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terça-feira, 6 de maio de 2014

Liverpool e Atlético vacilam e veem títulos nacionais distantes

Em uma era de grande domínio financeiro em função da grandeza dos clubes no cenário internacional ou de investidores dispostos a colocar seus milhões a disposição, os Campeonatos Inglês e o Espanhol estiveram perto de sair da mesmice, porém os títulos nacionais correm sério risco de ficar nas mãos de poderosos. 

Atlético de Madrid e Liverpool ganharam a simpatia da maioria dos admiradores da Premier League e da La Liga em função de terem orçamentos mais modestos e estarem a um bom tempo na fila. O time madrileno não fatura um título espanhol desde a temporada 1995/96, enquanto os ingleses da terra dos Beatles desde o longínquo 1989/90. Ambos podem não serem mais considerados gigantes no futebol moderno, porém possuem uma gloriosa história e tradição em seus respectivos recintos e fora deles, já que possuem vários títulos europeus.

Nos seus nacionais, o Liverpool estabeleceu uma invejável hegemonia, que só foi alcançada e superada graças a era Ferguson com seus impressionantes números. Porém o time de Liverpool vive um longo jejum e ainda não comemorou um título na era da Premier League. O Atlético de Madrid disputou com o Barcelona ao longo de vários anos o posto de segunda força da Espanha, até que o time catalão se consolidasse na era Cruyf como uma das duas grandes forças do país, ao lado do sempre grande Real Madrid. 

O caso do Liverpool é mais complicado, pois está numa liga com os endinheirados clubes de Manchester (United e City) e do Chelsea. Neste ano, aproveitou-se da má fase do seu rival United e do inicio ruim de Chelsea e City para assumir a liderança, perdendo-a na virada do ano quando foi derrotado pelos concorrentes Chelsea e City, mas recuperando com o foco dos rivais voltado à Champions League. 

O time engatou 11 vitórias consecutivas, que o deixou perto do título, porém vacilou no momento decisivo com uma derrota em casa para o Chelsea e um empate em 3x3 contra o Crystal Palace, quando o time vencia o jogo por 3x0 e procurava atacar em busca do saldo de gols foi o suficiente para deixar o título nas mãos do Manchester City, que nunca deixou os Reds dispararem na tabela, e que hoje tem o título nas mãos, por ter um saldo de gols favorável como critério de desempates e dois adversários que não metem medo, o Aston Villa e o West Ham. A tendência é de vitória em ambos os confrontos, apesar de 4 pontos serem suficientes.

Na Espanha, o Atlético de Madrid surgiu como concorrente para Real e Barcelona desde o início do campeonato, ignorando o fato de seu orçamento ser infinitamente menor ao do rival local que tem o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, além de ter efetuado a maior transferência do mundo nesta temporada, Bale, enquanto que o outro time tem o extraterrestre Messi e não economizou para contratar Neymar. Simeone conseguiu montar um grande time com a qualidade de alguns bons jogadores que o clube conseguiu contratar ou manter e desenvolver, e conseguiu manter o embalo inicial, aproveitando-se de jornadas ruins de Real e Barça para assumir a liderança da Liga na reta final. 

O time poderia garantir o titulo com uma rodada de antecedência sem depender do último duelo contra o Barcelona no Camp Nou, porém a derrota na última rodada para o Levante (2x0) complicou a situação, já que o Atlético precisará de pelo menos um empate em Barcelona, contra um adversário que poderá ser campeão, para não ter que torcer por tropeços do Real Madrid. Seguindo a lógica, o trio deverá vencer seus jogos e o confronto do Atlético de Madrid com o Barcelona será a final do campeonato, que poderá dar o título ao Real Madrid.  

