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terça-feira, 29 de julho de 2014

E o escolhido foi Felipão

E o Grêmio não surpreendeu na escolha do novo treinador. Felipão foi o nome escolhido para assumir a comissão técnica do tricolor gaúcho, retornando dezoito anos depois a um reduto onde foi multicampeão, para reproduzir uma dobradinha de sucesso com Koff.

O passado vitorioso com títulos da Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores e Recopa Sul-Americana entre 1993-96 garante o respeito da torcida, que aprovou a sua contratação, já que o treinador ficou manchado pelo fim desastroso na sua passagem recente pelo Palmeiras, além de comandar a Seleção Brasileira no maior vexame da sua história, nos 7x1 contra a Alemanha.

Ainda não há detalhes sobre o contrato, que deverá ser até o final do ano, porém o casamento é bom para ambos os lados, já que dos nomes especulados, apenas Tite poderia dar melhor resposta levando em conta seus recentes trabalhos. Felipão é ídolo gremista, o que garantirá respaldo do torcedor, que terá paciência caso os resultados não apareçam imediatamente.

Felipão precisava retomar suas origens, para que possa dar prosseguimento a sua carreira, e nada melhor no clube onde foi feliz. Pelo lado do clube, o treinador ainda poderá ser útil nas eleições, já que a sua contratação e posterior continuidade dará vantagem à tentativa de manutenção da situação, que poderá ser encabeçada por uma reeleição de Fábio Koff. 

Já nas quatro linhas ainda olho com restrição a sua contratação, tendo em vista que o treinador mostrou estar desatualizado e enfrentou problemas até no futebol brasileiro com o Palmeiras, embora tenha conquistado com a equipe alviverde o título da Copa do Brasil. Para ter sucesso no Grêmio, Felipão terá que ir além de fatores motivacionais e emocionais, pois terá em mãos um grupo razoavelmente qualificado, que precisa de organização tática e um estilo de jogo bem definido, que possa tirar o máximo de cada peça. 

O retorno do treinador será no clássico Gre-Nal dia 10/08 no Beira-Rio. Um insucesso seria minimizado pelo fator estreia, porém um sucesso já consagraria o treinador. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Grêmio rasgou planejamento ao demitir Enderson

A derrota em casa por 3x2 diante do Coritiba sacramentou a queda de Enderson Moreira. O treinador não aguentou a pressão pela série de atuações ruins e resultados decepcionantes e pediu demissão, logo no terceiro jogo após a volta da Copa do Mundo. 

A saída de Enderson significa que mais uma vez o planejamento do Grêmio falhou. A falha não foi na saída propriamente dita do treinador, mas sim em um momento imediatamente após uma parada de 45 dias para a Copa do Mundo que permitia mudanças mais consistentes no planejamento, como uma revisão da Comissão Técnica. 

Enderson teve um bom momento no início da temporada, mas não conseguiu confirmar nas decisões da Libertadores e do Gauchão, além de ter iniciado o Brasileirão com uma campanha regular. As derrotas para San Lorenzo e Internacional deixou-lhe sem respaldo para continuar o trabalho, sendo mantido apenas pela convicção da direção gremista e pelos 55% de aproveitamento nos nove primeiros jogos do Brasileirão, o que deixava o time perto do G4 e com possibilidades de se consolidar na faixa dos melhores. 

Enderson ganhou os reforços de Fernandinho e Giuliano para o meio-campo, além de Matías Rodríguez para a lateral direita, porém não soube usufruir do tempo extra de preparação paar entrosá-los ao time, além de propor soluções e inovações táticas que fizessem o Grêmio jogar mais, já que os resultados do time até então no Brasileirão eram bem melhores que as atuações.

Sem soluções e tendo a implicância do torcedor, a permanência do treinador ficou inviável, terminando até com a convicção da direção, que pôde demiti-lo na parada da Copa do Mundo, mas que por oportunidade e conveniência preferiu superestimar as contratações, que ainda levarão algum tempo para chegar à plenitude física e técnica.  

Os nomes de Tite, Sabella e Felipão são os mais especulados como substitutos. Tite é o preferido da torcida, porém tem pretensões de treinar no exterior e praticamente descartou a possibilidade, enquanto os outros nomes são caros e precisariam aceitar um contrato até o fim da temporada, já que ao final do ano haverá novas eleições presidenciais no clube, o que inviabilizaria um contrato mais longo. 

Já é certo que o novo treinador entrará para apagar incêndio e quiçá levar o time para uma conquista da Copa do Brasil ou um G4 no Brasileirão. Não haverá um planejamento de médio-longo prazo, o que já pesará na escolha do treinador e fará o seu trabalho tender ao insucesso. 

Sem ganhar um título relevante desde a Copa do Brasil de 2001, o Grêmio sucumbe na queda de braço entre uma tentativa de planejamento e os resultados de curto prazo. O clube perdeu o “timing” da mudança de treinador, o que faz com que convicções não existam na prática, e o clube fique em um círculo vicioso de mudança consecutiva de treinadores, onde desde Mano Menezes em 2007, nenhum conseguiu treinar o clube por uma temporada inteira. 

O Grêmio está conseguindo montar um grupo com opções qualificadas, embora alguns setores ainda estejam carentes. O problema será acertar um planejamento que englobe um técnico que consiga tirar o máximo deste grupo. Pelo jeito, ficará para o próximo ano. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pilulas do dia seguinte...

Neste momento em que escrevo o post, faz pouco mais de 12h que o árbitro Marco Rodríguez apitou o final do trágico Brasil 1 x 7 Alemanha, que desmoralizou o futebol brasileiro com o maior vexame da história da seleção local e acendeu a luz vermelha, já que os sucessivos anos de luz amarela não foram suficientes.

Talvez apenas na segunda, quando termina efetivamente a Copa para o Brasil, tenhamos pronunciamentos oficiais mais condizentes com a realidade, já que ainda há a decisão do terceiro lugar no sábado, e um novo vexame poderá acirrar ainda mais as emoções.  Até agora, as declarações não expressam o tamanho do vexame, que não foi apenas uma derrota por 1x0 no tempo normal ou nos pênaltis. 

Uma tragédia como esta não pode ser analisada apenas por um ou dois fatores. Ao longo de todo o planejamento para a Copa em casa, ocorreu uma série de problemas, que se somados em um dia em que sequer uma solução criativa surgisse, culminariam em uma grande decepção, que jamais será esquecida.

