terça-feira, 15 de março de 2011

O milagre nerazzurri na Bavária

Nesta terça-feira na Baviera, a Internazionale tinha a ingrata missão de reverter o 1x0 desfavorável, que fora obtido no jogo de ida, em pleno Giuseppe Meazza. Em 90 minutos, a equipe conseguiu deixar o sonho possível, torna-lo quase impossível novamente, porém na dramaticidade conseguiu transformá-lo em realidade.

De inicio, parecia que o confronto seria favorável aos nerazzurris, pois no primeiro lance da partida, Pandev lançou Eto´o em velocidade, com o goleador desviando de Kraft e marcando em posição duvidosa o seu 31º gol na temporada, e o oitavo na competição, se tornando artilheiro isolado na liga. Mas foi apenas impressão, pois os alemães começaram a colocar a bola no chão e equilibrando a partida. A recuperação ainda foi facilitada por Júlio César, que bateu roupa em chute de Robben e que Mario Gomez aproveitou e marcou de puxeta o gol do empate.

A partir do gol, anotado aos 21 minutos, só deu Bayern. Os bávaros aproveitaram-se de uma das piores jornadas proporcionadas pela defesa da Inter nos últimos tempos que, diga-se de passagem, não é a mesma fortaleza da temporada passada. Além de perder bolas no setor intermediário, protagonizou um vacilo defensivo de Thiago Motta, que originou o segundo gol do Bayern, com o volante desviando para trás uma jogada de Ribéry e encontrando Thomas Muller livre, desviando sutilmente de Júlio César.

O Bayern tinha o controle da partida e do confronto, visto que naquela altura só uma virada classificaria a Inter. Porém abusou de perder gols, alguns incríveis como o de Mario Gómez que escorou aos 39 um cruzamento de Ribery, com a bola roçando lentamente em direção ao gol e Ranocchia ganhando a disputa de carrinho com Muller, e contando com a ajuda da trave para afastar. Júlio César também se redimiu, fazendo grandes defesas em chute de Ribery e Mário Gómez.

O gol foi a única coisa produtiva da Inter no primeiro tempo A maior explicação foi o posicionamento colocado por Leonardo, que deslocou Sneijder da posição centralizada de ligação para a esquerda, colocando Stankovic em seu lugar. Sneijder só foi aparecer quando o treinador se deu conta do grave erro tático, colocando o brasileiro Philippe Coutinho pela esquerda, e com Sneijder marcando em sua primeira jogada como meia centralizado.

Faltavam 27 minutos para o Bayern manter o empate que lhe servia ou a Inter conseguir uma espetacular virada. Os italianos foram pra cima, e Leonardo ousou, deixando a equipe aberta e com três atacantes, empurrando o Bayern. Do outro lado, van Gaal contribuiu com essa pressão, ao tirar uma de suas melhores figuras na partida (Robben). E foi aos 43 minutos que aconteceu o improvável: Eto´o ganha de Breno na entrada da área e encontra Pandev livre, que chutou no ângulo de Kraft e sacramentando a classificação nerazzurri. Algo inacreditável para quem viu o primeiro jogo e o primeiro tempo do segundo confronto. O Bayern havia jogado melhor ¾ dos 180 minutos, porém a Inter usou o regulamento e o oportunismo de Eto´o para avançar.

Todos falam de Messi e Cristiano Ronaldo, porém a temporada de Eto´o é sensacional. Hoje ele marcou o seu, e ainda serviu Snejder e Pandev para marcar na épica reação. São 31 gols e 11 assistências na temporada, além da artilharia da Uefa Champions League. Está em números absolutos abaixo dos dois, porém a liga italiana é bem mais competitiva que a espanhola. Porém a ressalva da classificação sua sobre os ombros de Leonardo. O treinador acabou inventando, tirando jogadores de seus lugares e prejudicando tecnicamente a equipe. Tivesse feito o básico, não teria feito os nerazzurris terem sofrido tanto.

