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domingo, 8 de junho de 2014

Ricciardo vence o bom GP do Canadá

O GP do Canadá é um dos que mais espero na temporada da F1, em virtude da visão paradisíaca da Ilha de Notre Dame e das características da pista, formada por grandes retas, que mostram a força do motor, além de curvas sem grandes áreas de escape, que fazem com que os pilotos fiquem constantemente perto do muro, exigindo habilidade dos mesmos. 

E mais uma vez, o GP canadense pinta como o melhor do ano, já que em virtude da padronização Tilkeana teremos poucos circuitos promissores na temporada, todos ainda mantidos na categoria em virtude da sua tradição, como Spa-Francorchamps na Bélgica, Monza na Itália e Interlagos no Brasil.

No início, a briga prometia entre Rosberg e Hamilton. Na primeira curva, Hamilton tentou ultrapassar seu companheiro, quando aconteceu um toque que fez o inglês cair para terceiro, já que Vettel o ultrapassou, congelando a disputa por algumas voltas em virtude de um acidente envolvendo as Marussias de Chilton e Bianchi, que forçaram a entrada do SafetyCar. Porém, pouco tempo depois, Hamilton já estabeleceria o segundo lugar e passaria a disputar a ponta com o alemão, enquanto os demais carros ficavam para trás e tudo se encaminharia para mais uma dobradinha da melhor equipe disparada da temporada.

Até que no meio da prova, o desempenho de ambos começou a cair vertiginosamente.  Apesar da vantagem de quase 30 segundos para o terceiro colocado, os Mercedes passaram a girar constantemente 2 a 3 segundos mais lentos que os demais, até serem alcançados depois das paradas para troca de pneus. Massa levou a melhor, assumindo a ponta, enquanto que Hamilton tentou ultrapassar Rosberg, mas apresentou problemas nos freios e teve que abandonar a prova. 

Massa - que chegou a perder muitas colocações em virtude de um problema no pitstop, mas que mostrou reação até chegar à ponta - tinha planos de não parar mais, porém foi necessário um novo pitstop, que deixou Rosberg novamente na ponta, com Pérez em segundo, Ricciardo em terceiro e Vettel em quarto. O brasileiro negociou algumas ultrapassagens e se estabeleceu no quinto lugar, quando passou a tirar tempo dos quatro primeiros que estavam unidos por poucos segundos de diferença, até formar um pelotão com cinco pilotos unidos por dois segundos.

Pérez estava na segunda posição em virtude da tática ousada da Force Índia, que fez apenas um pitstop com seus dois pilotos, e que fez com que o mexicano lutasse pela vitória. Porém faltou carro, e depois Pérez sofreu com problemas nos freios e segurou até onde pôde as Red Bulls, até que Ricciardo conseguiu ultrapassá-lo e depois Vettel teve sucesso na antepenúltima volta. Deu tempo para o australiano buscar Rosberg, que não estava longe, e ultrapassá-lo para conquistar a sua primeira vitória na categoria. Vettel provavelmente conquistaria o segundo lugar, se não tivesse perdido tanto tempo atrás de Pérez, já que a Red Bull era nitidamente o melhor carro no final da prova, porém não tinha motor para ultrapassar a Force Índia do mexicano, e que servia como uma barreira para que Rosberg se garantisse na liderança.

Massa tentou ultrapassar Pérez na penúltima volta, porém o mexicano alterou a sua posição e reduziu velocidade, sendo literalmente atropelado pelo brasileiro em um choque forte, que obrigou a entrada do SafetyCar, que havia garantido a vitória de Ricciardo. Eu achei a atitude do brasileiro imprudente, porém os comissários acharam a atitude do mexicano mais gravosa e determinante para o acidente e acabaram o punindo mexicano com a perda de cinco pontos no próximo GP, que será na Áustria. 

O segundo lugar serviu como uma vitória para Rosberg, já que se dependesse apenas do desempenho, o piloto não terminaria nem no pódio. Para ficar ainda melhor, Hamilton não marcou pontos e o alemão pôde ampliar a sua vantagem na classificação dos pilotos para 22 pontos (140 a 118), o que lhe dará tranquilidade para as demais etapas. Restará a Hamilton emendar uma nova sequencia de vitórias, como já conseguiu entre a segunda e quinta etapas.

Outra observação do GP do Canadá foi Max Chilton, que pela primeira vez desde quando começou a pilotar um Formula 1, na Austrália em 2013, não completou uma prova. Foram 25 GPs consecutivos terminando provas até o fatídico acidente.  

A Formula 1 mostrou no Canadá que uma combinação de pista boa, estratégia das equipes e problemas com a Mercedes poderão dar emoção na categoria. Eu gosto do traçado do Red Bull Ring em Spielberg (GP da Áustria), próxima etapa, porém para que a corrida tenha mais alternativas, será necessário que a Mercedes sofra novamente com problemas. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

F1 mudou regras, mas continua previsível

Passadas quatro etapas da “Nova F1”, já é possível projetar como será o restante da temporada, já que não há muito espaço para aperfeiçoamento em virtude dos treinos serem restritos em meio ao campeonato.

Desde que passei a acompanhar a categoria, meados da década de 90, jamais vi tantas mudanças de regulamento em uma temporada, visando deixar a categoria mais ecologicamente sustentável e também para tirar o domínio da Red Bull, que faturou os últimos quatro campeonatos nas mãos de Vettel, e que deixava a categoria sem graça. 

Com as novas regras, a Mercedes “inventou a roda” e construiu uma vantagem de equipamento que inviabilizará qualquer disputa pelo campeonato, a não ser entre a dupla Hamilton e Rosberg. A equipe foi presenteada com o melhor motor da categoria, tanto em rapidez quanto em confiabilidade e eficiência de consumo de combustível. Das quatro primeiras etapas, foram quatro vitórias da equipe, sendo três de Hamilton e uma de Rosberg. O alemão lidera o campeonato em virtude de ter conquistado o segundo lugar nas três etapas restantes, além de ver seu companheiro inglês ter abandonado na etapa da Austrália. 