Entre os minutos 20 e 30 da partida, quando a Alemanha saiu de um ainda reversível 1x0 para um irreversível 5x0, via uma seleção bem organizada enfrentando um emaranhado de juvenis, que sequer conseguiam tocar na bola, parecendo dois esportes completamente diferentes. E a Alemanha ficou no sétimo gol por pena, já que mesmo com o freio puxado, o time de Joachim Löw poderia ter chegado a uma dezena de gols. 

E agora? Os problemas já foram explanados ontem no post que fiz da partida (leia aqui). Qualidade técnica dos jogadores não é mais a mesma, há um atraso tático e em uma era de informação, há a desinformação sobre o adversário. Muitos destes problemas são em razão do Brasil ainda se considerar o melhor futebol do mundo, algo que não é há muito tempo, e que respinga na formação de jogadores, treinadores, etc. O futebol brasileiro é tomado pela política de pessoas ultrapassadas, que apenas olham para o seu umbigo e se mantém no poder através de uma estrutura obsoleta e que é respaldada pela paixão do público-alvo, a torcida, incapaz de tomar atitudes para mudar alguma coisa, em razão disso respingar no seu clube, onde há amor incondicional. 

Twitter do presidente do Atlético-MG Alexandre Kalil escrevendo verdades

Alguém poderia me questionar: “Ah Radamés, então quer dizer que a culpa é minha?”. Infelizmente responderia que sim, pois a estrutura atual do futebol brasileiro favorece todos que estão no processo, menos o torcedor, que paga caro por um serviço na qual é marginalizado.  É um singelo aceite, já que não importa a vitória jogando o pior futebol do mundo ou em função de uma força externa, como da política, ajuda financeira ou da arbitragem. O que importa é ganhar, mesmo que isso inviabilize eternamente o clube financeiramente. 

Enquanto isso, o futebol perde, pois não há um grande elemento capaz de mudar os rumos, que a cada ano tornam-se mais nebulosos. Com tanto respaldo, há uma desvirtualização do real sentido do esporte, que serve de base para a entrada de pessoas cada vez mais capitalistas, algumas corruptas, que se interessam apenas nos ganhos em função do alto poder de geração de renda que a modalidade possui no país, devido aos amantes condicionais do esporte. Se a estrutura é lucrativa para todos que estão no processo, porque haveria o interesse em mudar alguma coisa?

Capa do Jornal Extra
O único que poderia mudar este rumo seria o contribuinte de fato, isto é, o torcedor, nem que isso implique em dificuldades iniciais para o seu amado clube. Atualmente, cada torcedor, sócio ou não, paga caro por algo que se for mais bem analisado, não lhe dá retorno. Qual foi a última grande atuação do seu time, excetuando os famigerados estaduais? 

Cada um precisa ter em mente que o futebol é tratado para você como uma religião, porém é um negócio lucrativo para todas estas estruturas. Os jogadores não são guerreiros, são empregados que ganham fortunas em função deste mecanismo. E cabe apenas a você mudar isso, cobrando.

Enquanto não houver uma cobrança mais efetiva, os dirigentes terão carta branca para fazer o que quiserem, como contratar irresponsavelmente jogadores de notável incapacidade técnica, treinadores obsoletos que não acompanham a evolução tática do futebol, e que mais adiante respinga na Seleção Brasileira, já que o futebol praticado no país fica com mercado cada vez mais restrito na Europa, que efetivamente trabalha e desenvolve o jogador.

Na próxima semana, teremos a volta do Campeonato Brasileiro, sinônimo de tortura psicológica ao telespectador em virtude da sua baixa qualidade técnica. O admirador do esporte, cuja grande parte é torcedor de algum clube irá esquecer o vexame sofrido pela Seleção Brasileira? Também irá esquecer a qualidade técnica dos jogos da Copa do Mundo, protagonizados até por Seleções de segunda ou terceira linha do futebol mundial? A Seleção Brasileira não é um caso a parte, já que é formada por jogadores que um dia atuaram no seu clube, e que provavelmente não receberam o desenvolvimento adequado. 

Não vejo grande possibilidade de mudança se não vier uma forte cobrança por parte do torcedor/telespectador, que poderia prejudicar financeiramente a famigerada estrutura. Haveria apenas o governo, preocupado com uma eventual eleição, mas que logo adiante abriria mão do futebol. Então, o futuro do futebol brasileiro depende muito mais de mim e você, do que do fulano ou do ciclano. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Início da Copa 2014 confirma termo “Copa das Copas”

Assisti a 10 dos 11 jogos da Copa do Mundo. Pulei apenas Japão x Costa do Marfim em virtude de ser o dia do meu aniversário. Ao contrário do que eu projetava, em virtude da quantidade de lesões e cortes, estou espantado com a qualidade dos primeiros jogos da Copa do Brasil, caracterizado pelo ofensivismo dos times e pela quebra de longos tabus, como o número de gols marcados, sequencias de jogos sem empates e média de público.

Na insossa Copa de 2006, seria impensável uma Espanha 1 x 5 Holanda logo de cara, além de 37 gols marcados nos primeiros 11 jogos. Coloco essa Copa da Alemanha como referência, pois foi rotulada como um torneio defensivista que coroou a Itália, que foi caracterizada pelo seu sólido sistema defensivo e que teve em Canavarro o grande destaque, que lhe daria posteriormente o título de melhor do mundo daquele ano. A própria azurra superou o clichê defensivista, mostrando intensidade e vencendo o grande jogo contra a Inglaterra em Manaus. O torneio da África do Sul conseguiu ser ainda pior em média de gols, como pode ser visto no quadro abaixo, enquanto que o torneio deste ano salta com uma média comparável à Copa de 58, quando o futebol ainda engatinhava em grande parte do mundo. Para se ter uma ideia, na Copa de 2010 tivemos apenas 18 gols nos 11 primeiros jogos.

Foto: Dave Phillips
Outro dado interessante é que nestes primeiros jogos, ainda não tivemos empates. Já é um recorde desde 1930, quando não ocorreu nenhum empate nos 18 jogos da competição, incluindo semifinais e a final. Como comparação, temos os mundiais de 2010 (África do Sul), onde ocorreram quatro empates (sendo um em 0x0) nos 11 primeiros jogos, e o de 1998 (França), com quatro empates nos cinco primeiros jogos. 

