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domingo, 13 de julho de 2014

Planejamento venceu: Alemanha é tetracampeã


A final da Copa do Mundo do Brasil coroou o planejamento da Alemanha, que começou a se preparar em 2000 e depois de bons resultados nas duas últimas Copas chegou a gloria com o gol de Gotze aos sete minutos da segunda etapa da prorrogação.

Como toda grande final, o jogo não foi emocionante do ponto de vista técnico, já que a história da Copa do Mundo promoveu, em sua grande parte, com finais equilibradas e caracterizada por muita marcação, estudo e decisão no detalhe. 

A Argentina começou um pouco melhor o jogo, já que a marcação em linhas compactadas de Sabella funcionava, enquanto que o time argentino havia encontrado uma deficiência defensiva do time alemão no setor esquerdo de defesa, nas costas de Höwedes, que a Argentina conseguiu criar duas grandes chances de gols, onde em uma delas Higuaín acabou desperdiçando uma chance incrível.

A Alemanha só viria a reagir na parte final da primeira etapa, após a primeira substituição de Löw, que teve que substituir o lesionado Kramer por Schürrle. Kramer não iria jogar inicialmente, porém foi escalado após o titular Khedira sentir lesão no aquecimento, porém o jogador não teve sorte, e levou uma pancada no rosto de Garay, que o deixou grogue e sem condições de jogo. A entrada do camisa 9 trouxe maior mobilidade ao time alemão, que conseguiu criar chances nos minutos finais, chegando a acertar a trave com  Höwedes na bola parada. 

Fotos: @fifaworldcup_pt
Na segunda etapa, o jogo caiu drasticamente em função do desgaste físico dos times. Sabella voltou com Agüero no lugar de Lavezzi, que havia feito um bom primeiro tempo, e acabou reduzindo a mobilidade ofensiva do time, que praticamente não incomodou a Alemanha. A Argentina se restringiu a apenas uma chance com Messi logo no primeiro minuto, onde o craque recebeu livre e não conseguiu acertar o gol. A Alemanha fazia partida discreta, com problemas na transição e na criação, e só conseguiu vantagem ofensiva na parte final do tempo regulamentar, onde a Argentina já não conseguia competir fisicamente.

O jogo foi para a prorrogação, onde a vantagem física era uma aliada da Alemanha. O time alemão continuou controlando o jogo, porém foi a Argentina que teve mais uma grande chance de marcar, com Palacio aos seis da primeira etapa, quando o atacante que substituiu Higuaín na segunda etapa tentou encobrir o goleiro Neuer, porém errou o alvo. Na segunda etapa, o time alemão finalmente conseguiria o gol que lhe daria o tetracampeonato aos sete minutos, quando Schürrle levou vantagem na esquerda e cruzou para Gotze ter a tranquilidade e liberdade para dominar no peito e finalizar para as redes. Gol merecido não só pela campanha alemã, mas por toda a preparação que o país enfrentou nestes últimos 14 anos para voltar a ter competividade no futebol sem fazer planos mirabolantes.

O crescimento alemão foi sustentável, através de uma forte política de valorização das categorias de base, garimpando jovens jogadores e treinadores e procurando dar toda a infraestrutura para crescimento e evolução destes jovens, para formar jogadores mais fortes, fortalecer a Bundesliga e a Seleção Alemã. Na Copa de 2006, realizada na Alemanha, tivemos a primeira leva de jogadores deste projeto, porém ainda era necessário um maior tempo de desenvolvimento para que houvesse efetivamente um crescimento sustentável. Em 2010 a Seleção continuou evoluindo, apesar de terminar novamente em terceiro lugar, porém desta vez foi coroada campeã, mostrando o sucesso do projeto que ajudou a transformar a Bundesliga na segunda liga nacional mais rentável da Europa. Como ideia de projeto em longo prazo, o atual treinador e tetracampeão Joachim Löw fazia parte da comissão técnica do grupo de 2006, e assumiu o comando técnico após a saída de Klinsmann em 2006, permanecendo até hoje. 

A Argentina não se entregou e fez uma boa partida, tendo momentos de superioridade ao longo da partida. Sabella sabia que não conseguiria jogar de igual para igual com a Alemanha, e bolou um time mais consistente defensivamente, que complicou o adversário, além de quase conseguir surpreender o adversário com chances reais. Se tivesse ganhado o torneio, seria a premiação de Messi, que nesta final não fez uma grande partida, e ganhou até de forma injusta o prêmio de melhor jogador da Copa, que na minha visão deveria ter ido para Robben.

E tivemos o fim da “Copa das Copas”, que deixará muitas saudades pelo bom futebol mostrado e alegria de ver o país recebendo um torneio importante, com milhares de turistas e uma espécie de workshop local para que o futebol brasileiro possa evoluir. Foram 32 dias bem vividos de bom futebol, que 

sábado, 12 de julho de 2014

Brasil encerra sua participação de forma melancólica


O Brasil terminou de forma melancólica a participação na tão esperada Copa do Mundo no país. Depois dos 7x1 contra a Alemanha pelas semifinais, o Brasil foi derrotado na decisão do terceiro lugar para a Holanda por 3x0 e encerrou a sua participação com dez gols sofridos em dois jogos, batendo o recorde de gols sofridos (14) em sua história de disputa de Copas.

No fim das contas, o quarto lugar ainda foi lucro para a Seleção Brasileira, que mostrou fraco futebol ao longo da sua campanha na Copa, não conseguindo sequer reproduzir a esquemática de jogo que lhe deu o título na Copa das Confederações que, diga-se de passagem, é tratada com desdém pelos times que participam por ser um teste para a Copa do mundo.  A Holanda sequer forçou e mesmo assim conseguiu uma vitória tranquila contra um desorganizado Brasil, que teve o domínio da posse de bola, porém não conseguiu oferecer perigo ao goleiro Cillessen, que foi um expectador de luxo da partida.

Quanto ao jogo, o Brasil teve o chamado “apagão” nos primeiros minutos, caindo em um veneno holandês que se aproveitou da marcação adiantada da Seleção e se aproveitou dos espaços da defesa para conseguir um pênalti logo no primeiro minuto, em um lance onde o árbitro Djamel Haimoudi errou duas vezes, pois foi falta fora da área de Thiago Silva em Robben, e o zagueiro brasileiro deveria ter sido expulso (levou apenas o amarelo) em virtude de ter parado o adversário em um lance de chance clara de gol. Van Persie cobrou e abriu o placar. 

