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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Atlético de Madrid está próximo de entrar para a história

Nesta sexta-feira, o Atlético de Madrid venceu o Elche por 2x0, gols de Miranda e Diego Costa. Os madrilenses chegaram aos 85 pontos com incríveis 27 vitórias, contra 79 pontos do Real Madrid e 78 do Barcelona, sendo que estes ainda jogarão na rodada. 

Restando quatro rodadas para o fim e tendo a vantagem nos critérios de desempate contra o Real, o Atlético está, na prática, a três vitórias de conquistar um histórico Campeonato Espanhol, marcado pela desigualdade de divisão de receitas de TV, e que valorizam ainda mais a conquista dos comandados por Simeone. Salvo se um desastre ocorrer, o Atlético de Madrid também quebrará uma sequencia de Campeão e Vice alternados de Real Madrid e Barcelona, que já perdura 5 temporadas consecutivas. E se levar apenas em conta o título, a hegemonia já chega a 9 temporadas, desde o título do Valência na temporada 2003/04.

O período de supremacia regula com a mudança na forma de distribuição dos direitos de TV, que passaram a ser negociados individualmente entre os clubes e que favoreceram a dupla mais popular da Espanha. O Real Madrid sempre foi o clube mais rico do país, enquanto o Barcelona ganhou um novo status a partir da era Cruyf e da revolução proporcionada no seu futebol, fazendo com que ambos tenham uma grandeza maior que os demais, mas sempre seguida de perto por outros times do país, como o La Coruña, Valência, Atlético de Madrid, Bétis e Sevilla. Se antes, estes clubes conseguiam rivalizar e até conquistar campeonatos, hoje disputam o troféu do 3º lugar, o que acaba canonizando a campanha que o Atlético está fazendo este ano.

No último dado que obtive pela internet, e que por ser de 2009/10 está desatualizado, Barcelona e Real Madrid faturavam 140 milhões de Euros anuais da TV enquanto Valencia 44, Atlético de Madrid 42, e assim por diante, sempre em valores menores, ao ponto que os times recém promovidos da segunda divisão chegavam a faturar 20 vezes menos que a dupla suprema. Levando em conta que a grandeza de Barcelona e Real Madrid faz com que os clubes ganhem outras receitas robustas, a desigualdade fica ainda maior, a ponto de o Estado espanhol agir, obrigando que os clubes a partir de 2015 voltem a negociar conjuntamente, o que trará benefícios para os clubes que hoje faturam menos.  

Só o fato de o Atlético de Madrid disputar até o fim o titulo espanhol, trouxe uma nova visibilidade à Liga, que estava enfraquecida e restrita aos dérbis entre Real Madrid e Barcelona. Um título do time de Simeone colocará o time na história, como um símbolo da resistência da competitividade (origem) do futebol, que o tornou tão popular como é hoje. É evidente que a globalização atinge o esporte, porém o espírito de competição precisa ser preservado.

O Atlético ainda tem a chance de ampliar o seu feito conquistando a Europa, pois o time duelará com o Chelsea pelas semifinais da Champions League. Não é o favorito para o confronto, porém tem um time com condições de bater os ingleses, e aí a final é apenas um jogo, o que facilita contra um Bayern ou Real Madrid. Dois títulos seria algo sensacional, para deixar o time nos livros de história para sempre ser lembrado, com um bom time montado e otimizado por Simeone, com inovações táticas e um espírito de competição diferente dos demais times europeus, mais próximo ao que vemos na Libertadores.

Ao final da temporada, veremos a dura realidade de um provável desmanche no Atlético de Madrid, que não tem condições de competir com os endinheirados clubes. Por isso, torço para que faça história e signifique um marco em busca da manutenção do espirito competitivo do esporte. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Duelos Equilibrados pelas Semifinais da Champions League

Nesta sexta-feira, a UEFA sorteou os confrontos semifinais da Champions League. O Real Madrid pegará o Bayern de Munique, enquanto o Atlético de Madrid receberá o Chelsea. Os jogos serão dia 22, 23, 29 e 30 de abril.

O sorteio foi bom para o Atlético de Madrid, já que o time enfrenta um adversário levemente superior, porém sem a mesma qualidade de Bayern e Real. O time de Mourinho vinha de boa campanha e liderança tranquila na Premier League, até vacilar na reta final com derrotas contra o Aston Villa e o Crystal Palace, que deixaram os blues em desvantagem na liga inglesa e mostraram a irregularidade do time. Já na Champions League, a equipe inglesa enfrentou muitas dificuldades para bater o bom time do PSG nas quartas, só conseguindo em virtude o gol qualificado fora de casa e da tática ousada de Mourinho no jogo da volta no Stamford Bridge, empilhando atacantes e conseguindo o tento que faltava nos pés de Demba Ba. 

Como tem um grupo reduzido e disputa simultaneamente o titulo do Campeonato Espanhol e da Champions, o Atlético de Madrid já está no limite físico, o que dá ao Chelsea um certo favoritismo no confronto, apesar deste também enfrentar uma maratona neste fim de temporada com o acúmulo de jogos do Campeonato Inglês. Resta saber se Diego Costa e Arda Turan conseguirão recuperar-se plenamente, além de confirmar a presença do goleiro Courtois, que pertence ao Chelsea, e há um contrato que o impede de jogar sob pena de uma recompensação financeira elevada para os padrões do Atlético. A UEFA já se pronunciou sobre o caso, liberando a escalação do jogador por tornar nula proibições deste tipo, porém como os espanhóis possuem boa relação comercial com os ingleses, resta saber se irão se acertar neste sentido.

