quinta-feira, 3 de março de 2011

Brasileiros decepcionam até agora na Libertadores

Vi praticamente todos os confrontos com brasileiros até agora na Libertadores, e o que tem me chamado a atenção é a baixa qualidade técnica dos times brasileiros, com exceção do Cruzeiro nos seus jogos em casa. Alguns placares dilatados por parte das demais equipes, mas com atuações aquém destes elásticos resultados.

Há quem defenda que Libertadores é assim, com a raça e a expiração se sobressaindo à técnica e inspiração, porém este ano está demais, com os Brasileiros se nivelando por baixo à média sul-americana, conhecida pela falta de técnica e que compensa com a garra e as táticas defensivas.

Dos cinco brasileiros restantes, o Cruzeiro é o que mostra o melhor futebol, e não é atoa que é colocado como um dos favoritos. Cuca está fazendo o simples, esquema com dois volantes, dois meias e dois atacantes, conseguindo inclusive encaixar Gilberto, Roger e Montillo no mesmo time, deslocando o primeiro para a lateral esquerda, sua posição de origem. A lesão de Gilberto inclusive quebrou um pouco o esquema celeste, que não mostrou fora de casa contra o Tolima o mesmo futebol que apresentara contra Estudiantes e Guarany (PAR), quando marcou nove gols sem sofrer nenhum. Tal fruto desta superioridade deve-se, em parte, a preparação mais bem planejada, com o Mineirão começando depois dos demais estaduais, assim com o Internacional começou o Gauchão com Time B.

Depois vem o Inter, que no papel talvez seja superior ao Cruzeiro, porém em campo apresenta-se inferior. Vale ressaltar que tanto Inter quanto Grêmio estão em grupos mais fracos, e isso os farão ter vantagens na próxima fase. Por isso é imprescindível vencer em casa e essencial vencer fora. Dentre os dois, vejo o Inter na frente, por mostrar-se com maiores recursos para decidir uma partida, além de ter um grupo superior. Porém o que entrava o Inter é o esquema utilizado por Roth e suas preferencias, que fazem o Inter jogar menos do que poderia jogar potencialmente. Já o Grêmio tem um esquema com meio em formato losango que me agrada, porém não está sendo aperfeiçoado e suas deficiências são visíveis, mas não são sanadas. Isso poderá ser crucial no mata-mata.

Já em relação aos campeões nacionais de 2010, vejo o Santos com remotas chances de classificação. Olhando na tabela, a equipe da baixada não está mal e o grupo está equilibrado, porém não mostrou em campo o potencial que mostra nas competições nacionais para ser considerada favorita. É um time leve, com muita técnica, porém sem a força necessária para uma Libertadores, deixando o time sem sal na competição. Já o Fluminense vejo como carta fora do baralho, restando saber em qual rodada da primeira fase estará matematicamente eliminada. Muricy confirma ser um técnico de segundo semestre, e complicado com brigas internas com dirigentes e contratações que deixaram o clube como uma clínica geriátrica, faltam opções e futebol para conseguir o milagre de três vitorias para se classificar.

Dos brasileiros, aposto em Inter e Cruzeiro. São os times que se prepararam para a competição e estão mostrando em campo esta preparação. O Grêmio corre por fora, possuindo um nível de favoritismo menor, porém estando na luta. Vejo que grande parte destas dificuldades estão no habito da arbitragem brasileira de marcar falta em qualquer coisa, com os jogadores acostumando-se a se atirar e o juiz marcar. Isto se vê muito nos times do Eixo, fora que são sempre beneficiados com erros de arbitragem. Com isso há muito caí-caí e pouco embate, que é algo imprescindível nesta competição.

Grêmio joga pouco e vence peruanos na bola parada

Nesta quinta-feira, o Grêmio fez mais um jogo pragmático, tendo dificuldades contra o esquema do Léon de Huanuco, porém conseguiu vencer o adversário peruano em dois lances de bola parada e agora é líder de sua chave.

