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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Eliminação do Cruzeiro finaliza péssima Libertadores do Brasil

Nesta quarta-feira, o Cruzeiro precisava reverter o placar de 1x0 a favor do San Lorenzo conquistado na primeira partida para continuar na disputa da competição sul-americana. Acabou surpreendido no início da partida e não conseguiu, sacramentando a eliminação do único representante vivo do país na competição, deixando as semifinais sem representantes brasileiros.

Depois das três eliminações na primeira fase, recorde negativo do país na história recente da competição, o Brasil ainda quebra mais dois tabus com a péssima campanha de 2014. Pela primeira vez desde 2004 um representante brasileiro não estará na final, enquanto pela primeira vez desde 1991, não há um brasileiro entre os quatro melhores. Tudo isso no ano da Copa no país, e onde o futebol local passa por severas críticas quanto a qualidade dos espetáculos. 

Apesar de ter feito uma péssima campanha na primeira fase e se classificado com uma reação no último suspiro contra o Universidad do Chile e o Real Garcilaso, o time mineiro concentrava as maiores expectativas do país na competição, em virtude de ter sido o único que mostrou lampejos de bom futebol no segundo semestre do ano passado, o que lhe deu um título brasileiro com certa facilidade. Porém o time demorou a engrenar, e quando se imaginava que iria rumar ao título, o Cruzeiro não conseguiu segurar o time argentino no jogo de ida, além de sofrer um gol logo aos 9 minutos de jogo, que minimizou com qualquer poder de reação do time mineiro, que ainda viria a empatar a partida no segundo tempo.

EFE/UOL
Os números do país na competição são bons, tendo em vista que conquistou os últimos quatro troféus, além de conseguir um predomínio na competição em virtude da capacidade econômica dos clubes em relação ao resto do continente. Como exemplo, levantado pelo jornalista Carlos Mansur, o orçamento do Bolívar que aprontou contra o Flamengo na primeira fase é quase 50 vezes menor (R$ 340 milhões contra R$ 7 mi dos bolivianos), enquanto que a média orçamentária de outros times é na casa dos 10 milhões, o que contrasta com os mais de 100 milhões que os grandes clubes faturam no país, chegando na casa dos 300 como o Flamengo. 

Quando afirmo que o país fez a sua pior campanha na Libertadores da história eu não estou apenas amparado por números (que até me contradizem, em virtude de péssimas campanhas no passado),  mas sim por qualidade do futebol e pela brutal diferença econômica entre os clubes. O futebol mostra que dinheiro não ganha jogo, porém esta premissa é apenas uma exceção, tendo em vista que apesar do futebol medonho apresentado nesta temporada pelos times brasileiros, ano que vem veremos um representante do país forte na Libertadores.

A verdade é que ano após ano o nível técnico do futebol brasileiro está decaindo, apesar do incremento significativo de receita por parte dos clubes. Não temos grandes evoluções táticas, enquanto a qualidade técnica está minguando, ao ser preterida nas categorias de base pela força e capacidade física. Alia-se a isso o fato de os dirigentes não terem critério na hora de contratar, além de onerar seus clubes com o pagamento de transações e salário por um valor acima do mercado, o que acaba gerando dividas e atraso no pagamento dos atletas e dos fornecedores.

EFE/UOL
Em campo, temos um jogo que se distancia cada vez mais do praticado na Europa, com poucas variações táticas, ausência de intensidade e de compactação do time, além de um jogo basicamente dependente da bola parada ou de erros da defesa adversária. Para complicar, até o envolvimento técnico de jogadores capazes de decidir partidas na habilidade com seus dribles minguou, fruto de uma mudança de visão nas categorias de base, preocupadas em gerar jogadores para exportação, mas que poucos efetivamente interessam ao mercado europeu. A falta de comprometimento tático faz com que os jogadores ganhem apelido de peladeiros, por não terem leitura de jogo e procurarem sempre se atirar, com poucos conseguindo reverter esta condição e crescer taticamente já nos gramados europeus. 

A Copa está se aproximando, e com ela virão os bons jogos, que o torcedor brasileiro não está acostumado a assistir. Muitos já possuem TV por assinatura e desfrutam das ligas nacionais como a Premier League, Bundesliga e La Liga, além das ligas europeias como a Europa League e a Champions League (que até passa na TV Aberta), porém grande parte dos brasileiros ainda só tem acesso ao futebol nacional. Os dirigentes deveriam aproveitar esta época para reunir-se, buscar conhecimento e um plano de gestão que melhore a qualidade do futebol praticado no Brasil. 

O país não precisa de muita coisa para se destacar na América Latina, cujos clubes adversários são limitados por fatores econômicos, porém perde a chance de ter uma liga de referência no continente, que poderia atrair mais investimentos e visibilidade, capaz de trazer jogadores de outros centros e aumentar a qualidade local. Porém para que isso aconteça é necessário que o país tire o rotulo do coitadismo, e passe a acreditar mais nos seus valores. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Eliminações expõem fraco futebol atual no Brasil

Nesta quinta-feira, o Atlético-MG empatou em 1x1 contra o Atlético Nacional da Colômbia e acabou eliminado da Libertadores, deixando apenas o Cruzeiro como representante único do país na competição.

Dos seis representantes do país, três ficaram na fase de grupos e dois nas oitavas-de-final, e agora, assim como foi com o Santos em 2011, o Brasil terá apenas um representante nas quartas-de-finais, o que é um verdadeiro vexame se compararmos a diferença econômica dos clubes brasileiros para com os latinos, como já abordei extensamente neste post (clique aqui) e que não convém ser repetido, mas que caracteriza a obrigação de vitória dos representantes do país na competição.

É em função desta discrepância econômica que dá aos brasileiros um poderio incomparável em montar elencos qualificados em relação aos demais latinos que aponto o Cruzeiro como favorito para esta Libertadores, pois é tecnicamente o melhor time que ainda disputa a competição. Eu sei que somente técnica não ganha jogo, mas se olharmos a tradição dos times que restaram na competição, seus orçamentos, seu estádios acanhados, vemos que pega mal o fato de dirigentes dos clubes brasileiros valorizarem demasiadamente seus adversários, que tecnicamente regulam aos interioranos que vemos nos estaduais, com técnicos mais bem qualificados e maior disposição para brigar pelas vitórias.

O futebol brasileiro necessita de uma reciclagem urgente, pois as negociações de jogadores e treinadores atingiram um círculo que não leva a lugar nenhum. É só olharmos as últimas transferências, de relegados de um clube que surgem como solução para outro, e que muitas vezes acabam atrapalhando ascensão de garotos, que se bem trabalhados poderiam dar melhor resposta e gerar dividendos futuros. A mesma coisa falo com relação aos treinadores, já que não vemos muitas revelações surgindo, com os clubes sempre procurando recorrer aos “dinossauros” para tentar justificar planejamentos ruins e ganhar respaldo através de seus títulos passados.

Qual a chance de surgir um Simeone (atual técnico do Atlético de Madrid) no Brasil? Antes de atingir o sucesso como treinador, Simeone desenvolveu a sua carreira no futebol argentino para depois treinar o modesto Catania. Qual treinador brasileiro aceitaria treinar o Catania para ampliar seu conhecimento?  Muitos vão falar que o problema é a língua, mas e em Portugal, porque não vemos treinadores brasileiros lá?

