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domingo, 3 de agosto de 2014

Inter vence Santos e se consolida no G4

O Internacional bateu o Santos no Beira-Rio pela 13ª Rodada do Brasileirão e conquistou a sua terceira vitória consecutiva na competição, subindo para o terceiro lugar com 25 pontos e já abrindo quatro pontos de distância para o  quinto colocado, o Sport.

O jogo foi bom e disputado, levando em conta o padrão de mediocridade do futebol brasileiro. O Inter foi superior durante boa parte do jogo, controlando a partida principalmente no primeiro tempo, onde teve as melhores oportunidades do jogo. Apesar de o time Colorado ter mostrado suas deficiências ofensivas em virtude de faltar velocidade na transição, o Inter conseguiu conclusões através de jogadas individuais, lançamentos diretos e chutes de fora da área, chegando a acertar a trave duas vezes, uma com Wellington e outra com D’Alessandro.

D’Alessandro foi, mais uma vez, o melhor jogador do Inter na partida, criando as principais jogadas ofensivas conscientes do time. Faltou uma melhor parceria para o argentino, já que havia pouca movimentação do meio para frente, que facilitava a recomposição do Santos, uma das melhores defesas do Brasileirão. 

Na segunda etapa o ritmo do time caiu, e o nervosismo tomou conta, fruto do legado do DVD sobre erros de arbitragem publicado pelo ex-presidente colorado Fernando Carvalho em 2009, que até hoje reflete negativamente no time quando os jogadores discordam de decisões dos árbitros nas partidas. Hoje, foi a vez de o zagueiro Paulão perder o controle e ser expulso por reclamação. Justo neste momento, que era o pior do time na partida, foi que o Inter conseguiu o gol da vitória com Rafael Moura em lance de bola parada.  Após o gol, o Inter recuou e atacou pouco, mesmo quando o adversário também ficou com um jogador a menos. 

O Inter entra animado na semana do Gre-Nal, que será disputado no Beira-Rio no próximo domingo. Uma vitória manterá o time na caça contra o Cruzeiro e ainda inviabilizaria uma boa campanha gremista, já que o clássico será marcado pela estreia de Felipão e o desejo de revanche pelos 4x1 sofridos na final do Gauchão.

Porém o Inter terá que jogar mais, já que as atuações do time ainda não sustentam a ótima posição no Campeonato. O mais difícil é pontuar, algo que o time de Abel está conseguindo, porém boas atuações respaldariam a campanha e garantiriam regularidade ao time ao longo do campeonato.  

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Grêmio rasgou planejamento ao demitir Enderson

A derrota em casa por 3x2 diante do Coritiba sacramentou a queda de Enderson Moreira. O treinador não aguentou a pressão pela série de atuações ruins e resultados decepcionantes e pediu demissão, logo no terceiro jogo após a volta da Copa do Mundo. 

A saída de Enderson significa que mais uma vez o planejamento do Grêmio falhou. A falha não foi na saída propriamente dita do treinador, mas sim em um momento imediatamente após uma parada de 45 dias para a Copa do Mundo que permitia mudanças mais consistentes no planejamento, como uma revisão da Comissão Técnica. 

Enderson teve um bom momento no início da temporada, mas não conseguiu confirmar nas decisões da Libertadores e do Gauchão, além de ter iniciado o Brasileirão com uma campanha regular. As derrotas para San Lorenzo e Internacional deixou-lhe sem respaldo para continuar o trabalho, sendo mantido apenas pela convicção da direção gremista e pelos 55% de aproveitamento nos nove primeiros jogos do Brasileirão, o que deixava o time perto do G4 e com possibilidades de se consolidar na faixa dos melhores. 

Enderson ganhou os reforços de Fernandinho e Giuliano para o meio-campo, além de Matías Rodríguez para a lateral direita, porém não soube usufruir do tempo extra de preparação paar entrosá-los ao time, além de propor soluções e inovações táticas que fizessem o Grêmio jogar mais, já que os resultados do time até então no Brasileirão eram bem melhores que as atuações.

Sem soluções e tendo a implicância do torcedor, a permanência do treinador ficou inviável, terminando até com a convicção da direção, que pôde demiti-lo na parada da Copa do Mundo, mas que por oportunidade e conveniência preferiu superestimar as contratações, que ainda levarão algum tempo para chegar à plenitude física e técnica.  

Os nomes de Tite, Sabella e Felipão são os mais especulados como substitutos. Tite é o preferido da torcida, porém tem pretensões de treinar no exterior e praticamente descartou a possibilidade, enquanto os outros nomes são caros e precisariam aceitar um contrato até o fim da temporada, já que ao final do ano haverá novas eleições presidenciais no clube, o que inviabilizaria um contrato mais longo. 

Já é certo que o novo treinador entrará para apagar incêndio e quiçá levar o time para uma conquista da Copa do Brasil ou um G4 no Brasileirão. Não haverá um planejamento de médio-longo prazo, o que já pesará na escolha do treinador e fará o seu trabalho tender ao insucesso. 

Sem ganhar um título relevante desde a Copa do Brasil de 2001, o Grêmio sucumbe na queda de braço entre uma tentativa de planejamento e os resultados de curto prazo. O clube perdeu o “timing” da mudança de treinador, o que faz com que convicções não existam na prática, e o clube fique em um círculo vicioso de mudança consecutiva de treinadores, onde desde Mano Menezes em 2007, nenhum conseguiu treinar o clube por uma temporada inteira. 

O Grêmio está conseguindo montar um grupo com opções qualificadas, embora alguns setores ainda estejam carentes. O problema será acertar um planejamento que englobe um técnico que consiga tirar o máximo deste grupo. Pelo jeito, ficará para o próximo ano. 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Inter decepciona na volta do Brasileirão

O Internacional mostrou pouco futebol e decepcionou na retomada do Brasileirão ao ser derrotado pelo Corinthians por 2x1 na Arena Corinthians, em São Paulo.  O desapontamento não foi nem tanto pelo placar, já que o Corinthians preferiu administrar o escore favorável desde o primeiro tempo e pouco se arriscou ao ataque, porém o Internacional jogou muito pouco e sequer apresentou oportunidades para ambicionar algo melhor no jogo.

Sem Aránguiz, Abel Braga preferiu colocar João Afonso como volante, enquanto Jorge Henrique seguiu prestigiado no meio-campo e a lateral direita contou com a estreia de Wellington Silva, vindo do Fluminense a pedido do treinador. O lateral direito mostrou muitas limitações e começou muito mal o jogo, tanto que os dois gols do Corinthians surgiram ou se desenrolaram no seu lado.