Porém a fome de Hamilton faz parecer que não chegaremos a ter uma disputa pelo campeonato, já que o inglês deverá ultrapassar seu companheiro na pontuação e disparar rumo ao seu segundo título. O inglês não dá chances para Rosberg no duelo interno e consegue tirar mais do carro que seu companheiro, mostrando o talento escondido na decadente McLaren, por onde chegou a ganhar o título de 2008 mas cujas chances de vitórias foram se reduzindo com as péssimas temporadas do time prateado, o que o levou a trocar para a Mercedes em 2013, e conquistou apenas uma vitória, em virtude da supremacia da RBR.

A disputa pelo terceiro lugar no campeonato de pilotos e pela segunda equipe promete ser competitiva, já que Red Bull, Force India, Ferrari, McLaren e Williams estão separadas por poucos pontos, em uma disputa dos demais times com motor Mercedes com as endinheiradas Ferrari e Red Bull, que devem encontrar soluções e garantir o 2º e 3º lugares nos construtores. A supremacia destes times é tão grande comparado às demais cinco, que apenas a Toro Rosso conseguiu marcar pontos (7). As demais (Lotus-Renault, Sauber, Marussia e Caterham) estão zeradas, sem grandes perspectivas de melhorias, já que não contam com um grande orçamento.

A disputa escrita no paragrafo anterior é em relação ao equilíbrio entre os cinco times na busca pelas oito posições restantes da zona de pontuação (as duas da Mercedes nem são computadas), já que na pista, há poucos momentos de emoção, já que a categoria continua sendo decidida nas estratégias e telemetrias. Os pilotos viraram apenas uma peça no jogo, e parecem meros condutores de um carro controlável pela equipe via telemetria, já que esta pode definir o tipo de mistura do combustível, acerto, e até ordenar a ultrapassagem do companheiro que venha em melhor momento. Para complicar, o regulamento de combustível faz com que as equipes tenham que economizar ao longo da prova, o que diminui as chances de grandes disputas, além de desestimular o próprio piloto.

De quatro etapas que tivemos, três foram no horário da madrugada, o que está me fazendo repensar em abrir mão de uma noite mal dormida para assistir a GPs sem graças, caracterizados por um domínio absoluto da Mercedes e os pilotos e equipes mais preocupados em economizar combustível do que traçar estratégias agressivas em busca da vitória. 

O único ponto fora da curva foi o GP do Bahrein, que foi sensacional e com muitas ultrapassagens. Foi uma corrida bom bastantes alternativas, mas que não retirou o domínio da Mercedes, pelo contrário, até mostrando a força do time com as longas retas, onde em alguns momentos da prova os bólidos alemães chegaram a ser mais de dois segundos mais rápidos que os concorrentes. Houve até uma teoria da conspiração que credita esse grande GP à pressão sofrida pelas equipes, após duas corridas sofríveis no início de temporada que geraram muitas reclamações e até críticas públicas por parte de Bernie Ecclestone.  Porém, depois do GP da China, credito a mera coincidência.

O panorama dos próximos GPs deverá ter o domínio normal da Mercedes, com todos os pilotos sendo orientados a economizar combustível. É um ponto que a FIA terá que rever para a próxima temporada, aumentando o fluxo ou até a quantidade de combustível, senão dificilmente teremos os pilotos mostrando todo o potencial, como víamos na era gloriosa da categoria. A questão de necessidade de economia do equipamento também influi negativamente, já que os times mostram-se preocupados em como irão chegar até o fim da temporada sem levar punições, já que o motor é novo e ainda carece de maior confiabilidade e eficiência de consumo, o que deixa os times receosos em liberar uma rotação maior, deixando os carros excessivamente lentos. 

Como há um congelamento no desenvolvimento dos motores, prevejo um domínio da equipe também ao longo das próximas temporadas, a não ser que Newey tire coelhos da cartola, e que tanto Ferrari quanto Renault possam mexer no motor, para melhorá-lo e deixa-lo ao nível do Mercedes. A Honda que entrará na próxima temporada nos carros da McLaren levará vantagem, pois já é público um dos segredos que faz com que o motor Mercedes seja mais eficiente que os demais. A solução é relativamente simples, porém teria que alterar a estrutura do motor, o que não sabemos se será permitido a Renault e a Ferrari faze-lo. 

Se a categoria continuar assim, elitista e conivente com as grandes montadoras, a Formula 1 tende a ficar insustentável e morrer, já que teríamos apenas quatro ou cinco equipes/montadoras dispostas a torrar fortunas em busca de vitórias e títulos. É discutido há tempos a proposta de teto orçamentário, mas que já foi rechaçada, ao mesmo tempo em que os times menores sofrem para pagar em dia o salário dos pilotos, que até chegaram a ensaiar uma greve.  A categoria tomou estes rumos há algum tempo, e que parecem estar em um caminho sem volta, enquanto que o número de fãs assíduos vem diminuindo progressivamente a cada ano. 

Para esse ano no que se refere a titulo, nada pode ser feito, a não ser acompanhar a briga interna da Mercedes, onde Hamilton pinta como favorito. Disputa mesmo teremos pelo terceiro lugar no mundial de pilotos, onde Alonso surge como favorito, mostrando todo o seu talento no atraso (para o espanhol) que está sendo a Ferrari. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Formula 1 precisa repensar o seu rumo

Desde quando comecei a assistir a F1, em meados dos anos 90, a tive como uma categoria de máximos, onde o regulamento premiava o conjunto piloto/carro mais regular entre os melhores. 

