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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Oscilação do Inter é preocupante

Nesta quinta-feira, feriado do dia do Trabalho, o Internacional foi até Cuiabá enfrentar o Cuiabá pela Copa do Brasil e ficou no 1x1, após uma má partida e que só não acabou mal em função do oportunismo de Rafael Moura, que marcou o gol de empate aos 41 minutos da segunda etapa.

O resultado foi bom, pois um simples 0x0 dá a classificação do Inter para a terceira fase da Copa do Brasil, e não imagino outra má partida e tropeço contra o Cuiabá no Beira-Rio, porém a má atuação acende o sinal amarelo para a oscilação do time Colorado, que desde a conquista do Gauchão depois dos 4x1 contra o Grêmio vem alternando bons e maus momentos em um mesmo jogo, o que preocupa para a sequencia da temporada. Ficam as perguntas:  Por que o time oscila tanto? Qual é o verdadeiro Inter?

Após um bom início de jogo contra o Vitória e o Botafogo, o Inter começou mal contra o Cuiabá. O time exercia sua superioridade técnica ao controlar a posse de bola, chegando a ter 82% em um determinado momento do primeiro tempo. Porém era uma posse de bola improdutiva, já que era um toque para um lado, toque para outro sem penetração ofensiva e conclusões, o que facilitava a defesa do fechado adversário. Ao Cuiabá restava o contra-ataque, e o time conseguiu ser mais perigoso na primeira etapa, mesmo tendo ficado pouco tempo com a bola.

O adversário aproveitou-se de problemas do time Colorado, como a falta de compactação e de recomposição, e achava espaços no meio, por onde Williams acabava sozinho, além de conseguir entrar com certa facilidade na defesa do Inter, por onde Welligtom marcou o gol do time da casa. O Cuiabá poderia ter definido o jogo no primeiro tempo, pois teve pelo menos mais umas duas chances para marcar, enquanto o Inter ficou preso nos seus problemas sem conseguir encontrar soluções.

Abel Braga colocou Jorge Henrique no intervalo, na lateral direita no lugar de Gilberto, abrindo ainda mais o time. Estratégia arriscada, pois cederia mais espaços para o Cuiabá. Em compensação o Inter teria um homem a mais para atacar, porém insistiu em cruzamentos, tanto pela esquerda quanto pela direita, facilmente afastados pela zaga mato-grossense. Ao todo no jogo foram 37 tentativas, sendo que apenas 7 foram corretas (16%), enquanto que o time teve apenas quatro finalizações certas, mostrando a dificuldade e falta de repertório do time no jogo. 

AI Inter
No final do jogo, com o adversário acabado fisicamente, o Inter começou a dominar completamente o jogo e a pressionar desorganizadamente, encontrando o gol aos 41 do segundo tempo, em um cruzamento que sobrou para Rafael Moura sozinho, tendo apenas a tranquilidade para colocar para as redes. Houve reclamação de impedimento no lance, porém um jogador do Cuiabá que estava fora de jogo, colocou o pé na linha (portanto entrando em jogo) no momento que o atacante colorado fora acionado, o que legaliza a jogada. 

Depois do terceiro jogo seguido com dificuldades, onde em dois o time não conseguiu vencer, fica a dúvida sobre o que desmobilizou o time, já que este mostrou ter potencial para levar o Inter longe na temporada. Após a conquista do Gauchão, lideres do grupo como D’Alessandro, o treinador Abel Braga e dirigentes falaram em sair da mesmice do Gauchão e buscar um titulo nacional. Porém o desejo parece não ter chegado integralmente no vestiário, já que o time relaxou após a conquista, e mostra muita displicência nas partidas, como se a vitória fosse consumada a qualquer momento sem esforço.

Para complicar, setores que estavam se consolidando, começam a apresentar problemas. Na defesa, há a responsabilidade de Abel por ter retirado Ernando para promover a volta de Juan, além de o time não conseguir mais a compactação vista nos Gre-Nais e a recomposição qualificada, necessária para um esquema 4-1-4-1, onde o primeiro volante fica em uma linha separada e tende a ficar sozinho se o time não tiver uma reposição adequada. Na frente, o time domina a posse de bola na maior parte dos jogos, porém não é objetivo, não apresenta uma intensidade uniforme ao longo do jogo,  se desconcentrando facilmente chegando a ser displicente. Falta velocidade ao time em geral, principalmente nas peças ofensivas, o que deixa o time muito burocrático e torna a contratação de um atacante veloz cada vez mais necessária.