Aos sete minutos, Guerrero receberia um passe açucarado de Jadson para abrir o placar, enquanto que dois minutos depois, o Timão faria o segundo com Fágner entrando livre pela direita depois de jogada de Luciano na esquerda, nas costas de Wellington Silva, que naquele momento tinha uma atuação constrangedora. O lateral até conseguiu superar o trágico início de jornada e contribuiu para que o time descontasse no segundo tempo, porém deixou muitos no seu setor, por onde o Corinthians teve as melhores chances da partida, apesar do time paulista ter chegado pouco ao ataque.

O Corinthians praticamente desistiu do jogo após os gols, e basicamente administrou a partida por 80 minutos. Levando em conta as duas conclusões certas dos gols antes dos dez minutos, o time concluiu apenas mais quatro vezes ao longo do restante da partida, onde somente um foi em direção ao gol, mostrando inoperância ofensiva que fez com que a vitória não tenha sido brilhante.

Foto: AI Inter
Abel Braga percebeu ainda na primeira etapa que errou ao colocar João Afonso, que não vinha contribuindo no meio-campo além de já estar amarelado e perigando ser expulso, e colocou Claudio Winck na função. O time passou a ter mais posse de bola, porém mostrou-se burocrático e previsível, criando poucas chances. 

O Inter só viria a melhorar com a entrada de Valdívia no lugar de Jorge Henrique em meio a segunda etapa, quando efetivamente conseguiu criar chances de gols, onde a primeira foi com o próprio jovem meia, que recebeu um cruzamento e de cabeça obrigou o goleiro Cássio a fazer grande defesa. O time ainda encontrou forças para descontar já nos acréscimos, com Winck marcando de cabeça e confirmando a sua boa entrada, além de injustificar a opção de Abel em ter começado com João Afonso. Um dos motivos para o equivoco do treinador foi ter realizado apenas dois coletivos ao longo de toda a intertemporada.

O saldo da derrota foi que o Inter não aproveitou o período da parada da Copa do Mundo para reforçar o seu grupo, bem como entrosar mais o time com opções de jogadas e movimentações. O time colorado foi muito dependente do jogo direto e de cruzamentos, não conseguindo uma única vantagem ofensiva em lance de aproximação e tabelamento. Para complicar, a defesa mostrou-se deficiente principalmente no início da partida, onde o Corinthians teve todos os espaços do mundo. A análise defensiva do restante da partida ficou prejudicada em virtude do Corinthians ter atacado pouco. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Grêmio fica no 0x0 em reestreia do Brasileirão

E na volta do Campeonato Brasileiro depois da pausa para a Copa do Mundo, o Grêmio não saiu do 0x0 contra o Goiás na Arena, marcando passo na tabela e desanimando seus torcedores que esperavam uma vitória com boa atuação.

Sem ainda contar com todos os reforços, como o lateral Matías Rodríguez e o meia Fernandinho, mas contando com o grande reforço para o restante da temporada, o meia Giuliano, o Grêmio continuou apresentando deficiências ofensivas, que lhe fizeram perder dois pontos importantes na luta pela parte de cima da tabela. 

Enderson escalou o time no 4-2-3-1, com o zagueiro Saimon atuando na lateral esquerda, Riveros e Ramiro como volantes e um Giuliano comandando o trio de meias formado juntamente com Alan Ruíz e Luan, que tinham a função de abastecer Barcos. O time mostrou muito desentrosamento e problemas na transição e aproximação dos meias, que detinham a exclusividade de movimentação, já que não havia a chegada dos laterais e a presença dos volantes para o tabelamento ou infiltração era rara. Porém houve pouca profundidade, o que reduziu as chances de vantagem ofensiva contra a bem postada defesa do Goiás. 

Mesmo assim, o Grêmio conseguiu criar algumas chances, basicamente em lances individuais, com Barcos tendo pelo menos três chances para marcar, enquanto que Luan teve a outra grande chance do time na primeira etapa. Giuliano foi participativo principalmente na primeira etapa, conseguindo criar jogadas, enquanto que Luan foi o único jogador que mostrou movimentação e velocidade na frente. Ambos cairiam de produção na segunda etapa em virtude do cansaço.

Foto: Gremio.NET
Na segunda etapa, o Grêmio até teve momentos de pressão no início do jogo, conseguindo duas conclusões com Alan Ruíz, uma em tabelamento com Giuliano, porém o time caiu de desempenho principalmente após as alterações de Enderson Moreira, que retirou Ramiro para entrada de Dudu, Barcos para a entrada de Lucas Coelho e Ruíz para a entrada de Zé Roberto. O time perde ainda mais qualidade na transição, o que fez com que a bola chegasse quadrada no setor ofensivo, facilitando a marcação do Goiás.  Com isso, o time dependeu exclusivamente das individualidades e de chutes de fora da área, onde Lucas Coelho acabou acertando a trave aos 35 minutos, na melhor chance do Grêmio na partida.

 O Goiás foi conservador ao longo do jogo, e praticamente apenas se defendeu. O time passou a se arriscar mais ao ataque na parte final da segunda etapa, aproveitando-se da desorganização gremista para incomodar o adversário, porém o time parecia satisfeito com o empate em Porto Alegre e preferiu não se esforçar para buscar a vitória. Mesmo assim, a equipe esmeraldina mostrou deficiências defensivas do Grêmio, que mesmo tendo um zagueiro na lateral esquerda e Riveros jogando praticamente como um zagueiro quando o time se defendia, o tricolor gaúcho correu riscos, e Marcelo Grohe teve que efetuar algumas intervenções importantes ao longo do jogo. 

O placar de 0x0 trará muitos questionamentos ao Grêmio, em virtude de o time não apresentar uma atuação satisfatória, além de continuar com alguns problemas ofensivos que eram vistos antes da Copa, como por exemplo, a pouca contribuição de Barcos. O pirata foi substituído nos segundo tempo diante de muitas vaias, e o seu período de titularidade poderá estar chegando ao fim. Uma solução seria Enderson abrir mão do tradicional centroavante de referência para colocar mais um meia, que pode ser Dudu ou Rodriguinho, criando a alternativa do “falso 9”. 

Volta à realidade: Brasileirão recomeça hoje

Depois de 32 dias desfrutando a “Copa das Copas” no seu território, a partir de hoje o brasileiro admirador do futebol terá que voltar à dura realidade do Brasileirão com seus jogos ruins, de precariedade técnica e de pouco tempo de bola rolando, apesar do ingresso cobrado na maioria dos palcos ser maior do que o que o valor pago para assistir aos maiores jogadores do mundo em um evento singular realizado a cada quatro anos.