UEFA
Já o outro confronto entre Real Madrid e Bayern de Munique tem ares de final antecipada, já que reúne os dois melhores elencos da Europa atualmente. O Bayern dispensa comentários, já que é o atual campeão da competição e nesta temporada, sob o comando de Guardiola, estabeleceu-se como um predador no Campeonato Alemão, ganhando o titulo com várias rodadas de antecedência e hoje possui uma diferença de 20 pontos para o segundo, faltando cinco rodadas para o final. O treinador conseguiu implementar seu modelo de movimentação e domínio de posse de bola visto do Barcelona há algumas temporadas, aperfeiçoando ainda mais a equipe que é a favorita para o bicampeonato, algo que não acontece desde o Milan de 1988/89 e 1989/90.

O Real Madrid ainda é muito dependente de Cristiano Ronaldo, atual melhor jogador do mundo, e que tem convivido com problemas físicos. O time liderou boa parte da Liga Espanhola, porém perdeu os dois clássicos para o Barcelona e um para o Atlético de Madrid, o que lhe coloca em desvantagem na luta pelo título. O treinador Ancelotti sofre com as irregularidades de Di Maria, que caiu de produção nos últimos jogos, e de Isco, que começou bem a temporada, mas também caiu de rendimento. Para complicar, o lateral Marcelo também enfrenta problemas físicos o que diminuiu o poder de força do time nos últimos jogos, e que por pouco não se complicou no duelo contra o Borussia Dortmund pelas quartas-de-final. Para as semifinais, tudo dependerá da recuperação dos jogadores para que o time possa duelar de igual para igual com o Bayern, que hoje é favorito para o confronto.

Teremos dois grandes jogos pelas semifinais da Champions League, e apostaria em uma final entre Bayern e Atlético de Madrid no dia 23 de maio no Estádio da Luz em Lisboa. O retrospecto recente conta a favor do Atlético de Madrid, já que desde 2008, o time que eliminou o Barcelona na fase de mata-mata sagrou-se campeão (Manchester United, Internazionale, Chelsea e Bayern de Munique).

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Era do imperialismo predador deveria preocupar UEFA

Os jogos de ida pelas oitavas-de-finais da UEFA Champions League mostraram que já há um desiquilíbrio significativo no futebol do continente, o que poderá por em risco o atual formato da competição e até a sua reputação de melhor dos melhores campeonatos interclubes. 

Depois de três temporadas polarizadas entre Real Madrid e Barcelona, o Bayern de Munique juntou-se a dupla espanhola na temporada passada e formou um trio, que poderá futuramente ampliar-se para um quarteto conforme a evolução do Paris Saint-Germain. Em comum, estes times dominam de forma predadora os campeonatos nacionais e estão conseguindo impor-se também nas competições europeias, apesar de cada um chegar a esta condição por diferentes motivos.

A tão badalada e ascendente Bundesliga (Campeonato Alemão) colocou quatro clubes entre os 16 melhores da Europa, porém Bayer Leverkussen e Schalke 04 tiveram o azar de enfrentar logo de cara o PSG e o Real Madrid e já saíram virtualmente eliminados no primeiro jogo, diante de seus torcedores. O Bayer, atual segundo colocado do seu respectivo nacional, não foi capaz de segurar os franceses comandados pelo goleador Ibrahimovic e levou 4x0 dos franceses em plena BayArena, enquanto que o time de Gelsenkirchen levou 6x1 dos Merengues, em uma jornada antológica dos espanhóis comandados pelo trio de atacantes Bale, Cristiano Ronaldo e Benzema. 

Os ingleses Arsenal e Manchester City, que duelam ponto a ponto com o Chelsea pelo titulo da Premier League, também estão virtualmente eliminados ao serem derrotados em suas casas pelo Barcelona e o Bayern por 2x0, o que mostra a total disparidade, tendo em vista que o nacional inglês é há muitos anos o mais rico, porém suas equipes não conseguem mais se impor no território europeu, apesar de todos os esforços os bilionários que comandam o City e o Chelsea, embora este último ainda tenha grandes chances de se classificar para as quartas-de-final, mas para conquistar a taça é tão azarão quanto foi há duas temporadas quando conquistou a Europa. 

Como comparação, nas temporadas 2006-07 e 2007-08 os ingleses colocaram 3 dos 4 finalistas, embora em um deles o intruso Milan tenha conquistado o titulo. Usei o campeonato Inglês como exemplo em virtude da riqueza do nacional, porém a Football Association (FA) busca um sistema mais paritário na divisão das receitas além de ter um controle financeiro mais rígido, o que faz com que não haja um predador, apesar da supremacia do United nos últimos anos, mas que nem é de longe comparada a atual de Real Madrid e Barcelona no espanhol, por exemplo.

Com um Real Madrid encaixado por Ancelotti , um Bayern quase imbatível treinador por Guardiola, o vai e vem do Barcelona de Messi e a ascensão do PSG, a Champions League entra na era das goleadas, contra times de mercados mais representativos. É bom a UEFA ficar de olho, pois times de mercados de tradição, mas que não conseguem mais competir economicamente, estão ficando no segundo escalão, dominados por times de “brinquedo” de bilionários e os grandes Bayern, Barcelona e Real Madrid, que descobriram a roda do futebol capitalista e largaram na frente. 

A competição já teve outros momentos de hegemonia, como os 5 títulos do Real Madrid entre as décadas de 50 e 60, porém era uma outra época do futebol, que ainda buscava o seu profissionalismo e era formada por esquadrões que marcavam época mas que chegavam ao fim, pois transferências não eram tão comuns e o dinheiro era bastante limitado. Hoje o dinheiro está comandando o futebol e quem paga mais leva mais. Real Madrid, Barcelona, Bayern e os times patrocinados pelos bilionários têm poder de compra para renovar sistematicamente seus elencos e mantê-los em um nível de competitividade maior do que a maioria dos outros times.

A Champions League era inicialmente formada pelos campeões de seus países, mas que em 1997 concedeu o direito de mais agremiações dos melhores centros poderem disputa-la, aumentando o nível da competição. Foi criado o coeficiente da UEFA que classifica os campeonatos de acordo com a pontuação dos clubes nas competições europeias, o que faz com que Espanha, Inglaterra e Alemanha tenham dinheiro a 4 clubes na Champions League. 