Eu acompanho o futebol europeu e vejo as tendências táticas que os clubes tomam para ter um padrão de jogo consistente, além de aperfeiçoar tecnicamente os jogadores. Atualmente vemos uma salada de números como o 4-2-3-1, 4-1-4-1, 4-3-3, 4-4-2, dentre outros. Cada treinador opta pelo esquema que otimiza seu plantel, porém em todos vemos compactação, intensidade para atacar bem como uma recomposição rápida. Porém isso não acontece no Brasil, onde os times já entram pensando no anti-jogo, em um ritmo lento, truncado, e cujos percentuais de bola rolando não atingem o mínimo recomendado pela FIFA.  Todos os times são espaçados, por onde se criam oportunidades em virtude dos erros individuais, sempre com a predisposição do jogador em praticar o anti-jogo, isto é, cair para simular falta.

Essa mentalidade técnica dos jogadores e falta de aperfeiçoamento tático dos treinadores deixam o futebol brasileiro mais pobre, além das tradicionais transferências dos melhores jogadores e do amadorismo dos dirigentes, que viraram reféns dos empresários que detém o poder de colocar jogadores nos clubes em troca de uma ajuda quase sempre necessária em tempos difíceis, quando o clube não tem dinheiro e precisa dos profissionais para montar elencos. Isso não é um privilégio dos times brasileiros, e acontece até com maior força no futebol latino, porém ainda não vemos essa interdependência no futebol Europeu.

Quando o Brasil fracassa na Libertadores não há nem como atribuir o mérito aos times latinos, pois os vizinhos tem muitas dificuldades para montar equipes minimamente competitivas com seus orçamentos modestos Basta ver os jogos das oitavas-de-finais, com os 16 times teoricamente mais fortes. Quantos estádios eram acanhados similares aos vistos nos nossos Estaduais? E a folha de pagamento dos clubes? Não estamos falando em metade ou um terço do orçamento brasileiro, mas em 30 a 50 vezes menor. 

Nas quatro ultimas edições do Mundial de Clubes, o representante africano bateu o sul-americano duas vezes, o que gera questionamentos quanto a justiça do representante da Libertadores começar nas semifinais, juntamente com o representante europeu. Os títulos do país na competição foram totalmente circunstanciais, pois nossos representantes pegaram times europeus desmobilizados com a importância da competição, além de enfrentar desfalques e estarem focados em outras competições prioritárias. Para um Europeu, o Mundial tem o peso de um Estadual, isto é, tem importância, porém não é o foco.

Eu acredito que se o Brasil valorizasse mais suas competições nacionais locais, profissionalizando a gestão dos campeonatos e principalmente a dos clubes, surgiria uma liga de referência para a América Latina e que poderia atingir a Europa e Ásia, em virtude dos horários diferenciados. Os resultados mostram que não basta apenas se vangloriar dizendo que é o melhor do continente, já que o futebol dos outros centros cresce. Porém é cultura no país utilizar o pensamento de um vira-lata, procurando compara-lo à mesmice. 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Grêmio foi eliminado da Libertadores. E agora?

Nesta quarta-feira, o Grêmio perdeu nos pênaltis a vaga para as quartas-de-final da Libertadores, deixando prematuramente a competição e encerrando o projeto de 2014, que era basicamente focado na competição sul-americana. 

Eliminação de certa forma merecida, pois o time argentino jogou melhor, e sofreu o gol em uma de suas poucas falhas defensivas. O Grêmio não conseguiu superar as adversidades, e mostrou que falta qualidade ao time e opções ao elenco, dependendo muito mais da individualidade dos jogadores. A eliminação também pode ser explicada por motivos táticos, já que o Grêmio apresentava pouca variação e movimentação, buscando quase sempre centralizar as jogadas e que facilitava a defesa do San Lorenzo.

Enderson Moreira não errou na escalação, pois tirou Ramiro e promoveu a volta de Luan, deixando o time mais ofensivo. Porém Luan e Zé Roberto não foram bem, e acabaram sacados na segunda etapa por Rodriguinho e Maxi Rodrigues, que melhoraram um pouco o time, mas não o suficiente para reverter o escore nos 90 minutos. Ao longo do primeiro tempo e de parte do segundo, o tricolor dependeu quase que exclusivamente da movimentação de Dudu e da vantagem individual de Barcos sobre a defesa argentina, já que o argentino teve duas chances de gol na primeira etapa.

No mais, o Grêmio tinha muitos problemas na saída de bola e na aproximação dos jogadores, já que apenas o lado esquerdo funcionava com a chegada de Wendell e da movimentação de Dudu. O time argentino se defendia bem no 4-4-2 com as famosas e ortodoxas duas linhas de quatro jogadores, o que exigia movimentação e alternativas da parte gremista para driblar o esquema e surpreender o adversário, o que não aconteceu.

No segundo tempo, o nervosismo foi tomando conta do Grêmio, o que deixava o San Lorenzo ainda mais à vontade para adiantar a marcação e manter a posse de bola no campo de ataque. No início, o time argentino conseguia recompor-se agilmente quando necessário, chegando até a ter uma grande chance para matar o confronto, porém foi cansando ao longo do jogo, e foi em um lance de falta de recomposição que o Grêmio encontrou espaços na direita com Rodriguinho, que cruzou para Dudu marcar o gol que levava o jogo pelo menos para os pênaltis.    

AI Grêmio
Naquela altura, resolver o jogo nos 90 minutos era melhor negócio para o Grêmio, já que o adversário estava inferior fisicamente, porém o time argentino conseguiu levar aos pênaltis, onde prevaleceu a competência nas cobranças, já que todos os jogadores do San Lorenzo converteram, enquanto que Barcos e Maxi desperdiçaram para o Grêmio, em grande atuação do goleiro Torrico. Ficou a impressão que o Grêmio não se preparou para a disputa das penalidades, pois os jogadores não estavam concentrados, a ponto de Barcos, cobrador oficial, bater mal e errar.

Nesta quinta, é dia da pílula do dia seguinte no vestiário gremista. Enderson Moreira continuará juntamente com o departamento de futebol? A tendência é de saída, após o clima de despedida que fora revelado após a partida, nos poucos discursos melancólicos do pós-jogo.  E no grupo? Há muitas criticas para Pará e Barcos. O primeiro vem comprometendo sistematicamente e mostra ser um lateral insuficiente, enquanto que o pirata é marcado pelo seu alto salário, e mesmo fazendo uma boa partida, sendo um dos melhores do time, ficou marcado pelo pênalti perdido e pelo seu péssimo 2013. 

Impressionou-me a passividade na qual o staff gremista aceitou a eliminação precoce, responsabilizando o fato de ter dado atenção ao Gauchão. Em 2013 eu lembro que o fato de não ter dado importância ao estadual Gaúcho foi uma das desculpas para a má campanha, já que a equipe titular havia jogado pouco, então a contradição de argumentação de um ano para o outro não me serve, até porque o último titulo oficial do Grêmio já vem do longínquo 2010, o que é muita coisa para um clube da grandeza do tricolor gaúcho.

O Grêmio mostra que planejou mal ou que superestimou seu 2014, tendo em vista que o grupo no início da temporada era modesto e Enderson conseguiu montar um time. O treinador mostrou ontem e nos Gre-Nais que ainda não está preparado para enfrentar decisões com a cobrança de um time grande, já que vacilou principalmente nos Gre-Nais nas suas escolhas de escalação. Ontem sua responsabilidade foi a de não conseguir encontrar soluções para surpreender o adversário, porém esta precisa ser solidária com a direção gremista, que se planejava um 2014 vitorioso, necessitava fornecer maior qualidade no elenco, algo que faltou nos momentos decisivos e que exime a exclusiva responsabilidade do treinador.  