O Brasileirão deveria recomeçar em clima de desconfiança, depois do povo brasileiro presenciar uma intensa competição de qualidade contrastante ao que estava acostumado a assistir, porém o fanatismo pela sua equipe driblará problemas como ingressos caros, desperdícios de recursos por parte do seu amado clube, falta de qualidade e métodos e táticas obsoletas dos treinadores. O assunto mudança no Futebol Brasileiro será esquecido em detrimento ao famoso “bamu apoiar”, que não se importa com jogos ruins, péssima arbitragem e pouca qualidade de suas equipes.

Alguns clubes aproveitaram a parada da Copa do Mundo para reformular seus plantéis,  trocando peças que não obtiveram rendimento esperado para promissores reforços, dentro das limitações técnicas que o futebol brasileiro oferece.  São os casos de Cruzeiro, Fluminense, Corinthians e Grêmio, que melhoraram seus elencos em relação à primeira parte do Campeonato. 

O Cruzeiro, atual líder do Brasileirão trouxe o zagueiro Manoel, destaque do Atlético-PR, o atacante Neílton, tido como revelação do Santos e Marquinhos, outra revelação do Vitória. O time acabou perdendo o volante Souza (Santos) e o atacante Luan (Al Sharjah-EAU), mas o elenco ganhou qualidade e o time seguirá como favorito para o bicampeonato. O Corinthians foi o segundo que melhor se reforçou, com as chegadas de Elias (que finalmente poderá ser escalado) e Lodeiro para o meio-campo, além do zagueiro Anderson Martins e de Ángel Romero para o ataque. Mano Menezes terá um elenco forte a disposição, e o Corinthians surge como o grande adversário do Cruzeiro para a conquista do título.

Outro que se reforçou muito bem foi o Grêmio, que trouxe duas grandes opções para o meio-campo: Giuliano (ex-jogador do Internacional) e Fernandinho, que estava no Galo. Ambos deverão acrescentar no sistema ofensivo tricolor, enquanto que as contratações de Felipe Bastos e Matías Rodríguez ainda são incógnitas. Eu não conheço o futebol do lateral direito argentino, porém não precisará de muita qualidade para desbancar Pará na lateral direita.

O Fluminense também se reforçou bem, trazendo o zagueiro Henrique (Bordeaux-FRA) e o meio-campista Cícero (Santos). O tricolor ainda conta com o retorno de  Martinuccio (Cruzeiro), e foi outro time que acrescentou qualidade em relação à primeira parte do campeonato. O grande problema do tricolor é o sistema defensivo, ainda carente e que dependerá do bom entrosamento do zagueiro Henrique para evoluir e torna-lo competitivo, já que o time carioca sofreu muitos gols em virtude de falhas defensivas.

O São Paulo trouxe Kaká para jogar o restante do Campeonato Brasileiro. Muricy terá uma dor de cabeça, já que terá que escalar um quarteto: Kaká, Ganso, Pato e Luís Fabiano. Imagino que o quarteto se escalará no carteiraço, deixando o problema de transição lenta e recomposição adequada para o treinador, que terá que descascar abacaxi para contorná-lo, qualificando o meio e deixando o sistema defensivo seguro. O time paulista terminou no G4 e, na minha ótica, disputará duas vagas para a Libertadores com Fluminense, Grêmio e Internacional, já que considero Corinthians e Cruzeiro equipes superiores que tenderão a abrir vantagem na classificação e deverão assegurar as duas primeiras vagas.

Dos times da ponta, o que se reforçou de forma mais modesta foi o Internacional, que trouxe apenas o lateral Wellington Silva e o atacante Luque, sendo o lateral direito uma aposta enquanto que o atacante argentino é uma promessa. No mais, seguirá o mesmo grupo que alternou altos e baixos no Brasileirão, e não ofereceu grandes expectativas para o seu torcedor.  Como o tempo de preparação na pausa para a Copa foi marcado por problemas de relacionamento entre jogadores e por atuações e resultados fracos nos amistosos, o time deverá apresentar muita dificuldade para manter-se na disputa pelo G4. 

Pelo que o Brasileirão mostrou nas primeiras rodadas, grande parte dos times estará envolvida na parte de baixo da tabela, lutando contra a ameaça da Zona do Rebaixamento, o que mostra a falta de qualidade do futebol brasileiro.  

Apesar de não acreditar em melhorias no esporte praticado no Brasil, eu ainda sonho em ver o futebol brasileiro melhorando, com gestores mais comprometidos na qualidade e no espetáculo, com dirigentes se responsabilizando e a redução do poder dos empresários, além de melhores métodos de trabalho e atualização tática dos treinadores. Só assim para que possamos ver um Brasileirão melhor, o que acabará interferindo e melhorando a Seleção Brasileira futuramente.  

terça-feira, 3 de junho de 2014

Balanço e Projeção da Dupla Gre-nal no Brasileirão

Passados 24% do Campeonato Brasileiro, o que dá quase 1/4 da competição, a dupla Gre-Nal mostra que disputará a parte de cima da tabela, como havia previsto antes de a competição começar, porém não está no G4, o que de certa forma me decepcionou, pois imaginava pelo futebol do início do ano que estariam disputando a liderança.

No entanto, essa primeira amostra mostrou que falta grupo de jogadores à dupla Gre-Nal para disputar o título. Ambos possuem bons valores no time titular, e já mostraram em campo qualidade para fazerem boas campanhas, porém quando ambos sofrem com desfalques, o nível cai drasticamente, perdendo competitividade contra equipes mais bem equipadas, como Cruzeiro, Fluminense, Corinthians e até o São Paulo, apesar de toda a irregularidade que o tricolor paulista está mostrando este início de campeonato.

O Internacional foi o que mais sofreu com desfalques, o que de certa forma divide com a direção à responsabilidade de Abel Braga. Em muitos jogos, o treinador não tinha opções qualificadas no banco de reservas e até teve dificuldades para montar o time titular, o que mostra que faltam maiores opções qualificadas para o grupo. Contra o Coritiba, o time começou com apenas 4 titulares e terminou com 2, em virtude dos desfalques. Abel recuperou alguns jogadores que não estavam bem no ano passado, como Alex e Rafael Moura, porém grande parte dos reforços da direção era dispensável nos seus clubes de origem, e ajudou a comprometer a campanha do time. Para completar, alguns jovens mostram estar muito verdes, não agradando o torcedor e prejudicando as suas evoluções, tendo em vista que o clube sempre teve um histórico mais critico com suas revelações, apesar de alguns grandes destaques na década passada. 

AI Inter
A única restrição que faço em relação ao comportamento do time, é em torno de planejar resultados e entrar postado para conseguir este resultado. Em muitos jogos, direção, técnico e jogadores falavam abertamente sobre empatar fora de casa, o que acabou tirando a ambição para que o time vencesse alguns confrontos contra times visivelmente mais fracos. Quando os jogadores são orientados pelo planejamento, já entram mais relaxados, buscando preservar o empate ao invés de tentar buscar a vitória. Com isso, há muita catimba, troca de passes na intermediária e sem verticalização. Vale ressaltar que não vi esse comportamento contra o Fluminense, o que pode mostrar uma mudança de visão, apesar de o time não ter saído do empate no confronto. 