Fotos: @fifaworldcup_pt 
A Holanda não parecia disposta a se arriscar, até em função do time não ter esta característica, porém aproveitou o momento de colapso emocional, tático e técnico da Seleção para abrir o segundo, em uma boa jogada na direita com Robben que gerou um cruzamento de De Guzmán, uma falha de David Luiz e uma sobra com total liberdade para Blind fuzilar na altura da marca do pênalti. 

2x0 com 15 minutos, que poderiam virar goleada se o time holandês mostrasse pelo menos um espirito competitivo que não pôde ser detectado na partida e nem nas declarações de Van Gaal, que questionou a necessidade de se disputar o terceiro lugar. O ritmo holandês foi de um treino coletivo, porém suficiente para deter a Seleção Brasileira, que teve a oportunidade de ficar com a bola para propor o jogo, porém não teve criatividade nem organização para levar perigo para o gol holandês.

O Brasil terminou a partida com 58% de posse de bola e 11 finalizações, sendo apenas duas em direção ao gol, porém apenas duas na partida inteira são dignas de registros. Ambas em finalizações de Oscar, que deram trabalho para Cillessen. No mais, um festival de chutes afobados que eram facilmente bloqueados pela defesa holandesa ou que iam longe do gol, mostrando que sequer houve pressão do Brasil em busca de reação.

No final da partida, em uma boa jogada pela direita entre Janmaat e Robben, a bola sobrou para Wijnaldum aumentar ainda mais a melancolia das 68.034 pessoas que se dispuseram a assistir “in loco” a partida, além dos milhões de telespectadores.

A Seleção holandesa terminou de forma invicta a sua participação na Copa do Mundo. Van Gaal chegou em 2012 para realizar uma reformação no elenco e para montar um time minimamente competitivo para 2014, atingindo o objetivo e deixando um, já que o treinador consolidou De Vrij e Blind na defesa, além de revelar jovens como Depay, Clasie e Veltman.

O Brasil termina a Copa com muitas incertezas e com pouco legado, já que hoje poucos jogadores são inquestionáveis. Colocaria apenas Thiago Silva e Neymar nesta condição, enquanto outros jogadores como Oscar, Willian, Paulinho e Marcelo deverão ter continuidade no próximo ciclo. Porém a forma como o futebol é tratado no país precisa ser revista, já que há um decréscimo de qualidade técnica nas últimas gerações, que chegou há algum tempo no Campeonato Brasileiro e que hoje respinga na Seleção. Por outro lado, não há evolução tática dos treinadores, que utilizam metodologias e esquemas obsoletos, não acompanhando a tendência coletiva de compactação e intensa ocupação dos espaços, que deixam o país do futebol longe de ter uma Seleção que possa ser considerada a melhor do mundo.

A Alemanha mostra um horizonte, com um programa de capacitação e aperfeiçoamento de jogadores nas Categorias de Base, baseado em disciplina e métodos que começam desde a garimpagem de jovens jogadores e treinadores, dispostos desde cedo a aperfeiçoar seus fundamentos técnicos e a aplicação tática, para que o futebol local evoluísse, e como consequência, o nível da Seleção melhorasse. A federação alemã começou praticamente do zero depois do vexame na Europa de 2000 e não se enganou com o vice-campeonato da Copa de 2002 para implantar o projeto, que já trouxe resultado na Copa de 2006 com um terceiro lugar, um novo terceiro em 2010 e que agora poderá lhe dar um título mundial, que não vem desde a Copa de 1990.

No Brasil, não há padrão nem métodos nas categorias de base, largada às moscas para que empresários possam enriquecer à custa dos clubes. Desde cedo, os jogadores já são tratados como mercadorias e são blindados com altos salários e mordomias, que barram a sua evolução natural. Não há mais um programa que favoreça o amadurecimento dos jogadores, enquanto que os clubes também sofrem com a política das federações estaduais e da CBF, que obriga-os   a disputar os Campeonatos Estaduais e não dá tempo no calendário para treinamento/capacitação com amistosos contra equipes europeias, que favorecem o distanciamento do futebol brasileiro para com o europeu.

O Brasil precisa mudar, encontrar soluções pois a classificação para a Copa de 2018 é uma incógnita, já que com este grupo e geração, a promessa será de uma eliminatória difícil.  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Argentina x Alemanha pela terceira vez em Copas


O Adversário da Alemanha na grande final de domingo no Maracanã será a Argentina, que eliminou a Holanda nos pênaltis, após um 0x0 no tempo regulamentar e na prorrogação. Romero foi o herói, defendendo as penalidades de Vlaar e de Snejder, além do time argentino ter acertado todas as cobranças.

O jogo foi plasticamente ruim, já que os sete gols sofridos pelo Brasil ontem e a proximidade de chegar a final minou com ousadia dos times, que preferiram privilegiar seus sistemas defensivos e o encaixe da marcação, deixando o jogo muito truncado, travado e tático. Robben e Messi, a referência de ambos os times, foram muito bem marcados, o que dificultou que o jogo fluísse. De Jong e seu substituto Clasie grudaram no argentino, enquanto Mascherano foi soberano no meio-campo sul-americano, conseguindo neutralizar as jogadas de ataque, já que o time holandês tinha deficiência em criação e dependia da jogada direta para Robben ou Van Persie. 

No primeiro tempo, a Argentina foi um pouco superior, por conseguir explorar o lado direito, que era a grande deficiência do time holandês, tanto que obrigou Van Gaal a modificar o time no intervalo, com a saída de Martins Indi para a entrada de Janmaat, que foi jogar na lateral direita, deslocando Kuyt para a esquerda e Blind para a zaga, mantendo o tradicional esquema 5-3-2, que podia ser desmembrado em um 3-3-2-2 quando o time tinha a bola e procurava propor o jogo, o que aconteceu principalmente no segundo tempo.