As equipes procuram vencer e marcar gols, e para isso mostram intensidade, que deve estranhar o torcedor brasileiro, acostumado com jogos onde a bola em média sequer roda 50% do tempo. Temos, nesta Copa, uma quantidade expressiva de viradas. São cinco reviravoltas em 11 jogos, com direito a surpresas como a da Costa Rica no Uruguai (3x1).

No Brasil, também estamos vendo a volta de esquema com três zagueiros, como os da Holanda, do Chile (este uma variação de Sampaoli) e da Costa Rica. Não gosto muito deste esquema, mas tanto a Holanda de Van Gaal quanto o Chile de Sampaoli estão mostrando ser “cases”. Há ainda a grata surpresa da Costa Rica, que conseguiubater o Uruguai com autoridade no segundo tempo.  Outras equipes rotuladas como defensivas também arriscam mais, como pôde ser visto no esquema 4-2-3-1 da Suíça, que alémde contar com a movimentação dos meias, contam com o avanço de seus laterais. Outros esquemas bastante vistos são os 4-1-4-1 e 4-4-2 clássico, com as famosas duas linhas de quatro. Em quase todos os times há a opção por deixar um homem de área, que é abastecido pelos meias e/ou wingers, já que grande parte das equipes usa bem os flancos para atacar.

A média de público também é boa, fechando a 11ª partida com expressivos 51.981 espectadores/jogo. Como comparação, as médias das últimas cinco copas foram respectivamente: África do Sul: 49.670, Alemanha: 52.491, Coreia do Sul/Japão: 42.269, França: 43.517, Estados Unidos: 68.991. Em todas as Copas, apenas as médias da Alemanha em 2006 e dos Estados Unidos em 1994 foram maiores. Este dado deveria ser mais bem observado como legado para o Futebol Brasileiro, cuja média de 2014 é de 12.565 pessoas, e o maior público do campeonato até então (Fluminense 1 x 2 Vitória, 44.975) não alcançaria a média da Copa.

Lendo notícias da preparação da maioria das grandes seleções já em Solo Brasileiro (poucos dias, diga-se de passagem), notei certo “oba-oba” com visitas a pontos turísticos, ou recebendo apresentações culturais. Porém até o ambiente brasileiro parece estar trazendo motivação pra que as equipes fazerem bons jogos. O ambiente é tão incrível que até reduziu movimentos #NaoVaiTerCopa, que ainda existem, mas não com a mesma mobilização vista em 2013. Já escrevi que o brasileiro precisa ser inteligente, incentivando os estrangeiros a consumirem no país, para retornarem em impostos/faturamento das empresas o investimento feito na Copa.


A Copa de 2014 também entrará para a história em virtude de ser a primeira onde um gol foi validado pelo Goal-line Tecnology, um sistema da FIFA que detecta se a bola ultrapassou totalmente a linha do gol, avisando ao árbitro quando o fato ocorrer, como no segundo gol francês diante de Honduras (3x0), assinalado contra para o arqueiro hondurenho Valladares.

De ruim até agora na edição 2014, temos os erros de arbitragem, em grande número, principalmente nos dois primeiros dias da competição, que prejudicaram Croácia, México (duas vezes), além do jogo Holanda e Espanha, com um erro para cada lado. Destaque para pênaltis inexistentes assinalados e impedimentos mal marcados.  No caso dos pênaltis, houve uma recomendação da FIFA que os árbitros fossem menos exigentes na marcação das infrações, o que gerou um aumento de simulações nestes primeiros jogos, e que preocupa a FIFA, principalmente no caso de árbitros de fora dos grandes centros europeus. 

Finalmente, depois de uma tendência descendente de gols/partida em Copas, a edição brasileira poderá estabelecer um novo paradigma, na qual é mais emocionante para o espectador e telespectador assistir a um 5x4 do que um 1x0, com times desinibidos e procurando a vitória do início ao fim, mesmo que sacrificados pelo calor.


Nerdologia: Quem vai ganhar a Copa?

terça-feira, 3 de junho de 2014

Balanço e Projeção da Dupla Gre-nal no Brasileirão

Passados 24% do Campeonato Brasileiro, o que dá quase 1/4 da competição, a dupla Gre-Nal mostra que disputará a parte de cima da tabela, como havia previsto antes de a competição começar, porém não está no G4, o que de certa forma me decepcionou, pois imaginava pelo futebol do início do ano que estariam disputando a liderança.

No entanto, essa primeira amostra mostrou que falta grupo de jogadores à dupla Gre-Nal para disputar o título. Ambos possuem bons valores no time titular, e já mostraram em campo qualidade para fazerem boas campanhas, porém quando ambos sofrem com desfalques, o nível cai drasticamente, perdendo competitividade contra equipes mais bem equipadas, como Cruzeiro, Fluminense, Corinthians e até o São Paulo, apesar de toda a irregularidade que o tricolor paulista está mostrando este início de campeonato.

O Internacional foi o que mais sofreu com desfalques, o que de certa forma divide com a direção à responsabilidade de Abel Braga. Em muitos jogos, o treinador não tinha opções qualificadas no banco de reservas e até teve dificuldades para montar o time titular, o que mostra que faltam maiores opções qualificadas para o grupo. Contra o Coritiba, o time começou com apenas 4 titulares e terminou com 2, em virtude dos desfalques. Abel recuperou alguns jogadores que não estavam bem no ano passado, como Alex e Rafael Moura, porém grande parte dos reforços da direção era dispensável nos seus clubes de origem, e ajudou a comprometer a campanha do time. Para completar, alguns jovens mostram estar muito verdes, não agradando o torcedor e prejudicando as suas evoluções, tendo em vista que o clube sempre teve um histórico mais critico com suas revelações, apesar de alguns grandes destaques na década passada. 

AI Inter
A única restrição que faço em relação ao comportamento do time, é em torno de planejar resultados e entrar postado para conseguir este resultado. Em muitos jogos, direção, técnico e jogadores falavam abertamente sobre empatar fora de casa, o que acabou tirando a ambição para que o time vencesse alguns confrontos contra times visivelmente mais fracos. Quando os jogadores são orientados pelo planejamento, já entram mais relaxados, buscando preservar o empate ao invés de tentar buscar a vitória. Com isso, há muita catimba, troca de passes na intermediária e sem verticalização. Vale ressaltar que não vi esse comportamento contra o Fluminense, o que pode mostrar uma mudança de visão, apesar de o time não ter saído do empate no confronto. 