A categoria já teve carros infinitamente superiores aos demais, mas que se perdiam em meio à temporada por quebras ou por erros de seus pilotos, porém com estes e/ou suas equipes privando-se de pontos (e títulos) em virtude de seus excessos.

Hoje, porém, a categoria toma um rumo contrário, onde quem poupa mais pneus acaba se dando bem nas corridas. Com isso, presenciamos pilotos arrojados obrigados a mudar a sua forma de pilotar, senão ficariam sem pneus e ainda correriam o risco de levar punições. Tenho na F1, assim como qualquer corrida de automobilismo, uma disputa entre os mais rápidos, onde o que for melhor vence. Contudo, o que está ocorrendo é demais, tanto que os GPs estão cada vez mais monótonos.

Tudo bem. Até é válido o argumento de redução de custos, pois houve um superinflacionamento da categoria com a era das montadoras, porém não se pode cortar a competitividade pela raiz, pois esta é a alma desse esporte. Outro fator que está descaracterizando a categoria é o fato de esta ter motores engessados, evoluções aerodinâmicas limitadíssimas, um monopólio no fornecimento de pneus, poucos treinos e a dificuldade em montar novos times, o que acaba roubando um pouco o charme que a categoria conquistou de ser a dos “máximos”, pois proporcionava muitas inovações tecnológicas.  

Diferentemente de outras categorias, a Formula 1 historicamente presenciou menos ultrapassagens, porém disputas épicas por posição. Bernie limou isso, pois na medida em que os pneus se desgastam como se fossem de papelão, não há a menor chance de um piloto evitar a ultrapassagem pois, por mais bravo que seja, o piloto de trás ainda poderá acionar o dispositivo DRS, que lhe faz ganhar alguns Km/h que o piloto da frente não disporá para defender a sua posição.

Ainda espero que a categoria volte às suas origens e possa me devolver o prazer de acordar cedo aos domingos para presenciar ótimas disputas, sem que haja uma necessidade geral de poupar equipamento e com a competitividade sendo definida no braço. 

domingo, 25 de novembro de 2012

E foi Vettel que ficou com o tricampeonato


Em uma das melhores temporadas da história, Vettel levou a melhor sobre Alonso e tornou-se o mais novo tricampeão da história da F1 aos 25 anos de idade. Um tricampeonato literal, já que o piloto alemão da RBR também faturara as temporadas de 2010 e 2011, igualando-se a Schumacher e Fangio como detentores deste feito. 

O cenário não poderia ter sido melhor que a imprevisível Interlagos, onde a cada momento era necessária uma análise do tempo, já que chovia e parava a todo tempo ao longo da corrida. A dificuldade ocasionou várias paradas de box e estratégias distintas, onde até a RBR acabou fazendo lambança em um dos pitstops de Vettel, que poderia ter colocado a perder o seu título.

Vettel teve uma postura muito conservadora no início da corrida, e este conservadorismo quase lhe custou o título, pois o alemão não largou bem e quase perdeu a sua corrida na entrada da curva do sol, onde foi tocado por Bruno Senna e teve uma parte do seu assoalho avariado, algo que não prejudicou a sua continuidade na prova. Caiu lá para trás no grid, porém a cada volta fazia ultrapassagens e já na décima passagem era sexto, logo atrás de Massa e Alonso.

Na ponta, as Mclarens de Button e Hamilton ganharam a companhia de Hulkenberg, piloto da tímida Force India que acabou ganhando posições com a sua estratégia de continuidade na pista com os pneus slicks, enquanto a maioria já havia ido ao pit para a colocada dos intermediários, já que logo após a largada a chuva acentuou-se. 

Ao longo da maioria da prova, não havia uma posição certa de melhor estratégia, tendo em vista que pilotos que pararam para trocar pneus como Vettel, Alonso e Hamilton giravam alternadamente mais rápido que os pilotos que preferiram continuar na pista como Button, Hulkenberg e Massa. Hulk chegou até a assumir a liderança, porém acabou se envolvendo em um acidente com Hamilton que tirou o inglês da prova, e teve um drive-through como punição ,que lhe tirou de um inédito pódio e quiçá uma vitória a bordo da Force India. 

Mas o palco de Interlagos era Vettel x Alonso. O piloto espanhol ganhou espaço com o embrolho entre Hulk e Hamilton e chegou ao segundo lugar, porém Vettel estava em sétimo, e acabou ganhando o sexto lugar de Schumacher, posição que lhe dava o título com 281 pontos contra 278 de Alonso. 

Nem um Safety Car ganhado no grito por reclamar de detritos na pista deu a oportunidade de Alonso vencer, pois como era mais lento que Button, apenas uma quebra do inglês da McLaren viabilizaria a vitória, que colocaria Vettel em 5º, mas com Webber em terceiro e em condições de parar para garantir o quarto lugar do seu companheiro. No fim, ultima volta em Safety Car devido a batida de Di Resta na volta anterior na temida curva do Café.

Lamento não ter assistido com a atenção de sempre esta temporada, que chegou a ter sete vencedores diferentes nas sete primeiras corridas. Por conta de outros desafios, perdi a maioria das corridas ao vivo, ficando restrito ao VT e sem ver os treinos, algo que fiz até a temporada passada e que me dava legitimidade para postar sobre a categoria. Mas fiquei contente com a temporada de 2012, cujo fim foi o ápice da emoção, onde nem cineastas brilhantes como Cameron, Nolan, Eastwood, Scorsese ou Spielberg conseguiriam bolar um roteiro tão imprevisível e emocionante.

O titulo ficou em boas mãos, pois a RBR é a melhor equipe e Vettel é o melhor piloto do bólido de Adrian Newey. O alemão pode não ser efetivamente o melhor piloto, pois Alonso e Hamilton fazem muito mais com carros inferiores, porém na Formula 1 o que conta é a parceria piloto e carro, que se mostrou mais uma vez imbatível. 