Já o Grêmio perdeu um número menor de jogadores, cuja maioria das posições havia reposição imediata. Somente a lateral esquerda o time sofre com um substituto de Wendell, enquanto que na zaga havia reposição para Rhodolfo, apesar de este ser o melhor zagueiro do time, enquanto que para a transição do meio para o ataque havia opções para o lugar de Luan. Problemático seria se o time perdesse o goleiro Grohe, melhor jogador do time, e que não possui reposição. Barcos é muito contestado pela falta de gols, porém somente nos últimos jogos que o time foi ter um reserva para a posição: Kleber Gladiador. 

AI Grêmio
A grande crítica para Enderson Moreira é que o time não conseguiu jogar bem me nenhum jogo até agora no Campeonato Brasileiro. Apesar da boa campanha, o time não convenceu ainda no Campeonato Brasileiro, e mostrou na primeira fase da Libertadores que pode jogar mais. O treinador também mostra falta de ambição no comportamento do time fora de casa, e também após as entrevistas pós-jogo, mostrando normalidade com os resultados e atuações ruins, que gerou até critica pública de representes da direção, o que sinaliza uma possibilidade de troca de comando no time, nestes 45 dias de parada para a Copa. 

Além do Inter, o Grêmio precisa de reforços para a continuidade do campeonato. A sazonalidade do futebol brasileiro fez com que o Cruzeiro voltasse a jogar bem, enquanto Corinthians e Fluminense alterassem seus departamentos esportivos, evoluindo e entrando na disputa pelo titulo. A dupla Gre-Nal estagnou o desenvolvimento de seus times, muito em função dos desfalques e da falta de reinvenção de Enderson (Grêmio) para resolver os problemas, o que fez com que ambos perdessem terreno no cenário nacional, já que os projetava como os times que tinham o melhor futebol do país na fase final dos Estaduais, já que as demais equipes sofriam enormes dificuldades.

Em uma comparação de tabela, o Grêmio ainda tem uma certa vantagem sobre o Inter, em virtude de ter jogado menos em casa, além de ter enfrentado adversários mais fortes. Já o Inter terá a volta de titulares, e contará com reforços que já foram contratados, o que aumentará a qualidade e projetará um futuro melhor na Competição, já que hoje ambos lutam pelo G4, e estão ficando em desvantagem para o São Paulo, além de Cruzeiro, Fluminense e Corinthians possuírem grupos mais consistentes.

domingo, 1 de junho de 2014

Pintou um favorito ao título?

E a primeira parte do Campeonato Brasileiro finalmente chegou ao fim. Agora todas as informações serão sobre a Copa do Mundo. Porém, vamos ao review da 9ª Rodada, que serviu para colocar o Cruzeiro em vantagem na luta pelo título, já que a Celeste abriu três pontos do segundo colocado, e ainda tem um jogo a mais em casa a disputar em relação à maioria dos adversários.

Os gols voltaram na nona rodada, já que foram 23 bolas na rede, aumentando para 2,3 a média de gols/partida. Há alguns anos eu acharia essa média baixa, porém hoje já fico contente com números superiores a 2 gols por partida. A lamentar, apenas o 0x0 entre Grêmio e Palmeiras. 

Na briga pela ponta, surge um favorito: o Cruzeiro. O time mineiro utilizou reservas em 3 das quatro primeiras rodadas, e mesmo assim sempre figurou entre os primeiros, embora privilegiasse a disputa da Libertadores. Depois que foi eliminado da competição sul-americana, o time mostrou a sua força com 4 vitórias nos últimos 5 jogos, o que lhe fez chegar à liderança e abrir vantagem sobre o segundo, apesar de ter sido prejudicado pela arbitragem em duas partidas, contra São Paulo e Atlético-MG, que poderiam ter-lhe feito disparar ainda mais. A Raposa voltou a mostrar o bom futebol que a consagrou em 2013, além de ter bons nomes no grupo para reposição do time titular, o que me faz considera-la favorita para o bicampeonato.

AI Cruzeiro
Vejo dois concorrentes para o Cruzeiro: Fluminense e Corinthians. A dupla mostra ter grupo forte e ambição para buscar vitórias fora de casa, o que contam como diferenciais no certame, porém cada um tem um problema a resolver. O Fluminense tem um sistema ofensivo até mais poderoso que o do Cruzeiro, porém possui um sistema defensivo fraco, capaz de vazar em momentos importantes e fazer o time perder pontos preciosos. Hoje o Fluminense tem menos gols sofridos que o Cruzeiro (8 a 10), porém o time mineiro sofreu 6 destes quando utilizou o time reserva nos primeiros jogos. Já o Corinthians o problema é o efeito Itaquerão. Nos dois jogos que atuou na nova casa, o time não foi bem e acabou marcando apenas 1 ponto em 6 possíveis. Se tivesse vencido Figueirense e Botafogo, adversários com problemas e que estão na parte de baixo da tabela, o time teria acabado esta primeira parte na Liderança. Ambos já estão em desvantagem na pontuação e também na tabela, já que como havia escrito no primeiro paragrafo, o time ainda terá 15 jogos em casa ao longo do campeonato, enquanto a dupla terá 14. 

Para título, o São Paulo ainda pinta como um franco atirador. O time de Muricy Ramalho tem um grande sistema ofensivo com Ganso, Pato, Osvaldo e Luís Fabiano, porém prima pela inconstância, com partidas abaixo da média. Se tivesse maior regularidade, até poderia enquadrá-lo como concorrente, porém está um degrau abaixo de Corinthians e Fluminense, mas pinta como um grande concorrente para o G4, já que está na frente e tem mais qualidade que Internacional, Grêmio e Atlético-MG, times que considero na luta pela Libertadores. Na 7ª Rodada, o tricolor paulista bateu o Grêmio no Morumbi, enquanto que na 9ª foi a vez do Galo ser batido em um lance totalmente infeliz no final da partida, onde o arbitro assinalou uma falta inexistente em Ganso, que Pabón bateu e o goleiro Giovanni acabou levando um frango. São essas vitórias em jogos de seis pontos que fazem a diferença e colocam o São Paulo em vantagem.