Fotos: BBC Sport
A Argentina não teve no primeiro tempo nenhuma conclusão que pudesse ser registrada como perigosa, enquanto que a Holanda teve apenas uma finalização, que foi para fora, não dando trabalho algum para Romero. O time holandês esteve mais presente no ataque na segunda etapa, recuperando a posse de bola que era de 53% para a Argentina no final da primeira etapa, e teve a sua grande chance somente aos 45 minutos da segunda etapa, quando Robben tabelou com Snejder que devolveu para o atacante perigoso entrar com certa liberdade, porém Mascherano impressionantemente conseguiu a recuperação na jogada. 

A prorrogação também não animou os times, que alternavam pequenos momentos de leve superioridade, porém não tendo capacidade para definir a partida. A Holanda dominou o jogo na prorrogação enquanto teve gás, porém foi a Argentina já no final, quando a Holanda havia “pregado” em campo que teve as principais chances no jogo, uma com Palácio, que recebeu livre e errou o tempo da bola na cabeçada, praticamente atrasando para o goleiro Cillessen, enquanto que Messi encontrou Maxi Rodríguez (que havia entrado na segunda etapa) com liberdade, mas o veterano meia pegou mal na bola.

E o jogo foi para os pênaltis, e talvez tenha sido o destino desejado por ambos. A Holanda não pode colocar o goleiro herói Krul, já que havia efetuado todas as substituições ao longo do confronto (Janmaat, Clasie e Huntelaar), enquanto que a Argentina utilizou dois substitutos para cobrar, já que Agüero e Maxi foram cobradores e converteram, assim como Messi e Garay. Van Gaal deve ter se arrependido de ter queimado todas as substituições, já que Cillessen acertou o canto apenas na cobrança de Agüero, enquanto Krul havia acertado todos os cantos contra a Costa Rica. O goleiro Romero foi brilhante e definiu a classificação argentina, que nem precisou cobrar a sua quinta cobrança.

Argentina x Alemanha protagonizarão pela terceira vez a final da Copa do Mundo, já que houve enfrentamento em 1986 com vitória Argentina e o troco em 1990. Será um tira-teima, que poderá coroar Messi definitivamente, ou dará resultado a todo o planejamento feito pela Alemanha nestes últimos anos que recuperou o futebol local e montou uma seleção forte. 

Coloco a Alemanha como favorita, por ser mais bem organizada e ter um time coletivamente mais forte, sem nenhum craque, mas com vários jogadores de alto nível. A Argentina terá que recuperar Di Maria e Agüero se quiser competir. Promessa de grande jogo. 

Pilulas do dia seguinte...

Neste momento em que escrevo o post, faz pouco mais de 12h que o árbitro Marco Rodríguez apitou o final do trágico Brasil 1 x 7 Alemanha, que desmoralizou o futebol brasileiro com o maior vexame da história da seleção local e acendeu a luz vermelha, já que os sucessivos anos de luz amarela não foram suficientes.

Talvez apenas na segunda, quando termina efetivamente a Copa para o Brasil, tenhamos pronunciamentos oficiais mais condizentes com a realidade, já que ainda há a decisão do terceiro lugar no sábado, e um novo vexame poderá acirrar ainda mais as emoções.  Até agora, as declarações não expressam o tamanho do vexame, que não foi apenas uma derrota por 1x0 no tempo normal ou nos pênaltis. 

Uma tragédia como esta não pode ser analisada apenas por um ou dois fatores. Ao longo de todo o planejamento para a Copa em casa, ocorreu uma série de problemas, que se somados em um dia em que sequer uma solução criativa surgisse, culminariam em uma grande decepção, que jamais será esquecida.

Entre os minutos 20 e 30 da partida, quando a Alemanha saiu de um ainda reversível 1x0 para um irreversível 5x0, via uma seleção bem organizada enfrentando um emaranhado de juvenis, que sequer conseguiam tocar na bola, parecendo dois esportes completamente diferentes. E a Alemanha ficou no sétimo gol por pena, já que mesmo com o freio puxado, o time de Joachim Löw poderia ter chegado a uma dezena de gols. 

E agora? Os problemas já foram explanados ontem no post que fiz da partida (leia aqui). Qualidade técnica dos jogadores não é mais a mesma, há um atraso tático e em uma era de informação, há a desinformação sobre o adversário. Muitos destes problemas são em razão do Brasil ainda se considerar o melhor futebol do mundo, algo que não é há muito tempo, e que respinga na formação de jogadores, treinadores, etc. O futebol brasileiro é tomado pela política de pessoas ultrapassadas, que apenas olham para o seu umbigo e se mantém no poder através de uma estrutura obsoleta e que é respaldada pela paixão do público-alvo, a torcida, incapaz de tomar atitudes para mudar alguma coisa, em razão disso respingar no seu clube, onde há amor incondicional. 

Twitter do presidente do Atlético-MG Alexandre Kalil escrevendo verdades

Alguém poderia me questionar: “Ah Radamés, então quer dizer que a culpa é minha?”. Infelizmente responderia que sim, pois a estrutura atual do futebol brasileiro favorece todos que estão no processo, menos o torcedor, que paga caro por um serviço na qual é marginalizado.  É um singelo aceite, já que não importa a vitória jogando o pior futebol do mundo ou em função de uma força externa, como da política, ajuda financeira ou da arbitragem. O que importa é ganhar, mesmo que isso inviabilize eternamente o clube financeiramente. 

Enquanto isso, o futebol perde, pois não há um grande elemento capaz de mudar os rumos, que a cada ano tornam-se mais nebulosos. Com tanto respaldo, há uma desvirtualização do real sentido do esporte, que serve de base para a entrada de pessoas cada vez mais capitalistas, algumas corruptas, que se interessam apenas nos ganhos em função do alto poder de geração de renda que a modalidade possui no país, devido aos amantes condicionais do esporte. Se a estrutura é lucrativa para todos que estão no processo, porque haveria o interesse em mudar alguma coisa?

Capa do Jornal Extra
O único que poderia mudar este rumo seria o contribuinte de fato, isto é, o torcedor, nem que isso implique em dificuldades iniciais para o seu amado clube. Atualmente, cada torcedor, sócio ou não, paga caro por algo que se for mais bem analisado, não lhe dá retorno. Qual foi a última grande atuação do seu time, excetuando os famigerados estaduais? 

Cada um precisa ter em mente que o futebol é tratado para você como uma religião, porém é um negócio lucrativo para todas estas estruturas. Os jogadores não são guerreiros, são empregados que ganham fortunas em função deste mecanismo. E cabe apenas a você mudar isso, cobrando.

