A derrota para o Cruzeiro deixou a impressão que o Inter não possui bala na agulha para disputar o título. Embora haja a justificativa dos desfalques, o time perdeu muito desempenho com a saída de alguns titulares, e que somado com a estratégia de projetar resultados, fez com que o time caísse da liderança para o oitavo lugar em poucas rodadas.
Sobre o grupo de jogadores, já escrevi ontem (leia aqui). Em síntese, o Colorado possui um time titular razoável, longe da perfeição, mas que conseguiria disputar a ponta de um Campeonato formado por clubes imperfeitos. Nas primeiras rodadas, que se realizaram de forma semanal, o time já apresentou problemas na transição ofensiva pela falta de um atacante veloz, um meio lento e burocrático e a ausência de qualidade dos laterais. A zaga mostrou-se segura nos jogos com Ernando e Paulão, porém começou a decair de rendimento com a volta do titular Juan.
Nas últimas semanas, o Inter começou a ter uma maratona de jogos quartas/domingos em virtude dos confrontos pela Copa do Brasil e do Brasileiro, mostrando a fragilidade física dos atletas, que somada com as convocações para a seleção e as suspensões, deixaram o time com apenas dois titulares no segundo tempo contra o Coritiba. Não sou especialista em preparação física nem em fisiologia, porém não acho normal tantas lesões em tão pouco tempo. O fato de o Inter ter muitos trintões contribui para o acúmulo de desfalques, porém a situação fica ainda pior com outro fato de o Inter ser um dos clubes da Série A que menos utilizaram seu time principal na temporada. Se analisarmos adversários, cuja maioria jogou mais vezes, não veremos tantas lesões.
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Fotos: AI Inter |
Tomo cuidado em poupar jovens como Otávio e o lateral Diogo, pois poderão evoluir. Mas quanto aos reforços, não vou poupar criticas, pois é resultante da política de contratações do clube nas últimas rodadas, que aposta em jogadores com algum renome, mas que em função de estarem na fase descendente da carreira, já são dispensáveis pelos clubes onde passaram. Entram ai Dida, Juan, Wellington Paulista, Jorge Henrique, Alex, Rafael Moura, Forlán, Cavenaghi, dentre outros. Alguns já deixaram o clube, enquanto Abel Braga teve méritos em recuperar Alex e Rafael Moura, porém a grande maioria joga o que se espera deles pelo histórico recente em outros clubes: nada. E em um campeonato longo como o Brasileirão, pensar apenas no time titular é uma heresia, tendo em vista que há a necessidade de usar o grupo.
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Sei da importância da matemática, por ter formação na área das exatas, porém vejo que o Inter a utiliza de forma errada, pois coloca a projeção dentro de campo para formular resultados, enquanto que estes números deveriam servir apenas como uma análise ulterior aos confrontos. Um clube com ambições não pode entrar em campo para empatar somente pelo fato de jogar fora de casa, procurando manter o aproveitamento de 66% (vitória em casa e empate fora, 4 pontos a cada 6 jogos). Admito apenas a exceção de utilizar estes números em uma eventual decisão de seis pontos contra um concorrente ao titulo fora de casa, por onde o empate se tornaria interessante caso o time esteja em vantagem em relação ao concorrente.
Se tivesse um pouco mais de ambição, provavelmente o Inter conseguiria segurar a vitória contra Botafogo e Coritiba, além de buscar a vitória contra o Criciúma. Hoje, mesmo com a derrota contra o Cruzeiro, o time estaria na liderança, apesar de todos os problemas que está enfrentando com lesões.
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A tendência é que o time caia ainda mais na tabela, ficando ainda mais longe de uma eventual briga pelo G4, já que o titulo eu já acho praticamente impossível, em virtude dos tropeços contra times mais fracos. Vejo Cruzeiro e Fluminense com times mais fortes e grupos amis consistentes, e ainda colocaria o Corinthians na possibilidade de brigar pelo título, em função dos reforços que o clube terá na volta da Copa. Já para o G4 há uma possibilidade, porém o time já começa a ficar atrás de Grêmio e São Paulo não só na pontuação, como nos critérios de desempate e na relação de jogos da tabela.
Para que o Inter reverta essa tendência, precisará rever conceitos e qualificar o elenco na parada da Copa.
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