Ainda sem Lúcio, machucado, Renato Gaúcho escalou o seu 12º titular Adilson no meio, mantendo seu esquema tradicional de losango. A equipe peruana parecia uma cópia defensiva do Oriente Petrolero, que trouxe enorme dificuldades na estreia gremista na Libertadores. Com quatro defensores altos, compactando o espaço com o meio-campo, composto por 5 jogadores e tendo apenas Vigil no ataque, ao contrário do Oriente que jogava em um 4-4-2 clássico inglês.

A variação com um meio ainda mais povoado que a equipe boliviana trouxe as mesmas dificuldades para o Grêmio, que sem um atacante veloz, não conseguia passar pelo ferrolho defensivo e não conseguia finalizações. O Léon explorava os contra-ataques, e teve com Orejuela a sua grande chance do primeiro tempo, recebendo livre, mas com Victor fechando os espaços e conseguindo abafar. O Grêmio até então se limitava a alçar bolas na área, sem perigo contra a alta defesa peruana.

O Léon conseguia controlar ofensivamente o Grêmio, que sem ao menos arriscar chutes de fora da área, somente através de um lance de bola parada poderia salvá-lo no primeiro tempo. E este lance ocorreu aos 41 minutos, em uma falta na intermediária direita, que Douglas levantou e André Lima desviou abrindo o placar. Uma vez aberto o placar, esperava-se que a equipe peruana se abrisse e oferecesse espaços ao Grêmio.

Tal perspectiva não ocorreu, com o Léon mantendo sua composição tática e oferecendo dificuldades ao Grêmio, que não jogava bem. Para sair outro gol, só em lance de bola parada, chute de fora da área ou erro do juiz. Aos 9 minutos, lançamento para a área peruana e André Lima cai, supostamente segurado por um defensor peruano. Eu vi e revi os replays e não me convenci que aconteceu alguma coisa. É o típico de lance que é só marcado no Brasil e que na América Latina e na Europa o arbitro manda seguir. Borges, que não tinha nada a ver com isso, bateu com categoria para marcar o segundo gol gremista.

A partir daí o jogo seguiu enrolado, com o Grêmio errando muitos passes e chegando pouco. Deu tempo de Gilson escapar pela esquerda e cruzar, com a bola encobrindo o goleiro Flores e sobrando pra André Lima, livre, escorar para fora. O Grêmio chegaria apenas mais uma vez, com Collaço já nos acréscimos chutando cruzado perto do gol. O Léon, apesar de suas limitações técnicas, chegou algumas vezes, obrigando Victor fazer uma grande defesa em cabeçada de Zegarra aos 19 minutos.

Vitória gremista com gols de bola parada, fundamento importante no equilibrado futebol atual. Mais uma vez atuação abaixo da média da equipe, sobretudo do meio-campo. Carlos Alberto não se achou no esquema, sendo deslocado pra esquerda e para a direita do losango e sem corresponder, parecendo uma barata tonta sem saber o que fazer em campo. Mais uma vez viu-se a necessidade de um atacante rápido para quebrar o esquema peruano, que foi parecido com o que o Oriente Petrolero já havia apresentado no Olímpico. Como o adversário não tinha poder de fogo, o Grêmio acabou garantindo os três pontos que serão importantes para definir o chaveamento para a próxima fase, porém sem convencer o torcedor ainda.

Conselho Deliberativo do Inter em apuros por Beira Rio 2014

O Beira Rio, patrimônio do Internacional e um dos orgulhos da torcida Colorada, esta virando motivo de pesadelos em relação ao seu futuro. Isto porque o processo de sua remodelação, visando a Copa de 2014, não é tão simples assim como fora vendido pela antiga direção, e com a atual, que convenhamos fazia parte da gestão Píffero, vendo-se sem saída, fazendo-a ligar o sinal vermelho e entregando o futuro da casa do clube ao Conselho Deliberativo.