Enquanto não houver uma cobrança mais efetiva, os dirigentes terão carta branca para fazer o que quiserem, como contratar irresponsavelmente jogadores de notável incapacidade técnica, treinadores obsoletos que não acompanham a evolução tática do futebol, e que mais adiante respinga na Seleção Brasileira, já que o futebol praticado no país fica com mercado cada vez mais restrito na Europa, que efetivamente trabalha e desenvolve o jogador.

Na próxima semana, teremos a volta do Campeonato Brasileiro, sinônimo de tortura psicológica ao telespectador em virtude da sua baixa qualidade técnica. O admirador do esporte, cuja grande parte é torcedor de algum clube irá esquecer o vexame sofrido pela Seleção Brasileira? Também irá esquecer a qualidade técnica dos jogos da Copa do Mundo, protagonizados até por Seleções de segunda ou terceira linha do futebol mundial? A Seleção Brasileira não é um caso a parte, já que é formada por jogadores que um dia atuaram no seu clube, e que provavelmente não receberam o desenvolvimento adequado. 

Não vejo grande possibilidade de mudança se não vier uma forte cobrança por parte do torcedor/telespectador, que poderia prejudicar financeiramente a famigerada estrutura. Haveria apenas o governo, preocupado com uma eventual eleição, mas que logo adiante abriria mão do futebol. Então, o futuro do futebol brasileiro depende muito mais de mim e você, do que do fulano ou do ciclano. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Era melhor ter ido ver o filme do Pelé...


Pela semifinal da Copa em Belo Horizonte, a Seleção Brasileira acabou sofrendo uma surra da Alemanha, com direito a quatro gols em seis minutos, entre os minutos 23 e 29, que transformaram em vexame, já que a desvantagem e inferioridade eram tão grandes, que não havia sequer uma chance de mudar a história que estava sacramentada. Os brasileiros ainda puderam ver o centroavante alemão Klose marcar e ultrapassar Ronaldo como o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols

Poderia escrever o post do mesmo padrão dos demais desta Copa, com um resumo da partida e observações, porém desta vez farei diferente, já que os gols todos viram ou virão em algum telejornal, quase todos originados da mesma forma, com um toque de bola frio e sereno, fruto de um esquema tático bem definido e organizado, aguardando o melhor momento para definir a jogada. Somente o primeiro gol foi originado em bola parada, um fundamento que a Seleção Alemanha possui e que já definiu classificação contra a França.

A Alemanha não virou um “mega-time” da noite para o dia, já que o Selecionado de Joachim Löw enfrentou muitas dificuldades ao longo da sua trajetória, tendo uma trégua apenas na estreia contra Portugal, onde o time marcou 4x0, mas teve superioridade numérica por mais de 45 minutos e ainda teve um pênalti questionável que originou o primeiro gol. Imagino que nem os alemães esperavam tanta facilidade ofensiva para marcar, já que a Alemanha finalizou 14 vezes na partida, sendo 10 em direção ao gol. E só não finalizou mais porque não era mais conveniente forçar, já que o resultado estava consumado e havia a possibilidade de poupar forças para a final.

Fotos: @fifaworldcup_pt
O problema foi o próprio Brasil, que mostrou não ter soluções para amenizar a perda de Neymar, além da suspensão de Thiago Silva ter feito falta. Ocorreu uma má condução de fora para dentro, já que toda a comoção em função da lesão do Camisa 10 acabou entrando para o vestiário, retirando o foco do grupo, além de criar um peso emocional extra que não foi suportado após o gol sofrido, quando aconteceu um verdadeiro “apagão”.  Já no caso de Thiago Silva, a tentativa de anular o cartão desmoralizou o reserva, Dante, que é bom zagueiro, mas que em nenhum momento foi publicamente incentivado. 

Mesmo que tivesse a disposição o seu 11 ideal, projetaria um favoritismo alemão, que possui um time e grupo superior. O Brasil mostrou na Copa e nos amistosos preparatórios que possuía uma equipe de nível intermediário, e que com muita sorte poderia chegar até uma semifinal ou até uma final. E deu sorte, tanto no seu grupo, onde a classificação contra México, Croácia e Camarões foi tranquila graças à interferência da arbitragem em pelo menos três jogos, enquanto que nas oitavas o time foi inferior ao Chile e conseguiu eliminar o adversário, além de eliminar no sufoco a Colômbia. Nas semifinais, o Brasil era o candidato mais fraco, e passou a impressão que foi além das suas reais possibilidades, algo que fica de certo ponto mascarado em função de ser o país sede. 

A preparação toda foi mal conduzida. Começou em 2010 com Mano Menezes, que não conseguiu criar uma base muito menos um time. Felipão assumiu em 2012 e só conseguiu mostrar resultados na Copa das Confederações em 2013, um torneio onde as seleções não dão tanta importância, o que superestimou a força do Brasil para a Copa do Mundo. Já na Granja Comary, ocorreram muitos holofotes, com treinos sendo seguidamente interrompidos em função de entrevistas para televisão, com ações sociais e outras coisas que serviram apenas para atrapalhar. 

Neste ano de intervalo, equivalente a uma temporada europeia, ocorreram transferências de jogadores do grupo campeão para o exterior, que resultaram na perda de seus ritmos de jogo, casos de Bernard e Paulinho. Marcelo, Neymar, Oscar e Fred sofreram lesões e ficaram um bom tempo parados, enquanto que Júlio César enfrentou problemas para conseguir um clube, tendo que ir para a Major League Soccer. Felipão se escorou em seus homens de confiança e procurou mantê-los no time até as últimas circunstâncias, por mais que as atuações mostrassem a necessidade de mudança. Fred, por exemplo, fez o Brasil parecer que jogava com um a menos todos os jogos. 

O Brasil de Felipão resumiu-se a tentar (porque, na realidade, sequer conseguiu) reproduzir a formação da Copa das Confederações, que acabou manjada pelos adversários, além de não conseguir repetir a marcação intensa e sob pressão do ano passado, o que aumentou ainda mais as dificuldades e reduziu as chances de sucesso. O planejamento seguia ao estilo “vida loka”, sem estudar o adversário e saber de suas principais virtudes. 