Se essa tendência de predadores se acentuar, não haverá outra solução da UEFA a reduzir o formato da competição, como forma de mantê-la competitiva. Nos últimos anos, a fase de grupos já não trazia grandes emoções, a não ser quando surge um clube patrocinado que não tem muita representação no continente europeu e, que por isso, fica em um pote inferior criando um grupo mais complicado. Fora isso, há apenas o duelo entre dois clubes tradicionais por grupo em busca do primeiro lugar, algo que não tem mais acontecido com frequência, em virtude da diferença de qualidade entre os clubes.

Daqui a 2 semanas, teremos os jogos de volta das oitavas-de-final, onde apenas dois ou três jogos dos 8 não serão efetivamente amistosos. Isso não é bom para a competição, que é o sonho de todo jogador e treinador. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Inesperada final alemã celebra o fim de uma era no futebol europeu


Pelo menos nas últimas três temporadas, Barcelona e Real Madrid foram considerados os melhores times do mundo, devido a todo o poderio financeiro e a presença de Messi na equipe catalã e Cristiano Ronaldo na merengue, melhores jogadores disparados e únicos concorrentes reais ao título de melhor do mundo.  

Ao longo destes anos, uma inédita final de Champions League disputada pelos espanhóis foi esperada, e só não ocorreu em 2010/11 devido ao enfrentamento entre os times na semifinal. Na temporada 2011/12 ambos os times vacilaram e ficaram pelo caminho, porém nesta temporada não se pode atribuir única e exclusivamente ao azar a eliminação de ambos nas semifinais da UCL, onde os alemães do Borussia Dortmund e do Bayern München mostraram um futebol diferenciado, e merecem protagonizar a final do próximo dia 25 de maio em Wembley.

O Barcelona foi o precursor, na temporada 2008/09, com a chegada de Guardiola no comando técnico, dispensando medalhões e montando um time basicamente formado pelas categorias de base, ofensivo, organizado e comandado por Messi, menino prodígio que se consagraria e viria a ganhar quatro prêmios de melhor jogador do mundo. O Real Madrid buscou imitar o modelo e trouxe Cristiano Ronaldo e Kaká, ambos premiados com o titulo de melhor do mundo em 2008 e 2007 respectivamente, sob o comando de Mourinho, com a promessa de evitar um amplo domínio catalão. Missão fracassada, pois o time merengue não foi páreo para o Barcelona, que ganhou praticamente todos os títulos que disputou na era Guardiola.

Porém este domínio caseiro espanhol inflacionado pelo faturamento milionário de ambos os times teve fim nesta edição da Champions League, pois ambos foram batidos pelos alemães Bayern e Borussia, que mostraram os seus recursos e estabeleceram um futebol diferenciado, composto por um conjunto de bons jogadores, muito bem organizados em um esquema e que se contagiam pelo espírito “torcedor” de seus adeptos, mostrando um algo a mais em campo que nós brasileiros chamamos de raça ou garra.

É evidente que um grupo aguerrido e organizado dificilmente chegaria longe se não tivesse qualidade, e tanto o Bayern de Jupp Heynckes quanto o Borussia de Jürgen Klopp mostraram ao longo da temporada e, principalmente, contra Barcelona e Real Madrid respectivamente, quebrando o reino absolutista dos espanhóis na competição europeia. Os dois times alemães formam a base da sua seleção nacional.

Algumas constatações ficam deste histórico acontecimento. Uma é a qualidade da Seleção alemã, que chegará favorita para a Copa do Brasil de 2014. 


Outra, e mais importante, é o êxito no processo de reformulação no futebol alemão, iniciado com a Copa de 2006 no país e que foi capaz de resgatar a paixão do torcedor local pelo futebol, além de estimular o desenvolvimento das categorias de base nos times. Houve uma maior competitividade no futebol local influenciada por quotas de TV mais bem divididas entre os clubes, além do surgimento de vários jogadores, que acabaram contribuindo para o ressurgimento da seleção.

O futebol ainda é o grande entretenimento, o que exige um maior cuidado em relação à capitalização dos clubes. É inadmissível que dois clubes fiquem com mais de 50% das quotas de TV, o que acaba polarizando a disputa e deixando os campeonatos cada vez mais pobres e menos atraentes. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bayern confirma final alternativa


Se na primeira semifinal o Chelsea surpreendeu o Barcelona e se transformou na zebra desta edição da Champions League ao eliminar o time espanhol e se classificar para a final, a mesma coisa não pode ser dita no outro confronto, onde o Bayern eliminou o favorito Real Madrid, porém sem zebras, afinal o time alemão mostrou a sua qualidade e jogou de igual para igual com os merengues em pleno Bernabéu.

O jogo da volta marcou um regresso do Bayern a um passado não tão distante, quando perdeu para a Internazionale de Mourinho a final da Champions League 2009/10 que fora disputada no Bernabéu, e teve a chance de se redimir no palco contra o treinador que evitou o pentacampeonato, mas para isso teria que manter a vantagem contra uma equipe superior, que é capaz de fazer frente ao Barcelona. 

E o time bávaro não conseguiu manter a vantagem por muito tempo, pois passou por um período inicial turbulento, e quando efetivamente se acordou para a partida, já estava perdendo por 2x0 em gols de Cristiano Ronaldo aos 5 de pênalti e aos 14 em uma falha defensiva alemã. O Bayern perdera duas grandes chances, porém na sua terceira chegada forte, viria a ser beneficiado por um pênalti cometido por Pepe em Mario Gómez, que Robben tratou de cobrar no canto direito de Casillas para descontar.