Em 2008, Vettel conquistava a primeira de suas 26 conquistas no circuito de Monza, e quatro temporadas depois chega ao terceiro titulo. São números expressivos e que lhe coloca em condições de bater todos os números da categoria. Para o próximo ano, o alemão da RBR será novamente concorrente ao tetra, que lhe igualaria a Prost, e que o deixaria abaixo apenas de Schumacher e Fangio. 

domingo, 15 de abril de 2012

Rosberg debuta e Mercedes desencanta na China


Na China, onde o sol hesita em não aparecer devido à grande névoa de poluição, o GP marcou a primeira vitória da carreira de Nico Rosberg na categoria, tirando um jejum de 57 anos de sua equipe Mercedes, que não comemorava uma vitória desde a época do multicampeão Fangio, em 1955. 

O GP teve 2/3 da duração marcados pelo alto desgaste de pneus, que fez com que a maioria dos pilotos utilizasse a estratégia de três paradas. Alguns pilotos, como o brasileiro Felipe Massa e Bruno Senna, largaram com pneus médios, que lhes proporcionaram um primeiro stint mais longo e uma parada a menos, ganhando várias posições nas primeiras voltas, pois alguns pilotos já haviam feito duas paradas em pouco mais de vinte voltas, pois largaram com os pneus macios e mantiveram a estratégia na primeira parada, permitindo que Felipe Massa pudesse liderar por algumas voltas, e proporcionando poucas disputas na pista e muitas paradas de box.

Na largada, Rosberg se manteve na ponta, sendo seguido por Schumacher até a primeira parada, onde a equipe Mercedes errou ao encaixar um de seus pneus no pitstop, que lhe obrigou a abandonar a prova. Nico optou pela estratégia de duas paradas, que o fez ter a vitória ameaçada na parte final da prova, quando Button tinha margem para efetuar o seu terceiro pitstop e voltar na frente. Porém a equipe McLaren acabou vacilando no pitstop do inglês, e acabou lhe tirando a possibilidade da vitória. 

As RBRs fizeram uma corrida consistente e discreta, que lhes proporcionaram terminar em quarto com Webber e quinto com Vettel. O atual bicampeão chegou a beliscar o terceiro lugar, porém já não tinha mais pneus nas últimas voltas, e foi facilmente ultrapassado por Hamilton, que acabou abocanhando o seu terceiro pódio sempre em terceiro lugar, que o deixou na liderança do campeonato com 45 pontos, dois a mais que o companheiro Button.

Na Ferrari, Alonso poderia ter tido uma melhor sorte, e chegou a sonhar com o pódio, porém sempre precisou andar mais que o carro, acabou errando e terminando a corrida em nono, enquanto que Massa não conseguiu negociar as ultrapassagens após a sua parada, e ficou encaixado no pelotão intermediário, e terminando em 13º e longe da zona de pontuação. O piloto vem transformando esta sua temporada em uma vergonha alheia, pois tirando as três equipes mais fracas, é o único piloto que ainda não marcou pontos no mundial, já que não terminou entre os dez primeiros em nenhuma das três provas.

Em contrapartida, a Williams fez uma grande corrida, terminando em sétimo com Bruno Senna e em oitavo com Maldonado. O brasileiro fez uma grande corrida, tendo uma sequencia de ultrapassagens na parte final da prova, e só não teve uma maior sorte, pois seus pneus se desgastaram e teve que administrar os pontos conquistados. Já a Renault teve problemas com Raikonnen na parte final da prova, enquanto que Grosjean fez os seus primeiros seis pontos na temporada com o sexto lugar.

No próximo fim de semana teremos o incerto GP do Bahrein, já que a pressão no país é forte em protesto à realização do GP e aos problemas políticos, o que deixa um ponto de interrogação no que poderá acontecer e se haverá a devida segurança aos pilotos e membros do circo. 

domingo, 25 de março de 2012

Teria Vuaden se entregado?


Já aos cerca de 52 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava paralisado em meio a uma confusão originada por uma penalidade do zagueiro  Léo do Cruzeiro, que imprudentemente aumentou a área de ação de seu braço e por onde foi desviado uma tentativa de finalização de Moreno, um jogador do Cruzeiro que não me recordo o nome, teve uma fala captada pelo som ambiente, falando que o árbitro Leandro Pedro Vuaden teria se entregado

Imagino que a indignação do jogador do Cruzeiro, bem como todo o ambiente de time e torcida era para com a reação do arbitro, que depois de consultar o bandeirinha, marcou com uma fisionomia de satisfação o pênalti, que eu também marcaria, ocorrido aos 50 minutos do segundo tempo, dentro de um excessivo e incompreensível período de seis minutos de acréscimo, já que não ocorreram grandes paralisações na partida que justificasse tamanho tempo a ser recompensado. 

Tamanha era a ira do time do Cruzeiro, que foi necessária a presença da PM, que acabou absurdamente utilizando spray de pimenta em um jogador do Cruzeiro, que apesar de toda a insatisfação, não deu nenhum sinal que cometeria violência contra o árbitro. Tão logo o pênalti foi batido, e o arbitro encerrou o jogo, sem ao menos compensar os cerca de dois minutos que ainda faltavam para os seus seis minutos de acréscimo, o que acabou ficando injusto para o Cruzeiro, já que o acréscimo parecia infinito até que o Grêmio marcasse o gol da vitória.

Neste jogo especificamente, o Cruzeiro conseguiu fazer um jogo de igual para igual com o Grêmio. Sofreu um gol de falta no início da partida, em uma bela cobrança do gremista Fernando, porém poderia ter se recuperado na mesma moeda, se não fosse a trave, e depois Victor. O time não se abateu e conseguiu a reação no segundo tempo, mostrando um volume de jogo suficiente para lhe dar a vitória, quando o final de jogo chegou e o Grêmio tentou desesperadamente a busca pela vitória, quando ocorreram os fatos enumerados nos primeiros parágrafos deste texto. 