A possibilidade de ambos os times não conseguirem acabar com seus jejuns após chegarem tão perto frustra o saudosista, admirador de um futebol competitivo com velhos campeões voltando a ganhar, além de oferecer uma alternativa ao cada vez menor número de seletos campeões. Porém os times foram além da expectativa e isso já é suficiente para ser comemorado e celebrado como grandes campanhas.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Moyes não aguentou nem a primeira temporada no United

Nesta terça-feira, o Manchester United oficializou a saída de David Moyes do comando técnico dos Reds. A derrota para Everton por 2x0, ex-clube do treinador, foi a gota d’agua em uma temporada marcada por fracassos, sem que o time conseguisse renovar o plantel e disputar títulos, apesar de ter conquistado a Supercopa da Inglaterra no início da temporada. O lendário jogador Ryan Giggs assumirá interinamente o comando técnico, já que acumulava a função de assistente técnico nesta temporada.

A diretoria do Manchester levou 51 jogos para constatar que errou ao contratar Moyes, que vinha de 12 temporadas no Everton e foi considerado o treinador ideal para assumir Ferguson, apesar de não ter um grande currículo como treinador.  No Everton, Moyes não conquistou nenhum troféu, e tinha apenas a conquista da Fotball League One no comando do Preston North End na temporada 1999/00, que é considerada a terceira divisão. Porém pesava a favor do treinador bons trabalhos, que lhe rendeu três prêmios de melhor manager do ano (2003, 2005 e 2009). 

Moyes tinha a ingrata tarefa de substituir Ferguson, que levou o United a um novo patamar, com várias conquistas seguidas que deixaram o torcedor acostumado em dominar o futebol inglês, além de várias conquistas continentais a ponto de ser considerado o maior treinador da história do clube, com mais de 1500 comandados. Antes de Ferguson, o United tinha apenas oito conquistas inglesas, e o treinador assumiu o clube em 1986 na segunda divisão, levando seis temporadas para levar o time ao primeiro título do Campeonato Inglês sob o seu comando, já na era Premier League (1992/93). Desde então, foram 13 conquistas que tornaram o clube o maior vencedor inglês, superando o Liverpool, que na época detinha uma vantagem invejável.

Sua trajetória já iniciou errada ao não promover a renovação do plantel que o clube tanto precisava, já que na época de Ferguson o elenco já dava sinais de fadiga, apesar de ter conquistado a edição passada da Premier League. Com problemas crônicos no sistema defensivo, o treinador não se preocupou em trazer defensores. Ferdinand e Vidic formaram uma grande zaga, porém as constantes lesões e o envelhecimento dos jogadores deixou o setor cada vez mais frágil, sendo responsável por vários tropeços, já que as opções também não se mostraram confiáveis. 

Além disso, outros setores também precisavam de reforços, como a lateral direita onde o brasileiro Rafael não convenceu, o meio, já que o time teve problemas com a saída de bola e de cobertura qualificada, além de um winger com mais regularidade e um atacante, já que Van Persie se lesionou ao longo da temporada e Welbeck não se mostrou um substituto a altura, além de Chicharito não passar de uma eterna promessa. O único alento foi a contratação de Mata, renegado no Chelsea de Mourinho e que se mostrou um grande reforço. Enfim, o grupo precisava de uma oxigenação, que Moyes não conseguiu.

Em campo, apesar da conquista da Recopa da Inglaterra, o treinador acumulou 27 vitórias, 9 empates e 15 derrotas. Na Premier League, foram 17 vitórias, 6 empates e 11 derrotas (34 jogos), das quais seis foram em casa, algo que nunca aconteceu na era Premier League. Algumas das derrotas foram para os modestos Swansea, West Bromwich, Sunderland e Stoke City, adversários de longa hegemonia do United. O time desta temporada ostentará a pior campanha da história recente do torneio, já que desde 1992/93 o clube alternava o título, segundo ou terceiro lugar. Na melhor das hipóteses, poderá chegar ao quinto lugar, porém, ao que tudo indica, ficará em sétimo.

Imaginei que Moyes iria pelo menos até o fim da temporada, e achei prematura a sua saída, que deve ter servido mais como satisfação para com o torcedor do que uma convicção, já que era ingrata a tarefa de substituir Alex Ferguson. A sua nacionalidade e faixa etária trouxeram uma falsa impressão que Moyes poderia ser o “novo” Ferguson. Porém a escolha mostra ter sido uma falta de convicção, senão a direção manteria o treinador por mais tempo

Para o seu lugar, são especulados nomes como Jürgen Klopp (Borussia), Simeone (Atlético de Madrid) e Guardiola (Bayern Munique). A alternativa mais viável é Simeone, apesar deste ter se valorizado e que tornaria uma briga difícil, pois o treinador é especulado até para ser o substituto de Tata Martino no Barcelona.