Júlio César está em um momento de falta de sorte. Fez hoje grandes defesas, evitando uma eliminação da Inter, porém falhou pela segunda vez somente neste confronto. O goleiro parece estar sem confiança da defesa, que não é nem de perto a da temporada passada. A defesa era o melhor setor da grande Inter de Milão campeã de tudo na temporada passada, porém nesta tem sido o setor mais frágil da equipe.

Na frente, nenhuma produção ofensiva, visto que Leonardo modificou taticamente a Inter, deslocando Sneijder para a esquerda e colocando Stankovic centralizado, abrindo mão da jogada mais perigosa da equipe.

domingo, 13 de março de 2011

Empate com sabor de derrota

O que poderia ser o jogo de confirmação do esquema 4-2-3-1 acabou virando motivo de mais preocupação para os Colorados. O Inter poupou jogadores, foi surpreendido, conseguiu a virada, porém cedeu o empate no fim quando tinha a superioridade numérica. Mais uma vez, os velhos problemas de sempre apareceram, e como nunca são sanados, acabam interferindo nas atuações e nos resultados.

Roth começou a partida com um time misto, preservando jogadores para o confronto contra o Jorge Wilsterman na quarta, pela Libertadores. Em função disso, Kléber e Guiñazu nem se fardaram. Massari e Mathias entraram em seus lugares respectivamente, com Daniel permanecendo como titular, assim como Oscar, preservando o esquema 4-2-3-1 utilizado contra o Ypiranga.

Então apareceram os mesmos problemas de sempre. A entrada de Mathias serviu para deslocar Bolatti de sua função de primeiro volante. Como Mathias saí muito para o ataque e não tem vocação para ser o cabeça de área, abriu um buraco na frente da defesa que o Caxias sobre aproveitar logo aos 3 minutos, com Itaqui abrindo o placar. Além do meio, o lado esquerdo defensivo colocado também apresentava problemas, visto que Massari nem atacava e nem defendia, comprometendo o setor. Não sei até que ponto a juventude o atrapalhou, porém não demonstrou condições de atuar pelo time principal. Já Daniel é o mesmo de sempre, bom no apoio e ineficiente na defesa, pois leva muitas bolas nas costas, o deixando muito inferior à Nei, que nem goza de tanto prestigio assim em relação à titularidade.

Do meio pra frente, Damião era uma ilha no meio dos zagueiros caxienses, enquanto apenas Oscar tentava tramar jogadas na individualidade. Tinga ainda está muito abaixo do jogador que foi em sua primeira passagem, contribuindo pouco ofensivamente ao time. Já Zé Roberto, é um caso a ser estudado, pois geralmente a jogada acaba quando a bola passa pelos seus pés. Faz alguns gols, por ter uma impressionante liberdade tática, mas não o diferencio de Carlos Alberto, muito criticado pelas suas atuações no Grêmio. São iguais, ambos apresentam um futebol displicente e pouco objetivo, e caso jogassem em posições idênticas, produziriam a mesma coisa para seus times.

Hoje, além de ter a atuação de sempre, Zé Roberto ainda desperdiçou um pênalti cobrado displicentemente nas mãos do goleiro, minutos depois de o Inter ter empatado com Damião. Para piorar, logo depois o Inter sofreu o segundo gol do Caxias. As impressões do primeiro tempo colorado só não foram as piores, porque aos 45 minutos Damião empatou novamente a partida.

Roth mudou o time, mas não suas convicções. Trocou Massari por Juan, que já fora testado inúmeras vezes sem resposta. Também trocou Sorondo por Índio. Depois viria a colocar Sóbis no lugar de Zé Roberto, obrigando em sua primeira jogada o goleiro André a trabalhar e colocando para escanteio. Na jogada, Damião de cabeça faria o seu segundo hat-trick consecutivo. O Caxias se abateu, perdeu a cabeça com Lima que agrediu Índio e foi expulso, porém teve tempo de se recuperar contra os visíveis problemas defensivos do Colorado e empatou aos 40, com Everton entortando Juan e contanto com a ajuda de Lauro que não fechou corretamente o seu canto.