AI Inter
Já a dupla Gre-Nal sofre com a deficiência em seus grupos de jogadores. Ambos possuem problemas de reposição, fruto de uma ineficiência de Gestão que apostou em medalhões caros e com pouco benefício, além de apostas que não deram certo, mas que oneram a folha de pagamento e impossibilitam novos investimentos. É verdade afirmar que o Grêmio teve mais sucesso com as contratações de jovens desconhecidos, porém está longe de formar um grupo consistente, tanto que busca reforços apesar das dificuldades financeiras. O Inter sofre do mesmo problema, e perdeu terreno no campeonato quando passou a sofrer com desfalques. Além disso, falta a ambos uma maior ambição em buscar vitórias fora de casa, já que a dupla ainda não aprendeu a jogar campeonatos de pontos corridos, onde uma vitória fora de casa é muito importante. Os clubes seguem se conformando com empates fora de casa, e com isso perdem pontos.

Na parte de baixo, a Chapecoense conseguiu reagir no campeonato e marcou 6 pontos nos últimos 9, suficientes para tirá-la da Zona do Rebaixamento. O Coritiba também venceu a primeira nesta rodada, e se ambos se reforçarem na parada da Copa, prometerão uma disputa forte contra o Rebaixamento, já que o Campeonato está dividido em dois grandes grupos, e talvez tenha me precipitado ao chamar Criciúma, Chapecoense e Coritiba de sacos de pancada. Os times nordestinos, principalmente o Vitória e o Bahia, estão mostrando muitas dificuldades, e precisarão melhorar bastante para não terem que disputar a fuga do Rebaixamento. 

UOL
Já o Flamengo merece um parágrafo especial. O time se esforçou muito para conquistar a Copa do Brasil no ano passado, perdeu seu principal jogador para 2014 e ficou apenas na primeira fase da Libertadores. Apesar de ter conquistado o campeonato Carioca, o treinador Jayme de Almeida não suportou a derrota por 2x0 contra o Fluminense no clássico carioca da 4ª rodada, onde o time tinha apenas 4 pontos. Ney Franco assumiu seu lugar, porém ainda não venceu em cinco rodadas, somando três empates e duas derrotas, que deixou o time em situação calamitosa. Vi o jogo contra o Cruzeiro, e o time levou um banho de bola do líder do campeonato além de ter sido derrotado por 3x0. O time não tem grandes opções no elenco, o que deixa o seu futuro tenebroso, caso não venham reforços nesta parada.

O Brasileirão parará 40 dias em função da Copa do Mundo, o que permite aos times reverem seus plantéis e negociarem reforços em busca de um melhor campeonato. Porém 1/ 4 do campeonato já se foi, e já há um parâmetro relevante. O histórico do campeonato permite que algum clube escale uma sequencia de resultados, porém isso acontece no máximo com um clube, quando acontece. É bom o torcedor não acreditar em papo de “Início de Campeonato” ou que “Nosso planejamento é jogo a jogo” ou ainda “É culpa do juiz!” e cobrar de seus respectivos dirigentes, em busca de um elenco melhor. Há muita reclamação em função da arbitragem e pouca em relação à gestão dos clubes, cada vez mais deficitária e incompetente. 

Inter melhor que o Fluminense, mas empata

Pela 9ª Rodada do Brasileirão, o Inter enfrentou o Fluminense em Macaé e ficou no empate em 1x1. Em um jogo polêmico, devido a vários lances de gol que precisaram da interferência da arbitragem, o Inter jogou melhor boa parte do tempo, mas não conseguiu vencer a equipe Carioca.

Abel Braga preteriu a juventude de Otávio (machucado) e Valdívia, dando lugar a experiência de Alan Patrick e Jorge Henrique.  O primeiro era titular e apenas retornou ao time, enquanto que o último já havia recebido muitas chances, sem grandes atuações. Porém os atuais titulares fizeram a diferença, e Jorge Henrique recebeu livre em velocidade um grande lançamento de Alan Patrick, tendo apenas o trabalho de desviar de Diego Cavalieri para abrir o placar: 1x0 Inter. 

O Fluminense já havia tido um gol anulado pelo árbitro Wilton Sampaio, após cobrança de escanteio, onde Walter teria feito falta em Dida. Olhei várias vezes o lance e não achei o lance faltoso, apesar de o atacante ter distraído o goleiro, mas sem usar força, o que não configura a infração. Porém, no Brasil, tem-se a ideia que o goleiro é intocável na pequena área, além de qualquer contato ser sinalizado como falta, o que não me surpreendeu a marcação. Minutos depois, foi a vez de o torcedor Colorado reclamar, pois em uma jogada de ataque, na qual Sóbis, milimetricamente adiantado desvia para Jean concluir, o time carioca empatou o jogo. O jogador estava realmente na frente, porém era praticamente imperceptível, sendo que a falha de marcação da defesa Colorada que deixou Jean livre foi mais gravosa e acintosa do que os poucos centímetros de Sóbis.

AI Inter
No mais, o primeiro tempo foi franco e aberto, tendo em vista que o sistema defensivo não era o ponto forte nem de Inter e nem de Fluminense. Ambos tinham espaços para atacar, porém foi o Fluminense que mostrou maior volume ofensivo, criando várias chances nas costas dos laterais, por onde não havia cobertura. 

Na segunda etapa, o Inter voltou melhor postado, com marcação adiantada, ficando mais tempo com a posse de bola, além de se arriscar mais ao ataque. Isso fez com que o Fluminense também chegasse menos ao ataque, por não ficar tanto com a bola e mais longe da área Colorada. A superioridade colorada se intensificou com as alterações de Abel, que colocou Valdívia e Sasha nos lugares de Jorge Henrique e Alan Patrick. O Inter dominou o jogo, criando várias chances, porém pecando nas conclusões. Poderia ter vencido o jogo, tamanha a superioridade.

Nos minutos finais, o Internacional administrou a partida, não sei se foi por cansaço ou por orientação do treinador. Abel Braga fez o que pôde para deixar o time ofensivo e buscar a vitória, e não teve responsabilidade por não conseguir o objetivo. A cada jogo, fica evidente a carência do grupo Colorado, que não possui muitas opções para entrar e fazer a diferença, além de substituir alguns titulares à altura. 

No fim das contas, o empate foi bom resultado, já que o Fluminense é um concorrente para título e G4. Porém a sequencia de empates fora de casa não é boa, tendo em vista que a vitória é um critério de desempate, e o Inter já está perdendo para alguns concorrentes neste quesito.

Quanto à campanha, o Inter enfrentou um numero maior de equipes que disputarão a parte de baixo da tabela do que eventuais concorrentes. O time poderia ter ido melhor, porém vacilou principalmente nos jogos fora de casa, quando faltou ambição e grupo para vencer equipes visivelmente mais fracas. Os jogos restantes do primeiro turno serão mais difíceis, e o clube terá que mostrar a que veio neste campeonato. 