O Bayern tomou conta do jogo, mostrando soluções ofensivas contra o insosso Real, que parecia ter jogado tudo que prometia para a partida nos primeiros 15 minutos, levando pouca vantagem no sistema defensivo alemão, que ainda vazava no primeiro tempo e oferecia espaço para o time espanhol, enquanto que na frente o Bayern assustava o Real Madrid, exigindo boas defesas de Casillas.

O panorama do jogo ao longo do primeiro tempo, segundo e boa parte da prorrogação foi com o domínio de posse de bola do Bayern de Munique, enfrentado um Real Madrid cada vez mais cansado em decorrência do esforço que foi a batalha do último final de semana contra o Barcelona no Camp Nou, e que parecia querer que o tempo passasse para que a disputa de pênaltis chegasse, o que acabou ocorrendo, apesar de todas as chances que o time bávaro teve ao longo da segunda etapa, e que pela incompetência de seus atacantes poderiam ter custado a tão sonhada classificação. 

O Real Madrid notou a satisfação do Bayern pelo resultado que levava a uma disputa de pênaltis e apertou na prorrogação, porém a falta de perna evitou que o time tivesse alguma possibilidade de liquidar o confronto, pois um gol alemão seria letal em virtude do incompreensível critério de gol qualificado fora de casa. Como ambos pareciam satisfeitos e resignados com os pênaltis, o desempate foi necessário.

Nas cobranças, muitos erros de ambos os lados. Foram cinco cobranças desperdiçadas em nove cobradas, onde o herói Cristiano Ronaldo virou vilão, ao telegrafar uma cobrança que Neuer buscou no canto direito. O brasileiro Kaká, que entrara na segunda etapa, também cobrou no mesmo canto do português, e Neuer defendeu sem nenhum problema. O Bayern parecia querer colocar tudo a perder com duas cobranças displicentes de Kross e Lahm que Casillas defendeu, porém quando o time merengue esteve na eminencia de empatar o confronto, Sérgio Ramos bateu como Elano, isolando a grande chance e a classificação, que foi formalizada por Schweinsteiger 

Bayern e Chelsea. Se algum apostador tivesse montado esta final, provavelmente estaria fazendo festa com os dividendos obtidos pelo seu jogo de azar, que hoje foi de sorte. Na final, não há como negar o favoritismo do Bayern, que tem um time mais equilibrado e qualificado que o Chelsea, além de jogar em casa, visto que a decisão de 2012 será na Allianz Arena, casa do Bayern em Munique. Para a dupla da Espanha, além de estancar o choro pelas doloridas eliminações, fica a reflexão por esta dupla derrocada, que transformou um grande sonho em um terrível pesadelo.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Classificação do Chelsea em dia “Não” do Barcelona


E a tão sonhada final europeia entre Real Madrid x Barcelona não irá ocorrer. O time merengue ainda poderá chegar à final se reverter o 2x1 a favor dos bávaros no jogo desta quarta-feira no Santiago Bernabéu, porém o Barcelona não conseguiu reverter a desvantagem de 1x0 para o Chelsea, sendo eliminado com um heroico (visão inglesa) 2x2.

O confronto da volta tinha um script mesmo antes de efetivamente começar, pois sabia-se que o jogo seria de um Barcelona todo ataque, contra um Chelsea que se defenderia à todo custo, pois tinha a vantagem do jogo de ida. 

Guardiola escalou um Barcelona extremamente ofensivo, com três zagueiros (Mascherano, Piqué e Puyol), quatro meio-campistas (Busquets, Xavi, Fábregas e Messi)  e três atacantes (Iniesta, Sánchez e Cuenca), dando a liberdade para Messi buscar o jogo e as triangulações com Fábregas sem perder a referência no comando. Não deu certo, pois Messi jogou longe do gol e não teve espaços na intermediária inglesa, composta por 10 jogadores embolados na entrada da área durante grande parte do jogo. A saída prematura de Piqué, após um choque contra seu companheiro Valdés, promoveu a entrada de Daniel Alves, trazendo uma nova dinâmica ao Barcelona.

Foi o lateral brasileiro que iniciou a jogada para Cuenca na esquerda, que cruzou para Busquets abrir o placar aos 35, que culminaria em dez minutos de vantagem catalã na partida, pois logo depois Terry deu um tostão em Sánchez, sendo exageradamente (minha visão) expulso pelo arbitro, e Messi serviria Iniesta aos 43 para marcar o 2x0, que naquela altura parecia o início de mais uma goleada catalã, já que o adversário estava inferiorizado numericamente e no placar, e o Barcelona não costuma ter compaixão alguma com times fragilizados.

Porém na dificuldade o Chelsea reapareceu no último lance da primeira etapa, com Lampard lançando Ramires em velocidade para encobrir Valdés e reviver o time inglês no jogo e no confronto, já que o 2x1 serviria ao time inglês. Di Matteo teve a chance de reorganizar o Chelsea no intervalo, mantendo os 10 jogadores embolados dentro da sua grande área defensiva, com Drogba agora se juntando a esta linha e não deixando nenhuma peça para puxar o contra-ataque.

O Barcelona poderia ter retomado a vantagem no confronto logo no inicio da segunda etapa, quando Drogba imprudentemente calçou Fábregas dentro da área. Messi mostrou que não estava em um dia de extraterrestre e acertou o travessão, perdendo uma de suas duas grandes chances no jogo, já que viria a acertar a trave quando este já estava no final. O tempo passava e o Barcelona tocava, tocava, tocava e pouco produzia. O time até tinha as pontas para jogar, porém sequer poderia esboçar o jogo aéreo, devido a não ter material humano para este tipo de jogada, enquanto os tradicionais tabelamentos com infiltrações no meio eram inviáveis, tamanha a concentração de jogadores do Chelsea.

O time inglês aos poucos começava a sair do casulo, chegando algumas vezes ao ataque, e nos descontos, quando Fernando Torres já havia entrado no lugar do experiente Drogba, o El niño recebeu em seu campo um bicão para frente de Bosigwa após uma tentativa frustrada do Barcelona, tendo todo o espaço do mundo para driblar Valdés e marcar o gol que selou definitivamente a classificação.