A gestão Píffero sempre tratava com ressalvas o assunto, escondendo-o a sete chaves da imprensa, torcida e até mesmo do Conselho Deliberativo. Em relação à obra, limitava-se a dizer que ela seria feita em módulos, 100% com recursos do próprio Inter, sempre aproveitando para alfinetar o rival, que pretende construir uma Arena através de uma parceria com a OAS. Enquanto isso, as obras eram empurradas com a barriga, mesmo já se sabendo da escolha do Beira Rio como sede para a Copa em Porto Alegre.

Veio a gestão de Giovani Luigi, que se deu então conta que nada estava saindo como planejado, e a pressão por parte da FIFA o fez ligar o sinal vermelho. Nesta altura, parte da arquibancada inferior já havia sido removida, deixando-o sem saída, pois a desejada reforma passou a ser necessária. A direção tornou público o assunto, entregando-o nas mãos do Conselho Deliberativo, para que este decida qual (melhor) caminho tomar. Há dois caminhos, sendo o primeiro através de autofinanciamento e o segundo através de uma parceria.

O autofinanciamento seria um investimento de risco feito pelo clube, que iria montar a receita necessária para a obra através de recursos próprios, contraídos de projeções de receitas através de camarotes/vendas de jogadores, além de empréstimos. Sem o apoio do BNDES, um empréstimo teria que ser feito em uma instituição privada, a juros de mercado, portanto, altíssimos. Isso já foi tentado pelo ex-presidente em várias instituições, sendo-lhe negado.

Outra parte do dinheiro viria da locação antecipada de suítes/camarotes, que ainda nem foram construídos. Neste caso, haveria uma projeção de receitas, que poderia ou não realizar-se, fazendo com que o clube tenha que utilizar recursos de outros setores para compensar eventuais falhas nesta área. Enfim, algo complexo, que dificilmente a FIFA aceitaria as garantias e que provavelmente endividaria o Inter num futuro próximo, com este tendo que negociar jogadores como forma de conseguir receitas extraordinárias para tapar este buraco, vindo a enfraquecer demasiadamente o time e a saúde financeira do clube.

A outra solução seria uma parceria. Ontem foi entregue ao Conselho Deliberativo a proposta da construtora Andrade Gutierrez, que além de reformar o Gigante, faria todo o complexo (com edifício garagem, campos de futebol para treino e etc.) em troca de exploração de todas as receitas providas dos camarotes, cadeiras VIP, shows e lojas pelo período de 20 anos. Ao clube, restariam as placas de publicidades, bilheterias, patrocínios e vendas de jogadores. A meu ver, a proposta seria extremamente rentável à parceira, que ficaria com os setores que retornam o maior valor num estádio. Com ela, o Inter praticamente entregaria seu complexo para a construtora por 20 anos, em troca da reforma.

Neste caso, seria favorável à construção de um novo estádio, nos moldes Grêmio/OAS, visto que em 20 anos o Inter teria um estádio seminovo para administrar. Com a reforma, não sei se daqui a 20 anos o Beira Rio não necessitará de outra grande reforma, deixando-o refém de nova parceria. Não achei uma proposta boa, e dificilmente irá surgir alguma melhor, pois se trata agora de um clube desesperado, sob pena de perder a sede da copa, além de já ter parte do estádio destruído fruto de uma ação impensada e irresponsável para quem ainda não tinha definido como iria reformar.

Como pode ser visto é um caminho sem saída. Não dá para abdicar da Copa em virtude de tudo que fora acordado com FIFA, CBF, Governo Federal, Estadual e Municipal. Seria mais uma atitude irresponsável e que certamente traria graves consequências. Isto porque já estão sendo feitas obras públicas nas imediações do estádio, e uma saída pela tangente poderia implicar em custos estratosféricos, além de perder os benefícios de isenções fiscais. Se optar pela parceria, o Inter abdicaria de faturar com seu estádio por 20 anos, e se fizer o autofinanciamento periga a falir em virtude dos altos juros que isto implicaria, fora o enfraquecimento do clube como time de futebol.