O Grêmio enfrenta dificuldades financeiras desde a migração para a Arena em virtude de um perverso contrato, que toma tempo e forças de seus dirigentes. Há informação de direitos de imagem (complemento salarial) atrasados, o que facilmente tira o foco dos jogadores. Por outro lado, há uma torcida que não vê o time ganhar um titulo importante há 13 anos, e que vive da esperança de um próximo ano melhor, depois de boas campanhas no Campeonato Brasileiro que levam o time para a Libertadores. Não seria melhor o time encarar a realidade e tentar recuperar a supremacia do Inter no Gauchão e focar na Copa do Brasil? Os torcedores precisam de títulos e não de promessas.

Para o restante de 2014, o Grêmio já tem certa a saída de jogadores, como Wendell, Ramiro e Bressan. Resta saber se precisará se livrar de mais alguns jogadores, mas precisará de reforços em praticamente todos os setores, já que o que mostrou até agora é insuficiente para uma competição longa como o Brasileirão, que precisa de opções no elenco para driblar os constantes desfalques. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Entenda porque o nível da Libertadores está mais baixo

Há anos, na era das redes sociais, tenho acompanhado um processo de desmerecimento aos clubes que disputam a Copa Libertadores, principalmente em relação a crítica partida dos torcedores de clubes que não participam da competição. Algo natural, já que no Brasil o torcedor é extremamente passional, a ponto de perder a noção da realidade e da moralidade para defender os interesses de seu time.

Depois de anos ouvindo as mesmas exclamações, procurei pensar melhor sobre o tema e cheguei à conclusão que há sim um processo de enfraquecimento da competição como um todo, pois há muita distância técnica e financeira entre os times brasileiros comparados com os latinos (exceção aos mexicanos), onde nem a aplicação tática e a conhecida garra latina estão sendo capazes de competir. 

Olhando para a tabela dos últimos 10 campeões, notamos que em apenas uma final não houve a participação de Brasileiros (2004), quando fora realizada por Boca Juniors x Once Caldas (COL), sendo que o time colombiano eliminou o São Paulo nas semifinais. Nos demais 9 anos com participações brasileiras em finais, os representantes do país sagraram-se campeões em 6 oportunidades, chegando a disputar duas finais consecutivas entre brasileiros. Nas últimas quatro edições do torneio, quatro times brasileiros sagraram-se campeões, sendo que o Atlético-MG e o Corinthians faturaram pela primeira vez a competição, o que mostra o domínio brasileiro e que acaba tornando um argumento de desmerecimento por parte do torcedor rival. 

Se continuarmos desmembrando a cada década, veremos que entre 1994 e 2003 o futebol brasileiro conquistou 4 títulos contra 5 da Argentina, enquanto que de 1984 a 1993 apenas o São Paulo com seu bicampeonato conquistou títulos para o país.  São vários os motivos que explicam esta tendência de abrasileiramento da competição, que vão desde financeiros, bem como um maior foco do país na Libertadores, já que anteriormente o futebol local valorizava mais seus estaduais e os nacionais.  
  • O Aumento do Número de Participantes
Até a edição de 1999, a competição era formada por 21 representantes, sendo um deles o Campeão do ano anterior que entrava nas oitavas-de-finais. Havia uma disputa de países, pois os dois representantes de cada país na primeira fase ficavam no mesmo grupo, e disputavam contra a dupla de representantes de um outro país. Assim, com um grupo tão seleto de equipes, havia menor espaço para a mediocridade.

A partir de 2000, o número de participantes subiu para 32 (8 grupos de 4), com o aumento para 4 Brasileiros e Argentinos e 3 dos demais países, com exceção da Venezuela e do México (efetivado na fase de grupos), estes com 2. Em 2004, novo aumento de participantes, agora para 36, com 9 grupos de 4, e a partir de 2005, o formato atual com 44 times, sendo 12 em uma repescagem que se junta aos 26 restantes em uma fase de grupos com 32 times (8 grupos de 4). 

Com o dobro de participantes da era clássica, a Conmebol optou pela democracia na política da boa vizinhança ao invés de privilegiar os melhores.
  • A era dos pontos corridos e o fortalecimento econômico no Brasil
Com a adoção dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro em 2003, o calendário brasileiro passou a ficar mais previsível, o que facilitou um maior planejamento e alcance para obtenção de novas receitas. A televisão passou a pagar mais, as vendas de  pay-per-view difundiram-se, enquanto os clubes obtiveram maiores receitas de ingressos e do programa sócio torcedor, já que virou vantajoso associar-se ao clube para assistir a um número maior de jogos. 

Houve, também, o crescimento da economia brasileira, que impulsionou em valores mais vantajosos de patrocínios na camisa, além do fator Copa do Mundo que atraiu muitos investidores desde 2007, quando o país soube que sediaria a Copa. No fim das contas, um clube brasileiro tem um poder de investimento exponencialmente maior que o de um latino. 
  • Lei Bosman, Cota de Estrangeiros e Interesse Europeu nos jogadores sul-americanos
Até meados da década de 1990, um clube europeu poderia ter um limite máximo de estrangeiros, restrição que ainda persiste, só que de forma menos exigente, permitindo mais estrangeiros. A diferença é que até a Lei Bosman, um jogador de outro país da Europa era considerado estrangeiro, o que dificultava as transferências de jogadores de outros continentes, como o sul-americano. Com isso, apenas os principais jogadores do continente tinham mercado na Europa. Após a Lei de Bosman, que tirou as restrições entre países comunitários, ficou mais fácil um jogador sul-americano ser negociado, o que aumentou o interesse europeu nestes jogadores. Hoje vemos muitos equatorianos, chilenos, paraguaios e uruguaios jogando em clubes europeus. 

Sem conseguir competir economicamente, todos os times perderam os grandes e bons jogadores, porém como o Brasil tem maior poderio econômico no continente, consegue ainda segurar suas revelações por mais tempo, além de desfalcar seus adversários com contratações de destaques que jogam em equipes latinas, como uma ponte para a Europa. Para piorar para os clubes latinos, em 2014 a CBF aumentou o limite de estrangeiros de 3 para 5 jogadores, que um clube brasileiro poderá escalar nas competições nacionais. Na Libertadores não existia esta restrição, porém os clubes que detinham numero maior que o limite (Inter, Grêmio), sempre tiveram problemas em administrar o elenco ao longo da temporada.
  • Crescimento do futebol na Ásia e América do Norte
Além do maior interesse europeu, o futebol cresceu economicamente na Ásia, surgindo novos mercados para os jogadores sul-americanos sem mercado na Europa, como o Japão, China, Coréia e Oriente Médio, que podem pagar salários maiores que os clubes sul-americanos. Ainda há o futebol norte-americano, com muitas transferências para o México e para os Estados Unidos na MLS (Major League Soccer), tornando-se outro ponto atraente de refugio para o jogador sul-americano e desfalcando ainda mais os clubes do continente, principalmente os latinos.
  • Enfraquecimento dos Grandes clubes Latinos
Outro argumento que também pesa para a queda do nível da competição é o enfraquecimento de grandes potências na competição, como Peñarol e Nacional do Uruguai, Boca Juniors, River Plate e Independiente da Argentina, Barcelona e América da Colômbia, Universidad Católica e Colo-Colo do Chile, dentre outros. 

Eventualmente algumas destas equipes têm representado seus países na competição, porém sem a mesma força de antes, em virtude da maioria estar em situação falimentar e não conseguir fazer a transição natural das transferências, que é de clubes pequenos para médios, de médios para grandes do continente, e assim para exterior. 