Além disso, não houve um plano de contingência para o caso de algo dar errado, deixando o Brasil a mercê que tudo de positivo na Copa das Confederações desse certo, além de Neymar brilhar cada vez mais. A Seleção Brasileira mostrou ao desavisado torcedor que o atraso técnico e tático chegou a sua equipe, e que a diferença em relação a Alemanha foi abissal. Até então, os culpados dos fracassos do Brasil nas últimas duas Copas eram facilmente elencados e eliminados, porém ainda havia um time e jogadores com capacidade para desequilibrar, o que dava esperanças para que um novo técnico assumisse e levasse a Seleção para o caminho certo. 

Porém veio uma geração perdida, a partir de 2006, e que nunca se firmou, havendo a necessidade de uma reformulação total a partir da Copa de 2010, que não foi planejada e que na realidade não aconteceu. Quantos jogadores da seleção atual jogariam em 2002, por exemplo? Imagino que muitos responderão Thiago Silva, David Luiz e Neymar. Os demais são bons jogadores, porém questionáveis, sem haver qualquer opção inquestionável que tenha ficado de fora.

Por outro lado, há uma restrição a treinadores estrangeiros no país, onde poucos clubes se aventuraram a importar um nome do mercado latino ou europeu, enquanto que aqueles que estão na elite do futebol brasileiro acabam se acomodando, em virtude do troca-troca assoberbado de clubes. Não há inovações táticas nem uma tentativa eficiente de adaptar algum modelo de sucesso no país, sem que se tenha que voltar a mesmice. 

A Alemanha chegou ao fundo do poço entre as Eurocopas de 2000 e 2004, tendo um vice-campeonato enganoso em 2002 que não mudou a ideia de reformular tudo no futebol, aproveitando ser a sede da Copa de 2006. Houve uma mudança drástica nas categorias de base, com profissionais qualificados garimpando jogadores e treinadores, que eram devidamente treinados para desempenhar seus papéis e evoluir, utilizando sistemas táticos mais simples e sem a preocupação de buscar o resultado em competições de base, e sim em formar jogadores capazes de jogar profissionalmente em seus clubes e na Seleção principal.  

Em 2006 a seleção deu mostras do que estava por vir, e ser semifinalista já foi um grande resultado, com o trabalho sendo mantido e ganhando consistência até que chega ao auge em 2014, quando é grande a possibilidade de conquistar o tetracampeonato no Brasil. Holanda e Suíça viram o sucesso e seguiram o caminho, surgindo a famosa geração Belga, que terá mais experiência na Copa de 2018, enquanto que a Suíça saiu do seu clichê defensivista, complicando a Argentina. Itália e Inglaterra também rumarão a este caminho, enquanto que o Brasil faz vistas grossas. 

O Futebol Brasileiro está atrasado e já faz pelo menos uns 4 anos que escrevo de forma insistente e preocupada em relação ao futuro. Já é um caso de extrema urgência, pois vários países já estão seguindo o caminho da evolução, enquanto que o Brasil cisma em apostar apenas na técnica de seus boleiros peladeiros, onde muitos não seriam considerados jogadores em vários centros. Os jogos do Brasileirão são fracos, com muitas faltas, quedas forçadas e pouca emoção, e que refletem indiretamente na Seleção, já que poucos jogadores conseguem se destacar a ponto de se consolidar nos grandes centros europeus. 

Que as manchetes de “pior resultado da Seleção Brasileira na história das Copas” ou “pior resultado em semifinais” ou ainda “pior eliminação de um país sede” sirvam para aumentar a discussão visando reformular o futebol brasileiro. Não foi apenas uma derrota. Foi um vexame para não ser mais esquecido, pois poderia ter sido a pior goleada da história das Copas se a Alemanha não tivesse piedade e jogasse sério ao longo dos 90 minutos.

Tanto Alemanha quanto Holanda e Argentina seguem na disputa pelo titulo. Projeto uma final entre Alemanha e Holanda, as duas grandes equipes desta Copa e cujo vencedor será merecidamente o campeão. Ao Brasileiro, resta aguardar 10 dias para o retorno do glorioso Campeonato Brasileiro....

sábado, 5 de julho de 2014

Holanda bate Costa Rica nos pênaltis


A Holanda foi a última classificada para as semifinais ao bater a Costa Rica nos pênaltis em Salvador. Não foi um jogo fácil, já que os holandeses enfrentaram a até então melhor defesa da Copa e que havia eliminado Itália e Inglaterra, e o time comandado por Van Gaal contou com o oportunismo do goleiro Krul, que entrou apenas para a disputa de pênaltis e foi decisivo com duas defesas. 

Van Gaal surpreendeu e escalou a Holanda em um 5-2-3, com Kuyt na ala direita e Blind na esquerda, que faziam linha com Sneijder e Wijnaldum no meio (3-4-3) quando o time estava com a bola. Como adversário, tinha o tradicional 5-4-1 costarriquenho, que apenas mudou o posicionamento entre Campbell e Bryan Ruíz, onde o primeiro jogou na ponta direita e o segundo mais centralizado, em função da velocidade de Campbell para recomposição.

Porém o jogo deixou a desejar em emoções, já que a Holanda tinha dificuldades para superar a retranca adversária, enquanto a Costa Rica ousava pouco, saindo poucas vezes para o ataque. O time holandês teve a posse de bola no meio-campo, porém só conseguiu levar perigo quando o time costarriquenho se animava e atacava com mais jogadores, e o time holandês conseguia recuperar a bola e sair com velocidade.

No segundo tempo, o jogo caiu ainda mais de ritmo, já que a Holanda não conseguia vantagem ofensiva e a Costa Rica não ousava, o que deixou o jogo medonho até a parte final da partida, após os 30 minutos, quando a Holanda tentou impor um gás para definir o jogo nos 90 minutos. Nesse período, o time europeu colocou uma bola na trave com Sneijder e contou com a muralha do goleiro Navas, que fez duas defesas importantes, e do volante Tejeda em cima da linha, em uma conclusão de Van Persie, que ainda acabou batendo no travessão.  