Já o Grêmio perdeu um número menor de jogadores, cuja maioria das posições havia reposição imediata. Somente a lateral esquerda o time sofre com um substituto de Wendell, enquanto que na zaga havia reposição para Rhodolfo, apesar de este ser o melhor zagueiro do time, enquanto que para a transição do meio para o ataque havia opções para o lugar de Luan. Problemático seria se o time perdesse o goleiro Grohe, melhor jogador do time, e que não possui reposição. Barcos é muito contestado pela falta de gols, porém somente nos últimos jogos que o time foi ter um reserva para a posição: Kleber Gladiador. 

AI Grêmio
A grande crítica para Enderson Moreira é que o time não conseguiu jogar bem me nenhum jogo até agora no Campeonato Brasileiro. Apesar da boa campanha, o time não convenceu ainda no Campeonato Brasileiro, e mostrou na primeira fase da Libertadores que pode jogar mais. O treinador também mostra falta de ambição no comportamento do time fora de casa, e também após as entrevistas pós-jogo, mostrando normalidade com os resultados e atuações ruins, que gerou até critica pública de representes da direção, o que sinaliza uma possibilidade de troca de comando no time, nestes 45 dias de parada para a Copa. 

Além do Inter, o Grêmio precisa de reforços para a continuidade do campeonato. A sazonalidade do futebol brasileiro fez com que o Cruzeiro voltasse a jogar bem, enquanto Corinthians e Fluminense alterassem seus departamentos esportivos, evoluindo e entrando na disputa pelo titulo. A dupla Gre-Nal estagnou o desenvolvimento de seus times, muito em função dos desfalques e da falta de reinvenção de Enderson (Grêmio) para resolver os problemas, o que fez com que ambos perdessem terreno no cenário nacional, já que os projetava como os times que tinham o melhor futebol do país na fase final dos Estaduais, já que as demais equipes sofriam enormes dificuldades.

Em uma comparação de tabela, o Grêmio ainda tem uma certa vantagem sobre o Inter, em virtude de ter jogado menos em casa, além de ter enfrentado adversários mais fortes. Já o Inter terá a volta de titulares, e contará com reforços que já foram contratados, o que aumentará a qualidade e projetará um futuro melhor na Competição, já que hoje ambos lutam pelo G4, e estão ficando em desvantagem para o São Paulo, além de Cruzeiro, Fluminense e Corinthians possuírem grupos mais consistentes.

domingo, 1 de junho de 2014

Pintou um favorito ao título?

E a primeira parte do Campeonato Brasileiro finalmente chegou ao fim. Agora todas as informações serão sobre a Copa do Mundo. Porém, vamos ao review da 9ª Rodada, que serviu para colocar o Cruzeiro em vantagem na luta pelo título, já que a Celeste abriu três pontos do segundo colocado, e ainda tem um jogo a mais em casa a disputar em relação à maioria dos adversários.

Os gols voltaram na nona rodada, já que foram 23 bolas na rede, aumentando para 2,3 a média de gols/partida. Há alguns anos eu acharia essa média baixa, porém hoje já fico contente com números superiores a 2 gols por partida. A lamentar, apenas o 0x0 entre Grêmio e Palmeiras. 

Na briga pela ponta, surge um favorito: o Cruzeiro. O time mineiro utilizou reservas em 3 das quatro primeiras rodadas, e mesmo assim sempre figurou entre os primeiros, embora privilegiasse a disputa da Libertadores. Depois que foi eliminado da competição sul-americana, o time mostrou a sua força com 4 vitórias nos últimos 5 jogos, o que lhe fez chegar à liderança e abrir vantagem sobre o segundo, apesar de ter sido prejudicado pela arbitragem em duas partidas, contra São Paulo e Atlético-MG, que poderiam ter-lhe feito disparar ainda mais. A Raposa voltou a mostrar o bom futebol que a consagrou em 2013, além de ter bons nomes no grupo para reposição do time titular, o que me faz considera-la favorita para o bicampeonato.

AI Cruzeiro
Vejo dois concorrentes para o Cruzeiro: Fluminense e Corinthians. A dupla mostra ter grupo forte e ambição para buscar vitórias fora de casa, o que contam como diferenciais no certame, porém cada um tem um problema a resolver. O Fluminense tem um sistema ofensivo até mais poderoso que o do Cruzeiro, porém possui um sistema defensivo fraco, capaz de vazar em momentos importantes e fazer o time perder pontos preciosos. Hoje o Fluminense tem menos gols sofridos que o Cruzeiro (8 a 10), porém o time mineiro sofreu 6 destes quando utilizou o time reserva nos primeiros jogos. Já o Corinthians o problema é o efeito Itaquerão. Nos dois jogos que atuou na nova casa, o time não foi bem e acabou marcando apenas 1 ponto em 6 possíveis. Se tivesse vencido Figueirense e Botafogo, adversários com problemas e que estão na parte de baixo da tabela, o time teria acabado esta primeira parte na Liderança. Ambos já estão em desvantagem na pontuação e também na tabela, já que como havia escrito no primeiro paragrafo, o time ainda terá 15 jogos em casa ao longo do campeonato, enquanto a dupla terá 14. 

Para título, o São Paulo ainda pinta como um franco atirador. O time de Muricy Ramalho tem um grande sistema ofensivo com Ganso, Pato, Osvaldo e Luís Fabiano, porém prima pela inconstância, com partidas abaixo da média. Se tivesse maior regularidade, até poderia enquadrá-lo como concorrente, porém está um degrau abaixo de Corinthians e Fluminense, mas pinta como um grande concorrente para o G4, já que está na frente e tem mais qualidade que Internacional, Grêmio e Atlético-MG, times que considero na luta pela Libertadores. Na 7ª Rodada, o tricolor paulista bateu o Grêmio no Morumbi, enquanto que na 9ª foi a vez do Galo ser batido em um lance totalmente infeliz no final da partida, onde o arbitro assinalou uma falta inexistente em Ganso, que Pabón bateu e o goleiro Giovanni acabou levando um frango. São essas vitórias em jogos de seis pontos que fazem a diferença e colocam o São Paulo em vantagem.

AI Inter
Já a dupla Gre-Nal sofre com a deficiência em seus grupos de jogadores. Ambos possuem problemas de reposição, fruto de uma ineficiência de Gestão que apostou em medalhões caros e com pouco benefício, além de apostas que não deram certo, mas que oneram a folha de pagamento e impossibilitam novos investimentos. É verdade afirmar que o Grêmio teve mais sucesso com as contratações de jovens desconhecidos, porém está longe de formar um grupo consistente, tanto que busca reforços apesar das dificuldades financeiras. O Inter sofre do mesmo problema, e perdeu terreno no campeonato quando passou a sofrer com desfalques. Além disso, falta a ambos uma maior ambição em buscar vitórias fora de casa, já que a dupla ainda não aprendeu a jogar campeonatos de pontos corridos, onde uma vitória fora de casa é muito importante. Os clubes seguem se conformando com empates fora de casa, e com isso perdem pontos.