Clubes pequenos e sem tradição, com o apoio de empresários, conseguiram organizar-se a ponto de conquistar a vaga para a competição, e todo ano, presenciamos “novidades” na competição, com seus estádios acanhados, que contrastam com os campos brasileiros. 
  • Mudança de Pensamento dos Dirigentes Brasileiros e Fim do Clima de Guerra
Por muito tempo, a Libertadores conviveu com clima bélico dentro de campo, com várias batalhas campais protagonizadas pelos times latinos, principalmente os argentinos. Não é atoa que o país ainda detém o maior numero de títulos na competição, criando uma invejosa hegemonia nos anos 60 e 70. Esse clima de violência e insegurança afugentava os clubes brasileiros. Aos poucos, com um maior televisionamento e um maior cuidado das autoridades, este clima diminuiu até praticamente inexistir, resignando-se a pressão do torcedor nas arquibancadas em forma de apoio ao time e aumentando a sua profissionalização. 

Até a década de 90, o Brasil ainda dava pouca importância a Libertadores. Os títulos eram comemorados e venerados, porém havia um maior enfoque ao futebol local, com as competições estaduais e nacionais. Com os títulos de Flamengo e Grêmio na Década de 80 e os do São Paulo e novamente do Grêmio na década de 90 mudaram a visão dos dirigentes, que passaram a valorizar a competição, tratando-a como prioritária.  

A competição também ganhou visibilidade e viabilidade econômica com a entrada da FoxSports, tornando-a atrativa financeiramente para os times participantes. No Brasil, passou-se a valorizar a classificação para a Libertadores, com um planejamento voltado à conquista da taça, o que proporcionava melhores contratações e melhores equipes, já que um time que disputa a competição acaba levando vantagem na hora de se reforçar. 

Enfim são vários fatores que fazem com que a competição pareça mais fraca a cada ano, cabendo aos times brasileiros o diferencial. Quando isso não acontece, aí a competição fica totalmente nivelada para baixo. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Futebol Brasileiro tem a pior campanha da história recente da Libertadores

Na última rodada da fase de grupos da Libertadores, os representantes brasileiros confirmaram a minha desconfiança sobre o futuro dos times brasileiros na competição e na temporada (aqui e aqui). Pela primeira vez desde quando o país teve direito a mais representantes no torneio, o Brasil teve 3 times eliminados na primeira fase, ultrapassando a marca de 2002, quando dois times foram eliminados.

E por pouco não foram quatro times, já que o Cruzeiro deu um Sprint final nos seus dois últimos jogos, vencendo com facilidade e mostrando o bom futebol que o levou ao titulo Brasileiro em 2013. Se confirmar a boa fase, o time mineiro entrará como um dos favoritos para a conquista do título, já que potencialmente a Raposa é o melhor time brasileiro, apesar de ainda estar irregular na campanha como um todo e perder na prática para o Grêmio, que foi o melhor representante do país nesta primeira fase.  

Nesta noite Grêmio e Atlético Mineiro, já classificados, entrarão em campo para confirmar as duas melhores campanhas do país, onde provavelmente o Grêmio ficará com a 2ª ou 3ª melhor campanha no geral, enquanto o Galo deverá garantir a 4ª melhor campanha. O Grêmio, como já havia escrito, é o time brasileiro que mostrou melhor futebol até agora, enquanto que o Galo ainda precisa provar que as mudanças para esta temporada deram certo, principalmente com a contratação de Paulo Autuori como treinador. O time ainda está bastante instável e é o único brasileiro que não deposito confiança para o mata-mata, pois precisa evoluir para chegar mais longe.

 Eu já projetava a eliminação do Atlético-PR, já que o time enfraqueceu sensivelmente em relação a 2013, tanto no elenco, quanto no comando técnico, já que Vágner Mancini deixou o cargo. O time já entrou com duas derrotas contabilizadas para Vélez e Strongest fora de casa em razão das circunstâncias (pressão na Argentina e altitude na Bolívia), porém o que definiu a sua eliminação foi a derrota diante dos argentinos em casa, onde escancarou a diferença técnica entre ambos os times. 

AI Cruzeiro
Já o caso dos cariocas era uma tragédia anunciada, em virtude de ambos os times apresentarem um futebol pobre e desorganizado, sem inovações táticas e com poucos valores individuais. Apesar de todas estas dificuldades, os times ainda perderam em casa suas classificações, quando o Botafogo perdeu para o Unión Española, enquanto o Flamengo perdeu para o León e tropeçou contra o Bolivar no Maracanã. O futebol do RJ está muito pobre, pelo que pude constatar nos jogos do Estadual e dos representantes da Libertadores. O rebaixamento do Vasco em 2013, o quase de Fluminense (salvo fora de campo) e Flamengo não foi por acaso. Já o Botafogo enfraqueceu em relação a 2013, além de ter problemas com o pagamento dos salários.

Os jogos de ontem serviram apenas para confirmar a incompetência destes times em contratar um treinador experiente e montar um grupo forte com o aporte financeiro. Flamengo perdeu Elias, motorzinho do time, e achou que Elano seria uma reposição a altura. Ontem, o meia ex-gremista foi escalado sem condições físicas para tal, enquanto o time rubro-negro dependia excessivamente da velocidade e movimentação de Éverton e Paulinho. A defesa falhou e o bom time do León venceu em um Maracanã lotado. O caso do Botafogo foi mais emblemático, pois o time sequer lutou. O Fogão foi preparado apenas para segurar o empate, e levou pressão o jogo inteiro do San Lorenzo. Em um chute desviado, o time argentino abriu o placar, e nem a desvantagem que eliminava o time carioca o fez mudar de postura. No fim, o time argentino conseguiu marcar os três gols de diferença que precisava para se classificar. 

Prevejo muitas dificuldades para os times brasileiros remanescentes na competição. O futebol brasileiro está à beira do caos técnico e tático, permitindo que equipes com orçamento infinitamente inferior consigam competir em igualdade de condições. O salário de um jogador titular de qualquer uma das equipes brasileiras (com exceção, talvez, do Atlético-PR por não ser do eixo RJ/SP/MG/RS) paga todo o elenco da maioria dos times latinos, com exceção de times argentinos e mexicanos, o que mostra a desigualdade econômica que fez com que desde 2005 o Brasil tenha pelo menos um representante na final da Competição. Isso ajuda a explicar o motivo que a Libertadores tem um nível técnico inferior. 

Não há como não encarar estes tropeços como fiasco. O Futebol Brasileiro é muito mais rico que o resto do continente e quando esta superioridade econômica não é correspondida em campo, é muito mais em virtude de deméritos dos nossos times do que méritos dos adversários, que muitas vezes montam bons times, mas mesmo assim, inferiores tecnicamente aos brasileiros. Acho que chegou a hora do país encarar a Libertadores como uma competição secundária, privilegiando a disputa do Brasileirão e com os times buscando medir forças, para quem sabe melhorar o nível do nosso futebol. 

Também projeto esta dificuldade para o Campeonato Brasileiro, onde provavelmente veremos a pior edição dos últimos anos no que se refere a qualidade técnica e tática. No ano passado, com exceção da maioria dos jogos do Cruzeiro, já foi difícil de assistir. Os times classificados mostram que o nível fraco do ano passado não foi apenas uma critica de corneta. A impressão é que a maioria das equipes piorou em relação ao ano passado, o que deixa o Brasileirão aberto para equipes mais organizadas e com alguns valores técnicos, como Grêmio, Santos, Internacional e agora o Cruzeiro estão mostrando.