Imagino que o próximo treinador tenha maior tranquilidade para trabalhar, pois já não terá a presença tão forte do fantasma de Ferguson, além de já estar escancarada a necessidade de reformular o plantel. Se tiver êxito, com todo o poderio econômico do United, o time voltará a brigar pelos títulos. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Atlético de Madrid está próximo de entrar para a história

Nesta sexta-feira, o Atlético de Madrid venceu o Elche por 2x0, gols de Miranda e Diego Costa. Os madrilenses chegaram aos 85 pontos com incríveis 27 vitórias, contra 79 pontos do Real Madrid e 78 do Barcelona, sendo que estes ainda jogarão na rodada. 

Restando quatro rodadas para o fim e tendo a vantagem nos critérios de desempate contra o Real, o Atlético está, na prática, a três vitórias de conquistar um histórico Campeonato Espanhol, marcado pela desigualdade de divisão de receitas de TV, e que valorizam ainda mais a conquista dos comandados por Simeone. Salvo se um desastre ocorrer, o Atlético de Madrid também quebrará uma sequencia de Campeão e Vice alternados de Real Madrid e Barcelona, que já perdura 5 temporadas consecutivas. E se levar apenas em conta o título, a hegemonia já chega a 9 temporadas, desde o título do Valência na temporada 2003/04.

O período de supremacia regula com a mudança na forma de distribuição dos direitos de TV, que passaram a ser negociados individualmente entre os clubes e que favoreceram a dupla mais popular da Espanha. O Real Madrid sempre foi o clube mais rico do país, enquanto o Barcelona ganhou um novo status a partir da era Cruyf e da revolução proporcionada no seu futebol, fazendo com que ambos tenham uma grandeza maior que os demais, mas sempre seguida de perto por outros times do país, como o La Coruña, Valência, Atlético de Madrid, Bétis e Sevilla. Se antes, estes clubes conseguiam rivalizar e até conquistar campeonatos, hoje disputam o troféu do 3º lugar, o que acaba canonizando a campanha que o Atlético está fazendo este ano.

No último dado que obtive pela internet, e que por ser de 2009/10 está desatualizado, Barcelona e Real Madrid faturavam 140 milhões de Euros anuais da TV enquanto Valencia 44, Atlético de Madrid 42, e assim por diante, sempre em valores menores, ao ponto que os times recém promovidos da segunda divisão chegavam a faturar 20 vezes menos que a dupla suprema. Levando em conta que a grandeza de Barcelona e Real Madrid faz com que os clubes ganhem outras receitas robustas, a desigualdade fica ainda maior, a ponto de o Estado espanhol agir, obrigando que os clubes a partir de 2015 voltem a negociar conjuntamente, o que trará benefícios para os clubes que hoje faturam menos.  

Só o fato de o Atlético de Madrid disputar até o fim o titulo espanhol, trouxe uma nova visibilidade à Liga, que estava enfraquecida e restrita aos dérbis entre Real Madrid e Barcelona. Um título do time de Simeone colocará o time na história, como um símbolo da resistência da competitividade (origem) do futebol, que o tornou tão popular como é hoje. É evidente que a globalização atinge o esporte, porém o espírito de competição precisa ser preservado.

O Atlético ainda tem a chance de ampliar o seu feito conquistando a Europa, pois o time duelará com o Chelsea pelas semifinais da Champions League. Não é o favorito para o confronto, porém tem um time com condições de bater os ingleses, e aí a final é apenas um jogo, o que facilita contra um Bayern ou Real Madrid. Dois títulos seria algo sensacional, para deixar o time nos livros de história para sempre ser lembrado, com um bom time montado e otimizado por Simeone, com inovações táticas e um espírito de competição diferente dos demais times europeus, mais próximo ao que vemos na Libertadores.