Muitos vão me chamar de parcial por ser Colorado, porém há tempos tenho presenciado injustiças tanto neste esporte quanto em outros, e não falo apenas de Grêmio, Corinthians ou Flamengo, já que a França se classificou para a última Copa do Mundo com uma mão de Henry, enquanto que até na Europa equipes menores têm jogadores expulsos ou acabam sofrendo com outros tipos de injustiças contra equipes maiores e endinheiradas, e hoje mesmo, na Formula 1, supõe-se que a Sauber, parceira da Ferrari, teria sido recomendada pela escuderia de Maranello a ordenar o mexicano Pérez que “pegasse leve” e guardasse o segundo lugar, abrindo espaço para a vitória de Alonso, quando a sua Sauber era mais rápida e a ultrapassagem era questão de momento. 

Enfim, o post tem mais cara de desabafo, pois a cada dia os esportes mais populares movimentam uma quantidade imensurável de recursos, mas também têm mostrado uma faceta obscura, que muitas vezes se mostra injusta e antidesportiva. O erro é inerente ao ser humano, porém uma série de erros a favor ou contra determinado lado torna-se uma conspiração, que só é explicável por algum interesse externo. Entra neste caso o termo dois pesos e duas medidas, que tem sido seguidamente comentado no segmento esportivo.

Você nunca se perguntou “Por que sempre os mesmos ganham, mesmo quando não merecem ganhar?” Eu me pergunto, e de forma seguida, porém nem todos tem esta ideia, visto que é conveniente a quem vê seu lado beneficiado aquietar-se e comemorar como se fosse uma vitória indiscutível em termos morais. Porém é fato que o esporte de alto rendimento e popular vem tornando-se menos importante do ponto de vista esportivo, para tornar-se fundamental do ponto de vista econômico.

Quanto mais popular é um lado, mais investimento recebe, para que seus investidores tenham ainda mais retorno. E não é apenas dentro de campo, gera mais audiência para que a televisão que transmita possa faturar a publicidade necessária para fazer do seu produto rentável. É uma cadeia, que segue os princípios do Capitalismo, o que faz com que haja a polarização em dois lados fortes para que se tenha uma competição, porém nada mais do que isso, visto que não há um interesse em repartir e tornar ainda mais incerto a possibilidade de retorno de investimento. Desta forma surgem os protagonistas, já que campeonatos giram em torno deles. 

Hoje não se imagina o futebol espanhol sem Real Madrid e Barcelona, o brasileiro sem Corinthians e Flamengo, o gaúcho sem Grêmio e Inter e a Formula 1 sem a Ferrari. Por isso, que ano após ano, cada um destes citados é cada vez maior em seus territórios dominantes, para que possa movimentar toda esta estrutura capitalista do esporte.

A paixão por torcer por algum esporte está dando lugar à satisfação de ver o time ou a equipe campeã, não importando os motivos e o nível de merecimento que a fizeram chegar lá. E seria justamente o telespectador apaixonado pelo esporte que poderia mudar esta conjuntura, porém a paixão e importância de um lado é sempre maior que a de um todo.  

E deu Alonso, com garra, sorte, categoria e diplomacia


Em Sepang nada de McLaren nem RBR. A tradicional chuva do fim de tarde transformou a corrida em uma disputa entre Ferrari e Sauber, onde o ferrarista Alonso venceu Pérez da escuderia de Peter Sauber, mostrando toda a força e sorte de bicampeão para fazer renascer o Carro de 2012, que mais se parece uma carroça. 

Porém a vitória pode ter tido ingredientes políticos, já que o piloto espanhol sofreu pressão de Pérez na parte final da prova, e uma estranha mensagem de excesso de zelo por parte da equipe suíça para com o seu piloto, lhe mandado “pegar leve” quando era mais rápido, reascendeu a discussão sobre a Ferrari, que poderia ter ordenado a “parceira” em não deixar o seu piloto mexicano ultrapassar Alonso, e assim poder comemorar a vitória da redenção, algo não descartável se tratando de Ferrari e seu histórico recente.  

A corrida teve duas partes, já que a chuva típica de uma região tropical onde está localizada Sepang é diária e tem hora marcada, o que acabou paralisando a corrida por 50 minutos na oitava volta. 

Na primeira parte, a chuva começou momentos antes da largada, porém de uma forma moderada, que permitiu aos pilotos a utilização dos compostos intermediários. Nela, Hamilton manteve a ponta, com seu companheiro Button em segundo, enquanto que Grosjean e Schumacher ficaram para trás, permitindo que Webber e Vettel assumissem o terceiro e quarto postos. Outros pilotos que ganharam várias posições foram Alonso, Raikkonen, Kobayashi e Maldonado, que se envolveria em um acidente com Senna na primeira volta e perderia posições. Grosjean também sairia da pista e abandonaria pela segunda vez consecutiva.

A chuva se intensificou, obrigando que os pilotos entrassem no PIT para a colocação dos pneus de chuva intensa, com Pérez sendo o primeiro logo na segunda volta, o que lhe fez ganhar várias posições após a parada dos demais pilotos. Na sétima volta, assim que Hamilton fez a sua parada, continuando na ponta, o Safety-Car foi acionado em função do aumento substancial chuva, para logo após a corrida ser efetivamente interrompida em bandeira vermelha. Naquele momento, os dez primeiros eram: Hamilton, Button, Pérez, Webber, Alonso, Vettel, Vergne, Massa, Rosberg e Karthikeyan. Vergne e Karthikeyan não pararam nos boxes, deixando a Toro Rosso e HRT em boas posições. 

50 minutos depois....