Prorrogação à vista, onde o time holandês nunca conseguiu avançar em Copas do Mundo. Foram quatro oportunidades, onde em três o time ficou no extra-tempo e em uma nos pênaltis. A Holanda estava melhor fisicamente, seguiu pressionando em busca do gol, criando chances e dando trabalho para Navas. Porém a Costa Rica também resolveu povoar mais o seu campo de ataque e teve suas primeiras chances na partida, já que até então não havia acertado nenhuma vez o gol de Cillessen.  

Van Gaal chegou a colocar o segundo centroavante, Huntelaar, deixando o time praticamente em um 4-2-4, e o time conseguiu acertar a trave mais uma vez com Sneijder, mas também viu a Costa Rica ter a melhor chance na partida com Ureña, obrigando Cillessen a fazer grande defesa.

Chegou os pênaltis, e a Costa Rica começou batendo, e perdeu a sua segunda cobrança com Bryan Ruiz e a quarta com Umaña, ambas defendidas por Krul, que entrou no último minuto da prorrogação apenas para participar da disputa de pênaltis. A Holanda teve 100% de aproveitamento com seus batedores mais experientes: Van Persie, Robben, Sneijder e Kuyt, garantindo a classificação para as semifinais, onde pegará a Argentina.

A Holanda é favorita para o confronto, pois conta com experiência e parece saber administrar melhor as condições físicas, além de ter um sistema defensivo com 5 jogadores que funciona muito bem. Por outro lado, a Argentina perdeu Di Maria, um de seus principais jogadores, e dependerá da individualidade de Messi para desiquilibrar. 

Argentina mostra competitividade e elimina Bélgica


A Argentina bateu a Bélgica e se classificou para as semifinais, onde pegará o vencedor entre Holanda x Costa Rica. Sem Aguero e perdendo Di Maria ainda na primeira etapa, a Argentina contou mais uma vez com a qualidade de Messi e da grande atuação de Higuaín para ficar entre os quatro melhores.

O time argentino não fez uma partida de encher os olhos do ponto de vista técnico, já que ainda apresentou muitos problemas, porém realizou com eficiência a tarefa de se defender com qualidade e sair nos contra-ataques, em jogada que favorece a arrancada de Messi, que por pouco não marcou um lindo gol no final, que daria uma vitória mais tranquila para os sul-americanos.

O lindo gol de Higuaín no início da partida (minuto 7), após uma tentativa de passe de Zabaleta desviada por Vertonghen, trouxe tranquilidade para o time sul-americano, que conseguiu propor o seu jogo e atormentar a Bélgica, que sentiu o gol e pareceu ter se intimidado por estar nas quartas-de-final contra a Argentina. Higuaín foi a grande válvula de escape do time, já que ganhou confiança com o gol e tentou fazer bem mais que o insosso centroavante dos últimos jogos.

O time belga pouco fez na primeira etapa, pois não conseguia produzir ofensivamente, além de ver a Argentina encaixar algumas jogadas rápidas e ter mais conclusões (6x4). Na segunda etapa, o time belga até conseguiu se soltar mais e ensaiar uma pressão nos minutos finais, porém sem criatividade e dependendo basicamente do abafa na grande área, quando até o zagueiro Van Buyten se juntou a Fellaini e a Lukaku para tentar vantagem.

Foto: ‏@fifaworldcup_pt
No fim das contas, ficou a impressão que a Bélgica chegou ao seu limite nas quartas-de-final. Faltou experiência para ir além, muito em função da juventude do time, cuja maioria dos jogadores estará no auge técnico na próxima Copa do Mundo.

Já a Argentina ainda não mostrou um grande futebol, apesar de mostrar-se competitiva. O time dependerá do diagnostico da lesão de Di Maria, que vinha sendo um dos principais jogadores do time, mas que não suportou uma lesão muscular. Sem ele, o time perde muita força técnica e tática, já que o jogador é polivalente, podendo jogar mais atrás ou bem aberto. O time mostrou confiabilidade da defesa, o que poderá ser um diferencial nesta reta final da Copa. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Brasil vence apertado, mas apresenta evolução


O Brasil se classificou para as semifinais com uma vitória apertada por 2x1 contra a Colômbia, e agora pegará a Alemanha. O jogo teve dois tempos distintos, já que no primeiro tempo o time mostrou evolução e com uma atuação ao estilo Copa das Confederações 2013 não deu espaços para o adversário, porém caiu de produção na segunda etapa e teve dificuldades.

Felipão mostrou definitivamente que não iria morrer abraçado com seus jogadores de confiança, e por isso, tirou o comprometedor Daniel Alves para colocar Maicon, que já trouxe uma melhor resposta na lateral direita. No meio colocou Paulinho no lugar de Luiz Gustavo, e o jogador se acertou ao lado de Fernandinho e conseguiu voltar a mostrar a sua importância na Copa das Confederações e foi um dos destaques da partida, principalmente em função do primeiro tempo, quando comandou a transição e participou ativamente da vitória.

O Brasil conseguiu reproduzir algumas virtudes que lhe fizeram campeão da Copa das Confederações, como a marcação intensa no campo do adversário, transição mais rápida para o ataque e o gol cedo, que traz tranquilidade e intimida o adversário.  O gol saiu logo aos 6 minutos, em uma cobrança de escanteio que contou com o vacilo da defesa colombiana que deixou Thiago Silva livre no segundo pau para marcar. Thiago Silva teve contribuição importante, pois também salvou um contra-ataque de quatro colombianos contra dois brasileiros, porém se afobou no segundo tempo, atrapalhou o goleiro Ospina em uma reposição de bola e acabou levando um amarelo, que o suspendeu para as semifinais.

Fotos: @fifaworldcup_pt 
A Colômbia era muito bem marcada, e seus principais destaques da campanha na Copa, Cuadrado e James Rodríguez, foram muito bem marcados. Fernandinho foi o grande destaque da partida, pois além de anular o principal jogador colombino, também contribuiu na transição e serviu de suporte para os avanços de Paulinho, o que deixou o Brasil muito mais perigoso em relação aos demais jogos.

No meio, Hulk foi deslocado para a esquerda, pois ajudava na marcação contra Cuadrado, enquanto que Oscar e Neymar alternavam o posicionamento, permitindo que o craque brasileiro pudesse se adiantar e se juntar a Fred no ataque, este mais uma vez omisso ofensivamente, porém serviu defensivamente para ajudar na bola aérea no final da partida, quando a Colômbia tentou pressionar.