Na parte de baixo, a Chapecoense conseguiu reagir no campeonato e marcou 6 pontos nos últimos 9, suficientes para tirá-la da Zona do Rebaixamento. O Coritiba também venceu a primeira nesta rodada, e se ambos se reforçarem na parada da Copa, prometerão uma disputa forte contra o Rebaixamento, já que o Campeonato está dividido em dois grandes grupos, e talvez tenha me precipitado ao chamar Criciúma, Chapecoense e Coritiba de sacos de pancada. Os times nordestinos, principalmente o Vitória e o Bahia, estão mostrando muitas dificuldades, e precisarão melhorar bastante para não terem que disputar a fuga do Rebaixamento. 

UOL
Já o Flamengo merece um parágrafo especial. O time se esforçou muito para conquistar a Copa do Brasil no ano passado, perdeu seu principal jogador para 2014 e ficou apenas na primeira fase da Libertadores. Apesar de ter conquistado o campeonato Carioca, o treinador Jayme de Almeida não suportou a derrota por 2x0 contra o Fluminense no clássico carioca da 4ª rodada, onde o time tinha apenas 4 pontos. Ney Franco assumiu seu lugar, porém ainda não venceu em cinco rodadas, somando três empates e duas derrotas, que deixou o time em situação calamitosa. Vi o jogo contra o Cruzeiro, e o time levou um banho de bola do líder do campeonato além de ter sido derrotado por 3x0. O time não tem grandes opções no elenco, o que deixa o seu futuro tenebroso, caso não venham reforços nesta parada.

O Brasileirão parará 40 dias em função da Copa do Mundo, o que permite aos times reverem seus plantéis e negociarem reforços em busca de um melhor campeonato. Porém 1/ 4 do campeonato já se foi, e já há um parâmetro relevante. O histórico do campeonato permite que algum clube escale uma sequencia de resultados, porém isso acontece no máximo com um clube, quando acontece. É bom o torcedor não acreditar em papo de “Início de Campeonato” ou que “Nosso planejamento é jogo a jogo” ou ainda “É culpa do juiz!” e cobrar de seus respectivos dirigentes, em busca de um elenco melhor. Há muita reclamação em função da arbitragem e pouca em relação à gestão dos clubes, cada vez mais deficitária e incompetente. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Grandes começam a formar um grupo a parte

E o Brasileirão passou pela 8ª rodada, penúltima antes da parada para a Copa, que serviu para embolar a ponta da tabela. Foram marcados apenas 16 gols, baixando consideravelmente a média para 1,6 gols/jogo. 

Cruzeiro e Fluminense não tiveram sucesso nos confronto contra Corinthians e Atlético-MG na condição de visitante, embora que o mando de jogo não tenha sido um fator decisivo, tendo em vista que a grande maioria das equipes virou itinerante, em função de perderem seus Estádios para que a FIFA possa utilizá-los como sedes da Copa do Mundo ou campos de treinamento.

A Raposa foi penalizada com uma falha do goleiro Fábio, que não conseguiu defender um chute da intermediária de Guerrero, que foi rasteiro e despretensioso. Mesmo assim, o time mineiro seguiu na liderança, pois o Fluminense também saiu derrotado pelo Atlético-MG por 2x0, com o destaque negativo de a defesa carioca ter falhado nos dois lances, mostrando ser o calcanhar de Aquiles para a Campanha do Campeonato. O Goiás teve a chance de se tornar líder isolado caso batesse o Vitória em casa, porém ficou no 0x0 e não conseguiu sequer entrar no G4.

AI Corinthians
A rodada foi boa para o Corinthians, que assumiu o terceiro lugar, e para o Inter, que bateu a fraca Chapecoense e terminou em quarto. Porém o campeonato está tão equilibrado que é possível que até o Grêmio, hoje sétimo, consiga terminar esta primeira parte do Campeonato na liderança, se vencer e torcer por resultados paralelos. O Palmeiras, nono colocado, também conseguiria alcançar o G4.

Na parte de baixo, o Figueirense finalmente conseguiu um empate contra o Flamengo, saindo da lanterna, já que a vitória contra o Corinthians no Itaquerão lhe deu vantagem nos critérios de desempate contra o Coritiba, que ainda não venceu e que preocupa para o restante do campeonato. Celso Roth é um treinador conhecido por fazer milagres com elencos modestos, porém não conseguiu dar jeito na equipe paranaense, que precisará se reforçar expressivamente para conseguir escapar de um eventual rebaixamento, que é o seu destino mais provável em virtude da falta de qualidade do plantel.

AI Criciúma
O Criciúma está se aproveitando dos times mais fracos e está pontuando. Suas três vitórias foram contra Figueirense, Coritiba e Chapecoense, além de dois empates contra o Atlético-MG e o Internacional. Ainda tenho o time na condição de rebaixável, porém se continuar pontuando contra equipes irregulares, além de bater as mais fracas, que são concorrentes (jogo de seis pontos), é possível que consiga escapar do Z4. A tabela foi benéfica para o time do interior de Santa Catarina, que agora precisará pontuar contra Vitória, Bahia, Sport, Atlético Paranaense e até o Flamengo, que hoje pinta como um concorrente para a Zona de Rebaixamento. 

A tabela começa a se dividir entre equipes que vão brigar pela ponta e outras que vão ficar em condição intermediária ou lutar contra o Rebaixamento.  Já é perceptível a formação de dois grandes grupos, um formado pelos grandes do eixo RJ/SP/RS/MG e o outro formado pelos demais clubes, que não recebem tanta verba da TV. Vale ressaltar que as campanhas de Botafogo e Flamengo estão abaixo da média em função de seus problemas, enquanto que a do Goiás está acima das expectativas. Ainda acredito em recuperação do Botafogo e do Flamengo, pelo menos para não ficarem com baixas pontuações, porém o rubro-negro me preocupa, pois planejou se 2014 de forma totalmente equivocada. Precisará contratar e aproveitar bastante a parada da Copa do Mundo para entrosar o time e pontuar.