Depois de uma vitória e um empate para o Chelsea e uma derrota para o Real Madrid, o Barcelona deu adeus à UCL e praticamente inviabilizou as chances de titulo no Campeonato Espanhol, tornando amarga a sua temporada, após ter ganhado tudo em 2011. O Chelsea fez heroicos 180 minutos, que certamente ficarão na história do clube. O time, que até poucos meses estava entregue nas mãos de Villas-Boas, virtualmente eliminado da Champions League e fora do G4 na Premier League, reviveu com Di Matteo, mostrando que a criticada velha guarda ainda dá caldo. 

Esta partida, que colocou o defensivismo estratégico do Chelsea em evidência, ao bater o futebol-arte do Barcelona, poderá estipular uma nova tendência de times competitivos, que sempre é respaldada por resultados emblemáticos, e que hora e outra sempre ocorrem no mundo do futebol. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dupla espanhola terá que correr atrás


Em dois jogos, o que era para ser um encaminhamento de classificação de Real Madrid e Barcelona para a grande esperada final, ganhou um ponto de interrogação, visto que ambos foram surpreendidos no jogo de ida, perdendo suas invencibilidades, e terão que correr atrás pela primeira vez nesta competição.

Em Munique, o Real Madrid apresentou uma partida irregular, jogando bem apenas nos quinze primeiros minutos de cada tempo. Na primeira etapa, acabou levando um gol de Ribery, e teve sorte de não ter ido para o intervalo com um placar mais dilatado contra, visto que pouco fez para melhorar a sua situação, enquanto que o Bayern perdeu algumas chances, porém não chegou com tanta intensidade.

O time até melhorou na segunda etapa, chegando ao empate com um gol de Özil, porém Mourinho tratou de tentar preservar o empate retrancando o time, ao colocar jogadores com maior potencial de marcação. O Bayern tentou, até que conseguiu chegar ao gol da vitória com Mário Gomez no finalzinho, dando justiça ao placar. Ao Real, além da péssima escolha do seu treinador por Coentrão na esquerda no lugar de Marcelo, que entrara na segunda etapa, o time saiu com a sorte do arbitro Webb não ter expulsado o lateral brasileiro, que entrou deslealmente em Müller.

Já no outro jogo, o Barcelona jogou bem, talvez uma de suas melhores partidas fora de casa nesta edição da Liga. Ironicamente o time foi derrotado e perdeu a sua invencibilidade no torneio. O gol de Drogba, fruto de um lançamento de Lampard para Ramires na esquerda cruzar para o artilheiro apenas escorar para o gol, foi o único chute do time inglês a gol em todo o jogo, enquanto que o Barcelona teve 24 arremates, onde pelo menos 5 foram grandes, exigindo grandes defesas de Cech, recuperação de Cole em cima da linha, além de duas bolas na trave e 72% de posse de bola. 

Faltou sorte ao Barcelona, enquanto sobrou eficácia ao Chelsea, que fez uma exuberante partida tática. No outro jogo, faltou competência ao Real Madrid, que poderia ter jogado melhor se Mourinho tivesse optado por escolhas mais sensatas na escalação. Os 2x1 e 1x0 contra são tranquilamente reversíveis por tudo que Real e Barça já apresentaram, porém o fato de ter feito um gol qualificado deixa a missão do Real Madrid menos complicada que a do rival espanhol. 

Aos que estão vendo poucos posts, informo que estou em um projeto pessoal que me impede de estar assistindo intensamente as competições e postando seguidamente. Isso será normal ao longo deste ano.  

terça-feira, 3 de abril de 2012

E deu Barcelona, com reforço extra


O Barcelona levou a melhor sobre o Milan, e garantiu a classificação para as semifinais da UEFA Champions League. O jogo ficará marcado pela aparição do árbitro Björn Kuipers, que acabou envolvido em dois lances polêmicos de penalidade, cujo segundo foi o mais discutível, e que acabou definindo o confronto. 

Mesmo podendo contar com Adriano, Guardiola preteriu o lateral esquerdo, deixando um trio defensivo com Puyol, Mascherano e Piqué, e adiantando Dani Alves como um ponta direita para se juntar à Messi e a Cuenca, que foi a surpresa na ponta esquerda. No meio, um losango com Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas, este no vértice mais adiantado, auxiliando Messi no comando do ataque. 

A formação foi interessante para se analisar a partida, visto que houve um encaixe com o 4-3-1-2 do Milan, que jogava recuado e explorava os contra-ataques rápidos, repetindo a mesma tática do San Siro. Mesmo assim, o Barcelona teve a iniciativa, e conseguia trabalhar a bola na intermediária ofensiva e abria posição para o arremate. Antes dos 10 primeiros minutos, o time já havia chegado duas vezes, ambas com Messi, uma em uma de suas tradicionais arrancadas, e cujo arremate foi bem defendido por Abbiati, e no segundo, uma linda jogada envolvendo Dani Alves e Fábregas, que “pifou” o argentino com liberdade na cara do gol para errar o alvo.

Eis que exatamente aos 10 minutos, ocorre um dos lances de discórdia na partida. Mexès erra a saída de bola e deixa de graça para Messi, que tem toda a liberdade para avançar. O argentino tenta passar para Xavi, que não conseguiu dominar e no rebote oferecido pela zaga do Milan, Messi acabou derrubado por Antonini, em um lance discutível, mas que eu marcaria. Messi cobrou no canto direito de Abbiati e marcou 1x0.

O Milan sentiu o gol, e custou a entrar na partida, que até então era dominada pelo Barcelona. Aos poucos, o time de Alegri começava a diminuir a porcentagem de posse de bola, e no primeiro chute que deu em todo o jogo, marcou com Nocerino, em uma jogada iniciada por Robinho, que serviu Ibrahimovic para acionar sob medida o volante italiano que chutou cruzado para empatar. 