Empate, críticas e preocupações para quarta. Roth manterá Mathias, voltando aos três volantes? Continuará insistindo com Zé Roberto? Terá a petulância de colocar Oscar no banco? São questões que tenho definidas na minha cabeça, mas não tenho como responder na visão do treinador. Suas convicções são tão estapafúrdicas, que um pseudo treinador de 25 anos conseguiu equivaler seu time, organizado, porém inferior tecnicamente.

Roth tem em mãos um grande material humano, porém não consegue tirar dele o máximo que pode oferecer. Grande parte disso é em função de suas convicções. Ah se não fosse Damião ...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Inter reestreia sistema com goleada

Roth aproveitou a estreia na Taça Farroupilha em casa contra o Ypiranga para modificar o esquema que vinha jogando nos últimos jogos. Saiu um volante e entrou um meia. Com as lesões de Nei, Índio, Bolívar e D’Alessandro, Roth colocou Daniel na lateral direita, Rodrigo como companheiro de Sorondo na zaga, além de um meio com dois volantes e três meias, formado pelos argentinos Guiñazu e Bolatti atrás, além de ter Tinga pela direita, Zé Roberto pela esquerda e Oscar pelo meio na linha ofensiva, com Damião no ataque.

Tal escalação e esquema colocou em campo um Internacional mais solto, equilibrado e que buscava a aproximação dos jogadores para tabelar e jogar pelos flancos. O futebol de Oscar começou a aparecer na que foi a sua melhor apresentação com a camisa do Inter. O meia participou das principais jogadas ofensivas do colorado, servindo Daniel que chutou cruzado e Damião de carrinho completou para o gol, abrindo o placar. Oscar também faria outra bela jogada pela direita, servindo Damião para marcar o segundo gol, desta vez de cabeça aos 30 minutos.

Se engana quem imaginava que os 2x0 no placar era fruto de uma blitz ofensiva colorada. O Inter estava organizado em campo, tramava jogadas, porém concluía pouco, jogando sem pressão e em ritmo de treino. Não sofreu grandes perigos defensivos, sendo que as principais jogadas do Ypiranga se deram nas costas do lateral Daniel. Tal organização seguiu no segundo tempo, com Zé Roberto ampliando logo no primeiro minuto, após mais uma assistência do menino Oscar. Ainda houve tempo de Damião se antecipar ao goleiro e de cabeça marcar o seu terceiro e o quarto do Inter em cruzamento de Kléber.

O Inter fez o jogo ficar fácil, tornando inofensivo o Ypiranga. Roth aproveitou e promoveu alterações, colocando Sóbis e Cavenaghi para montar o tão sonhado setor ofensivo pedido pela torcida Colorada. Sóbis fez honra ao esquema 4-2-3-1 jogando aberto pela esquerda, com o argentino fazendo seu papel de centroavante. O sistema 4-4-2 sonhado por mim durou apenas o intervalo de três minutos da entrada de Cavenaghi e da saída de Damião. Porém desta vez, Damião não ficou sozinho, tanto que a bola chegou e ele marcou três vezes, além de perder outras chances interessantes.

O esquema promoveu uma movimentação ofensiva grande, com tabelamentos e aproximações com os laterais. Houve o chamado um-dois, aparecendo as jogadas pelos flancos e os gols. Tal esquema deverá consagrar Damião, que hoje já é o artilheiro do campeonato Gaúcho com 9 gols. Boa parte desta movimentação deu-se a partir da atuação de luxo de Oscar, que ia para a direita, para a esquerda e ainda voltava para recompor o sistema defensivo com as suas aptidões de volante, aprendidas durante sua estagia pela Seleção Brasileira Sub20.

A perda de um volante não deixou o setor defensivo mais frágil. Ao contrário, Bolatti tomou conta do setor, com Guiñazu acompanhando-lhe, apesar de suas faltas bobas. Tinga ainda está aquém do que pode oferecer ao time, enquanto Zé Roberto, apesar do gol, não fez uma atuação que o credenciasse como titular indiscutível. A volta de D’Alessandro criará um problema, pois quem irá sair? Roth não pode ser covarde de tirar Oscar, que parece estar consolidando a sua titularidade. O meia tem um toque refinado, mostrando ser diferente dos demais. Sóbis deverá aparecer no lugar de Zé Roberto, com Damião garantido como titular devido ao seu grande inicio de temporada.