O segundo tempo brasileiro não foi tão brilhante quanto o primeiro, pois o time não aguentou fisicamente e não conseguiu mais a intensidade de marcação, o que permitiu que a Colômbia ficasse mais com a bola e encontrasse mais espaços. Porém faltou criatividade para o adversário brasileiro, que não conseguia ultrapassar a quase que intransponível defesa brasileira, enquanto que na frente, outro zagueiro, David Luiz, praticamente decidiria o jogo a favor da Seleção Brasileira ao cobrar com perfeição uma falta da intermediária no ângulo de Ospina.

Mas a Colômbia ainda conseguiria um pênalti aos 34, quando Júlio César derrubou Bacca quando o jogador colombiano tentou driblá-lo. Lance passível de expulsão, por ser de iminente situação de gol, mas o árbitro Carlos Carballo não expulsou, assim como não expulsou Zuniga posteriormente por uma entrada criminosa em Neymar, que tirou o brasileiro do jogo direto para o hospital para fazer exames, em mais uma preocupação brasileira para a semifinal. James Rodríguez cobrou e descontou, marcando seu sexto gol na Copa, terminando a sua participação como goleador isolado. 

Carballo teve uma péssima atuação e deixou o pau comer solto, tanto que o jogo terminou com 53 faltas, sendo 30 do Brasil. Os brasileiros têm motivos para reclamar, como a não expulsão na entrada de Neymar, porém, na minha visão, foi a Colômbia a mais prejudicada, pois o Brasil usava as faltas para parar jogadas e não era punido, o que de certo ponto intimidou os colombianos.

De positivo, fica a evolução brasileira em um momento oportuno, pois até então, o Brasil havia se classificado “nas coxas”, com atuações sofríveis mascaradas por erros de arbitragens e da individualidade de Neymar. Porém, hoje, enfim vimos um time, que buscou se espelhar no “case” de sucesso da Copa das Confederações. Como escrevi no twitter, se o Brasil repetir a atuação do 1º tempo e a arbitragem continuar conivente com a estratégia defensiva em parar o adversário com faltas sem punições, a Seleção já poderá se considerar hexacampeã. 

A semifinal promete ser o jogo mais difícil da Seleção Brasileira, já que tenho o time alemão como o melhor do mundo, apesar de ainda não conseguir demonstrar isso na Copa, por razões de clima, desgaste físico e fim de temporada. Estas dificuldades diminuem o favoritismo alemão, porém será necessário repetir o 1º tempo contra a Colômbia. 

Copeira Alemanha mostra estar pronta


A Alemanha é a primeira semifinalista da Copa do Mundo 2014, após vencer a França por 1x0 no Maracanã, mostrando a fama copeira de chegar a 13ª semifinal em 18 participações de Copas.

Ambos os times entraram com modificações em relação aos últimos confrontos, onde tanto França quanto Alemanha tiveram dificuldades para avançar. A França colocou Griezmann como titular ao lado de Benzema e Valbuena no ataque, enquanto que a Alemanha colocou Klose no lugar de Gotze, deslocando Müller para o flanco e ainda com a escalação de Lahm como lateral direito.

O gol saiu logo aso 13 minutos, em mais uma grande participação de Hummels no ataque, marcando o seu segundo gol na Copa, após falta cobrada por Kross. No mais, o time alemão não foi brilhante do ponto de vista ofensivo, e acredito que não conseguirá demonstrar isso na Copa, em virtude do cansaço físico em função do calor e do horário ingrato da maioria das partidas.  Em virtude disso, o time segurou mais a bola, enquanto que a marcação funcionou com intensidade, com Löw conseguindo compactar as linhas e dificultando a saída de jogo francesa. 

Foto: @fifaworldcup_pt
No único momento de desajuste, que foi na parte final da primeira etapa, a França teve as suas melhores chances na partida, que a deixou no primeiro tempo com maior número de conclusões que a Alemanha (7x2). Porém o time francês pouco conseguiu fazer no segundo tempo, e teve uma chance clara apenas com Benzema já nos acréscimos, quando Neuer fez uma grande defesa.

A França mostrou mais qualidade ao longo da Copa, porém a Alemanha é um time mais pronto, e mostrou o poder da camisa para eliminar o adversário. O time alemão apresenta alguns problemas durante este mundial, como dificuldades na transição contra equipes mais fechadas e falta de intensidade ofensiva, porém é mais completo e será um adversário mais difícil para o Brasil (se passar) nas semifinais. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Bélgica elimina Estados Unidos em jogo espetacular


Em um dos jogos mais espetaculares da história das Copas, a Bélgica eliminou os Estados Unidos por 2x1 na prorrogação, depois de um 0x0 no tempo normal. Porém não foi um 2x1 qualquer, já que os expectadores foram contemplados com 52 conclusões em 120 minutos, sendo que a grande maioria (38) foi da Bélgica, que fez justiça a sua classificação, e consagrou o goleiro Howard, que terminou a partida com incríveis 16 intervenções.

O primeiro tempo não teve tantas conclusões, porém foi dinâmico e já mostrou a superioridade da Bélgica, que logo no primeiro minuto já deu trabalho para Howard. O time belga se movimentava muito bem, com De Bruyne e Hazard bastante participativos, o que contribuía para a criação de jogadas. Já os Estados Unidos tiveram maior tempo de posse de bola ao longo de toda a primeira etapa, porém chegaram apenas duas vezes ao gol.

O time americano mostrava inferioridade física em função das longas viagens e de jogos no calor, e ainda perdeu um dos seus principais jogadores, o lateral direito Johnson com lesão muscular aos 31 minutos do primeiro tempo. Em função deste prejuízo físico, os Estados Unidos procuraram guardar suas energias para a marcação, o que dificultou o jogo belga no primeiro tempo.

Fotos: @fifaworldcup_pt
Na segunda etapa, o gás americano foi acabando, abrindo espaços para a Bélgica trabalhar a bola e criar chances. Foi um verdadeiro massacre, pois nos 45 minutos da segunda etapa, a Bélgica finalizou 21 vezes, sendo que o goleiro Howard foi responsável por pelo menos sete grandes defesas, além de uma bola na trave de Origi. As chances eram fruto da intensa movimentação ofensiva, formada por De Bruyne, Hazard e Origi, que abriam espaços e possibilitavam o arremate. Os Estados Unidos pouco atacaram, dependeram muito de Howard para levar o jogo para a prorrogação, porém tiveram uma chance de ouro para eliminar o adversário já aos 47 minutos com Wondolowski.