Serão 20 dias para o Conselho Deliberativo decidir o futuro do Inter. A situação não é mais nada favorável, com o clube saindo como perdedor em ambas, seja qual for a decisão a ser tomada. Deve ser escolhida a solução que traga menores prejuízos ao clube a médio e longo prazo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Dados perdidos do Gmail dão um duro golpe no propósito da Cloud Computing

Esta semana, veio à tona a informação que o Google perdeu dados de 150mil contas do seu serviço de e-mail, chamado Gmail. Neste caso, todas as tentativas de backups espelhos da companhia espalhada pela nuvem não funcionou, deixando nas velhas fitas magnéticas a última possibilidade de recuperação destes dados, que se referem a mensagens de e-mails, configuração de contas e das pastas do serviço de e-mail dos usuários.

Logo ele, que é um dos encabeçadores da metodologia de Computação em nuvem (cloud computing), onde o armazenamento dos arquivos do usuário assim como, futuramente, a disponibilização e o processamento da maioria das aplicações, deixam a maquina do usuário e partem para um servidor, onde podem ser acessadas de qualquer lugar através dos webservices.

Fazer backup de dados em fitas magnéticas é, para quem desconhece, algo muito antigo, porém eficiente em grande parte dos casos. Por ser algo físico, e que pode ser guardado em qualquer lugar, portanto off-line, é uma forma de backup que vai de encontro à metodologia da Cloud Computing, uma vez que se é necessário fazer backup de dados de uma forma que não seja na própria nuvem, é sinal que esta ainda é ineficiente em questão de segurança de dados e não teria o porque de usá-la.

Como sou defensor desta metodologia de Cloud Computing, até fazendo especialização na área WEB, que lida diretamente com ela, fiquei preocupado com esta que talvez seja a maior tendência da TI para os próximos anos. A ideia do Google é fazer um sistema operacional que utilize a nuvem para processar e armazenar as informações dos usuários. Tal ideia é ambiciosa, pois regrediria a uma tendência superada nos anos 70, com a distribuição do processamento em microcomputadores, terminando com os chamados terminais burros, que eram ligados a um mainframe que efetuava o processamento. Só que desta vez, o servidor (neste caso uma rede de servidores chamada cluster) estará disponibilizado na web.

Creio que com tudo isso, as coisas ficarão de uma forma como já venho imaginando há tempos, isto é, com o usuário guardando as informações/arquivos inúteis ou das quais queira compartilhar na nuvem, e as úteis, em forma redundante, consigo mesmo em formato off-line. A ideia principal do Chrome OS ficará prejudicada, e creio que este ou acabe, depois de lançado, sumindo do mercado ou se adequando a realidade atual de sistemas operacionais standalone, onde o processamento as aplicações ficam na máquina do usuário.

terça-feira, 1 de março de 2011

Fator Clube dos 13 e a Copa 2014 em Porto Alegre

Confesso que fiquei o dia todo procurando buscar informações e argumentos que saiam do sensacionalismo a respeito deste assunto delicado que é a Copa do Mundo 2014 em Porto Alegre. É um fato que o Beira Rio foi anunciado como sede de Porto Alegre para a Copa desde que cumpra o cronograma como o prometido, porém os últimos acontecimentos em relação ao racha do Clube dos 13 e dificuldades para comprovar as garantias financeiras poderá fazê-lo um novo Morumbi, preterido pela arena de Itaquera, futura casa do Corinthians.