Lá atrás, Rodrigo fez uma partida segura juntamente com Sorondo. Índio parece estar perdendo lugar no time, e Roth terá que pensar em quem irá sair para a volta de Bolívar. Os antigos titulares são lideranças no vestiário, porém estão jogando menos que os atuais titulares. Nei deve regressar à lateral direita, chegando ao meu Inter ideal, formado por: Lauro; Nei, Rodrigo, Sorondo e Kléber; Bolatti, Guiñazu, Oscar, D’Alessandro; Sóbis e Damião.

A parada parece ter sido benéfica ao Inter. Basta Roth não inventar com as suas recaídas.

Grêmio conquista a Taça Piratini

Imortalidade! É este o termo que deve estar pensando a torcida gremista com o título da Taça Piratini conquistado nos pênaltis contra o Caxias, depois de sair perdendo por 2x0 no tempo normal, conseguindo o empate já aos 50 minutos da segunda etapa. Agora o Grêmio ganha tranquilidade para jogar a primeira fase da Libertadores, pois já está na final do Gauchão.

O primeiro tempo foi empolgante. Lisca postou um Caxias organizado taticamente e ousado, indo pra cima do Grêmio e tendo nos primeiros sete minutos três chances para marcar. Podia ali ter aberto o placar, porém o Grêmio conseguiu se encontrar, boa parte nas tentativas frustradas de finalizações, que acenderam um pouco o animo gremista. Porém era uma pressão desorganizada por parte do Grêmio, visto que o Caxias dominava o meio-campo, e mereceu abrir o placar com Itaqui cobrando falta no canto direito de Victor, que havia armado mal a barreira.

O gol fez a casa gremista ruir de vez, obrigando Renato Gaúcho a alterar a equipe com a entrada de Bruno Collaço no lugar de Carlos Alberto, que assim como Willian Magrão, eram figuras nulas no meio-campo gremista. A troca não mudou apenas a peça, e sim o esquema, que funcionava com um meio em formato de quadrado com dois volantes e dois meias, retornando ao tradicional losango. Collaço melhorou um pouco o Grêmio, e o tricolor começou a chegar mais perigosamente, colocando o goleiro André Sangalli para trabalhar.

Porém o Caxias não estava morto, e quando queria chegava com perigo na defensiva gremista, ampliando o placar aos 39 minutos com Gerley, tabelando com Everton, e contando com a contribuição de Victor que comeu mosca em seu chute cruzado. O primeiro tempo só não terminou de mal a pior para o Grêmio porque Willian Magrão acertou um chute da entrada da área, diminuindo o marcador e reacendendo as esperanças tricolores. Cada time ainda teve uma boa chance de marcar.

O Caxias voltou para a segunda etapa mais retraído, chamando o Grêmio para o seu campo e tentando explorar os contra-ataques. Teve algumas escapadas pela esquerda, porém o Grêmio começou a ter mais oportunidades de finalizações com Douglas e André Lima raspando o gol de Sangalli. Renato Gaúcho aumentou o poder ofensivo com a entrada de Lúcio no lugar do vaiado Gilson, e na sua primeira jogada achou Borges, que obrigou o goleiro caxiense a fazer outra grande defesa. Uma das explicações de tamanha superioridade gremista foi o Caxias, que acabou cansando e permitindo que o Grêmio trabalhasse mais a bola e até finalizasse mais.

Deu-se então um bombardeio gremista, com o goleiro André Sangalli praticando várias defesas, enquanto a defesa caxiense resistia como podia. O árbitro Márcio Chagas estava tendo boa atuação, anulando corretamente dois gols gremistas por impedimento, porém começou a macular a sua partida não expulsando Douglas, que pisou em Everton aos 20 minutos. O Grêmio pressionava, finalizava e errava, enquanto o Caxias se defendia como podia e saia eventualmente ao ataque, obrigando Willian Magrão salvar o que seria o terceiro gol ao fim do segundo tempo. O time da serra só não contava com os 8 minutos de acréscimo dados pelo árbitro, que viria a originar muita confusão.