As condições da pista melhoraram, e exatamente 50 minutos após a paralisação, o GP da Malásia pode ser retomado em regime de Safety-car, que duraria mais quatro voltas, para a então relargada. Nesse período, os pilotos conseguiram formar um trilho, que combinado com a parada da chuva, possibilitou a troca de pneus de chuva forte para intermediários. 

Logo após a parada, Button acabou se encontrando com a HRT de Karthikeyan, perdendo parte do bico e várias posições, enquanto que Hamilton enfrentou problemas com o tráfego no Pit e perdeu tempo, e Alonso, que ultrapassou Webber na relargada e depois Pérez, acabou assumindo a ponta, mantendo um ritmo constante de mais de 1seg mais rápido que Hamilton, e sendo acompanhado de perto apenas pelo mexicano da Sauber, que conseguiu manter uma diferença sempre abaixo da casa dos 10 segundos.

Com o passar das voltas, a pista foi secando, e a Sauber de Pérez começou a girar mais rápido que a Ferrari de Alonso, deixando no visual a distancia que o ferrarista havia conquistado ao longo de 20 voltas. Naquele instante, alguns pilotos já se arriscavam nos pneus para pista seca, tendo um rendimento abissal comparado aos que estavam de intermediários, o que fez com que todos fossem para os Boxes. Alonso foi uma volta antes de Pérez, e com isso conseguiu cerca de 8 segundos de vantagem, que logo foram recuperados pelo mexicano, já que seguia virando mais rápido que a Ferrari.

Em oito voltas, Pérez chegou em Alonso, e quando estava na eminencia de ultrapassar o espanhol, recebeu um estranho aviso da equipe via rádio, que foi mostrado pela FIA: “Tenha cuidado, precisamos dessa posição”. Logo depois, o piloto cometeu um erro, e deixou a vantagem confortável para Alonso vencer, e fazer festa com a carroça da Ferrari, que o deixa líder momentâneo do campeonato. Pérez acabou em segundo, merecendo os parabéns por ter colocado a Sauber novamente no pódio, e mostrado que tinha um carro em condições de vencer. Hamilton completou o pódio com o terceiro lugar.

Além de Alonso e Pérez, a corrida trouxe Raikkonen e Bruno Senna como grandes destaques, já que terminaram em quinto e sexto lugares respectivamente. O brasileiro fez jus ao sobrenome de seu tio campeão com uma grande corrida, mostrando constância e rapidez, que lhe proporcionaram algumas ultrapassagens, e no fim acabou ganhando a posição de Vettel, que acabou se envolvendo em um incidente com o carro de mão HRT, que furou um de seus pneus traseiros e o tirou da zona de pontuação. 

Já Massa contrastou com seu compatriota e com o seu companheiro de equipe terminando em 15º, após um inicio de prova constante, mas do meio em diante com problemas nos pneus e com as tradicionais escapadinhas, que o fez cair lá para trás no grid. Em um determinado período da prova, o brasileiro e os carros da Mercedes giravam 2 a 3 segundos mais lentos que os oponentes, o que acabou complicando com a prova de Schumacher, que terminou em 10º, e de Rosberg, que terminou em 13º. 

Com ou sem política da boa vizinhança, a vitória de Alonso tem que ser bastante comemorada pela Ferrari e pelos fãs da escuderia de Maranello, já que o espanhol fez um verdadeiro milagre com a carroça vermelha, além de mostrar toda a sorte de bicampeão que o fez abrir caminho e lhe possibilitar a vitória. Já Pérez mostra que tem um grandioso futuro pela frente. O piloto, que é conhecido por conservar os seus pneus e fazer poucas paradas, mostrou que é arrojado e constante, merecendo uma vaga em uma equipe grande. 


A categoria dará uma parada de 15 dias e voltará em 15/04 com o GP da China. 

sábado, 24 de março de 2012

Hamilton é novamente pole


Na Malásia, a McLaren mostrou toda a sua força e cravou a primeira fila tal qual como na Austrália, com Hamilton garantindo a sua segunda pole position na temporada, enquanto Button largará em segundo. Não foi uma diferença dominadora, já que o Schumacher, o terceiro, ficou há 0,17s do tempo de Hamilton, mostrando que o modelo 2012 da Mercedes é rápido em treinos;

As RBR’s mais uma vez fizeram um treino discreto, e Webber largará novamente à frente de Vettel com o seu quarto lugar, enquanto que o alemão herdou a quinta posição de Raikkonen, que foi obrigado a trocar o seu câmbio e, por isso, perderá cinco posições no grid, largando em 10º. Ao contrário da Austrália, os carros de Newey andaram basicamente no mesmo tempo das McLarens e da Mercedes, porém ainda sem demonstrar potencial para retomar o domínio na categoria.

A Ferrari mostrou avanços em relação à Austrália, já que Massa com um novo chassi ficou no meio do bolo intermediário e largará em 12º, enquanto que Alonso manteve-se mais rápido que o brasileiro, classificando-se para o Q1 com vantagem de três décimos, e vai largar em 8º, pois não teve carro para uma melhor sorte.

Já Force India e Toro Rosso alternaram as últimas posições do pelotão intermediário. Pelo lado dos touros vermelhos, algo normal, visto que a equipe é subsidiária da Red Bull, enquanto que o time de Vijay Mallya mostra que o modelo VJM05 não foi tão bem nascido quanto o modelo do ano passado, que deixou o time em sexto lugar nos construtores com certa tranquilidade.

A Williams mostrou que tinha carro para chegar ao Q3, porém Maldonado errou no Q2, saindo fora da pista e comprometendo a sua participação no treino, enquanto que Senna acompanha de longe seu companheiro, apesar da diferença de ambos ter ficado na casa dos dois décimos.  Finalmente pode-se dizer que, apesar dos limites orçamentários, a Williams tem um carro competitivo que lhe proporcionará uma boa quantidade de pontos neste mundial, caso Frank tenha um combustível financeiro para evoluí-lo ao longo da temporada. 