A remodelação do Beira Rio já iniciou, tanto que parte da arquibancada inferior já foi demolida para a construção da nova parte inferior, maior e mais próxima ao campo. Porém fora de campo o Internacional ainda não conseguiu dar todas as garantias financeiras da reforma para o comitê organizador da Copa, leia-se CBF e FIFA. A FIFA sempre recomenda que reformas sejam feitas através de parcerias, e há pressão para que isto também aconteça com o Colorado. Com isso, a parceria bancaria as reformas de todo o complexo em troca de uma compensação em relação à divisão dos lucros ou exploração de determinadas áreas, em um modelo de negócio similar ao das construções das novas arenas. Porém no Beira Rio a vontade sempre foi tocar as reformas com recursos próprios, e tal fato será levado ao Conselho Deliberativo para ser definido qual método o clube deverá seguir.

Caso seja definida a continuação das obras com recursos próprios, o Inter teria que tirar um coelho da cartola para convencer CBF e FIFA que tem condições de terminar as reformas dentro do prazo estipulado. O Clube não conseguiu empréstimo através do BNDES como pretendia, enquanto a captação de recursos através da locação das suítes que ainda serão construídas mostrou-se insuficiente. Desta forma, teria que haver um alocamento de recursos de outros setores, inclusive do futebol, tirando a competitividade do Colorado no seu produto-fim, que é o futebol, além de possíveis empréstimos para a complementação do valor, providos de bancos privados, e com altos juros. Nem o discurso da direção Colorada a respeito do tema é homogêneo. Há quem defenda publicamente um dos dois lados da moeda.

Paralelo a isso, há toda a pressão politica por parte de Globo/CBF para que o Inter se desligue do Clube dos 13, e seguindo exemplo de outros clubes, que estão negociando os direitos de TV diretamente com a Rede Globo. Ricardo Teixeira tem uma relação estreita com a FIFA, assim como a Rede Globo tem com a CBF. O Grêmio já está negociando com a Rede Globo há alguns dias, e já notei um ganho de espaço de suas notícias na própria Globo, assim como no canal de esportes SPORTV, da Globosat. Caso o Inter mantenha-se fiel ao C13, se opondo à Rede Globo, imagino que a ideia da Copa na Arena gremista ganhe maior força.

Continuo com o pensamento que se o Inter cumprir o cronograma como fora prometido, mostrando que tem recursos para fazer toda a reforma, trará jogos da Copa para o Beira Rio. Apesar da grande empáfia da antiga diretoria em relação ao andamento das obras, empurrando com a barriga a remodelação do complexo, vejo que somente um golpe político tiraria o Beira Rio deste caminho.

Porém sou contra a ideia que o Inter deva alocar recursos do departamento de futebol para se comprometer com as reformas, desta forma prejudicando a qualidade do grupo de jogadores. Uma parceria não seria tão danosa ao clube se for bem fomentada, com todos os itens do contrato muito bem esmiuçados e discutidos. Há de ser estudado com calma o assunto na reunião de amanha do Conselho Deliberativo.

A virada do Chelsea sobre o Manchester United

Todos em Old Trafford sabiam que para colocar uma mão e praticamente todos os dedos da segunda na taça, passava por bons resultados nesta semana, justamente contra os dois maiores rivais, jogando contra ambos fora de casa. Com vantagem de quatro pontos na liderança frente ao Arsenal, um empate não seria lamentado, porém Ferguson não esperava por mais um erro de arbitragem, que acabou influenciando em mais um clássico entre Chelsea e Manchester United. Justo ele, com fama de apitar mais que o juiz.

O confronto entre “Red devils” e Chelsea não é considerado clássico por muitos, em virtude dos poucos títulos dos “blues” na Premier League (4) e dos poucos momentos históricos, acentuados a partir de 2003 com a compra do clube de Stamford Bridge por Roman Abramovich. Porém de lá para cá foi uma briga de cão e gato pelos títulos da Premier League, decidindo inclusive uma Champions League, vencida pelos “Red devils” nos pênaltis em 2008. O Confronto de hoje serviu para o Chelsea colocar fogo no campeonato, já que mesmo com a vitória ficou há longínquos 12 pontos do Manchester.