O que dificulta um pouco as previsões para o restante da temporada é a parada para a Copa do Mundo a partir da 9ª rodada do Brasileirão, o que poderá fazer com que um time mude totalmente e possa disputar o titulo ou deixar a disputa. Imagino que os times de São Paulo irão crescer e disputar títulos, mas agora não há como negar que os times de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além do Santos, estão em um melhor momento. 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Grêmio mostra que Gre-Nal serviu de lição

O Grêmio mostrou na vitória que garantiu a classificação no Grupo 6 contra o Atlético Nacional na Colômbia, que tem poder de superação emocional, além de mostrar aos pessimistas que não virou do dia para a noite o pior time do mundo, por ter perdido na Arena o clássico Gre-Nal.

O Gre-Nal serviu para mostrar para o lado gremista que o time era mortal, e tem deficiências que podem custar pontos. Mostrou a falta de maturidade dos jovens jogadores tratando-se de decisões e até do treinador Enderson Moreira, que preferiu ser conservador em um momento decisivo e abreviou a chance de reagir. Já para o lado Colorado, mostrou potencial de crescimento, que poderá se sustentar se Abel fizer a coisa certa, substituindo jogadores que não estão contribuindo com o time, além de uma mudança de formação que favoreça a característica dos jogadores, como foi feito na segunda etapa. 

É bem verdade que o Atlético Nacional não tem a qualidade do Internacional (assim como a grande maioria dos times latinos), porém o Grêmio mostrou mais uma vez ter um bom time, bem treinado por Enderson Moreira e que se configura como o melhor brasileiro na competição, tanto nos resultados, quanto nas atuações. É, atualmente, o único brasileiro que faz valer o maior poderio econômico e se impõe contra os adversários. 

O time gremista se caracteriza pela solidez do sistema defensivo, que levou apenas um gol e mantém o time invicto. A zaga ainda apresenta problemas com a irregularidade de Werley, porém Marcelo Grohe tem dado conta, e mostrado que a atual e anterior direção subestimou-o ao deixa-lo tanto tempo no banco. 

Do meio para frente, o time ainda apresenta inconstâncias, como a de não conseguir manter a posse de bola no campo de ataque nos jogos fora de casa, muito em função de não ter um camisa 10, desde a lesão de Zé Roberto. Essa falta de uma referência também atrapalha nos jogos em casa, deixando o time muito dependente da individualidade dos velozes Dudu e Luan, que por serem jovens ainda são irregulares.

O time se garantirá com uma das melhores campanhas de primeiro lugar da fase de grupos da Libertadores, o que lhe dará vantagem no mata-mata. Vencendo o Nacional e chegando aos 14 pontos, a perspectiva de pegar um brasileiro que consiga se classificar com 10 pontos no segundo lugar de seu grupo é muito grande. Aí, mais uma vez, será testado o poder de decisão do time, que falhou no seu primeiro teste, o Gre-Nal.

O Grêmio precisa mostrar maturidade e poder de aprendizado neste aspecto, para que possa ir longe na Libertadores, já que possui um time capaz, e que hoje teria como adversários fortes somente o Santos Laguna, Vélez, Newell’s Old Boys e o Atlético-MG, se este mostrar evolução.

Para o Campeonato Brasileiro as perspectivas também são animadoras, e hoje apenas Grêmio, Inter e Santos mostram potencial para disputar o titulo. É bem verdade que Cruzeiro e Atlético-MG poderão evoluir, e haverá a parada para a Copa do Mundo juntamente com a janela de transferências, porém se o tricolor conseguir conciliar a Libertadores e o Brasileirão nestas 9 primeiras rodadas do certame nacional, conseguirá uma pontuação capaz de lhe deixar em vantagem para a volta da parada, suficiente para disputar o titulo brasileiro. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Grêmio é o Brasileiro mais consistente da Libertadores

Hoje se encerra a quarta rodada da fase de grupos da Libertadores. Como os estaduais não são parâmetros neste início de temporada, somente o avanço da competição sul-americana serve para avaliar os times brasileiros e projetar forças para a fase de mata-mata, que é onde efetivamente a competição inicia. 

Desde o início da competição, não esperava muita coisa do Atlético-PR. Sem um grande poder de investimento, o Furacão praticamente perdeu a base do ano anterior, além da saída do treinador Vagner Mancini. O time está em um grupo relativamente fraco, pois The Strongest e Universitário nunca meteram medo e basicamente vivem da altitude. Mesmo assim, o time paranaense tem dificuldades e decidirá hoje e na próxima semana a classificação nos jogos em casa. O time deverá se classificar mais em virtude da falta de representatividade do grupo (salvo, é claro, a presença do Vélez).

Os demais clubes, por comporem o G12 dos grandes clubes brasileiros, eu já tinha uma maior projeção, em virtude da capacidade de seus investimentos. Tinha Cruzeiro e Atlético-MG como favoritos ao título, enquanto que Botafogo, Flamengo e Grêmio corriam por fora, até em virtude das grandes mudanças que este trio passou para 2014.

O que acontece até esta quarta rodada é que os times mineiros não engrenaram ainda neste ano, e apresentam dificuldades em seus respectivos grupos. O Galo até lidera o Grupo 4 com Nacional(PAR), Santa Fe(COL) e Zamora (VEN), porém não empolga contra adversários de pouca representatividade. Agora treinado por Paulo Autuori, o Galo perdeu a versatilidade apresentada na Libertadores 2013 e em parte do Brasileirão, tornando-se um time previsível, a ponto de empatar em casa contra o Nacional do Paraguai. O mesmo diagnóstico de falta de versatilidade eu tenho para o Cruzeiro, que encontra ainda maiores dificuldades no Grupo 5 e hoje estaria eliminado em um grupo com Universidad de Chile, Defensor (URU) e Real Garcilaso (PER). O time perdeu a dinamicidade que o levou com facilidade ao titulo brasileiro, e se não vencer o Defensor hoje, estará seriamente ameaçado em ser eliminado na 1ª fase.

O Botafogo lidera o seu grupo (G2), porém ainda não fez partida de encher os olhos do seu torcedor. O time carioca deverá se classificar com tranquilidade e perdeu o seu único jogo até então em situações atípicas (2 expulsões), porém ainda não me convence que possa chegar com força na luta pelo titulo, já que possui um time tecnicamente limitado e não tem um histórico no campeonato que me permita acreditar em titulo, a menos que o time evolua e ganhe maior consistência.

Crédito: Terra
O Flamengo está com grande probabilidade de ser o único brasileiro eliminado. Se Cruzeiro e Atlético-PR podem se complicar, o mesmo não pode ser dito do Flamengo, já que o time fez apenas 1 ponto contra o fraco Bolívar nos dois confrontos, e agora terá que se manter vivo no Equador no duelo contra o Emelec, onde uma derrota significa eliminação antecipada. O time perdeu por falta de grana Elias, seu melhor jogador em 2013, e repôs o meio com Elano e Éverton. Além de não apresentar um futebol satisfatório (que também não vi no Botafogo), o time ainda tropeçou nos resultados, e dificilmente passará para a segunda fase.

Por fim, me restou falar do Grêmio. Depois de um desmanche de um time medalhão comandado por Luxemburgo, e que ainda teve um último suspiro no Campeonato Brasileiro, o Grêmio mudou sensivelmente para 2014 ao apostar em Enderson Moreira e na contratação de jovens jogadores, que prometeram (e cumpriram até então) dar dinâmica ao time. Com uma folha de pagamento menos pesada, o time tricolor conseguiu impor-se no Grupo 6, tido como mais difícil por ter times tradicionais como Newell’s Old Boys (ARG), Nacional (URU) e Atlético Nacional (COL), e provavelmente garantirá classificação como primeiro no grupo. 