AI Cruzeiro
A tabela também me mostra que Cruzeiro, Fluminense e Corinthians pintam como postulantes ao título, pois o trio já tem um grupo de jogadores mais consistente, além de buscar contratações para o segundo semestre, e ainda têm conseguido vitórias expressivas e já possuem vantagem nos critérios de desempate em relação aos outros 4 times que colocaria na briga pela ponta, porém em uma eventual quarta vaga de G4: Grêmio, Internacional, Atlético-MG e São Paulo. Não vejo consistência nestes quatro clubes que me façam acreditar na disputa do título, porém vão efetuar um duelo interessante para o G4. Não acredito que Goiás e Palmeiras consigam acompanhar esses times, pelo menos com o elenco que cada um apresenta no momento.

Gostaria de ver a dupla Gre-Nal disputando o titulo, porém ambos não possuem elenco no mesmo nível de Corinthians, Cruzeiro e Fluminense, além de não terem ambição quando jogam fora de casa. Como visitante, o Inter se contentou com o empate contra o Criciúma e o Coritiba, enquanto que não soube segurar a vitória contra o Botafogo. Já o Grêmio não saiu do 0x0 contra o Sport, que o Corinthians havia enfrentado também fora de casa na rodada anterior sem ter tomado conhecimento do adversário (1x4). Ambos formulam suas campanhas com um aproveitamento próximo dos 100% em casa, enquanto que o empate é considerado ótimo resultado fora. Com isso, perdem muitos pontos em jogos que, se forçassem, conseguiriam a vitória. Ambos poderiam estar na liderança se tivessem mais ambição. 

Falando ainda em tabela, é importante um levantamento de jogos como mandante e visitante para que sejam analisadas eventuais distorções que a ordem dos jogos proporciona. Na 8ª Rodada, o normal seria cada clube ter quatro jogos em casa e quatro fora, porém em virtude do interesse prioritário da televisão, alguns clubes foram afetados e, ou jogaram mais em casa, ou jogaram mais fora. Isso faz com que Cruzeiro e Grêmio tenham uma situação mais confortável no momento, enquanto que Internacional e Atlético-MG terão que vencer fora de casa para compensar o fato de já terem atuado cinco vezes em casa. 

Acho injusto este desnivelamento de jogos, que acaba oferecendo desiquilíbrio técnico, tendo em vista que pode permitir a um time emendar vitórias em casa e disparar na liderança, bem como outro amargar tropeços na tabela e afetar todo o seu planejamento para o Campeonato, com pressão de torcida e eventual demissão de treinador. Neste ano, parece que não haverá esse problema, já que o desiquilíbrio entre os grandes clubes, com exceção de Flamengo e Botafogo, é tão grande, que já há a formação de dois blocos distintos no campeonato. 


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Grupo deficiente e apego a projeções que não funcionam

A derrota para o Cruzeiro deixou a impressão que o Inter não possui bala na agulha para disputar o título. Embora haja a justificativa dos desfalques, o time perdeu muito desempenho com a saída de alguns titulares, e que somado com a estratégia de projetar resultados, fez com que o time caísse da liderança para o oitavo lugar em poucas rodadas.

Sobre o grupo de jogadores, já escrevi ontem (leia aqui). Em síntese, o Colorado possui um time titular razoável, longe da perfeição, mas que conseguiria disputar a ponta de um Campeonato formado por clubes imperfeitos. Nas primeiras rodadas, que se realizaram de forma semanal, o time já apresentou problemas na transição ofensiva pela falta de um atacante veloz, um meio lento e burocrático e a ausência de qualidade dos laterais. A zaga mostrou-se segura nos jogos com Ernando e Paulão, porém começou a decair de rendimento com a volta do titular Juan.

Nas últimas semanas, o Inter começou a ter uma maratona de jogos quartas/domingos em virtude dos confrontos pela Copa do Brasil e do Brasileiro, mostrando a fragilidade física dos atletas, que somada com as convocações para a seleção e as suspensões, deixaram o time com apenas dois titulares no segundo tempo contra o Coritiba. Não sou especialista em preparação física nem em fisiologia, porém não acho normal tantas lesões em tão pouco tempo. O fato de o Inter ter muitos trintões contribui para o acúmulo de desfalques, porém a situação fica ainda pior com outro fato de o Inter ser um dos clubes da Série A que menos utilizaram seu time principal na temporada. Se analisarmos adversários, cuja maioria jogou mais vezes, não veremos tantas lesões.  
  
Fotos: AI Inter
O fato é que os substitutos não estão no mesmo nível que os titulares e reduziram consideravelmente o poder de fogo do time em jogos decisivos, como contra o Cruzeiro, que também contava com alguns desfalques. Abel escalou o que tinha de melhor, porém não foi o bastante. Mais uma vez o time se viu dependente de jogadores como Wellington Paulista e Jorge Henrique, que em nada acrescentaram ao time. No jogo contra o Coritiba, o quarentão Índio sequer aguentou os 90 minutos, enquanto que Dida começa a mostrar através de sucessivas falhas que não possui o mesmo reflexo de antigamente, e mostra segurança apenas nas bolas defensáveis. 

Tomo cuidado em poupar jovens como Otávio e o lateral Diogo, pois poderão evoluir. Mas quanto aos reforços, não vou poupar criticas, pois é resultante da política de contratações do clube nas últimas rodadas, que aposta em jogadores com algum renome, mas que em função de estarem na fase descendente da carreira, já são dispensáveis pelos clubes onde passaram. Entram ai Dida, Juan, Wellington Paulista, Jorge Henrique, Alex, Rafael Moura, Forlán, Cavenaghi, dentre outros. Alguns já deixaram o clube, enquanto Abel Braga teve méritos em recuperar Alex e Rafael Moura, porém a grande maioria joga o que se espera deles pelo histórico recente em outros clubes: nada. E em um campeonato longo como o Brasileirão, pensar apenas no time titular é uma heresia, tendo em vista que há a necessidade de usar o grupo.

Mesmo com todos esses problemas, o Internacional poderia estar melhor na tabela, talvez até na liderança ou segundo lugar. Aí entra o segundo problema, que é o apego às projeções. Após o jogo contra o Atlético-PR que deixou o Inter em uma liderança circunstancial, em virtude de ter jogado 3 dos 4 jogos em casa contra adversários mais fracos, Abel projetou 10 pontos nos cinco jogos restantes (15 pontos). Só conseguiu 2 até então, podendo chegar a 8 se vencer a Chapecoense em Caxias e o Fluminense no Rio de Janeiro. Porém em uma visão realista, chegará a apenas 5 ou 6, já que uma vitória contra o Fluminense no Rio de Janeiro seria muito improvável.. 