O Barcelona seguiu com maior volume de jogo, e poderia ter retomado a liderança no placar em conclusões de Xavi e Messi, porém foi em um escanteio da discórdia que seria gerado o pênalti que originou o segundo gol catalão. Em uma cobrança de Xavi, Nesta e Busquets se agarraram e puxaram camisa como ocorrem normalmente várias vezes em todos os jogos, porém o árbitro Björn Kuipers resolveu aparecer e marcar o pênalti, que eu sinceramente não marcaria. Messi cobrou no canto esquerdo de Abbiati e marcou o 2x1.

O Milan iniciou a segunda etapa mais adiantado, e procurou pressionar o time espanhol, que já tinha uma nova formação, desta vez no 4-3-3, com Daniel recuado e Iniesta adiantado como ponta esquerda e Cuenca na direita. Iniesta seria responsável pelo terceiro gol aos 8 minutos, quando Messi puxou um rápido contra-ataque e, com uma conclusão bloqueada, acabou servindo o meia para marcar o terceiro gol catalão, que acabou liquidando a partida. 

Depois desse lance, o jogo minguou, e se resumiu a tentativas de ataque do Milan, enquanto o Barcelona era mais efetivo e perdeu a chance de ampliar com Thiago Alcântara e Adriano. Pelo lado do Milan, ficou apenas na tentativa, visto que o time teve apenas três arremates em todo o jogo, sendo um deles o gol da primeira etapa, e pouco assustou o Barça, estando mais preocupado com o fator arbitragem. O time contou com a entrada relâmpago de Pato, que entrou no lugar de Boateng e ficou apenas 13 minutos em campo, sentindo novamente uma lesão e dando lugar à Maxi López.  

No fim das contas, com ou sem ajuda da arbitragem, o Barcelona foi superior em campo, terminando com 60% de posse de bola e 21 arremates, contra apenas 3 do Milan. A retranca italiana conseguiu neutralizar em partes a periculosidade do ataque catalão, que mesmo assim fez a diferença e construiu o escore. O Barça pegará o vencedor de Chelsea x Benfica, cujo primeiro gol foi 1x0 para os ingleses no Estádio da Luz.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Confronto aberto após empate sem gols


Em San Siro, o Milan tinha como principal objetivo não levar gols contra a máquina de jogar futebol chamado Barcelona.  Sem o principal zagueiro Thiago Silva, Alegri postou o time de forma mais compactada, esperando o Barcelona, para que em três ou quatro toques conseguisse montar um contra-ataque rápido e pegasse o time catalão desprevenido para criar chances.

Guardiola teve problemas para escalar o Barcelona, pois com as lesões de Abidal e Adriano, o time ficou sem lateral esquerdo para escalar, obrigando o treinador a improvisar, colocando Puyol na esquerda e Mascherano na zaga, enquanto o meio ficou mais contido com a entrada de Keita no auxilio a Busquets, empurrando Iniesta para jogar mais ofensivamente como um ponta, no esquema 4-3-3, que ainda tinha Messi e Sánchez no ataque. 

O Milan teve nos 20 primeiros minutos as suas duas principais chances do jogo, uma com Robinho, logo aos 2 minutos, quando o atacante pegou livre uma escorada de Ibrahimovic e isolou, enquanto que o centroavante sueco teve a sua chance aos 19, em uma enfiada sensacional de Seedorf, que lhe colocou na cara do gol mas sem conseguir desviar de Valdés em uma conclusão displicente.

O Barcelona aos poucos tomou conta do jogo, dominando a posse de bola e mostrando um maior volume ofensivo. O time catalão chegou a encurralar os anfitriões em ¼ do campo, conseguindo tocar a bola dentro da área milanista, e tendo em um tabelamento envolvendo Xavi com Messi a melhor chance da primeira etapa, quando o meia espanhol exigiu uma grande defesa do goleiro italiano. 

No segundo tempo, o Milan adiantou a marcação, aumentando a sua participação na posse de bola e truncando o jogo no meio-campo, o que fez cair o ritmo da partida, já que o Barcelona tinha dificuldades para evoluir a partir da sua intermediaria ofensiva.  Guardiola tirou Iniesta, que não fazia uma boa partida, para a entrada de Tello, e depois sacou Sánchez para entrada de Pedro.

 A entrada de ambos deixou o time menos flexível nas pontas, diminuindo o numero de chances. Mesmo assim, o time chegou a um total de 17 arremates, porém a mais perigosa do segundo tempo foi um chute cruzado de Messi, que obrigou Abbiati a fazer uma grande defesa.  O Milan também chegava mais ao ataque em comparação ao primeiro tempo, mas não criou nenhuma chance de jogo, e ainda perdeu Robinho lesionado no inicio da segunda etapa, e que foi outro que decepcionou no jogo.

No fim das contas, o jogo serviu para deixar o Milan vivo, pois o time italiano terá a vantagem do empate com gols no jogo da volta no Camp Nou. O Barcelona pareceu respeitar demais o adversário e não quis forçar uma vitória, ficando em branco depois de muito tempo, e sentindo a ausência de Adriano na esquerda, já que o time ficou capenga e dependente de Daniel Alves. Só estranhou-me a não escalação de Fábregas, que ficou no banco, ao longo da partida. Só uma lesão poderia explicar a sua não escalação.

Barcelona segue favorito porque tem melhor time, porém o Milan tem uma camisa sete vezes campeã da liga, o que deixa o duelo aberto.  

terça-feira, 27 de março de 2012

Chelsea larga em vantagem


No outro jogo do dia pelas quartas-de-final, o Benfica recebeu o Chelsea no Estádio da Luz para tentar construir uma vantagem para o jogo da volta no Stamford Bridge. Não só não conseguiu como saiu derrotado pelo placar mínimo, o que ainda lhe dá chances de tentar uma reação em Londres.

