quarta-feira, 31 de outubro de 2012

E o tapetão volta sete anos depois...


Em 2005 o Futebol Brasileiro respirava o maior escândalo da sua história, com a confissão do então árbitro Edilson Pereira de Carvalho de que havia participado de um sistema de manipulação de resultados. 

Pouca coisa foi feita, a não ser a anulação de 11 jogos pelo STJD via Luiz Zveiter, que acabaram alterando o resultado final daquele certame e que fora de campo sua investigação teve vistas grossas e até hoje não se sabe quem esteve efetivamente envolvido e qual dano material foi obtido.

Passados sete anos, a anulação de uma partida está novamente na pauta do tribunal, agora sobre comando  de seu filho Flávio Zveiter, que julgará no próximo dia 22 se a forma como foi anulado o gol de mão de Barcos foi legal ou não. 

Aviso! Não escrevi errado! É esse mesmo o motivo de tamanha discussão.

Que o gol foi ilegal isso todo mundo sabe, pois Barcos tentou malandramente ludibriar a arbitragem ao estilo “La mano de Dios” de seu compatriota Maradona. O arbitro Francisco Carlos Nascimento inicialmente havia caído na malandragem do argentino ao assinalar o gol, porém diante das veementes reclamações dos jogadores colorados e de várias consultas com seus assistentes voltou atrás, anulando o gol.

E é essa anulação o motivo da discórdia, pois de acordo com a versão palmeirense, o árbitro teria se utilizado de uma fonte externa para promulgar a sua decisão, o que não seria permitido por não estar nas regras da FIFA. Embora não haja a convicção da veracidade do fato, o STJD aceitou a denuncia do time paulista e impugnou o resultado do jogo até o dia do julgamento, por onde se definirá pela anulação ou não da partida.

Na prática é a palavra de uma repórter respaldada pela questão política do Palmeiras contra os membros de arbitragem. Não há nenhuma prova cabal ou material que o fato teria efetivamente acontecido, o faz soar como incompreensível tamanha atmosfera que o caso está tendo, e não há que se duvidar que a condição do Palmeiras ao fim da 36ª rodada pesará para a decisão dos auditores do tribunal mais polêmico do futebol mundial e que nem deveria existir, pois assim como as capitanias hereditárias o STJD passa de pai para filho.  

Não discuto o mérito da questão, mas não é de hoje que o futebol utiliza-se de meios externos para corrigir grandes equívocos, vide a cabeçada de Zidane em Materazzi na final da Copa de 2006, que teria sido vista pelo quarto arbitro através das imagens do jogo que eram mostradas no telão do Estádio Olímpico de Berlim. Outros casos menos visíveis e que também devem ter ocorrido, sem qualquer anulação de resultados e com punição ao jogador que por má-fé tentou ludibriar a arbitragem em benefício do seu clube ou seleção, algo que pelo visto não acontecerá com Barcos. 

Só o fato de se discutir um lance completamente ilegal já é motivo de vergonha para o futebol nacional. Já a anulação da partida, corroborando com a imoralidade de ludibriar a arbitragem com um gol de mão sem se ter provas, mostraria mais uma vez que quem faz o campeonato não são os jogadores, treinadores e torcedores, e sim mimados dirigentes que usam o seu poder de influência para tentar conseguir alguns pontinhos que são necessários para encobrir só uma parte de suas incompetências. 

Considero-me atualmente um crítico do futebol, porém já passei pela fase de torcedor apaixonado. Hoje tenho pena de quem abre mão do seu tempo, profissão, família e inclusive de bens materiais para poder ficar mais perto do seu time do coração. Foram tantas arbitrariedades nestes últimos anos beneficiando ou prejudicando alguns clubes, que o futebol brasileiro é levado na brincadeira e na camaradagem por aliados políticos, que usam do esporte como forma de obter favorecimento pessoal, deixando a essência do esporte para trás.

Quando tiver um filho e se esse puxar ao pai e vier a gostar de futebol, torcendo por algum clube, como poderei explicar os famosos tapetões do futebol brasileiro?  É duro reconhecer, mas aos poucos vem à tona os motivos que estão colocando o nosso futebol cada vez mais no fundo do poço.

Atualização:
Embora Flávio Zveiter, presidente do STJD, ter assinalado o dia 22 como data do julgamento, o mesmo conseguiu entrar na pauta do dia 08/11, o que resolverá este embrolho de forma breve.

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