Agora o Inter terá 40 dias para se preparar para a volta do Brasileirão, que ainda terá 3/4 do campeonato para disputar. É necessário que o clube faça contrações, para que possa qualificar o grupo e ter opções de substituição e de recomposição do time titular, quando for acometido por desfalques. Já acho difícil um eventual titulo Brasileiro, em virtude de existir times fortes com elencos mais qualificados que o Inter. Porém a disputa pelo G4 é real, porém a concorrência será forte. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Grandes começam a formar um grupo a parte

E o Brasileirão passou pela 8ª rodada, penúltima antes da parada para a Copa, que serviu para embolar a ponta da tabela. Foram marcados apenas 16 gols, baixando consideravelmente a média para 1,6 gols/jogo. 

Cruzeiro e Fluminense não tiveram sucesso nos confronto contra Corinthians e Atlético-MG na condição de visitante, embora que o mando de jogo não tenha sido um fator decisivo, tendo em vista que a grande maioria das equipes virou itinerante, em função de perderem seus Estádios para que a FIFA possa utilizá-los como sedes da Copa do Mundo ou campos de treinamento.

A Raposa foi penalizada com uma falha do goleiro Fábio, que não conseguiu defender um chute da intermediária de Guerrero, que foi rasteiro e despretensioso. Mesmo assim, o time mineiro seguiu na liderança, pois o Fluminense também saiu derrotado pelo Atlético-MG por 2x0, com o destaque negativo de a defesa carioca ter falhado nos dois lances, mostrando ser o calcanhar de Aquiles para a Campanha do Campeonato. O Goiás teve a chance de se tornar líder isolado caso batesse o Vitória em casa, porém ficou no 0x0 e não conseguiu sequer entrar no G4.

AI Corinthians
A rodada foi boa para o Corinthians, que assumiu o terceiro lugar, e para o Inter, que bateu a fraca Chapecoense e terminou em quarto. Porém o campeonato está tão equilibrado que é possível que até o Grêmio, hoje sétimo, consiga terminar esta primeira parte do Campeonato na liderança, se vencer e torcer por resultados paralelos. O Palmeiras, nono colocado, também conseguiria alcançar o G4.

Na parte de baixo, o Figueirense finalmente conseguiu um empate contra o Flamengo, saindo da lanterna, já que a vitória contra o Corinthians no Itaquerão lhe deu vantagem nos critérios de desempate contra o Coritiba, que ainda não venceu e que preocupa para o restante do campeonato. Celso Roth é um treinador conhecido por fazer milagres com elencos modestos, porém não conseguiu dar jeito na equipe paranaense, que precisará se reforçar expressivamente para conseguir escapar de um eventual rebaixamento, que é o seu destino mais provável em virtude da falta de qualidade do plantel.

AI Criciúma
O Criciúma está se aproveitando dos times mais fracos e está pontuando. Suas três vitórias foram contra Figueirense, Coritiba e Chapecoense, além de dois empates contra o Atlético-MG e o Internacional. Ainda tenho o time na condição de rebaixável, porém se continuar pontuando contra equipes irregulares, além de bater as mais fracas, que são concorrentes (jogo de seis pontos), é possível que consiga escapar do Z4. A tabela foi benéfica para o time do interior de Santa Catarina, que agora precisará pontuar contra Vitória, Bahia, Sport, Atlético Paranaense e até o Flamengo, que hoje pinta como um concorrente para a Zona de Rebaixamento. 

A tabela começa a se dividir entre equipes que vão brigar pela ponta e outras que vão ficar em condição intermediária ou lutar contra o Rebaixamento.  Já é perceptível a formação de dois grandes grupos, um formado pelos grandes do eixo RJ/SP/RS/MG e o outro formado pelos demais clubes, que não recebem tanta verba da TV. Vale ressaltar que as campanhas de Botafogo e Flamengo estão abaixo da média em função de seus problemas, enquanto que a do Goiás está acima das expectativas. Ainda acredito em recuperação do Botafogo e do Flamengo, pelo menos para não ficarem com baixas pontuações, porém o rubro-negro me preocupa, pois planejou se 2014 de forma totalmente equivocada. Precisará contratar e aproveitar bastante a parada da Copa do Mundo para entrosar o time e pontuar.

AI Cruzeiro
A tabela também me mostra que Cruzeiro, Fluminense e Corinthians pintam como postulantes ao título, pois o trio já tem um grupo de jogadores mais consistente, além de buscar contratações para o segundo semestre, e ainda têm conseguido vitórias expressivas e já possuem vantagem nos critérios de desempate em relação aos outros 4 times que colocaria na briga pela ponta, porém em uma eventual quarta vaga de G4: Grêmio, Internacional, Atlético-MG e São Paulo. Não vejo consistência nestes quatro clubes que me façam acreditar na disputa do título, porém vão efetuar um duelo interessante para o G4. Não acredito que Goiás e Palmeiras consigam acompanhar esses times, pelo menos com o elenco que cada um apresenta no momento.

Gostaria de ver a dupla Gre-Nal disputando o titulo, porém ambos não possuem elenco no mesmo nível de Corinthians, Cruzeiro e Fluminense, além de não terem ambição quando jogam fora de casa. Como visitante, o Inter se contentou com o empate contra o Criciúma e o Coritiba, enquanto que não soube segurar a vitória contra o Botafogo. Já o Grêmio não saiu do 0x0 contra o Sport, que o Corinthians havia enfrentado também fora de casa na rodada anterior sem ter tomado conhecimento do adversário (1x4). Ambos formulam suas campanhas com um aproveitamento próximo dos 100% em casa, enquanto que o empate é considerado ótimo resultado fora. Com isso, perdem muitos pontos em jogos que, se forçassem, conseguiriam a vitória. Ambos poderiam estar na liderança se tivessem mais ambição. 

Falando ainda em tabela, é importante um levantamento de jogos como mandante e visitante para que sejam analisadas eventuais distorções que a ordem dos jogos proporciona. Na 8ª Rodada, o normal seria cada clube ter quatro jogos em casa e quatro fora, porém em virtude do interesse prioritário da televisão, alguns clubes foram afetados e, ou jogaram mais em casa, ou jogaram mais fora. Isso faz com que Cruzeiro e Grêmio tenham uma situação mais confortável no momento, enquanto que Internacional e Atlético-MG terão que vencer fora de casa para compensar o fato de já terem atuado cinco vezes em casa. 

Acho injusto este desnivelamento de jogos, que acaba oferecendo desiquilíbrio técnico, tendo em vista que pode permitir a um time emendar vitórias em casa e disparar na liderança, bem como outro amargar tropeços na tabela e afetar todo o seu planejamento para o Campeonato, com pressão de torcida e eventual demissão de treinador. Neste ano, parece que não haverá esse problema, já que o desiquilíbrio entre os grandes clubes, com exceção de Flamengo e Botafogo, é tão grande, que já há a formação de dois blocos distintos no campeonato. 