Primeiro com a expulsão de Rodolfo, que acabou levando o zagueiro Marcelo Ramos junto. O zagueiro gremista naquela altura jogava como centroavante, enquanto a saída de Marcelo gerou um buraco na defesa caxiense, que aos 50 minutos, Rafael Marques aproveitaria para empatar. Decisão nos pênaltis, onde Borges, Douglas, Rochemback e Lúcio converteram pelo lado gremista, enquanto apenas Everton marcou pelo lado caxiense, com o goleiro Victor defendendo as cobranças de Dê e de Diogo. Título gremista que parecia já improvável, depois de estar perdendo por 2x0, conseguindo empate nos acréscimos e vitória nos pênaltis.

O Caxias jogou o primeiro tempo como time grande, envolvendo o Grêmio e vencendo por 2x1. No segundo tempo faltou gás, porém o árbitro acabou criando confusão ao fim do jogo, prorrogando a partida até que o Grêmio conseguisse o empate. Há tempos não se via tanto acréscimo sem ter um grande motivo aparente. Teria Marcio Chagas da Silva dado todo este tempo com vitória gremista por 2x1? Essa questão ficará para ser respondida.

Que o título não coloque para debaixo do tapete os defeitos gremistas. A equipe teve grandes dificuldades contra o Caxias, sendo envolvida enquanto a equipe da serra teve gás. Boa parte pelas alas, nas costas dos laterais, com a zaga ainda carecendo de confiabilidade. O Caxias tem sim que reclamar da arbitragem, que deixou de expulsar Douglas, além de ter dado todo este tempo de acréscimo.

Metade do estado celebra a imortalidade, que deu a quantidade de minutos necessários para que o Grêmio pudesse reagir.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Empate sem gols e classificação do Tottenham

Em White Hart Lane, o Tottenham precisava apenas não levar gol para passar para as quartas de final da UEFA Champions League. E o dever foi bem executado pela defesa de Harry Redknapp, com poucos espaços cedidos ao Milan e classificação garantida.

Em campo, o treinador preferiu preservar o grande jogador Bale no banco de reservas, pois o mesmo vinha de longo tempo parado por lesão. Taticamente nenhuma invenção, com duas linhas de quatro jogadores, Van der Vaart mais à frente, buscando fazer companhia a Peter Crouch em um esquema 4-4-1-1. Já o Milan de Massimiliano Allegri promoveu uma variação tática interessante, com Seedorf como primeiro volante, tendo ao seu lado Boateng pela esquerda e Flamini pela esquerda, e o setor ofensivo com Robinho funcionando como meia de ligação e um ataque com Ibrahimovic e Pato, num esquema 4-3-1-2.

Este, alias, foi o jogo dos volantes. A marcação se sobrepôs à criação, com Seedorf se destacando pelo lado do Milan, enquanto Sandro foi um dos destaques do meio dos Spurs, cada vez mais se consolidando como titular na equipe de Londres. Como resultado desta característica, o jogo tornou-se amarrado na meia cancha, com poucas oportunidades de ambos os lados.

O Tottenham começou com uma pressão inicial, perdendo uma boa oportunidade com Van der Vaart logo a um minuto de jogo. O Milan neutralizou esta pressão, e ao longo da primeira etapa se destacou por manter mais a posse de bola, porém chegando pouco ao ataque. Ao todo foram duas chances de perigo, uma com Pato sendo lançado, passando por Gomes e cruzando para Robinho chutar mascado e o zagueiro Gallas salvar em cima da linha. No outro lance, o ex-colorado foi novamente lançado, porém esbarrou no goleiro brasileiro. O Tottenham abusava no chuveirinho para Crouch escorar para algum companheiro que se projetasse na área. Tal jogada foi ineficiente, com o grandalhão cometendo várias faltas de ataque.