O jogo foi fraco do ponto de vista técnico, pois ambos os times priorizaram a marcação, promovendo um encaixe no meio-campo entre os esquemas 4-2-3-1 de ambos. Porém o Benfica tentou jogar um pouco mais, e arrematou sete vezes no primeiro tempo contra cinco do Chelsea, porém de lances perigosos no primeiro tempo, apenas um voleio de Cardozo por parte do Benfica ao lado do gol de Cech, e uma chegada de Fernando Torres pelo Chelsea, após boa jogada trabalhada no meio, mas errando o alvo. 

Na segunda etapa, o Benfica começou mais perigoso, com maior volume de jogo, porém foi o Chelsea que perdeu uma grande chance com Mata, que recebeu na área, chegou a driblar o goleiro Artur, mas acabou acertando a trave, pois já estava sem ângulo.  O time português continuava criando chances, porém o Chelsea faria o seu gol aos 29, em um contra-ataque puxado por Ramires, que serviu Torres na direita, e este cruzou para Kalou marcar. 

Em desvantagem, Jorge Jesus deixou o Benfica ainda mais ofensivo para tentar pelo menos o empate, e o time chegou a abafar o Chelsea nos minutos finais, chegando a um total de 23 arremates na partida, porém cedeu o contra-ataque para o adversário, que perdeu o gol com Mata, após uma arrancada de Sturridge. 

Agora o time português terá que vencer por um gol de diferença desde que o placar seja a partir de 2x1 em Londres para passar de fase, o que é difícil, mas não impossível, visto que o time do Chelsea ainda não inspira tanta confiança. Porém não há como negar que o time inglês se encorpou com Di Matteo, e somado com a vantagem do primeiro confronto, é o favorito para passar de fase e fazer a semifinal contra o vencedor de Milan x Barcelona. 

Força brazuca vinda do banco


Em Nicósia, teve-se fim o sonho cipriota de continuar a escrever história do país nesta edição da UEFA Champions League. 

Pra falar a verdade, durou até mais do que os mais conscientes torcedores do time esperavam, pois o APOEL conseguiu segurar o Real Madrid por mais de 75 minutos, quando a dupla brasileira Kaká e Marcelo foi acionada e participou ativamente no processo de construção do escore.

Mourinho não teve duas peças-chave do seu meio-campo, o espanhol Xabi Alonso, suspenso, que deu lugar a Sahin, que fez uma boa partida e participou da construção de vários lances na primeira etapa, enquanto que Higuaín foi mantido na vaga do ainda lesionado argentino Di Maria, atuando mais aberto e deixando Benzema no comando do ataque. 

Para tentar parar o time merengue, o treinador Jovanovic escalou um esquema 4-4-2 em linha, com o time tentando uma pressão na saída de bola, porém limitando-se a congestionar a intermediária ofensiva do Real Madrid, dificultando assim os tabelamentos pelos flancos, por onde Cristiano Ronaldo e Özil tiveram muitas dificuldades, já que a parceria dos laterias Arbeola e Coentrão não era efetiva.

Na primeira etapa, o Real teve a rigor três grandes chances, onde a principal foi com Benzema aos 33, após cruzamento de Sahin, que estava livre na pequena área e com o goleiro grego Chiotis batido, mas acabou sofrendo com o espirito de Deivid e isolou. No mais, as principais jogadas do Real Madrid eram pela esquerda ofensiva, principalmente em lançamentos de Sahin que buscavam a infiltração dos meias, já que trabalhar a bola era complicado.

O time cipriota quase não viu a bola, pois o time madrileno terminou o primeiro tempo com uma média de 70% de posse de bola, porém sem grande efetividade. Os anfitriões ainda sentiram o desfalque do zagueiro Marcelo Oliveira logo aos 9 minutos, por lesão muscular, e raramente chegavam ao ataque, somente em lances isolados criados em vantagem individual de Aílton, que no segundo tempo foi o único atacante, pois o treinador retrancou ainda mais o time com a entrada de Hélder Sousa em um esquema 4-3-2-1.

O Real continuaria sem apresentar novidades até aos 17 do segundo tempo, quando Mourinho resolveu colocar os brasileiros Marcelo e Kaká, nos lugares de Coentrão e Higuaín. O time começou a levar vantagem nas jogadas pelas pontas, e passou a encurralar o APOEL. E foi em uma jogada iniciada por Marcelo, que o Real Madrid abriu o marcador aos 28, quando o lateral lançou Kaká na esquerda, que por sua vez cruzou na cabeça de Benzema. A pressão madrilena continuava, e aos 37 foi a vez de Marcelo receber em profundidade na esquerda um lançamento de Cristiano Ronaldo, e de forma desiquilibrada cruzou para trás, na altura da marca de pênalti, para Kaká apenas desviar do goleiro e marcar o segundo. 

E ainda houve tempo para o time espanhol marcar o terceiro aos 44, quando Özil cruzou de trivela para Benzema, novamente livre, desta vez não perder, e empurrar para as redes, liquidando qualquer chance de reação do time cipriota. Fim de jogo e de confronto, cujo jogo da volta em Madri será uma mera formalidade.  Que Mourinho aprenda a escalar os melhores desde o início do jogo. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Baba para Real; Reedição para o Barça e final dos sonhos


Nesta sexta-feira, a UEFA sorteou o chaveamento da UEFA Champions League, que tem como principal notícia a possibilidade de uma final dos sonhos entre Barcelona e Real Madrid, que acabaram ficando em chaves opostas.

Para as quartas-de-finais, o Real Madrid pegou o que se pode chamar de baba, pois enfrenta a equipe mais fraca tecnicamente, que contou mais com os deméritos dos adversários do que méritos próprios para fazer história e colocar um representante da pequena ilha do Chipre entre os oito melhores. Será uma reedição de Davi contra Golias, tamanha disparidade entre os clubes.