O Inter já mostrou que tem condições técnicas para chegar longe, porém precisa consertar seus problemas, além de estar mobilizado o jogo inteiro, sem clima de “já ganhou” e menosprezo ao adversário. Os problemas recentes estão freando a evolução do time, e poderão comprometer o time nas competições nacionais. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Nível do futebol brasileiro preocupa para 2014

Se nada de relevante ocorrer nos próximos dias, esse deve ser o último post de 2013. O tema em questão é a projeção do futebol brasileiro para 2014, já que os clubes prometem uma nova realidade de salários mais baixos e as contratações tenderão ser modestas. 

Com altos e milionários salários, os campeonatos em 2013 mostraram um baixíssimo nível técnico, que comprovam o atraso do futebol brasileiro em relação a outros mercados, e até servindo de explicação para o fracasso do Atlético-MG no mundial de clubes contra o Raja Casablanca. Chegou-se a conclusão que nem com aporte financeiro o futebol brasileiro evoluiu.

Já é de domínio público que os melhores jogadores atuam na Europa, porém nestes últimos anos o fator Copa de 2014 trouxe significativos investimentos da televisão e investidores em busca de fortalecer o futebol no país, com transferências em nível europeu como a de Alexandre Pato, além de postergar a saída de Neymar para o exterior, algo que fatalmente ocorreu no meio desta temporada.

Os clubes não souberam gerir o recurso a mais que receberam, e acabaram gastando fortunas em jogadores medianos e que acabaram valorizando-se expressivamente e inflacionando o mercado, algo que foi irresponsavelmente aceito pelos dirigentes. O fato é que a conta não fechou e a maioria dos clubes terminou 2013 altamente endividados, o que exigiu uma política imediata de retração para a próxima temporada.

Para 2014 a média de salários deverá cair, bem como os valores das transferências. A primeira reação já está acontecendo nestes últimos dias de 2013, com os clubes negociando contratações modestas, enquanto que aqueles jogadores com mercado no exterior estão sendo negociados para cobrir os rombos.  A única exceção é o Santos, que está amparado pelo obscuro fundo de investimentos chamado Doyen Sports.

Para a sorte do telespectador e o azar dos clubes, a janela de Janeiro é modesta no futebol europeu, já que são efetuadas apenas contratações pontuais, pois os campeonatos do velho continente estão na sua metade. A tendência mesmo é a de transferências internas com jogadores que não vingaram em seus clubes indo para outros por valores menores, ou aqueles com baixo custo x benefício e cujos clubes não desejaram suas permanências.

Nesta tarde, assisti na ESPN Brasil o confronto entre Alemanha 3 x 4 Itália pelas semifinais da Copa de 1970. Foi um grande confronto, com 5 gols nos 30 minutos da prorrogação, onde os jogadores estavam extenuados e havia muitos espaços. No entanto, o que me chamou a atenção foi a lentidão da partida desde o início, algo que já pude constatar em jogos de outras copas (58, 62, 66 e 70) que havia assistido previamente. Era outro futebol e torna impossível uma comparação entre jogadores daquela época com os da atualidade. Só em simulações de computadores, seria possível estimar como seriam confrontos de seleções atuais com as de tempos passados. 

Porém o que me chamou a atenção nestes jogos era a lentidão da partida, comparado aos tempos atuais, apesar de ser algo que ainda vemos no futebol brasileiro. Há mudanças táticas e diferenças, como maior vigor físico e menor qualidade técnica, mas a intensidade é basicamente a mesma. Se olharmos atualmente um jogo de Champions League ou confrontos entre grandes seleções, podemos notar a diferença de intensidade, que dá a impressão de estar se jogando uma versão 2.0 do futebol.

Para piorar, além da abissal diferença em campo, há uma profunda desorganização do futebol tupiniquim, com o Campeonato acabando no tribunal, além de brigas entre torcidas que acabam sendo noticiadas no mundo todo. O campeonato nunca conseguiu chamar a atenção de expectadores estrangeiros, e talvez esta tenha sido a última grande oportunidade para mudar este cenário.  Eu sinceramente acreditei que a Copa iria deixar um bom legado no nosso futebol, porém o tempo tratou de minimizar qualquer possibilidade de melhoria, pois não há conscientização dos comandantes que um campeonato forte se faz com clubes e uma marca forte. 