Sei da importância da matemática, por ter formação na área das exatas, porém vejo que o Inter a utiliza de forma errada, pois coloca a projeção dentro de campo para formular resultados, enquanto que estes números deveriam servir apenas como uma análise ulterior aos confrontos. Um clube com ambições não pode entrar em campo para empatar somente pelo fato de jogar fora de casa, procurando manter o aproveitamento de 66% (vitória em casa e empate fora, 4 pontos a cada 6 jogos). Admito apenas a exceção de utilizar estes números em uma eventual decisão de seis pontos contra um concorrente ao titulo fora de casa, por onde o empate se tornaria interessante caso o time esteja em vantagem em relação ao concorrente.

Se tivesse um pouco mais de ambição, provavelmente o Inter conseguiria segurar a vitória contra Botafogo e Coritiba, além de buscar a vitória contra o Criciúma. Hoje, mesmo com a derrota contra o Cruzeiro, o time estaria na liderança, apesar de todos os problemas que está enfrentando com lesões. 

Porém, mesmo assim, seria uma liderança enganosa, já que o time enfrentou apenas dois adversários que está entre os 10 primeiros e tem um maior número de jogos em casa (4) do que fora de casa (3). O Inter terá ao longo de 12 rodadas restantes do 1º turno sete confrontos mais difíceis, e hoje já está aquém do esperado para que termine o primeiro turno no G4. Para complicar, o time em função da sua errônea projeção, está com um saldo de gols mínimo e já perde no número de vitórias para a maioria de seus concorrentes, pois é um dos times que mais empataram até agora (Só perde para o Santos, que está embaixo na tabela.)

A tendência é que o time caia ainda mais na tabela, ficando ainda mais longe de uma eventual briga pelo G4, já que o titulo eu já acho praticamente impossível, em virtude dos tropeços contra times mais fracos. Vejo Cruzeiro e Fluminense com times mais fortes e grupos amis consistentes, e ainda colocaria o Corinthians na possibilidade de brigar pelo título, em função dos reforços que o clube terá na volta da Copa. Já para o G4 há uma possibilidade, porém o time já começa a ficar atrás de Grêmio e São Paulo não só na pontuação, como nos critérios de desempate e na relação de jogos da tabela.

Para que o Inter reverta essa tendência, precisará rever conceitos e qualificar o elenco na parada da Copa. 

domingo, 25 de maio de 2014

Balanço da 7ª Rodada do Brasileirão

A primeira parte do Brasileirão, realizada antes da Copa do Mundo, está chegando ao fim, e mostra Cruzeiro e Fluminense como os melhores times e que possuem elencos mais numerosos e homogêneos. Ainda teremos mais duas rodadas, e apesar da pequena distância entre os times, já seria possível traçar o tricolor carioca e a Raposa como favoritos ao título, se não tivéssemos uma enorme parada para a Copa do Mundo, que quebrará o ritmo e poderá oferecer novidades para o Campeonato.

Na sétima rodada, tivemos 19 gols marcados, o que dá uma média de 1,9 gols/partida. Mais de 1/4 destes gols saiu do confronto entre Sport 1 x 4 Corinthians, onde o time Paulista se recuperou após dois insucessos em casa e está na cola do G4. Do outro lado, Alético-MG x Criciúma e Santos x Flamengo foram os 0x0’s da rodada. O nível continua ruim e não tenho mais expectativas de melhoras, já que é necessário uma mudança de visão e revolução para que o futebol disputado no Brasil melhore. 

As campanhas fora de casa começam a fazer a diferença, e ensaiam um duelo entre Cruzeiro e Fluminense pela liderança da parada da Copa do Mundo. Ambos possuem cinco vitórias em sete jogos, sendo que os mineiros conquistaram três fora de seus domínios, enquanto que o Fluminense conquistou duas. O time mineiro realizou mais jogos fora de casa (3x4) enquanto que os cariocas jogaram mais em casa (4x3), o que dá uma vantagem ao Cruzeiro, além deste já estar na liderança por um ponto. 

Fotos: UOL
Não vejo o Brasileirão num todo como equilibrado, já que há vários times abaixo da critica e que deverão fazer poucos pontos na tabela, aumentando o nível de exigência.  O que temos são vários times na disputa entre os primeiros, que poderão ser sete ou oito. Nessa disputa é necessário analisar a pontuação fora de casa, que está fazendo a diferença já que os clubes tendem a um aproveitamento próximo do máximo nos jogos em casa, além da proporção de jogos, tendo em vista que há um grande erro na tabela para favorecer a transmissão da TV, fazendo com que algumas equipes joguem duas partidas consecutivas em casa, o que faz com que algumas tivessem 3 jogos em casa nas 4 primeiras rodadas.

O terceiro lugar ficou com o Goiás, que venceu fora de casa o pior time do campeonato. A equipe goiana também possui mais jogos fora de casa até agora no campeonato (3x4), conseguindo duas vitórias e um empate.  Em casa o time também se saiu bem, com duas vitórias e um empate, o que lhe dá conforto neste início de campeonato, já que não projeto os esmeraldinos entre os postulantes ao G4 neste momento.

Os paulistas estão formando um bloco próximo ao G4, já que Palmeiras, Corinthians e São Paulo estão respectivamente entre o 5º e 7º lugar. Ambos os times apresentam deficiências e em virtude delas perderam pontos, porém São Paulo e Corinthians poderão fazer um bom Brasileiro. O Palmeiras eu já projeto uma condição intermediária, a não ser que Gareca consiga melhorar expressivamente o futebol do time com basicamente o elenco mediando na qual os outros treinadores não conseguiram, tendo em vista que o clube passa por dificuldades financeiras e não deverá efetuar grandes investimentos. Acredito que dificilmente não tenhamos um paulista no G4 ao fim do Brasileirão, já que os times tem poder de investimento e contarão com reforços na parada do Campeonato.  

A cada rodada, Flamengo e Botafogo confirmam-se como grandes decepções, pois não conseguem superar seus problemas e estão atolados na parte de baixo da tabela. Ambos possuem elencos fracos, e se não contarem com reforços, deverão ter problemas até o final do Campeonato na luta para manterem-se na Série A, embora não sejam os quatro piores times do campeonato. 