Já lá atrás, a novidade foi a HRT, que conseguiu tempos suficientes para largar amanha, e provavelmente atrapalhar algum ou alguns pilotos, visto que o carro é dois segundos mais lento que a Marussia, segunda pior equipe do grid.  

Para a corrida, espera-se que a chuva apareça, pois a Malásia está na linha equatorial, e assim como a região amazônica, tem uma chuva diária que pode gerar transformar-se em temporal como o que foi visto em 2009, quando a corrida teve que ser finalizada pela metade. O consumo de pneus preocupará, visto que são esperados três pitstops para cada piloto, o que complicará times como a Mercedes e o estilo de pilotagem agressivo de Hamilton.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Formula 1 chega à Malásia para a segunda etapa


O circuito malaio de Sepang tem 5.543 metros espalhados por 15 curvas, e cederá pela 14ª vez o GP da Malásia de F1. A prova terá 56 voltas. 


O vencedor de 2011 foi Sebastian Vettel da Red Bull, que também venceu em 2010. O Maior vencedor é o seu compatriota Schumacher com três tentos (2000, 2001 e 2004), enquanto que o recorde do circuito pertence a Montoya com o seu Williams 2004.  

É um circuito técnico, que conta com duas grandes retas em um formato de “V”, permitindo que os pilotos usem o KERS e o DRS, apesar de que este recurso da asa estará disponível apenas para a grande reta ao longo do GP. 



Para o fim de semana, a expectativa recai sobre a confirmação do desempenho inicial de alguns times, que surpreenderam positivamente como a Williams e a McLaren, e outras que decepcionaram como a Ferrari e Force Índia, e ainda a HTR, que não entra no quesito mico, já que não conseguiu sequer largar na estreia por não ter tido tempo suficiente.  

A McLaren mostrou uma razoável superioridade, que se for mantida na Malásia, poderá elevá-la a condição de equipe do ano. A Red Bull de Vettel mostrou um desempenho constante na Austrália, porém ainda incapaz de disputar a liderança com Button. As duas equipes deverão polarizar a disputa em 2012, já que a Mercedes teve problemas com desgaste de pneus e mostrou a velha queda de rendimento durante a prova, enquanto que a Lotus sofrerá com a inexperiência recente de seus pilotos, já que ambos estavam longe da categoria há pelo menos duas temporadas.

A Ferrari ainda é um ponto de interrogação, pois parece uma carroça moldada em um chassi de F1. Alonso fez milagre na Austrália, porém nem assim escapou de ser pressionado pela Williams de Maldonado no fim da corrida, enquanto que na tomada de tempo, o time não saiu das posições intermediárias. Já os segundos pilotos de ambas as equipes citadas neste paragrafo terão que se redimir do papelão australiano, quando se enroscaram na disputa pelo 14º lugar, enquanto seus companheiros disputavam o 5º. 


domingo, 18 de março de 2012

Predomínio da McLaren e futuro não tão esponjoso à Ferrari e RBR


Tentei, mas o sono falou mais alto e não consegui montar o post do GP da Austrália logo após a corrida, ali pelas cinco horas. 

Mas a McLaren confirmou o seu favoritismo e venceu de ponta a ponta. Só que não foi o carro de Hamilton, e sim o de Button, que ganhou a posição de seu companheiro na largada e dali não saiu mais, sequer sendo ameaçado durante a prova. Hamilton acabou perdendo o segundo lugar para Vettel na última parada de boxe, e por pouco não deixou de figurar no pódio, pois foi ameaçado nas últimas voltas por Webber, que acabou em quarto.

Na largada, Grosjean e Webber se deram mal, caindo para o sexto e nono lugares respectivamente. Webber conseguiu fazer uma corrida de recuperação para terminar entre os primeiros, porém o franco-suíço nem isso, pois acabou se envolvendo em um acidente com Maldonado logo na segunda volta, e abandonou a prova com a suspensão dianteira direita avariada. Houve também um embrolho no pelotão intermediário, permitindo que as Ferraris ganhassem muitas posições, com Alonso se posicionando em oitavo e Massa em décimo.

Na frente Button começava a girar mais rápido que Hamilton, enquanto que os dois construíam grande vantagem para Schumacher, que era o terceiro, chegando a uma diferença de 12 segundos na nona volta. Os carros da Mercedes mantiveram a mesma característica da temporada passada, mostrando-se mais forte em tomadas de tempo e inconstante nas corridas, devido ao desgaste dos pneus. Schumacher teve problema no câmbio na 11ª volta e abandonou, enquanto que Rosberg iniciou junto com Massa a primeira série de paradas para troca de pneus, onde muitos pilotos preferiram a utilização de compostos mais duros, como Button e Webber.

Button acabou abrindo mais de 10s em relação a Hamilton, mantendo uma diferença constante até o segundo stint de paradas, quando um problema envolvendo a Caterham de Petrov, deixou o carro parado no meio da grande reta, forçando a entrada do Safety-car. Naquela altura, Button e Hamilton haviam feito as suas paradas voltas antes, enquanto que Vettel se beneficiou pela entrada do carro de segurança, e acabou ganhando o segundo lugar de Hamilton. 

Na relargada, Button abriu uma vantagem suficiente para lhe dar a vitória, enquanto que Hamilton tentou sem sucesso pressionar Vettel, e ainda teve que se cuidar com Webber, pois seus pneus já estavam desgastados. Logo atrás, Alonso foi acompanhado por Maldonado até a última volta, quando o piloto venezuelano errou, batendo forte no muro e perdendo a chance de fazer pontos, porém mostrando a competitividade da sua Williams.