Na prorrogação, Wilmots apostou na entrada de Lukaku, que começou a Copa como titular, mas que perdeu espaço para Origi. O substituto teve participação decisiva, já que no primeiro minuto da prorrogação, levou vantagem em jogada pela direita e serviu De Bruyne para chutar cruzado e marcar 1x0. A Bélgica seguiu pressionando, e exigiu pelo menos mais três defesas importantes de Howard. O time viria a marcar o segundo aos 14, quando De Bruyne devolveu a gentileza para Lukaku concluir e marcar, coroando a sua boa entrada, que deverá reconduzi-lo a condição de titular.

O jogo parecia decidido, com os Estados Unidos totalmente batidos e sem forças físicas e psicológicas para reagir. Porém o time norte-americano tirou forças de onde não tinha para fazer um grande segundo tempo e intimidar a Bélgica, já que logo no primeiro minuto Green, que havia entrado ao decorrer da prorrogação, recebeu um lançamento magistral de Bradley para descontar, e recolocar o time no jogo. A equipe yankee teve mais duas grandes oportunidades para empatar e levar aos pênaltis, porém Wondolowski e Dempsey desperdiçaram, sendo que a conclusão do atacante foi oriunda de uma jogada ensaiada sensacional, que pegou a zaga belga desprevenida. 

No fim, a vitória da Bélgica estabeleceu justiça à partida, já que o time fez o seu melhor jogo na Copa e massacrou o adversário com o grande segundo tempo. A jogada de aproximação entre as peças ofensivas funcionou, o que torna promissor o jogo contra a Argentina, onde o time sul-americano terá o primeiro adversário forte nesta Copa. Eu esperava um bom futebol da Bélgica, já que sou fã de carteirinha da Premier League, onde jogam os principais destaques belgas, como  Hazard, Vermaelen, Kompany, Fellaini, Dembélé, Mirallas e Januzaj. 

Já os Estados Unidos voltam para casa com a sensação de dever cumprido, apesar das chances perdidas na segunda etapa que poderiam ter mudado a história da partida e o classificado. Porém o time yankee mostrou evolução sob o comando de Jürgen Klinsmann, e poderiam ir mais longe se não fosse o desgaste físico pelo acúmulo de viagens, já que a seleção foi uma das que mais viajou, e num cenário de futebol cada vez mais intenso, o fato de estar limitado fisicamente foi um agravante. O Soccer está em plena ascensão no país norte-americano, ganhando cada vez mais telespectadores e adeptos, o que poderá transformar o país em um dos grandes centros do esporte em um médio prazo.

Argentina bate Suíça no sufoco e se classifica


A Argentina sofreu, mas conseguiu vencer a Suíça por 1x0, gol de Di Maria, após grande arrancada de Messi já nos minutos finais da prorrogação, e agora aguarda pelo vencedor entre Estados Unidos x Bélgica para o confronto das quartas-de-finais.

Desde o primeiro tempo, a Argentina viu que teria muitas dificuldades ao longo da partida, já que a Suíça conseguiu encaixar a marcação, compactando as linhas e diminuindo os espaços da Argentina, que com a falta de criatividade, atacou pouco e sem perigo. A Suíça ainda encaixava contra-ataques e teve as melhores chances da primeira etapa, uma com Xhaka aos 27, recebendo na marca do pênalti um cruzamento de Shaqiri e exigindo grande defesa de Romero. O outro grande lance suíço foi aos 38, quando Shaqiri serviu Drmic, que livre tentou encobrir o goleiro Romero, mas foi displicente na conclusão.

A Argentina foi melhorar somente na segunda etapa, começando a levar vantagem ofensiva nos primeiros minutos, e chegando até a ensaiar uma pressão ao longo do segundo tempo. O time argentino conseguiu várias finalizações na segunda etapa (20 contra 5 do 1º tempo), e a figura do goleiro suíço Benaglio começou a brilhar, com grandes intervenções na cabeçada de Higuaín e em chute de Messi. A Suíça teve pouca vantagem ofensiva, e praticamente apenas se defendeu na segunda etapa. 

Fotos: @fifaworldcup_pt
Como a Argentina não conseguiu o gol no tempo regulamentar, a partida foi para a prorrogação, onde o ritmo da partida caiu drasticamente e a Suíça parecia mais inteira fisicamente, tratando de controlar o meio-campo com o domínio da posse de bola, além de tentar atacar e levantar gritos de “olé” por parte do torcedor brasileiro. Já o adversário sul-americano esteve apático no primeiro tempo, só vindo a melhorar no segundo, quando tentou a sua primeira finalização no tempo extra.

Aos 12 minutos da prorrogação, quando já projetava-se pênaltis, Messi mostraria mais uma vez porque ganhou o titulo de melhor do mundo por quatro anos consecutivos, ao recuperar uma saída de bola errada da Suíça na linha central, arrancar por praticamente todo o campo de ataque e servir DI Maria na direita para dar um chute seco para o gol. 

A Suíça não se entregou e foi com tudo para o ataque, inclusive com o goleiro Benaglio, que participou da jogada em que Dzemaili perdeu um gol incrível, ao receber livre um cruzamento e finalizar na trave, com a bola voltando na sua perna e indo para fora. A Argentina aproveitou uma série de lances na sua área, que contava com a presença do goleiro suíço para tentar um golaço por cobertura do meio-campo com Di Maria, porém a bola passou perto. Já nos 19 minutos da prorrogação mais longa que vi, a Suíça teve uma falta para cobrar na meia-lua, porém Shaqiri acertou a barreira e o árbitro terminou o jogo.

Classificação argentina na base do sufoco, mostrando pouco futebol e muitas dificuldades, assim como foram os demais favoritos até agora. A Copa de 2014 está mostrando que não há nenhum time totalmente pronto para driblar seus problemas técnicos e físicos e se consolidar como favorito ao título, porém a Argentina conta com Messi, o que é expressivo, já que o jogador marcou gols nas três primeiras partidas, além de decidir nas oitavas-de-final com um passe açucarado.