O panorama do jogo não se alteraria na segunda etapa, com o Milan ficando mais com a bola, mas finalizando pouco, enquanto o Tottenham seguia no chuveirinho. Com um meio formado por Lennon, Sandro, Modric, Pienaar e Van der Vaart, jogadores bons e com habilidade, ficava até feio o jogo por parte dos Spurs. Redknapp tentou corrigir isso com a entrada de Bale e Jenas, buscando construir uma jogada forte pelos flancos, porém o jogo já estava se encaminhando ao fim, e o Milan tratou de pressionar e encurralar o Tottenham em seu campo. Porém os rossoneros só conseguiram duas chances, uma com Pato que chutou pela rede pelo lado de fora, e outro com Robinho já aos descontos.

Classificação dos Spurs merecida pelo primeiro jogo, onde fizeram uma partida beirando a perfeição no San Siro. Porém fica a impressão deste jogo da volta, onde a equipe parecia irreconhecível. A jogada aérea com Crouch é um dos pontos positivos dos Spurs, porém Redknapp possui um meio-campo habilidoso e com opções no banco para variação, com capacidade para criar jogadas de aproximação e movimentação. Boa partida da defesa, que não deixou o Milan criar grandes chances.

Já ao Milan, que tinha como ingrata uma recuperação, fica como alento a variação tática promovida por Allegri, centralizando Seedorf na volância, e o tornando a saída de bola mais qualificada. Porém como preocupação fica o setor ofensivo, que não funcionou com Robinho jogando na ligação, e com Pato como companheiro de Ibrahimovic. O ex-colorado parece estar perdendo espaço no Rossonero, pois no Calcio há a opção do bom jogador Cassano para o ataque. Robinho periga perder o seu lugar, sendo que até Mano Menezes o esqueceu na última convocação da Seleção Brasileira.

terça-feira, 8 de março de 2011

Vitória e classificação do Barça; futebol ofensivo agradece

Se a vitória de virada no jogo de ida já fora histórica para o Arsenal, uma classificação em pleno Camp Nou seria um feito ainda mais grandioso, além de ser inédito. Wenger tinha a missão de tentar parar a maquina de jogar futebol chamada Barcelona. Quase havia conseguido na temporada passada, porém foi só levar um gol, que transformou o confronto em um salão de festas para o Barcelona.

Se Wenger pode contar com Van Persie, Fabregas e Koscielny, que eram dúvidas por se ressentirem de lesões, Guardiola não pode contar com a zaga titular de Puyol e Piqué, improvisando Busquets e Abidal no setor. Um 4-4-1-1 para o Arsenal, com Rosicky, Diaby, Willshere e Nasri formando uma linha de quatro da esquerda para a direita, com Fábregas mais projetado à frente, servindo Van Persie, o único atacante dos gunners. Guardiola não inventou, promovendo a entrada de Mascherano no meio, juntamente com Iniesta e Xavi, e tendo o setor ofensivo formado por Pedro, Villa e Messi, que flutuava em campo.

O esquema proposto pelo técnico francês do Arsenal funcionou no primeiro terço da partida, não oferecendo espaços para o Barcelona tramar as jogadas, porém com eficiência ofensiva nula. A equipe inglesa ainda contou com a infelicidade do jovem goleiro Szczesny, que se machucou sozinho a sua mão ao encaixar uma falta cobrada por Dani Alves, cedendo lugar a Almunia.

Já o Barcelona começou a achar e
spaços em infiltrações pelos flancos ou através de jogadas individuais, aparecendo as finalizações que teve uma bola na trave com Adriano chutando da intermediária esquerda sem ângulo. Os ânimos ficaram quentes, com principio de confusão entre os jogadores dos dois times e pouco futebol. Porém nos descontos, em um lançamento sublime de Iniesta e mais uma genialidade de Messi, o craque argentino recebeu, driblando Almunia com um meio-chapéu e completando para o gol.