E os Brasileiros? Bom, Massa até fazia uma boa corrida até a primeira parada, quando não se acertou com a estratégia e os novos compostos de pneus, e acabou ficando cada vez mais pra trás.  Senna teve problemas na largada, onde perdeu parte de seu bico e teve que fazer uma parada nos boxes logo na primeira volta, mas conseguiu uma recuperação que o recolocasse no pelotão intermediário. Porém, na volta 48, ambos “se acharam” em um duelo patético  valendo o 14º(!) lugar, enroscando-se e abandonando a prova.

A prova teve outros destaques como Raikkonen, que fez uma boa corrida com a sua Lotus e terminou no sétimo lugar, além da Sauber, que acabou fazendo estratégias diferentes e terminou em sexto com Kobayashi e oitavo com Perez, este fez apenas uma parada no boxe. No mais, foram 22 carros que largaram, pois a FIA usou o bom senso em não liberar a participação das carroças HRT, que ficaram abaixo do tempo de 107% no treino oficial.

A McLaren aparece como a grande equipe deste início de temporada, enquanto que RBR e Ferrari (de Alonso) mostraram maior constância em ritmo de prova, levando vantagem sobre Mercedes e Lotus, onde a primeira parece ser um bom carro para definição de grid, sem ter uma constância para prova, enquanto que a segunda ressente-se de ter pilotos que não estavam acostumados com o ritmo da categoria.  




No próximo finde, a categoria chegará à Malásia para a segunda etapa.

sábado, 17 de março de 2012

Inversão de forças no primeiro grid de 2012


O último treino livre para o GP da Austrália já havia cantado a pedra do favoritismo das McLarens e a Mercedes, além das dificuldades da Red Bull e do carro assustadoramente ruim que fora montado pela Ferrari para esta temporada. Mas como era treino livre, muitos ainda acreditavam que tinha gente escondendo o jogo.

Então veio o treino oficial, que confirmou a nova classificação dos times pelo menos para este início de temporada, com as McLarens levemente superiores, seguidas pela Mercedes e também pela Lotus de Grosjean, já que Raikkonen mostrou que os dois anos fora do grid faz a diferença, ainda mais em uma época onde os treinos são raros, e ainda não se acertou com o carro. 

Button e Hamilton travaram um duelo particular ao longo do final de semana para ver quem começaria na frente, com Button mais rápido na sexta-feira, enquanto que Hamilton já havia sido o mais rápido no terceiro treino livre, e confirmou a sua soberania inicial com a pole position. Ainda não se sabe o quão rápidos são estes novos pupilos de Martin Whitmarsh estão em relação aos demais, porém seus carros com um design mais baixo e progressivo, escapando do horripilante degrau no bico do carro, mostram que havia outra saída aerodinâmica mais elegante para as novas regras da FIA, que limitam a altura do bico em 55cm do chão.

E a RBR? A escuderia de Horner e Newey foi uma mera coadjuvante dos treinos livres, e confirmou a queda de soberania com os quinto e sexto tempos de Webber e Vettel respectivamente. O time parece ter sentido a regra que baniu o uso dos difusores soprados, que utilizavam gases canalizados do escapamento do motor para dar um melhor arraste aerodinâmico. O time até poderá ser competitivo na corrida de amanhã, mas já é um fato que não tem a mesma soberania das duas últimas temporadas, e terá que trabalhar muito se quiser acompanhar a McLaren, já que ficou meio segundo atrás.

Já a Ferrari é um caso a parte. A proibição diretiva a entrevistas de Alonso e Massa ao longo da pré-temporada era um indicio que tinha muita água no chope de Maranello. Massa fez um treino conservador e ficou apenas em 16º, na frente apenas de Raikonen, Perez e dos seis pilotos dos times nanicos, enquanto que Alonso brigou tanto com o carro, que acabou rodando na última tentativa no Q2 e ficou em 12º, mas sem muitas esperanças em figurar entre os melhores. A realidade da Ferrari para este início de temporada deverá ser a luta pelos pontos, no pelotão intermediário.

A Lotus entrou para ocupar o lugar ferrarista no G4 dos times, com Grosjean largando em terceiro, após ter sido destaque nos treinos livres. Se tivesse optado por outro piloto ao invés de Raikkonen, o time provavelmente colocaria seus dois carros entre os cinco primeiros, já que o modelo E20 é bem nascido, e marca a redenção ao piloto franco-suíço, de fraca passagem na categoria em 2009, mas que voltou à GP2 e levou o titulo do ano passado, e agora parece estar efetivamente maduro para ocupar uma vaga na categoria máxima. 

O time disputará o posto de segunda ou terceira força com a Mercedes, que tem um segredo no assoalho que fez Schumacher parecer uma criança atrás de um brinquedo quando evitava, de todas as formas, que o assoalho ficasse visível, enquanto seu carro estava sendo carregado pelo guincho, após sair da pista e ter ficado preso na brita durante o treino livre. Outro componente da escuderia de Ross Brown que vem causando polêmica é a asa traseira, que usa uma espécie de duto de ar, que foi aprovada pela FIA, mas que equipes como Lotus e Red Bull choram e não aceitam a decisão.

Já o Bruno Senna terá que mostrar muito trabalho e agressividade para poder acompanhar Maldonado, que fechou com o oitavo tempo no Q1. O brasileiro ficou em 13º, mostrando a evolução da Williams para esta temporada, principalmente com a troca para o motor Renault. Outro destaque positivo deste início de temporada é a Toro Rosso, que largará em 10º e 11º com Ricciardo e Vergne, este um jovem francês na qual se deposita muita expectativa, até para ser um eventual substituto de Webber na equipe principal dos Touros Vermelhos.

A corrida promete, pois deveremos ter briga pela liderança, pódio e também nas posições intermediárias por pontos. Não há nenhum bicho-papão e nem deverá haver, pois a limitação dos treinos deixa a evolução dos times lenta.