Em campo, Ferguson trouxe os diabos vermelhos num esquema com dois atacantes, com o Chicarito Javier Hernández fazendo dupla de ataque com Rooney, e atrás duas linhas de quatro, formando um esquema 4-4-2 clássico inglês. Ancelotti preteriu Drogba para utilizar Malouda mais solto pela esquerda, se juntando a Fernando Torres e Anelka. O esquema agressivo dos “blues” os fizeram ir com tudo para cima do Manchester no inicio do jogo, porém sem criar nenhuma chance clara de gol.

As chances, alias, foram escassas na primeira etapa, com um jogo mais concentrado no meio-campo e a marcação se sobressaindo frente à criação. As duas linhas de quatro do United passaram a funcionar a partir da metade da primeira etapa, fazendo com que a equipe passasse a ter um maior domínio de posse de bola e sair no primeiro tempo em vantagem, depois de uma jogada de Rooney com Nani, com o “shrek” tendo liberdade para girar e chutar da entrada da área no canto esquerdo de Cech. O Chelsea teve a chance de empatar ainda na primeira etapa, porém parou nas mãos de Van Der Sar, operando milagres após chute de Lampard e rebote de Ivanovic.

O Chelsea veio com tudo na segunda etapa, sendo beneficiado por um gol nos primeiros minutos, fruto de um cruzamento de Malouda para a área, escorada de Ivanovic e conclusão de primeira do zagueiro brasileiro David Luiz, marcando seu primeiro gol com a camisa do Chelsea. O zagueiro, que vem ganhando espaço com Mano Menezes na Seleção Brasileira, sai afoito ao ataque, deixando espaços na retaguarda. Em um destes espaços cedidos, quase que Rooney faz o seu segundo gol.

Porém a noite era do Chelsea, que contou com a ajuda do árbitro Martin Atkinson para virar o marcador. Após jogada envolvendo Drogba, Lampard e Zirkov, o russo visivelmente tropeçou no zagueiro Smalling ao receber a bola, porém com o arbitro marcando pênalti, cobrado com força e alto no centro por Lampard. O jogo ainda reservou a expulsão do zagueiro Vidic já nos acréscimos por falta em Ramires, desfalcando, assim como seu companheiro de zaga Rio Ferdinand, o Manchester no outro clássico contra o Liverpool.

A situação do Manchester ainda é confortável na Premier League, porém se perder o clássico contra o Liverpool, os diabos vermelhos poderão ver o titulo escapar pelas pontas dos dedos. O Liverpool promete não deixar barato, já que é junto com o Manchester o maior vencedor da liga com 18 títulos, fato que orgulha o clube da terra dos Beatles.

Segue o impasse sobre os direitos da TV para 2012

Como falei no post anterior sobre o racha do Clube dos 13, o fim deste grupo é um caminho sem volta. Extraoficialmente, praticamente todos os clubes abandonaram o barco, e a própria entidade está recomendando alguns clubes a negociarem individualmente a quota de TV.

O Clube dos 13 foi um embrião para uma liga de clubes, que iria organizar o campeonato nacional enquanto a CBF ficaria responsável pela Seleção Brasileira. Não vingou, com a entidade exercendo apenas o papel de cuidar dos direitos de transmissão e outras questões administrativas, como empréstimos, adiantamento de quotas e outras coisas deste tipo. A forma de divisão desta quota desagrada os grandes times do eixo, pois além de estarem em mercados mais valorizados foram criados como Frankenstein’s para a audiência dos canais, ganhando uma grandeza extraterrestre. Porém o intuito deste post é retratar o caminho que este racha deverá trazer, comparando com algumas ligas europeias que utilizam este modelo com as que utilizam um modelo de divisão harmônica.