Bayern München e Marseille promete ser outro confronto desiquilibrado, já que os alemães retomaram a boa fase do início da temporada e contam com o sonho de decidir o campeonato em casa no próximo dia 19/05, enquanto que os franceses não estão em boa fase no campeonato nacional, além de proporcionar dois dos piores jogos desta edição da Liga contra a Internazionale, pelas oitavas-de-final. 

O Chelsea terá a oportunidade de confirmar esta nova fase sob o comando de Di Matteo no confronto contra o Benfica, que tem um bom time, mas que não tem a mesma qualidade técnica do time londrino. Uma classificação como esta, diante do bom time do Napoli, trará um animo renovado ao envelhecido time do Chelsea, mas que tem totais condições de bater os encarnados.

Já o último confronto é o mais equilibrado, reeditando os jogos do Grupo H da fase de grupos, onde os times empataram em 2x2 no Camp Nou e o Barcelona venceu em San Siro por 3x2. Os catalães são os favoritos, porém o Milan tem na camisa o peso de sete conquistas, que o torna um time copeiro. Este será o principal jogo da fase de quartas-de-finais.

Para as semifinais, aposto na classificação dos grandes, com confrontos entre Real Madrid e Bayern München, e o Chelsea enfrentando o Barcelona.  

quarta-feira, 14 de março de 2012

Chelsea reverte desvantagem na prorrogação e se classifica


Em um dos jogos mais tensos e disputados desta edição da Champions League, o Chelsea conseguiu reverter a desvantagem e foi o último time a garantir classificação para as quartas-de-finais do torneio europeu. O time inglês recuperou-se da desvantagem de 3x1 no tempo normal, levando o jogo na prorrogação, onde Ivanovic apareceu como centroavante para marcar o gol do desempate.

Apesar de o Chelsea ter chegado primeiro com Sturridge aos 5 minutos, exigindo grande defesa de De Sanctis, foi o Napoli que mandou no primeiro quarto da partida, com o seu esquema 3-4-2-1 fadado ao contra-ataque, que encaixava o Chelsea no meio-campo, proporcionando uma saída rápida pela direita com Maggio, além da movimentação incessante do seu tripé ofensivo, formado por Hansik, Lavezzi e Cavani, que deram trabalho ao Chelsea.

Neste período inicial, o time italiano teve 8 finalizações contra apenas duas do time da casa, e quase saiu na frente com conclusões de Hamsik e Lavezzi defendidas por Cech, além de um chute de primeira de Cavani que passou ao lado do gol.  O Chelsea tinha maior posse de bola, porém estava muito espalhado em campo, o que facilitava o jogo do Napoli.

Porém aos 29 minutos o Chelsea mudaria a partida, após Drogba receber um cruzamento de Ramires e se antecipar à zaga, marcando de cabeça, e oferecendo uma nova dinâmica ao jogo, na qual o Chelsea tomaria o controle do jogo, já que o time teve o maior numero de chances de ampliar, enquanto que a presença do Napoli no campo de ataque estava cada vez mais reduzida, ainda mais depois da lesão de Maggio, que deve que dar lugar a Dossena aos 36 minutos.

Nem bem começou a segunda etapa, e o Chelsea marcaria através de sua velha guarda o segundo gol através de um escanteio cobrado por Lampard na cabeça de Terry, que se antecipou à zaga para cabecear no primeiro pau, em um resultado parcial que daria matematicamente a classificação ao Chelsea.

Porém o Napoli não estava morto, e bastou o treinador Walter Mazzarri adiantar a marcação dos italianos, para que Inler aproveitasse um rebote da entrada da área, dominando no peito com estilo e chutando no canto direito de Cech para descontar, em um resultado que retomava a classificação ao time do sul da Itália.

O treinador Di Matteo arriscou, sacando o discreto Sturridge para a entrada de Fernando Torres, que entrou bem e trouxe uma melhor movimentação no setor ofensivo. Jogo ficou aberto, pois o Chelsea precisava de um gol para levar aos pênaltis, enquanto que o Napoli tinha espaços para contra-atacar e matar o confronto, porém vacilava na execução da jogada. O time inglês tinha um repertório restrito às bolas paradas, e em uma cobrança de escanteio, o lateral do Napoli Dossena quis se passar como goleiro, cometendo um pênalti que fora bem cobrado por Lampard, marcado o 3x1 que levaria o jogo para a prorrogação, apesar da insistência de ambos os times em querer resolver o confronto nos 90 minutos.

Na prorrogação, a impressão inicial era que o Chelsea estava acabado fisicamente, tanto que Matteo queimou suas últimas substituições com as entradas de Malouda e Bosingwa nos lugares de Mata e Terry. O time italiano estava mais bem postado em campo, porém foi o Chelsea com as melhores chances, onde ambas passaram pelos pés de Drogba, o craque do jogo. 

Na primeira, o atacante lançou Torres, que contou com uma falha do goleiro italiano para o atacante errar a finalização, mesmo tendo o gol vazio à disposição. Já na segunda,  Drogba recebeu de Ramires e serviu Ivanovic livre na marca do pênalti para chutar forte no ângulo de De Sanctis para marcar o que seria o gol da classificação dos ingleses.

O Napoli tentou reagir na segunda etapa, porém o time inglês soube usar a experiência de seus rodados jogadores, principalmente de Drogba, que chamou o jogo, cavou faltas para matar o tempo e por pouco não fez o quinto, após receber livre e errar o alvo. O Chelsea agora torce por um sorteio camarada para tentar ir mais longe na Liga. 


Em tempo: Ainda não assisti ao outro jogo envolvendo Real Madrid 4 x 1 CSKA Moscou, que classificou o time espanhol para as quartas-de-final. Os gols do Real foram marcados por Cristiano Ronaldo (2), Benzema e Higuain, enquanto que Tosic marcou para o CSKA. Nenhuma novidade, pois o time Merengue é bastante superior à equipe russa.