Crédito: Terra
Apesar de ainda apresentar deficiências, principalmente nos jogos do Gauchão, o Grêmio mostra na Libertadores um sistema defensivo consistente, que levou apenas um gol nos quatro primeiros jogos, enquanto que o ataque tem funcionado. Ainda olho com ressalvas a lateral direita com Pará e o meio-campo, que apesar de versátil, ainda desperta os meus questionamentos se irá conseguir manter a regularidade. Ainda vejo possibilidade de evolução nestes setores. Outra característica do time é a preparação física, que está nas mãos do competente Fábio Mahseredjian. 

A Libertadores tem ficado em mãos brasileiras desde 2010, e neste momento o Grêmio aparece como o time mais consistente, o que ainda não é conclusivo quanto ao favoritismo, tendo em vista que no mata-mata as coisas mudam e a juventude do time gremista poderá contar contra. Porém o fato de estar em um melhor momento em relação aos adversários e pertencer ao país favorito é um bom prenúncio para o lado azul do Rio Grande do Sul. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Hora de rever conceitos [parte 2]

A derrota do Galo na estreia do Mundial de Clubes no Marrocos contra o anfitrião Raja Casablanca é tão emblemática, que me forçou a escrever uma continuação do post anterior, pois continuei pensando a respeito e cheguei à conclusão que não escrevi tudo o que queria.

Em 2010, quando o Internacional perdeu para o Mazembe, imaginou-se que seria um retumbante fracasso isolado, na base da soberba e da má preparação, e que dificilmente seria repetido. No entanto, em 2013 o Galo repetiu a façanha do Inter e perdeu para outro time africano, o que reacende a polêmica de qual o valor atual do futebol brasileiro no cenário mundial, afinal já são duas eliminações nas semifinais nas últimas quatro competições, onde sempre se projeta uma final entre o representante europeu com o sul-americano.

A partir de 2011, em função do fator Copa do Mundo e de uma política de negociação individual de quotas de TV com a principal emissora do país, os grandes clubes da Série A jamais ganharam tanto recurso de forma abundante, que permitisse a manutenção dos grandes jogadores e melhorasse a estrutura dos clubes. Projetou-se um grande Campeonato Brasileiro pelo menos até a Copa, com revelações como Neymar permanecendo no país e outros “Neymares” surgindo para que o futebol brasileiro começasse a ganhar maior relevância no exterior. 

O ano de 2013 ficará marcado como aquele na qual os clubes tiveram os maiores orçamentos da história, porém nota-se que o nível técnico do futebol brasileiro não acompanhou o ganho exponencial de faturamento dos clubes, o que já acende o sinal vermelho em quem se dispôs a investir milhões nos clubes, pois tivemos 95% dos jogos da temporada com nível técnico sofrível, o que faz a audiência de quem transmite cair em virtude do desinteresse pela mesmice.

O fato de os clubes terem os maiores orçamentos da história ainda não é tudo, tendo em vista que grande parte dos clubes, em virtude de suas gestões amadoras, extrapolou a quantidade orçada e terminará a temporada em déficit, o que exigirá uma nova política orçamentária já para 2014, com razoáveis cortes de gasto.  Os clubes chegaram a conclusão que os jogadores estavam recebendo muito para a pouca qualidade mostrada em campo, porém esta nova política de cortes de gastos farão com que jogadores com razoável qualidade técnica acabem saindo do país para outros centros, como o futebol mexicano, dos Emirados Árabes, do asiático e do leste europeu. 

O futebol brasileiro têm, atualmente, vícios desde a formação dos jogadores até a escalação dos times titulares. Nas categorias de base, há uma preferência por jogadores com maior vigor físico e que, em tese, seriam prediletos pelo futebol europeu.  No entanto, o futebol brasileiro nunca foi abastecido por brutamontes, cuja maioria tem limitações técnicas, e que somado com a falta de cultura tática do nosso futebol, deixa a maioria dos jogadores sem serventia para o futebol europeu, por não ter a técnica e tática esperada, além de deixar o futebol brasileiro feio. 

Outro “fator problema” das categorias de base é a necessidade de conquistar competições, o que faz com que esquemas mais defensivos e que não desenvolvem todo o potencial dos jogadores sejam utilizados, o que faz com que hoje haja muitas posições com problemas de reposição, como as laterais, o famoso camisa 10 e o segundo atacante. Já no profissional, há todo um descritério dos clubes em subir jogadores, além da política de contratações que muitas vezes não contemplam o melhor jogador em qualidade técnica, cuja responsabilidade está na relação dos dirigentes com os empresários de jogadores. 

No quesito tático, o futebol brasileiro não evolui muito em função do endeusamento dos treinadores brasileiros, que se sentem a vontade para sair de um clube e assumir imediatamente outro, sem passar por um processo de readaptação. Há a necessidade de conscientização dos treinadores em passar por um intercâmbio na Europa, em busca de atualização profissional. O futebol brasileiro parece ter parado nos conceitos dos anos 80 e 90, e somente resumir-se a tratar esquemas como números (4-4-2, 4-2-3-1, 4-1-4-1) não resulta em mudanças significativas.  Os clubes continuam sem grandes soluções para a transição defensiva  ofensiva, além da falta de compactação, que deixa um futebol mais espaçado permite uma quantidade maior de erros, além de deixar os jogos lentos. 

Para piorar ainda mais a lambança do futebol nacional, há um descritério em relação ao calendário, formado por muitos jogos desinteressantes para agradar Federações e a grade de programação das TVs. As autoridades do país privam pela quantidade e não pela qualidade. Há ainda toda uma desorganização fora das quatro linhas, com clubes financiando torcidas organizadas e que estão maculando o futebol pela violência através da guerra de interesses e que não é coibida pela segurança pública, além de sucessivamente campeonatos acabarem nos tribunais. 

O título do Corinthians em 2012 era um alento ao futebol brasileiro, porém um ano depois, pode-se afirmar que por tudo que aconteceu neste final de temporada, pode-se afirmar que o futebol disputado no Brasil chegou ao fundo do poço, clamando por providências urgentes para não perder o que ainda detêm, como a supremacia técnica e econômica na América Latina. Com um produto cada vez pior, a audiência e a procura de anunciantes será menor e como consequência teremos um futebol cada vez mais fraco no país. 

Para que esta tendência não se torne uma realidade, é imprescindível que todos envolvidos no futebol nacional abram mão de seus interesses particulares e pensem num melhor futebol brasileiro, que em um curto ou longo prazo será bom para todos, inclusive para aqueles que ganham dinheiro com ele.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Futebol brasileiro precisa urgente de uma revisão de conceitos

Assisti nesta quarta-feira à semifinal do Mundial de Clubes FIFA, onde o Atlético-MG saiu derrotado contra o anfitrião Raja Casablanca, que em virtude de ser o campeão nacional do país sede da competição, acabou ganhando a vaga para disputa-la. 

O time marroquino foi melhor na partida e mereceu a vitória, pois dominou as ações durante 75% do jogo. Perdeu gols no primeiro tempo e abriu o placar logo na segunda etapa, somente sendo ameaçando após o gol de empate na metade da segunda etapa, em uma cobrança de falta sensacional de Ronaldinho Gaúcho. No final da partida, quando o jogo estava aberto, o time mineiro acabou cometendo um pênalti com Réver, permitindo o segundo do Raja Casablanca. O terceiro surgiu já nos acréscimos, quando as favas já estavam contadas.