Grande parte dos clubes, ou talvez até todos da primeira divisão, deverão negociar individualmente com a Rede Globo. A emissora, além de deter a maior visibilidade, também tem a grande influência politica de anos e anos de controle do certame, além de estar com uma relação estreitíssima com a CBF. A emissora deverá pagar o que os clubes que tem a maior audiência da casa querem, porém os outros terão que se contentar com o que a emissora vier a oferecer, aumentando a desigualdade econômica entre os clubes. Quem não entrar nessa, certamente sofrerá represálias dentro de campo e fora dele.

A quota de TV é um dinheiro certo aos famigerados clubes, configurando-se na sua maior fonte de arrecadação. O site Futebol Finance possui o maior acervo de informações a respeito, e me baseei neste para fazer tal estudo. Na tabela abaixo, consta o faturamento em euros (€) da temporada 2009/10 do Top10 da Europa, junto com o faturamento dos dois maiores clubes brasileiros na temporada 2009: São Paulo e Internacional.


A percentagem dos direitos de TV sobre o faturamento total é variável de liga para liga, com esta diminuindo onde há uma divisão mais harmônica entre os clubes. Infelizmente não consegui dados da Liga Italiana, e esta ficou faltando para o scout, porém da Europa fiz o levantamento da liga alemã, espanhola, francesa e inglesa.


Na Inglaterra, na França e na Alemanha (esta sem dados precisos), há uma excelente organização na liga de clubes, com uma porcentagem sendo rachada igual aos participantes, outra de acordo com a classificação no último campeonato, e uma menor de acordo com o histórico de tamanho da torcida e/ou audiência do clube. É evidente que sou contra a todos os clubes ganharem o mesmo valor, acho que tem que ser valorizado o seu histórico, porém o peso deste item tem que ser o menor possível em relação ao total, mantendo certo equilíbrio da equipe que ganha mais e a que ganha menos com a média que deveria ser se essa divisão fosse harmônica. Nota-se um campeonato inglês e alemão equilibrado, com jogos de alto nível técnico. Os clubes com maior torcida tiram proveito da relação com o torcedor para atraírem outras fontes de receita, e mantendo um poder de barganha para a contratação de jogadores a preços estratosféricos.


A Espanha utiliza o modelo de negociação individual e direta, o mesmo que deverá ser utilizado no Brasil. Nota-se que Barcelona e Real Madrid faturam quase 50% do montante total, com o resto sendo rachado entre os 18 clubes, desnivelando economicamente e, por consequência, tecnicamente o campeonato. A Itália utilizou por 11 anos este modelo espanhol, porém acabou voltando atrás devido ao alto desnivelamento entre as equipes. A liga italiana dividiu 40% do valor arrecadado da TV com todos os clubes, 30% de acordo com a classificação anterior e 30% de acordo com o tamanho da torcida. Tal fato, mesmo somado com a crise econômica, não foi danoso aos grandes clubes, que passaram arrecadar menos com a TV, tanto que a Internazionale venceu a última edição da Champions League.

No Brasil, este modelo servirá para apenas aumentar a grossura dos fios da peneira na qual os clubes ousam quererem tapar o sol. Não há organização administrativa suficiente na maioria dos clubes para atrair outros recursos que não sejam provenientes de quotas de TV e de patrocínios de camiseta. Como consequência este modelo enfraquecerá ainda mais o nosso futebol, devendo o modelo antigo ser retomado em seguida, porém depois de um grande estrago na finança da maioria dos clubes, que se fossem tratados como empresas já teriam falido há tempos, devido às altas dívidas.

O intuito do post era mostrar o impacto que esta mudança poderá trazer para o nosso futebol. Para quem torce por um time do eixo Rio/São Paulo, verá melhorias, porém para quem torce por outro time, poderá desiludir-se do futebol. Estou atento às movimentações em relação a este impasse, sendo que a qualquer momento poderei retomar o assunto.