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Inter joga mal, vence e retorna ao G4

O Inter bateu a Chapecoense por 2x0 em Caxias, com dois gols de Wellington Paulista, chegando aos 15 pontos e voltando ao G4 em virtude dos resultados paralelos.

No entanto, de positivo na partida foram apenas os gols e a vitória, já que o time mais uma vez não jogou bem, tendo dificuldades contra um dos times mais fracos do Campeonato. Os gols saíram no oportunismo do centroavante substituto de Rafael Moura, que no primeiro tempo aparou um cruzamento de Fabrício, enquanto que no segundo tempo, a jogada foi do jovem Leandro, que foi promovido por Abel e fez a sua primeira partida como titular, mostrando alguma qualidade e destaque na partida.

No mais, o Inter teve o domínio da posse de bola, principalmente na primeira etapa, quando a Chapecoense jogava retrancada e procurava explorar o contra-ataque nas costas dos laterais colorados. O modesto time catarinense conseguiu poucas chances de perigo, principalmente no segundo tempo, quando o time já estava atrás no marcador e o treinador Celso Rodrigues o deixou mais ofensivo, participando mais da partida e chegando até a ameaçar a vitória Colorada em alguns momentos da partida, antes do segundo gol do time gaúcho. 

Ainda sofrendo com vários desfalques em virtude da política errada de contratações, que apostou em velhos dispensáveis e que possuem uma maior probabilidade de lesões, além do grupo não conseguir suprir as deficiências, o Inter fez mais um jogo burocrático, e nem D’Alessandro, seu principal jogador, se salvou. O meia argentino reclamou demasiadamente ao longo da partida, e por pouco não acabou expulso pelo árbitro Felipe Gomes da Silva. 

AI Inter
Sasha não aproveitou a sua chance e mostrou-se pouco participativo, errando em praticamente todos os seus lances, assim como também foi a atuação do lateral Diogo, que deveria ser preservado por Abel Braga, já que teve sequencia e mostrou-se insuficiente para jogar como titular do Inter. 

O único alento foi a entrada do jovem Leandro, já na segunda etapa, e em um momento difícil para o Inter no jogo, já que a Chapecoense estava gostando do jogo e até criava chances. O jogador mostrou movimentação e velocidade, participando do gol que assegurou a vitória ao time. Só o fato de mostrar um diferencial em meio a um burocrático ambiente do time, já faz com que o jogador mereça uma atenção principal e mais chances no time. Leandro é jovem e não pode ser colocado em responsabilidades maiores do que receber mais chances, porém se mantiver a atuação como a de estreia, deverá figurar com maior frequência no time titular.

Na próxima rodada o Inter enfrentará o Fluminense em Macaé, em um jogo de seis pontos pela parte de cima da tabela. O time já falou publicamente na projeção de 4 pontos nestes dois jogos, o que significaria um empate no Rio de Janeiro. Porém não gosto deste sistema de projeções do clube, que já escala o time predisposto ao resultado, conformando-se desde o início da partida em manter a igualdade, pois se der para buscar a vitória, o time deveria ter a ambição para busca-la.  

A tabela ainda está desfavorável ao Inter. Além de ter enfrentado adversários mais modestos, o clube ainda tem o fato de ter disputado 5 jogos em casa, enquanto como visitante foram 3. Vários clubes que estão nas primeiras colocações possuem hoje mais jogos fora de casa, o que dá vantagem na continuidade do Campeonato, já que tendem a fazer mais pontos em casa. Para complicar, o fato de o time ter empatado demasiadamente, já lhe faz ficar em desvantagem contra outros times pelo critério de vitórias, além do fato de o Inter não ter um grande saldo de gols, o que também conta como desvantagem. 

Grêmio encerra sua jornada forasteira com empate

O Grêmio foi até a Ilha do Retiro e ficou no empate em 0x0 pela 8ª Rodada do Campeonato Brasileiro contra o Sport. Com isso, o tricolor perdeu a chance de se garantir no G4, mas encerra a sua sequencia de jogos fora de casa antes da parada para a Copa do Mundo com 5 pontos em 5 jogos, o que é razoável, mas que poderia ter sido melhor.

Para o jogo, Enderson contou com problemas para escalar o segundo volante, já que Ramiro e Riveros estavam fora de combate, e a solução foi colocar Zé Roberto na função, que é conhecida do jogador por tê-la desempenhado por um bom tempo na carreira, mas que hoje seria difícil em virtude da sua idade avançada e da necessidade de mobilidade para recompor o time e atacar.

E foi o que aconteceu. No início do jogo, Zé Roberto era bastante participativo ao ataque e contribuía com os demais meias Alan Ruíz, Rodriguinho e Dudu, porém o Sport conseguia explorar o espaço gerado pelos seus avanços e criava problemas, principalmente no seu setor direito ofensivo, nas costas do lateral Breno. Grande parte do jogo foi assim, com o Grêmio dominando a posse de bola em virtude de ter mais qualidade técnica, chegando até a intermediária ofensiva, mas sem conseguir uma grande quantidade de chances.

O Sport teve as melhores oportunidades da primeira etapa, sempre com a vantagem de Érico Junior na direita, enquanto que o ex-colorado Augusto comandava a transição do time. Estranhamente o treinador Eduardo Baptista retirou ambos ao longo da segunda etapa, quando nenhum apresentava problema físico ou clinico. Isso ajudou o Grêmio a manter o empate, apesar de Grohe ter feito várias defesas no final da partida, quando o Sport teve chances reais de conseguir a vitória.

AI Grêmio
Já o Grêmio fez mais uma partida abaixo do futebol mostrado na primeira fase da Libertadores, quando apresentou o potencial do time de Enderson Moreira. Até agora, ainda não convenceu no Brasileirão, apesar de estar na ponta de cima da tabela. Contra o Sport, Dudu e Rodriguinho não fizeram boa partida, sendo que o último chegou a ser substituído pelo treinador, em mais uma ação que considerei um equivoco, pois o meia o melhor do setor nos últimos jogos do tricolor. Nesta substituição, Enderson tentou recompor a volância com a entrada de Matheus Biteco, adiantando Zé Roberto. Até Kléber Gladiador recebeu chance na parte final da partida, porém o Grêmio não conseguiu sequer um lance agudo de perigo, e teve que comemorar o empate, graças às defesas de Grohe.

No fim das contas, faltou ambição ao Grêmio. Time poderia ter agredido mais o Sport e conquistado os três pontos. Mesmo assim, a campanha fora de casa não é ruim, apesar considerar insuficiente a média de um ponto por jogo fora de casa para um eventual título e até o G4, já que o ponto de corte esse ano deverá ser alto, em virtude da desigualdade econômica entre os clubes, que possibilitam o aparecimento de sacos de pancadas, em razão de clubes com orçamento modestos nem sempre conseguirem otimizar seus grupos de jogadores com a baixa receita.