Para que o Brasileirão 2014 não seja tão inferior ao dos últimos anos, os clubes na figura de seus dirigentes terão que se reinventar e assumir as dificuldades que o esporte está passando no país. A Seleção Brasileira é favorita ao Mundial, porém é basicamente um time europeu, enquanto que o futebol no Brasil continua precário essa dificuldade precisa ser assumida para haver uma assimilação que vise melhorá-lo. 

O Campeonato Brasileiro está perdendo até o rótulo de mais disputado, que fora forçadamente utilizado para a publicidade em detrimento do melhor campeonato do mundo, algo que há muito tempo fugia da realidade. Porém é só olhar a tabela de classificação da Premier League, e se vê Liverpool e Arsenal com 36 pontos, Manchester City com 35 e Chelsea e Everton com 34. Qual foi a última vez que o Brasileirão mostrou tanto equilíbrio, sem ser nivelado por baixo?

O futebol brasileiro ainda tem uma reserva de mercado (nacional) em virtude das emissoras de TVs abertas pouco explorarem o futebol europeu, salvo a Champions League.  Ainda há a possibilidade de fomentar o fanatismo que muitas vezes cega os torcedores, e talvez essa seja a salvação do futebol brasileiro, pois se houvesse um livre mercado de transmissões do futebol europeu, sobretudo a Premier League, Bundesliga e os grandes clubes da Itália, França e Espanha, o futebol brasileiro seria engolido e teria um investimento de futebol semiamador. 

Até o final do ano, veremos o rebaixamento da Portuguesa na esfera esportiva na sessão do dia 27, além da confirmação de alguns reforços modestos. Porém quanto a estrutura, planejamento e mudanças de rumo, provavelmente nada ouviremos.   

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Inter reage no segundo tempo e empata com o Furacão

O Internacional ficou no empate de 1x1 contra o Atlético-PR no Estádio do Vale, pelo jogo de ida da Copa do Brasil. Resultado ruim, pois o time agora terá que vencer em Curitiba para obter a vaga para as semifinais.

Dunga fez o de sempre: Trocou peças, ao promover as entradas de Forlán e Jorge Henrique, porém manteve o esquema, o tradicional 4-4-2 com meio em losango, que pelos resultados e atuações mostrou-se incapaz de tirar o máximo dos jogadores e dar vantagem ao time.

Como o histórico previa, o Inter fez um péssimo primeiro tempo, que foi marcado pelo gol do Furacão logo aos 4min, em cobrança de falta do interminável Paulo Baier que desviou em Damião. O Colorado sentiu o gol e poderia ter saído do primeiro tempo com uma goleada nas costas, enquanto que era praticamente inofensivo em seu setor ofensivo. 

Dunga, inevitavelmente, acabou modificando o time no intervalo, colocando Scocco e Otávio nos lugares de Damião e Josimar, deslocando Jorge Henrique para a volância e transformando o esquema para o 4-2-3-1.  O setor ofensivo melhorou com maior movimentação e velocidade, e o time começou a ter várias chances de gols. De tanto insistir, conseguiu marcar com Otávio aos 43 da etapa final. O Atlético mostrou-se satisfeito com o resultado e privilegiou a defesa. O time até teve alguns contra-ataques para matar o jogo na fraca defesa do Inter, porém não soube aproveitar. Nos minutos finais apenas se defendeu, quando chegou a ter dois jogadores a menos com as expulsões de João Paulo e Mérida.

Crédito: AI Inter
O segundo tempo mais interessado do time e um pouco mais organizado, além do gol de Otávio, podem ter salvado o emprego de Dunga, que terá praticamente um mês para reverter a situação do time.  Ofensivamente o treinador tem opções para melhorar o time, basta apostar no esquema utilizado na segunda etapa e manter Scocco, Otávio e Caio ao lado de D’Alessandro. Esse quarteto é o que o time tem de melhor no momento, pois o deixa dinâmico e com opções devido a capacidade de movimentação e velocidade do trio promovido. 

Defensivamente o time continua fraco e deverá continuar assim até o final da temporada. É um problema crônico que só será resolvido para 2014, se a direção promover uma reformulação.  No gol, Muriel mostra-se insuficiente para ser titular de um clube do porte do Inter. Na defesa, tanto os zagueiros Índio e Juan, quanto os laterais Gabriel e Kléber, possuem mais de 30 anos, o que contribuem para a vulnerabilidade do sistema. Na cabeça de área, Dunga já tentou todas as formações possíveis com Williams, Josimar, Airton e Ygor e nenhuma mostrou-se suficiente. 