Ao final da temporada, veremos a dura realidade de um provável desmanche no Atlético de Madrid, que não tem condições de competir com os endinheirados clubes. Por isso, torço para que faça história e signifique um marco em busca da manutenção do espirito competitivo do esporte. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Duelos Equilibrados pelas Semifinais da Champions League

Nesta sexta-feira, a UEFA sorteou os confrontos semifinais da Champions League. O Real Madrid pegará o Bayern de Munique, enquanto o Atlético de Madrid receberá o Chelsea. Os jogos serão dia 22, 23, 29 e 30 de abril.

O sorteio foi bom para o Atlético de Madrid, já que o time enfrenta um adversário levemente superior, porém sem a mesma qualidade de Bayern e Real. O time de Mourinho vinha de boa campanha e liderança tranquila na Premier League, até vacilar na reta final com derrotas contra o Aston Villa e o Crystal Palace, que deixaram os blues em desvantagem na liga inglesa e mostraram a irregularidade do time. Já na Champions League, a equipe inglesa enfrentou muitas dificuldades para bater o bom time do PSG nas quartas, só conseguindo em virtude o gol qualificado fora de casa e da tática ousada de Mourinho no jogo da volta no Stamford Bridge, empilhando atacantes e conseguindo o tento que faltava nos pés de Demba Ba. 

Como tem um grupo reduzido e disputa simultaneamente o titulo do Campeonato Espanhol e da Champions, o Atlético de Madrid já está no limite físico, o que dá ao Chelsea um certo favoritismo no confronto, apesar deste também enfrentar uma maratona neste fim de temporada com o acúmulo de jogos do Campeonato Inglês. Resta saber se Diego Costa e Arda Turan conseguirão recuperar-se plenamente, além de confirmar a presença do goleiro Courtois, que pertence ao Chelsea, e há um contrato que o impede de jogar sob pena de uma recompensação financeira elevada para os padrões do Atlético. A UEFA já se pronunciou sobre o caso, liberando a escalação do jogador por tornar nula proibições deste tipo, porém como os espanhóis possuem boa relação comercial com os ingleses, resta saber se irão se acertar neste sentido.

UEFA
Já o outro confronto entre Real Madrid e Bayern de Munique tem ares de final antecipada, já que reúne os dois melhores elencos da Europa atualmente. O Bayern dispensa comentários, já que é o atual campeão da competição e nesta temporada, sob o comando de Guardiola, estabeleceu-se como um predador no Campeonato Alemão, ganhando o titulo com várias rodadas de antecedência e hoje possui uma diferença de 20 pontos para o segundo, faltando cinco rodadas para o final. O treinador conseguiu implementar seu modelo de movimentação e domínio de posse de bola visto do Barcelona há algumas temporadas, aperfeiçoando ainda mais a equipe que é a favorita para o bicampeonato, algo que não acontece desde o Milan de 1988/89 e 1989/90.

O Real Madrid ainda é muito dependente de Cristiano Ronaldo, atual melhor jogador do mundo, e que tem convivido com problemas físicos. O time liderou boa parte da Liga Espanhola, porém perdeu os dois clássicos para o Barcelona e um para o Atlético de Madrid, o que lhe coloca em desvantagem na luta pelo título. O treinador Ancelotti sofre com as irregularidades de Di Maria, que caiu de produção nos últimos jogos, e de Isco, que começou bem a temporada, mas também caiu de rendimento. Para complicar, o lateral Marcelo também enfrenta problemas físicos o que diminuiu o poder de força do time nos últimos jogos, e que por pouco não se complicou no duelo contra o Borussia Dortmund pelas quartas-de-final. Para as semifinais, tudo dependerá da recuperação dos jogadores para que o time possa duelar de igual para igual com o Bayern, que hoje é favorito para o confronto.

Teremos dois grandes jogos pelas semifinais da Champions League, e apostaria em uma final entre Bayern e Atlético de Madrid no dia 23 de maio no Estádio da Luz em Lisboa. O retrospecto recente conta a favor do Atlético de Madrid, já que desde 2008, o time que eliminou o Barcelona na fase de mata-mata sagrou-se campeão (Manchester United, Internazionale, Chelsea e Bayern de Munique).