que acabou dando tranquilidade ao jogador, que foi um dos destaques do jogo enquanto teve em campo, bem como para todo o time brasileiro, que conseguiu trabalhar a bola, embora não tenha finalizado muitas vezes, o que deixou o jogo sonolento em alguns minutos, pois o Japão não tinha muitos recursos técnicos para oferecer um real perigo ao gol de Júlio César.

O segundo gol foi com Paulinho, coincidentemente aos três minutos da segunda etapa, ao iniciar a jogada e avançar para finalizá-la, mostrando o dinamismo de um volante moderno.  O jogador foi outro grande destaque do jogo, ao lado de Luiz Gustavo, este incumbido de tarefas defensivas jogando praticamente como um terceiro zagueiro. Já nos descontos, Jô, que entrara no lugar de Fred, recebeu um passe açucarado de Oscar e marcou o terceiro. 

Apesar de ter jogadores mais conhecidos no cenário europeu como Kagawa, Nagatomo e Honda, o Japão ainda é frágil tecnicamente e fisicamente, o que facilitou a vitória da Seleção Brasileira que deu-se de forma natural. Porém o Japão evolui taticamente e chegou a criar dificuldades ao selecionado brasileiro devido a forte marcação. 

Não pode ficar sem registros as vaias ao presidente da FIFA Joseph Blatter e a presidente do Brasil Dilma Rousseff, em seus rápidos discursos que marcavam o início oficial da competição. Blatter chegou até a cobrar o “fair play” dos brasileiros, exigindo respeito, porém a cena deverá rodar o mundo, devido à onda de protestos que nosso país está vivendo em razão dos altos gastos governamentais com a Copa que infelizmente só foram percebidos agora, com os estádios prontos.

Até agora, a organização da Copa das Confederações está sendo um fiasco, tendo em vista os problemas que os estádios estão enfrentando de acessibilidade, acabamento ruim por ter sido feito às pressas, gramados ruins, pouca estrutura dos centros de treinamentos e pouco legado que está sendo deixado.  O povo brasileiro perdeu a batalha e agora caiu a ficha, devido ao momento de instabilidade econômico que o país vive, com uma inflação acima da meta, que motivou um aumento da taxa de juros e que poderão aumentar o nível de desemprego, enquanto que o legado deixado pela Copa será mínimo, apesar dos altos gastos.

Amanhã teremos os confrontos entre Itália x México e Espanha x Uruguai. 

domingo, 9 de junho de 2013

Brasil vence e alenta o torcedor

O Brasil não fez uma partida exuberante do ponto de vista técnico, porém mostrou mais time que a França e mereceu a vitória por 3x0, gols de Oscar, Lucas e Hernanes. Era a vitória que faltava para que o selecionado de Felipão ganhasse confiança para a Copa das Confederações, além de uma trégua aos olhos dos críticos em virtude dos maus resultados das partidas anteriores. De quebra ainda quebrou tabus, sendo um de não vencer o selecionado francês há 20 anos, além de vencer uma seleção campeã mundial depois de 4 anos.

Na primeira etapa, o Brasil não conseguiu encaixar o meio-campo, além de não mostrar soluções ofensivas, o que facilitou a marcação francesa, que se aproveitou do descontrole emocional brasileiro para dominar a posse de bola e chegar com perigo. Pra falar a verdade, o placar parcial foi justo, tendo em vista que nenhum time fez por merecer entrar no intervalo vencendo.

Felipão não alterou o time no intervalo, e o jogo estava no mesmo panorama, até que aos 8 minutos surgiu o primeiro gol brasileiro, depois de uma roubada de bola (faltosa) de Luís Gustavo em Giroud, que tocou para Fred achar Oscar livre para abrir o placar. 

A França até tentou reagir, e por pouco não empatou, porém aos poucos foi reduzindo o seu volume de jogo em virtude do cansaço físico, enquanto que Felipão, remediado com os últimos maus resultados, resolveu colocar Lucas, Fernando e Hernanes, deixando o time com três volantes e com jogadores leves no ataque para jogar recuado explorando os contra-ataques. 

E foi em dois contra-ataques que originaram os gols que geraram o confortável placar na Arena gremista: Aos 39, Lucas achou Neymar que serviu Hernanes para marcar o segundo, enquanto que já nos acréscimos, Marcelo conseguiu uma ótima jogada individual e foi derrubado na área, em um pênalti que foi bem cobrado por Lucas: 3x0.

Terra
Hernanes parece ter retomado o seu espaço na Seleção, tendo em vista que chegou a ser  escalado como titular, mas em 2011, em um amistoso contra a própria França, se queimou com o então treinador Mano Menezes ao arranjar uma expulsão e contribuir para a derrota da Seleção naquele jogo.  

Lucas foi outro que entrou bem na partida, enquanto que Neymar e Fred foram os destaques negativos. O centroavante do Fluminense vem sofrendo de um problema físico, enquanto que Neymar, talvez deslumbrado com toda a mídia e transferência para o Barcelona, vem atuando abaixo da crítica e, a certo ponto, prejudica a Seleção Brasileira no setor ofensivo.

Um dos grandes destaques do time de Felipão foi a compactação em campo, com marcação na saída de bola do adversário. Um dos lances mais evidentes foi a saída errada do goleiro francês Lloris, que por pouco não gerou um gol, se Neymar tivesse uma melhor tranquilidade para definir a jogada. 

Porém deve-se ter cautela para analisar a vitória e uma possível evolução da Seleção, já que a França de Deschamps tinha os desfalques de Ribery e Nasri, e até marcou bastante enquanto teve fôlego, porém não estava em clima de competição, o que acabou facilitando o jogo do Brasil na segunda etapa. Na primeira etapa criou dificuldades para o Brasil e isso não pode ser desprezado, apesar do placar amplo a favor do Brasil.