Vejo o Brasileirão com três grandes grupos, que ficarão ainda mais evidentes na medida em que o campeonato for se desenrolando e a pontuação dos times for diferenciando-os. Temos o bloco os ponteiros, que na minha visão são sete ou oito dependendo do Atlético-MG (além de Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Internacional), o dos intermediários que vencem um ou outro jogo e empatam bastante, além de conseguirem tirar alguns pontos dos ponteiros, enquanto que temos os sacos de pancadas, que tendem a perder para os ponteiros, conseguindo arrancar poucos pontos da turma do meio. Atualmente, os três catarinenses e o Coritiba estão nesse grupo, porém ainda tenho a esperança que os paranaenses consigam se reforçar e evoluir no campeonato. 

O Coritiba é o único que não venceu no campeonato, e por isso não é surpreendente o fato de estar no 19º lugar. O Figueirense é o mais fraco do Campeonato e só venceu o jogo da estreia do Itaquerão em condições circunstanciais. Depois de sete rodadas, perdeu seis, enquanto que o histórico gol de Giovanni Augusto foi o único do time até agora.  A Chapecoense ensaia uma recuperação com a vitória por 2x0 contra o Palmeiras, porém não tem bala na agulha para ir longe, e dificilmente escapará do descenso. O Criciúma ocupa circunstancialmente o 12º lugar, já que suas duas vitórias até agora foram contra os seus rivais catarinenses, além de dois empates contra Inter e Atlético-MG, que servirão para complicar as pretensões de ambos os times.

A temática do post foi usar a matemática e a tabela para deixar coerente a condição das equipes, já que a tabela de jogos faz diferença em uma medição rodada a rodada, gerando distorções e trazendo falsas esperanças para os desavisados torcedores. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Forasteiros começam a dominar o Brasileirão

O futebol no Campeonato Brasileiro continua pobre, porém a sexta rodada bateu o recorde de gols (29), que deixaram a média de gols em invejáveis 2,9.  Praticamente 25% destes gols saíram no melhor jogo da rodada, onde o Fluminense saiu atrás e se recuperou contra o São Paulo, vencendo por 5x2.

A sexta rodada também marcou a mudança da liderança e do G4, mostrando a ascensão do Palmeiras, além da chegada de Cruzeiro e Grêmio no topo e da queda do Internacional, de líder para o 5º lugar. Três pontos separam o Cruzeiro (1º) do Atlético-MG (7º), o que mostra o equilíbrio do Campeonato, onde os jogos têm deixado a desejar em termos de qualidade e até de emoção, salvo raras exceções.

Como escrevi no título, o campeonato está sendo marcado pelos forasteiros, já que todos os times que compõem o G4 venceram fora de casa e conseguiram vantagem importante. Embora o Inter seja o único time invicto no campeonato, com 3 vitórias em casa e 3 empates fora, a falta de ambição do time em buscar ou segurar os três pontos começa a pesar, tendo em vista que o Colorado já é superado por dois times no número de vitórias, primeiro critério de desempate, além de ter um saldo de gols mínimo em virtude de suas vitórias apertadas.

AI Palmeiras
O campeonato está desfazendo as previsões pessimistas dos Estaduais e da Libertadores para alguns clubes. Fluminense, Palmeiras e Atlético-MG não tiveram um bom início de ano, mas sofreram intervenções diretivas com alterações em seus comandos técnicos, que passaram a dar resultado. Desses, o que me surpreende é o Palmeiras, que não tem feito grandes atuações, porém tem conseguido vencer seus adversários. Mesmo com técnico interino, já que o argentino Ricardo Gareca (ex-Vélez Sarsfield) assumirá o comando somente nesta sexta-feira, não devendo nem treinar o time no jogo de domingo contra a Chapecoense.  

O Alviverde é o melhor paulista, já que São Paulo e Corinthians são irregulares e têm perdido vários pontos em virtude de suas deficiências que não foram sanadas pelos treinadores. Enquanto Mano Menezes já sabe que contará com reforços após a parada da Copa, Muricy ainda não tem essa certeza, e terá que conviver com um ataque poderoso com Ganso, Pato e Luís Fabiano, enquanto que a defesa tem sido o grande problema do time. O Santos é a grande decepção dos paulistas, pois foi o único que mostrou bom futebol no inicio do ano, porém caiu drasticamente de produção e possui apenas uma vitória no Brasileirão.

O Brasileirão começa a se desenhar.  Temos sete a oito times que lutarão pelas primeiras posições. Tenho convicção em Cruzeiro, Grêmio, Inter, Corinthians, São Paulo e Atlético-MG, apesar de alguns apresentarem graves problemas. O oitavo time é o Palmeiras, que pelo material humano não veria um futuro tão promissor, porém Gareca poderá trazer inovações táticas para o futebol brasileiro, e fazer com que o time passe a render mais, apesar da limitação técnica.

Porém sigo insistindo que o título depende mais do Cruzeiro do que dos demais clubes. Se a Raposa voltar a apresentar o bom futebol de 2013 de forma regular, ganhará o campeonato com uma confortável vantagem. No entanto, isso não acontece no momento, e mesmo assim, o Cruzeiro é líder do campeonato no saldo de gols, tendo o Grêmio na cola, este também não apresentando o bom futebol do início da temporada. Gostei da atuação do Fluminense contra o São Paulo no segundo tempo, porém espero que o tricolor carioca consiga repeti-la.

AI Cruzeiro
Além do desempenho, o G4 e quiçá o titulo dependerão dos confrontos contra o catarinenses, que estão fadados a serem os sacos de pancadas desta edição. Nos últimos anos, com o aumento da diferença de receita dos clubes em virtude das Cotas de TV e patrocínios mais rentáveis aos grandes, a disparidade aumentou, permitindo o aparecimento dos sacos de pancadas.

Se voltarmos para as edições da década passada, veremos que esse fato era uma exceção, como foi em 2007 com o América de Natal. Porém atualmente é um fenômeno comum e sem volta, tanto que nesta edição três times despontam como sacos de pancadas: Criciúma, Figueirense e Chapecoense. Com exceção do Figueirense, que bateu circunstancialmente o Corinthians no jogo de estreia do Itaquerão, todas as outras vitórias (Criciúma) foram em duelos caseiros, enquanto que os adversários marcam pontos. É grande a tendência de os primeiros times marcarem de 15 a 18 pontos contra os catarinenses,  o que poderá fazer a diferença para uma vaga na Libertadores ou até mesmo o título.