Desde o início da partida, o Galo mostrou-se apático e apresentou muitos problemas no seu sistema defensivo, que começava com um meio-campo desligado e que nem se aproximava daquele que levou a equipe mineira ao título da Libertadores. Cuca optou por Josué ao lado de Pierre como volante, preterindo Leandro Donizete, que só foi lembrado na segunda etapa.  A defesa nem lembrava o grande sistema de referência, com dois bons laterais e zagueiros. Os maiores lances de perigo do adversário saiam nas costas de Marcos Rocha e Lucas. Ambos acabaram sendo substituídos ao longo do jogo, com o lateral direito chegando a xingar o treinador em um momento extremo de indisciplina.

Ronaldinho Gaúcho, apesar do golaço marcado, mostrou a apatia reconhecida de outros momentos de decisão, onde o craque acabou sucumbindo. R10 foi o jogador que mais errou passes na partida, contribuindo para os contra-ataques gerados pelo adversário. A transição defensiva foi ineficiente, com muitos erros na saída de bola, que motivaram o crescimento do time da casa, que sabia das suas limitações e postou-se defensivamente, com a pretensão de explorar os contra-ataques. 

A impressão que fiquei é que o Galo estava sem ritmo de jogo, contra um adversário que já havia atuado duas vezes na competição. Sinceramente não conheço o calendário marroquino, mas o Raja Casablanca estava mais bem preparado que o time brasileiro. Em todos os mundiais pós 2005, o representante brasileiro sempre teve dificuldades na estreia e isso pode ser motivado por uma preparação deficiente, que não inclui um planejamento com amistosos e jogos-treino em solo europeu ou asiático, além de todo um descompromisso do time após a conquista do titulo continental. 

O calendário brasileiro dificulta um melhor planejamento, porém seria possível que uma equipe classificada ao mundial pudesse planejar um segundo semestre diferenciado, com um período de recondicionamento físico e programar amistosos na Europa/Ásia antes do torneio.  Para isso, escalaria um time Sub-23 por algumas rodadas no Brasileirão, e depois, já com a equipe principal, buscaria a maior pontuação possível para viajar antes para a Europa/Ásia em busca de amistosos. Na Europa, seriam possíveis confrontos contra equipes precipitadamente eliminadas das Copas nacionais.  

O Bom Senso FC ganhou mais um argumento em busca de seus ideais de uma melhor organização do futebol brasileiro. Com exceção da Seleção Brasileira, formada basicamente por jogadores que atuam na Europa, o futebol brasileiro vem definhando em termos globais. Ainda consegue supremacia na América Latina em virtude da situação econômica favorável que se encontra o Brasil, onde é possível contratar revelações latinas, enquanto que outras rumam diretamente a Europa. 

Com a derrota do Galo, que se iguala ao Internacional como únicas equipes da América Latina / Europa que não chegaram a tão esperada final entre os representantes de ambos os continentes na competição. Pior ainda para o futebol brasileiro é o fato do Brasileirão ser discutido na justiça, além de brigas entre as torcidas organizadas que geram noticias de proporções internacionais, já que o país sediará a Copa em pouco mais de seis meses. 

Ainda há o aspecto financeiro dos clubes, cuja maioria está com dividas e alguns clubes tiveram dificuldades para honrar seus salários, o que provocará uma queda de orçamentos e de uma piora técnica no curto prazo, tendo em vista que revelações não surgem da noite para o dia, e jogadores medianos preferirão atuar em outros locais. 

Enfim, tudo que está ruim poderá piorar....

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Projeto não mostra a sua identidade e Grêmio sucumbe mais uma vez


O Grêmio sucumbiu diante dos colombianos do Independiente Santa Fe e deu adeus a Libertadores 2013. O gol de Medina acabou com o grande projeto da temporada do clube, que pretendia o título da competição sul-americana para iniciar uma nova era de títulos ao comando de seu presidente mais vencedor da história: Fábio Koff.

Motivações não faltaram para um 2013 diferente. Primeiro foi toda a apoteose criada pela nova casa, uma moderna Arena que pretendia uma nova forma de relação entre torcedor e o jogo do seu clube. Depois, a vitória de Fábio Koff nas eleições presidenciais, que esteve no comando do clube durante as conquistas das duas Libertadores do clube, um mundial, além de vários títulos nacionais.  Por último, um elenco milionário montado pelo presidente e sua direção, que se aproveitou de negócios de ocasião e montou um time caro e invejável no papel, devido à trajetória mundial de vários jogadores como André Santos, Cris, Vargas, Welliton, etc...

Apesar da vontade em ter Felipão no comando técnico, Koff manteve Luxemburgo, respaldado por 99,9% dos gremistas que queriam a permanência do treinador, após uma boa campanha no Brasileirão do ano anterior, e que renovou o contrato por dois anos com uma razoável valorização salarial. 

Tamanho esforço fez o mandatário gremista adiantar receitas e proporcionar um temerário endividamento que, somado com as obrigações relativas a Arena, chegou aos R$ 28 milhões no primeiro trimestre.  Tudo era válido para ver o clube conquistar um título relevante depois de 12 anos. 

Porém nem tudo saiu como planejado. Uma série de questões internas e externas impediu que o tricolor pudesse ir longe ao seu principal objetivo da temporada. Começou com a dificuldade de transição para a Arena, que além de ser inaugurada antes do tempo, não teve todas as questões contratuais devidamente esclarecidas no momento do acordo, e cujos vultosos valores envolvidos e não devidamente planejados até hoje exige trabalho de negociação do clube, e que contribuiu para tirar o foco do time na competição. Depois entrou no futebol quando o atacante Marcelo Moreno foi preterido pelo treinador e, por meio de seu pai, não poupou críticas ao clube. 

Neste meio tempo, o clube havia preterido o Campeonato Gaúcho em detrimento de uma preparação total para a Libertadores. Durante praticamente todo o campeonato regional, o Grêmio não utilizou força máxima, chegando a escalar um time reserva em todo o primeiro turno da competição, quando as esparsas datas da Libertadores permitiam a escalação do time titular para ganhar entrosamento e ritmo de jogo. 

Luxemburgo não aproveitou como deveria todo o tempo que teve a disposição para treinar o time, pois o Grêmio não evoluía em campo. Tirando os confrontos contra o Fluminense e o Caracas na primeira fase, o time gremista jogou apenas o suficiente para não ser eliminado, tanto que por pouco não ficou na pré-Libertadores além de ter terminado a fase de grupos com a 15ª melhor campanha entre os 16 classificados.

A eliminação para o Juventude na Taça Farroupilha e, por consequência no campeonato, foi sentida, apesar deste não ser prioridade, e o clube se despediu da competição sem chegar a uma final de turno, algo inédito no formato do campeonato. O presidente gremista chegou a utilizar o seu prestigio perante os dirigentes da Conmebol para adiar o segundo jogo das oitavas-de-final contra o Santa Fé para que o clube pudesse disputar a final da competição gaúcha em um provável Gre-nal, além de recuperar jogadores lesionados.

Diante da eliminação sumária no Gauchão, a direção fez todo um planejamento para o jogo da volta, onde o grupo ficou por oito dias em Bogotá para se ambientar com os 2600 metros de altitude da cidade.  Mas o esforço foi em vão, pois o time entrou medroso, querendo desde o primeiro minuto que o jogo acabasse 0x0.