A desvantagem no placar e no confronto deveria fazer com quem o Arsenal começasse o segundo tempo atacando. Porém isso não foi visto, enquanto o Barcelona atacava mais e perdia chances. O jogo estava tão desigual, com 70% de posse de bola do Barcelona, que foi a própria equipe catalã que apimentou o jogo, em um fogo amigo de Busquets, cabeceando contra seu próprio gol após escanteio cobrado por Rosicky. Agora era o Arsenal que estava se classificando, com o Barcelona precisando fazer mais um gol para a prorrogação e dois para se classificar.

Van Persie fez questão, logo depois do gol, de retribuir a gentileza, forjando uma expulsão ao concluir uma jogada depois do árbitro Massimo Busacca ter invalidado o lance, levando o seu segundo cartão amarelo na partida. O Arsenal teria cerca de 35 minutos para montar um script de um filme de drama e superação pessoal ao tentar segurar o Barcelona. A equipe catalã fazia o seu jogo, girando o jogo, trocando passes, jogando pelos flancos e promovendo infiltrações, com os jogadores se jogando por cima da bola e com Almunia fazendo o possível e o impossível para bloquear as finalizações catalãs.

Porém não durou 15 minutos para a casa do Arsenal ruir, com dois gols catalães em três minutos. Aos 22, Iniesta faz uma jogada monstruosa no meio campo passando pelos marcadores, tocando para Pedro que achou Xavi, que se projetou na entrada da área e só desviou de Almunia. Aos 25, em outra grande jogada rápida e de troca de passes, Pedro foi derrubado por Koscielny, em pênalti convertido por Messi e colocando a vantagem a favor do Barcelona.

Wenger tentou reagir com as entradas de Arshavin e Bendtner nos lugares de Rosicky e do insosso Fábregas, O meia espanhol do Arsenal, que fora criado na base do Barcelona, fez uma partida muito apática, bem abaixo da média, o que acabou comprometendo o setor ofensivo do Arsenal. Bendtner ainda teria uma grande chance de empatar a partida, recebendo livre um passe de Arshavin dentro da área, porém acabou sendo brecado por Masherano ao tentar desviar de Valdés. Já o Barcelona teve a chance de matar a partida, porém perdeu várias chances de gols, porém que não fizeram falta para a classificação catalã.

Vitória do futebol ofensivo e do individualismo. O Arsenal saiu de campo sem conseguir dar uma única finalização ao gol de Valdés. O Barcelona além de dominar a posse de bola, criou um bombardeio para cima da defesa inglesa, merecendo a classificação para as quartas de finais. Que isso sirva de lição para Wenger e para a maioria dos técnicos brasileiros, que pensam que somente se defender é o que conta. O Barcelona e a Seleção Espanhola (que tem a base do Barcelona) estão ai para contrariar esta regra do futebol.

domingo, 6 de março de 2011

Liverpool vence clássico histórico e complica vida do Manchester

Um clássico inesquecível. É assim que consigo descrever resumidamente o clássico deste domingo entre Liverpool e Manchester. Um jogo cheio de emoções, com hat-trick, golaço, confusão, violência e só não teve expulsão devido à ruindade do arbitro Phill Dowd. Os torcedores do Liverpool, que sempre cantam de forma entusiasmante a canção/lema “You'll Never Walk Alone”, saíram ainda mais entusiasmados com a vitória e atuação da equipe, que complicou seu rival histórico na Premier League.

Liverpool e Manchester é um clássico histórico, de uma rivalidade entre duas cidades próximas e com poderio de potencias, que sempre disputavam a supremacia regional da Inglaterra desde a época da Revolução Industrial. Essa rivalidade chegou ao futebol, com os dois times somando 36 títulos ingleses, sendo 18 para cada lado. Se por um lado o Liverpool não vence um campeonato desde 1990, o Manchester acumula títulos, empatando com o rival histórico, e estando na eminencia de quebrar esta hegemonia nesta temporada. Tal fato ainda temperou ainda mais o clássico, ainda mais após um resultado negativo dos “Diabos Vermelhos” frente ao Chelsea, terça-feira passada e que segurou o Manchester na tabela.