A critério de informação, dos 11 jogadores inicialmente escalados por Dunga, 7 possuíam mais de30 anos (Gabriel, Índio, Juan, Kléber, Jorge Henrique, D’Alessandro e Forlán). Bastou o treinador colocar juventude no ataque, revertendo um quadro de 3 dos 4 experientes para apenas 1 experiente (no caso D’Alessandro), para o setor mostrar uma significativa melhora, capaz de  buscar o empate, que por pouco não transformou-se em vitória.

Tenho a ideia que o ideal para o um time é ter 1 jogador experiente para cada setor. Desta forma, seria necessária uma reformulação em todo o sistema defensivo do Inter, o que inclui os jogadores considerados insuficientes anteriormente relatados. Somente com uma oxigenação de juventude e de qualidade que o Inter poderá efetivamente chegar ao  favoritismo que pensa ter.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

CBF começa a racionalizar o Calendário Brasileiro

Nesta quinta-feira, a CBF deu o primeiro passo para uma melhor racionalização do futebol Brasileiro.

Em entrevista coletiva, o presidente da entidade Ricardo Teixeira anunciou o prolongamento da Copa do Brasil a partir da edição 2013, estendendo-a durante praticamente toda a temporada (março-novembro), além de deixa-la com um numero maior de clubes (dos atuais 64 para 86).

Com a decisão, os clubes que disputarem a Libertadores a partir de 2013, também poderão disputar simultaneamente o torneio nacional, pois entrarão a partir das oitavas de final da Copa. Desde a temporada 2000 que este fato não era mais possível, pois a CBF creditou o calendário apertado para retirar da Copa os participantes da Taça Libertadores, sendo o Juventude, campeão de 1999, o último a poder defender o título.

Credito a medida como o início de uma melhor organização do calendário brasileiro, visto que era inadmissível a não participação dos clubes, em detrimento dos péssimos estaduais. Estendendo-a ao longo da temporada, a Copa do Brasil ficará similar às dos principais países da Europa, que também são disputadas ao longo da temporada sem prejuízo algum aos clubes que disputam a UEFA Champions League ou a Europa League.

Porém nem tudo serão flores. O regulamento tem uma brecha interessante para a fase final.

Os 86 times dividem-se em 80 que efetivamente disputarão a competição e os 6 da Libertadores. Os 80 times se eliminarão em quatro fases de mata-mata, restando 10 clubes para a fase final, onde se juntariam os seis clubes da Libertadores. Porém o país tem originariamente 5 vagas, onde a sexta só é utilizada quando o país é o detentor do titulo continental, como nestes dois últimos anos com Internacional e Santos. Aí, neste caso, entraria o líder do ranking nacional para ser o 16º time.

Hoje é o Grêmio e amanhã deverá ser o Corinthians, que mesmo estando fora da Libertadores e for eliminado precocemente da Copa do Brasil, poderá voltar à competição na fase final por este absurdo critério, que acabará premiando a incompetência de um time grande.

Outro ponto de discórdia é em relação às vagas para a Copa Sul-Americana de 2013, que terá o horrendo critério que privilegiará somente aos mestres da incompetência.

O atual critério, que coloca os oito mais bem classificados do Campeonato Brasileiro anterior imediatamente após a Zona da Libertadores será deixado de lado, para serem colocados os quatro times mais bem colocados do Campeonato Brasileiro do ano anterior, que não disputarão a Libertadores do ano seguinte, e que ainda tenham sido eliminados precocemente da Copa do Brasil do ano em questão. Um exemplo seria o Atlético-MG, que neste ano foi eliminado logo na segunda fase da Copa do Brasil e que se fosse em 2013, ganharia uma vaga à Sul-Americana de presente por tamanha incompetência.

Com ou não critérios esdrúxulos, dependendo da interpretação de cada um, o Calendário Brasileiro começa a caminhar para uma organização que deixará o Futebol Brasileiro mais atrativo e rentável. Agora só faltará o cunho da confederação brasileira em atacar as federações estaduais com a retirada dos grandes clubes dos estaduais e coloca-los em um breve torneio regional, de cunho preparatório.

A Conmebol também terá que ter o bom senso de padronizar o Calendário Sul-Americano, colocando Libertadores e Sul-Americana como competições simultâneas, além de estendê-las durante toda a temporada. É inadmissível duas competições Sul-Americanas, não concorrentes e que tenha o compartilhamento de 50% dos clubes que também disputaram a Libertadores. Acaba, de certa forma, prejudicando a negociação do futebol sul-americano como um produto atrativo.

É hora de trabalhar Nicolás Leoz