O Grêmio pouco produziu e não foi capaz de suportar a forte pressão do tímido ataque colombiano, que de tão pobre tecnicamente, precisava de falhas explicitas da defesa gremista para ter chances reais de gol.  De tanto insistir, o Santa Fe acabou chegando ao seu gol com Medina, após passar com facilidade por Werley e Bressan para apenas deslocar de Dida. Mesmo com 15 minutos para tentar fazer alguma coisa e com alterações que lhe tornaria mais ofensivo, o Grêmio aceitou a derrota e pouco lutou em campo. 

Os jogadores mostraram um total descomprometimento, cujo lance mais flagrante foi a isolada de Vargas, que estava livre na pequena área e com o goleiro batido, terminando com qualquer chance gremista. Descomprometimento é a palavra que define o time gremista na temporada, algo totalmente diferente do que a história impôs como filosofia para o clube nos seus momentos de glória.

Foi-se o sonho e aparece uma realidade cheia de dívidas e problemas para serem resolvidos. A questão de parceria com a OAS ainda é tema de discussão, e o futuro é muito nebuloso para o clube em termos financeiros. Luxemburgo está a perigo, e o que lhe salva são as minguadas opções do mercado e a sua milionária multa, que se especula atingir os R$ 7 milhões em caso de rescisão. Alguns jogadores vieram com contratos curtos e é provável que deixem o clube no meio do ano, até como forma de aliviar a folha de pagamento.

Os fracassos só se acumulam no clube, que não sabe mais o que é levantar uma taça. Não há mais uma identidade e o único elo do torcedor com o clube vitorioso está em Fábio Koff, um senhor de 82 anos e que mostra as fragilidades oriundas de sua idade avançada. Koff está fazendo o possível e o impossível para reconduzir o clube aos tempos de glória, porém até agora todo o esforço está sendo em vão. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

E se fosse com o seu time?


Mais uma vez na história, uma competição da América do Sul acabou em confusão, ou melhor, teve que ser declarada finalizada por W.O., pois efetivamente não terminou no campo. 

O São Paulo sagrou-se Campeão da Copa Sul-Americana de 2012, um titulo justo por sinal, pois o clube levou a sério a competição e mostrou ser o melhor time, eliminando competentemente todos os times que cruzaram na sua frente e batendo parcialmente o Tigre por 2x0, quando ocorreu a fatídica confusão que mudou inclusive o titulo deste post no intervalo do jogo, que fez com que o time argentino não voltasse para o segundo tempo e o árbitro desse o jogo como terminado, o que rendeu o título ao time brasileiro. Mas:

O que efetivamente ocorreu no vestiário durante o intervalo da partida?

Confesso que me atentei tanto a imprensa argentina quanto a brasileira. A latina afirma que os jogadores argentinos foram agredidos pelos PMs que estavam cuidando da ordem da partida. A FoxSports Argentina, na qual a coirmã brasileira pegou carona, mostrou várias marcas de sangue no vestiário do Tigre e vários jogadores com escoriações pelo corpo, enquanto que a as demais emissoras brasileiras se limitavam a mostrar a sem graça festa são-paulina, totalmente sem clima após um título declarado nestas condições, além de condicionar a desistência do Tigre ao famoso migué. No meio deste fogo cruzado, a Conmebol mostrava a sua tradicional inércia, conhecida de situações passadas e que corroboram para que estes fatos lamentáveis continuem ocorrendo. 

O time argentino não é santo, e entrou no jogo para brigar e criar confusão, já que no futebol perderia ao natural para o São Paulo.  Ao longo da primeira etapa, os ânimos do time argentino ficavam cada vez mais exaltados, e já quando o jogo estava 2x0 a favor do São Paulo, a cotovelada de Orban em Lucas foi a gota d’agua para que as provocações fossem a um caminho sem volta, e assim que o arbitro apitou o fim do primeiro tempo, o meia-atacante são-paulino mostrou um algodão sujo de sangue que usava para tampar o nariz, tendo inicio uma briga generalizada que teria ocasionado no fatídico incidente do vestiário. 

A Conmebol promete investigar o caso, porém já proclamou de forma definitiva o São Paulo como campeão da Sul-Americana. As declarações vindas da imprensa argentina são graves e precisam ser esclarecidas, tendo em vista que estaríamos lidando com um Desvio de Poder da polícia brasileira, que daqui a pouco mais de 18 meses terá que trabalhar na Copa do Mundo, por ter supostamente ultrapassado os limites da razoabilidade e proporcionalidade e desta forma ferido o interesse público que, neste caso, é a segurança.  

Se estas acusações não se confirmarem na prática, teremos outro fato grave de falso testemunho do Tigres e da imprensa argentina, o que requereria uma grande punição ao clube argentino, promotor de um dos fatos mais lamentáveis em finais de competições Sul-Americanas. Para evitar isso, é necessário que o time argentino tenha uma prova substancial, como uma gravação em vídeo ou o áudio das ameaças e agressões que podem ter ocorrido no incidente.

Está na hora que a entidade Sul-americana saia da inercia e dê uma maior credibilidade para as suas competições, coibindo a violência e apresentando maior organização. A entidade costuma passar a mão por cima dos clubes, estimulando-os a agir de maneira cada vez mais antidesportiva.  Tal fato deixa o futebol sul-americano há anos-luz de distância do europeu. 

Porém fica a pergunta: e se esse fato tivesse ocorrido com o seu time?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Tudo igual e decisão no RJ


No primeiro jogo das oitavas-de-final entre Inter x Fluminense, a rede não balançou, deixando o confronto em aberto para o duelo do Rio de Janeiro daqui a 15 dias, onde quem vencer se classifica, com o Inter tendo a vantagem do empate com gols e um novo 0x0 levaria aos pênaltis.

Pode-se dizer que foram dois jogos dentro de um, visto que o primeiro tempo contrastou com o segundo. Na primeira etapa, não houve jogo, visto que o Inter tinha seus crônicos problemas de articulação e não conseguia evoluir da intermediária ofensiva, perdendo facilmente a jogada. O Fluminense de Abel parecia postado para segurar o 0x0 até o fim do jogo, pois o time não agrediu o adversário e não se esforçou para tentar marcar gols fora de casa, apesar de ter tido algumas chances importantes, principalmente na primeira etapa.

O Inter, que já estava desfalcado, veio a perder Kléber ainda no primeiro tempo com uma lesão muscular, e Dagoberto no intervalo, também por problemas físicos. Entraram Fabrício e Jajá, que trouxeram uma nova dinâmica ao segundo tempo, quando  o Inter agrediu o Fluminense no início da etapa final, tendo os seus melhores momentos na partida. Damião teve uma chance de ouro para marcar cara-a-cara com Cavallieri, porém não conseguiu desviar do goleiro, e logo após, o centroavante foi  derrubado por Edinho, em uma penalidade que Dátolo desperdiçou, ao bater no canto adivinhado pelo goleiro fluminense. 

Depois de cerca de 15 minutos de pressão do Inter, o jogo caiu, voltando ao patamar da primeira etapa, onde o Fluminense controlava com certa tranquilidade o jogo no meio-campo. Dorival promoveu a ultima cartada com a entrada de Jô, fazendo com que o Inter utilizasse o modo abafa nos últimos minutos. O atacante até teve a melhor chance do fim do jogo, porém acertou a trave esquerda de Cavalieri, não impedindo o empate em 0x0.

Para o jogo da volta, resta ao Inter tentar recuperar D’Alessandro, apesar desta hipótese ser praticamente descartada. Sem o argentino e Oscar, o Inter fica muito previsível no meio-campo, o que acabará dificultando ainda mais as coisas para o jogo da volta , onde uma rápida jogada de contra-ataque poderia ser decisiva contra o Fluminense, que deverá se arriscar mais em busca de gols.