Em campo, Fergusson resolveu manter o mesmo esquema utilizado contra o Chelsea, apenas trocando Javier Hernández por Berbatov, e promovendo a entrada de Giggs como titular. Como não tenho visto jogos do Liverpool na temporada, não sei o seu histórico de escalações e esquemas, mas hoje jogou com o 4-2-3-1 que vinha apresentando nos tempos de Rafa Benitez, com Suarez fixado no ataque, uma linha de três meias formada por Maxi Rodriguez, Raul Meireles e Kuyt. De inicio, pressão natural do time de Anfield, por jogar em casa e necessitar da vitória, mas foi o Manchester que assustou primeiro em uma pegada sem pulo da entrada da área de Berbatov, que acertou a trave de Reina.

O Liverpool detinha maior posse de bola, porém não conseguia encaixar nenhuma jogada aguda pelas pontas, demorando a chegar com perigo. Para complicar, um dos principais jogadores neste tipo de jogada, o lateral brasileiro Fábio Aurelio, se lesionou, necessitando ser substituído. Foi preciso uma grande mudança no sistema defensivo dos “Reds” para colocar Kyrgiakos em campo, deslocando Carregher para a lateral direita e Johnson para a lateral esquerda. E foi a entrada do grego que movimentaria o jogo, pois foi de Kyrgiakos o passe para Suarez marcar um dos gols mais empolgantes da temporada até então.

O uruguaio, que ficou conhecido por defender um chute de Gana pela Copa do Mundo, se livrou de cinco jogadores do Manchester para encontrar Kuyt livre para apenas encostar para o gol. No caminho, além de Evra e Smalling que foram superados pela jogada, Suarez passou brilhantemente por Rafael, Carrick e Brown. Este não iria ser o único presente ganho pelo holandês, que minutos depois ganharia uma assistência “amiga” de Nani, que interceptou de cabeça para trás um cruzamento de ataque dos Reds, e a bola sobrando na cabeça de Kuyt, que livre, só teve o trabalho de balançar as redes.

O jogo deu então uma trégua, descambando para a violência e a confusão típica de um clássico desta magnitude. Tudo começou com uma entrada criminosa de Carregher em Nani, o tirando de campo e levando apenas amarelo do árbitro Phill Dowd. Na jogada seguinte, o lateral Rafael tentou dar o troco em Lucas, ocasionando em uma confusão geral entre os dois times e com o arbitro encerrando o primeiro tempo logo depois para tentar esfriar os ânimos.

Para o espetáculo a parada foi boa, pois os dois times voltaram com vontade de jogo. O Manchester tentava apertar, porém errava nas finalizações. Rooney foi muito bem marcado, aparecendo pouco, com o Chicharito que entrara no lugar de Nani protagonizando os melhores lances ofensivos do United. Porém foi o Liverpool que viria a marcar o terceiro, novamente com Kuyt, aproveitando uma vacilada de Van der Sar que afastou mal uma falta cobrada por Suarez, e o holandês apenas tendo o trabalho para empurrar para as redes. Suarez ainda protagonizaria outro grande lance, deixando Evra no chão, passando uam meia-lua em Brown, mas errando na conclusão. Ainda deu tempo de Chicharito descontar de cabeça nos acréscimos após cruzamento de Giggs.

Vitória maiúscula do Liverpool, com grande atuação coletiva e individual de alguns jogadores. Suarez foi o grande destaque do time, pelas grandes jogadas e participação na vitória, assim como a estrela de Kuyt em estar no lugar e hora certa para marcar os gols. Pelo lado do Manchester, segunda derrota consecutiva em clássicos, onde ambos foram na casa do inimigo. A equipe mantém-se na liderança pela incompetência do Arsenal, que come mosca nos momentos decisivos como no empate em 0x0 contra o Sunderland no Emirates neste sábado. São três pontos atrás do United, porém com um jogo a menos e o clássico em Emirates contra os “Red Devils” na rodada 35. Porém pesa contra a fama de quem fica no quase desde o titulo invicto da liga na temporada 2003/2004.