Serve de alento o fato de o Grêmio ter apenas três jogos em casa até então, enquanto que o rival Internacional já possui cinco. Fazendo o dever de casa, o time voltará ao G4. Porém, pensando em um longo prazo, terá que jogar melhor para se manter entre os primeiros.  

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Grupo deficiente e apego a projeções que não funcionam

A derrota para o Cruzeiro deixou a impressão que o Inter não possui bala na agulha para disputar o título. Embora haja a justificativa dos desfalques, o time perdeu muito desempenho com a saída de alguns titulares, e que somado com a estratégia de projetar resultados, fez com que o time caísse da liderança para o oitavo lugar em poucas rodadas.

Sobre o grupo de jogadores, já escrevi ontem (leia aqui). Em síntese, o Colorado possui um time titular razoável, longe da perfeição, mas que conseguiria disputar a ponta de um Campeonato formado por clubes imperfeitos. Nas primeiras rodadas, que se realizaram de forma semanal, o time já apresentou problemas na transição ofensiva pela falta de um atacante veloz, um meio lento e burocrático e a ausência de qualidade dos laterais. A zaga mostrou-se segura nos jogos com Ernando e Paulão, porém começou a decair de rendimento com a volta do titular Juan.

Nas últimas semanas, o Inter começou a ter uma maratona de jogos quartas/domingos em virtude dos confrontos pela Copa do Brasil e do Brasileiro, mostrando a fragilidade física dos atletas, que somada com as convocações para a seleção e as suspensões, deixaram o time com apenas dois titulares no segundo tempo contra o Coritiba. Não sou especialista em preparação física nem em fisiologia, porém não acho normal tantas lesões em tão pouco tempo. O fato de o Inter ter muitos trintões contribui para o acúmulo de desfalques, porém a situação fica ainda pior com outro fato de o Inter ser um dos clubes da Série A que menos utilizaram seu time principal na temporada. Se analisarmos adversários, cuja maioria jogou mais vezes, não veremos tantas lesões.  
  
Fotos: AI Inter
O fato é que os substitutos não estão no mesmo nível que os titulares e reduziram consideravelmente o poder de fogo do time em jogos decisivos, como contra o Cruzeiro, que também contava com alguns desfalques. Abel escalou o que tinha de melhor, porém não foi o bastante. Mais uma vez o time se viu dependente de jogadores como Wellington Paulista e Jorge Henrique, que em nada acrescentaram ao time. No jogo contra o Coritiba, o quarentão Índio sequer aguentou os 90 minutos, enquanto que Dida começa a mostrar através de sucessivas falhas que não possui o mesmo reflexo de antigamente, e mostra segurança apenas nas bolas defensáveis. 

Tomo cuidado em poupar jovens como Otávio e o lateral Diogo, pois poderão evoluir. Mas quanto aos reforços, não vou poupar criticas, pois é resultante da política de contratações do clube nas últimas rodadas, que aposta em jogadores com algum renome, mas que em função de estarem na fase descendente da carreira, já são dispensáveis pelos clubes onde passaram. Entram ai Dida, Juan, Wellington Paulista, Jorge Henrique, Alex, Rafael Moura, Forlán, Cavenaghi, dentre outros. Alguns já deixaram o clube, enquanto Abel Braga teve méritos em recuperar Alex e Rafael Moura, porém a grande maioria joga o que se espera deles pelo histórico recente em outros clubes: nada. E em um campeonato longo como o Brasileirão, pensar apenas no time titular é uma heresia, tendo em vista que há a necessidade de usar o grupo.

Mesmo com todos esses problemas, o Internacional poderia estar melhor na tabela, talvez até na liderança ou segundo lugar. Aí entra o segundo problema, que é o apego às projeções. Após o jogo contra o Atlético-PR que deixou o Inter em uma liderança circunstancial, em virtude de ter jogado 3 dos 4 jogos em casa contra adversários mais fracos, Abel projetou 10 pontos nos cinco jogos restantes (15 pontos). Só conseguiu 2 até então, podendo chegar a 8 se vencer a Chapecoense em Caxias e o Fluminense no Rio de Janeiro. Porém em uma visão realista, chegará a apenas 5 ou 6, já que uma vitória contra o Fluminense no Rio de Janeiro seria muito improvável.. 

Sei da importância da matemática, por ter formação na área das exatas, porém vejo que o Inter a utiliza de forma errada, pois coloca a projeção dentro de campo para formular resultados, enquanto que estes números deveriam servir apenas como uma análise ulterior aos confrontos. Um clube com ambições não pode entrar em campo para empatar somente pelo fato de jogar fora de casa, procurando manter o aproveitamento de 66% (vitória em casa e empate fora, 4 pontos a cada 6 jogos). Admito apenas a exceção de utilizar estes números em uma eventual decisão de seis pontos contra um concorrente ao titulo fora de casa, por onde o empate se tornaria interessante caso o time esteja em vantagem em relação ao concorrente.

Se tivesse um pouco mais de ambição, provavelmente o Inter conseguiria segurar a vitória contra Botafogo e Coritiba, além de buscar a vitória contra o Criciúma. Hoje, mesmo com a derrota contra o Cruzeiro, o time estaria na liderança, apesar de todos os problemas que está enfrentando com lesões. 

Porém, mesmo assim, seria uma liderança enganosa, já que o time enfrentou apenas dois adversários que está entre os 10 primeiros e tem um maior número de jogos em casa (4) do que fora de casa (3). O Inter terá ao longo de 12 rodadas restantes do 1º turno sete confrontos mais difíceis, e hoje já está aquém do esperado para que termine o primeiro turno no G4. Para complicar, o time em função da sua errônea projeção, está com um saldo de gols mínimo e já perde no número de vitórias para a maioria de seus concorrentes, pois é um dos times que mais empataram até agora (Só perde para o Santos, que está embaixo na tabela.)

A tendência é que o time caia ainda mais na tabela, ficando ainda mais longe de uma eventual briga pelo G4, já que o titulo eu já acho praticamente impossível, em virtude dos tropeços contra times mais fracos. Vejo Cruzeiro e Fluminense com times mais fortes e grupos amis consistentes, e ainda colocaria o Corinthians na possibilidade de brigar pelo título, em função dos reforços que o clube terá na volta da Copa. Já para o G4 há uma possibilidade, porém o time já começa a ficar atrás de Grêmio e São Paulo não só na pontuação, como nos critérios de desempate e na relação de jogos da tabela.

Para que o Inter reverta essa tendência, precisará rever conceitos e qualificar o elenco na parada da Copa.